A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
307 pág.
Apostila de Direito do Trabalho

Pré-visualização | Página 15 de 50

na forma de prestação de serviços, além do poder de mando desta sobre os empregados terceirizados. 
Não menos preocupante, embora se possa reconhecer alguns pontos positivos, é o substitutivo do projeto de lei nº 4.330/04 que prevê, no seu artigo 2º, o seguinte:
Art. 2º - Para os fins desta lei, considera-se:
I – terceirização: a transferência, pela contratante, da execução de parcela de qualquer de suas atividades à contratada para que esta a realize na forma prevista em lei; 
... 
Ora, se é “qualquer de suas atividades” deve-se concluir que tanto a atividade-meio quanto a atividade-fim poderão ser terceirizadas.
 
QUESTÕES DA PROVA DA OAB
EXAME DE ORDEM IV – FGV – 1ª FASE
Paulo, empregado da empresa Alegria Ltda., trabalha para a empresa Boa Sorte Ltda., em decorrência de contrato de prestação de serviços celebrado entre as respectivas empresas. As atribuições por ele exercidas inserem-se na atividade-meio da tomadora, a qual efetua o controle de sua jornada de trabalho e dirige a prestação pessoal dos serviços, emitindo ordens diretas ao trabalhador no desempenho de suas tarefas. Diante dessa situação hipotética, assinale a alternativa correta:
 
