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Apostila de Direito do Trabalho

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e outros;
g) outras leis ordinárias importantes na evolução do Direito do Trabalho: Lei nº 605/49 (repouso semanal remunerado), Lei nº 3.207/57 (empregados vendedores, viajantes e pracistas), Lei nº 4.090/62 (décimo terceiro salário), Lei nº 4.266/63 (salário-família, etc.), Lei nº 5.859/72 (empregados domésticos), Lei nº 6.019/74 (trabalhador temporário), etc. 
h) a Constituição Federal de 1967 - manteve direitos trabalhistas estabelecidos nas Constituições anteriores (artigo 158, alterado para 165 pela Emenda Constitucional nº 01/1969);
i) a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 representa um marco na consolidação do direito do trabalho em nível constitucional - neste texto foi adotado um modelo prescritivo, não sintético, de regulamentação constitucional trabalhista, com a inclusão de grande rol de direitos trabalhistas, em dimensão ampla até então inexistente. Assim, foram criados direitos novos no texto constitucional e foram constitucionalizados direitos trabalhistas antes só previstos na legislação ordinária. Na Constituição Federal de 1988 há regras gerais de Direito Constitucional aplicáveis no âmbito do Direito do Trabalho, como por exemplo, a garantia de respeito ao ato jurídico perfeito, ao direito adquirido e a coisa julgada, aplicação imediata de direitos e garantias fundamentais (artigo 5º) e há normas específicas de direito do trabalho, individual e coletivo, concentradas, respectivamente, nos artigos 7º a 11º do Texto Constitucional. 
3. DIREITO COLETIVO DO TRABALHO. CONCEITO. HISTÓRIA 
3.1. Aspectos Históricos do Direito Coletivo do Trabalho. Direito Sindical.
O sindicalismo surge da necessidade dos trabalhadores se unirem para evitar a odiosa opressão e a exploração a que eram submetidos.
a) individualismo: o liberalismo da Revolução Francesa, de forte componente individualista e, posteriormente, a Revolução Industrial, de forte componente opressor, é que impulsionou a uma coalizão dos trabalhadores no início da sociedade industrial, fazendo nascer a idéia de associativismo. 
b) solidarismo: Amauri Mascaro Nascimento, citando Norberto Bobbio, Matteucci e Gianfranco Pasquino, em Dicionário de Política (1986) asseverou que o sindicalismo nasceu, como reação dos trabalhadores, fundado, de um lado, na solidariedade e defesa dos interesses dos trabalhadores, e, de outro, na revolta contra o modo de produção capitalista. Para outros, o sindicalismo foi uma forma de enfrentar os efeitos, na ordem social, do liberalismo político, econômico e jurídico, inspirado nos princípios da Revolução Francesa de 1789.
Preleciona o citado jurista que não se pode questionar ferozmente a Revolução Francesa que revelou expoentes do pensamento, afirmou valores, como a auto-suficiência dos direitos inatos do homem, a autonomia da vontade como fonte geradora da ordem social e política e o livre consentimento como fundamentação da convivência social e limite natural do Poder. Contudo, diz o jurista, a liberdade absoluta do homem, na procura do seu próprio interesse, sem interferência do Estado, desfavoreceu a união dos trabalhadores. Como exemplo disso, cita o renomado jurista a supressão das corporações de ofícios, primeiramente em razão da prevalência da liberdade de comércio e, posteriormente, com o advento da Lei “Chapelier” (França) que assim decretou:
a) a proibição de toda espécie de corporação de cidadãos do mesmo estado ou profissão, e do seu restabelecimento, sob qualquer pretexto, e sob qualquer forma;
b) a proibição de reuniões dos cidadãos, do mesmo estado social ou profissão, obreiros e companheiros de uma arte qualquer, da designação de presidente, secretário ou síndico, de lavrar registros, tomar resoluções e sancionar regulamentações sobre seus pretensos direitos comuns;
c) a proibição de todas as corporações, administrativas ou municipais, de receber qualquer solicitação ou petição sob o nome de um estado social ou profissão, ou de respondê-las, ficando obrigadas a declarar nulas as resoluções que tomassem.