(A) A terceirização é ilícita, acarretando a nulidade do vínculo de emprego com a empresa prestadora e o reconhecimento do vínculo de emprego diretamente com a empresa tomadora. 
(B) A terceirização é ilícita, acarretando a responsabilidade subsidiária da empresa tomadora pelas obrigações trabalhistas inadimplidas pela empresa prestadora. 
(C) A terceirização é lícita, acarretando a responsabilidade subsidiária da empresa tomadora pelas obrigações trabalhistas inadimplidas pela empresa prestadora. 
(D) A terceirização é lícita, não acarretando a responsabilidade subsidiária da empresa tomadora pelas obrigações trabalhistas inadimplidas pela empresa prestadora. 
EXAME DE ORDEM XIII – FGV – 1ª FASE
ABC Manutenção e Limpeza manteve contrato de fornecimento de mão de obra de limpeza com Aeroportos Brasileiros, empresa pública federal. Por ocasião da ruptura do contrato entre as empresas, Paulo, funcionário da ABC Manutenção e Limpeza Ltda, e que prestava serviços para Aeroportos Brasileiros, foi dispensado sem receber as verbas rescisórias. Ajuizou ação trabalhista em face de ambas as empresas, sendo a empregadora revel. A tomadora dos serviços apresentou defesa com robusta documentação, demonstrando a efetiva fiscalização do cumprimento do contrato e de aspectos legais, sendo certo que o contrato foi cancelado justamente em razão desta fiscalização. Diante deste caso, assinale a afirmativa correta.
A) A empresa pública federal responde solidariamente por força da terceirização.
B) A empresa pública federal responde subsidiariamente por força da terceirização, haja vista o inadimplemento das obrigações trabalhistas por parte do empregador.
C) A empresa pública federal é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da demanda porque não tem vínculo de emprego com Paulo.
D) A empresa pública federal não responde pelo inadimplemento das verbas trabalhistas porque sua responsabilidade não decorre do simples inadimplemento contratual, tendo ficado provado, no caso, que houve efetiva fiscalização por parte da tomadora dos serviços. 
EXAME DE ORDEM IV – FGV - 2ª FASE
João da Silva ajuizou reclamação trabalhista em face da Cooperativa Multifuncional Ltda. e do Posto de Gasolina Boa Viagem Ltda. Na petição inicial, afirmou que foi obrigado a se filiar à cooperativa para prestar serviços como frentista no segundo reclamado, de forma pessoal e subordinada. Alegou, ainda, que jamais compareceu à sede da primeira ré, nem foi convocado para qualquer assembleia. Por fim, aduziu que foi dispensado sem justa causa, quando do término do contrato de prestação de serviços celebrado entre os reclamados. Postulou a declaração do vínculo de emprego com a sociedade cooperativa e a sua condenação no pagamento de verbas decorrentes da execução e da ruptura do pacto laboral, além do reconhecimento da responsabilidade subsidiária do segundo réu, na condição de tomador dos serviços prestados, nos termos da Súmula 331, item IV, do TST. Na contestação, a primeira ré suscitou preliminar de impossibilidade jurídica do pedido, uma vez que o artigo 442, parágrafo único, da CLT prevê a inexistência do vínculo de emprego entre a cooperativa e seus associados. No mérito, sustentou a validade da relação cooperativista entre as partes, refutando a configuração dos requisitos inerentes à relação empregatícia. O segundo reclamado, na peça de defesa, afirmou que o reclamante lhe prestou serviços na condição de cooperado e que não pode ser condenado no pagamento de verbas trabalhistas se não foi empregador. Na instrução processual, restou demonstrada pela prova testemunhal produzida nos autos a intermediação ilícita de mão de obra, funcionando a cooperativa como mera fornecedora de trabalhadores ao posto de gasolina. 
Com base na situação hipotética, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso. 
a) É cabível a preliminar de impossibilidade jurídica do pedido? (Valor: 0,45) 
b) Cabe o pedido de declaração de vínculo de emprego com a primeira ré e o de condenação subsidiária do segundo reclamado? (Valor: 0,8) 
13. TIPOS ESPECIAIS DE CONTRATOS DE TRABALHO E EMPREGO. OUTRAS RELAÇÕES DE TRABALHO.
13.1. Tipos Especiais de Contratos de Trabalho e Emprego. 
13.1.1. Trabalho Rural.
Segundo o artigo 2º da Lei nº 5.889/1973 empregado rural é toda pessoa física que, em propriedade rural ou prédio rústico, presta serviços de natureza não eventual a empregador rural, sob a dependência deste e mediante salário.
 Referido diploma legal traz algumas diferenças em relação aos empregados urbanos. São exemplos disso:
a) contrato de safra – é modalidade de contrato de trabalho por prazo determinado, embora não se conheça previamente a data do término da safra. 
b) jornada noturna na lavoura – das 21:00 horas às 5:00 horas da manhã do dia seguinte.
c) jornada noturna na pecuária – das 20:00 horas às 4:00 horas da manhã do dia seguinte.
d) adicional noturno – 25% sobre a remuneração normal.
e) intervalo intrajornada – observância dos usos e costumes da região. O Decreto regulamentador da Lei fala em gozo de intervalo intrajornada mínimo de uma hora, observados os usos e costumes da região. 
f) percentual de desconto a título de moradia – 20% sobre o salário mínimo.
g) percentual de desconto a título de alimentação – 25% sobre o salário mínimo.
h) desocupação de imóvel no caso de rescisão contratual – prazo de 30 dias. 
i) aviso prévio de desligamento promovido pelo empregador – o empregado faz jus a um dia por semana sem prejuízo do salário integral para procurar outro emprego. Está no Decreto regulamentador da Lei.
j) propriedade rural com mais de 50 famílias de trabalhadores de qualquer natureza é obrigada a possuir e conservar em funcionamento escola primária, inteiramente gratuita, para os filhos destes, com tantas classes quantos sejam os grupos de 40 crianças em idade escolar. 
13.1.2. Trabalho Doméstico.
 Dispõe o artigo 1º da Lei nº 5.859/1972 empregado doméstico é aquele que presta serviços de natureza contínua e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família no âmbito residencial destas. 
O legislador constituinte estendeu aos trabalhadores domésticos apenas parte dos direitos trabalhistas dos empregados em geral (artigo 7º, parágrafo único da Constituição Federal de 1988).
A Lei nº 10.208/2001 facultou a inclusão dos trabalhadores domésticos no regime do FGTS. Vale dizer: não está obrigado a empregador doméstico a depositar mensalmente o FGTS. Todavia, se o fizer por uma única vez, tal benefício não poderá ser suprimido. Em sendo beneficiário do FGTS o trabalhador doméstico também fará jus ao seguro desemprego, na hipótese de desemprego involuntário