Disso resulta a liberdade individual do trabalho na França, ideal difundido em outros países.
3.2. Regramento em Alguns Países Europeus - Some-se à Lei “Chapelier” (França) o Código Penal de Napoleão (1810) que puniu a associação de trabalhadores como delito, a antiga elaboração da common law da Grã-Bretanha que considerou contrário ao interesse público todo pacto limitativo da liberdade de comércio individual, pelo que privilegiou a livre iniciativa, o “Codice Penale Sardo” (1859), da Itália, que considerou crime toda forma de coalizão dos trabalhadores, entre outros.
3.3. Mudança da fase proibitiva para a fase de tolerância - 	Assim, como já dito, a coalizão de trabalhadores em alguns países era considerada crime. Com o advento de uma nova fase, qual seja a da tolerância, os países começaram a mudar seus ordenamentos jurídicos para descriminalizar a coalizão de trabalhadores. Em decorrência disso, em meados do século 19, na Europa, a associação sindical começou a se tornar uma realidade, pelo que sobrevive até os dias de hoje.
Logicamente que, daquele período até estes dias, mudanças significativas têm ocorrido na economia internacional, como por exemplo, a globalização dos mercados, que em seu bojo tem trazido a flexibilização das normas trabalhistas. Isso obriga os sindicatos de trabalhadores a adotarem um novo papel nas negociações com os patrões. Apesar disso, não se pode perder de vista os princípios que regem o direito laboral, entre outros o da proteção e do caráter alimentar do salário, sempre lembrando que o desequilíbrio entre ambos é patente.
Diploma importante foi elaborado pela OIT – Organização Internacional do Trabalho qual seja a Convenção nº 87, que consagrou o princípio da liberdade sindical. Todavia, referida Convenção Internacional não foi ratificada pelo Brasil.
Na Inglaterra o direito sindical nasceu em 1720. Na França em 1884. Na Alemanha em 1919. 
No início do século XIX, com a chegada dos imigrantes ao Brasil, em decorrência de influência dos mesmos os primeiros sindicatos foram fundados sob a denominação de “ligas operárias” em fins de 1800 e início de 1900. Assim, foram fundados:
-o sindicato de trabalhadores rurais em 1903.
-o sindicato de trabalhadores urbanos em 1907.
Com a criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio em 1930, o modelo de organização sindical sofreu forte influência do corporativismo, com o que forte interferência estatal o caracterizou, em prejuízo da liberdade de organização e de ação que informa os sistemas democráticos. 
Por conta disso, os sindicatos estiveram extremamente ligados ao Estado até o advento da Constituição Federal de 1988, que adotou o princípio da unicidade sindical, a partir de quando ficou consagrado que tais entidades são particulares, razão pela qual há vedação da interferência estatal em sua criação ou administração.
4. ORGANIZAÇÃO SINDICAL BRASILEIRA.
A organização sindical brasileira é composta dos seguintes entes: sindicatos, federações e confederações.
4.1.Sindicato: conceitos:
Cesarino Junior – a associação profissional reconhecida pelo Estado como representante legal da categoria.
Délio Maranhão – uma forma de associação instituída para proteger os interesses profissionais dos que a integra.
Amauri Mascaro Nascimento – é a forma de organização de pessoas físicas ou jurídicas que figuram como sujeitos as relações coletivas de trabalho.
Natureza jurídica do sindicato – ente de direito privado.
Com o advento da Constituição Federal de 1988 – desnecessária a anuência do Estado para criação de sindicatos, eis que vedada a sua intervenção.
4.2. Federações: são entidades sindicais de segundo grau, situadas acima dos sindicatos da respectiva categoria, abaixo das confederações. São constituídas por Estados. Devem ser compostas de, no mínimo, 05 sindicatos que representem a maioria absoluta de um grupo de atividades