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Apostila de Direito do Trabalho

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ao tempo de exposição ao risco ou em percentual inferior ao máximo legalmente previsto, dispensa a realização da prova técnica exigida pelo art. 195 da CLT, pois torna incontroversa a existência do trabalho em condições perigosas.
Observação: com o advento da Lei nº 12.740/2012 de 08/12/2012 o direito ao adicional de periculosidade foi estendido aos empregados nas atividades profissionais de segurança pessoal ou patrimonial. Com isso os vigilantes passam a fazer jus ao referido adicional a partir de dezembro de 2013, ante o contido na Portaria nº 1885/2013 de 02/12/2013. 
Observação: com o advento da Lei nº 12.997/2014 de 18/06/2014 o direito ao adicional de periculosidade foi estendido aos empregados na atividade de motocicleta.
e) adicional de transferência: devido nas transferências para outra localidade que sejam consideradas transitórias. É de 25% sobre o salário contratual. 
f) adicional quebra de caixa: é devida aos empregados que manipulem valores, em especial ao caixa. Sobre o tema veja-se a Súmula 247 do TST:
Súmula 247 – QUEBRA DE CAIXA – NATUREZA JURÍDICA.
A parcela paga aos bancários sob a denominação “quebra de caixa’ possui natureza salarial, integrando o salário do prestador de serviços, para todos os efeitos legais. 
19.18.3. - Comissões: - são percentuais sobre os negócios que o vendedor efetua. Em nosso direito, as comissões podem ou não constituir forma exclusiva de retribuição. São irredutíveis. O pagamento de comissões e percentagens só é exigível depois da ultimada a transação a que se referem, consoante o disposto no artigo 466, caput, da Consolidação das Leis do Trabalho (entenda-se esse dispositivo como a solvência do cliente). No caso de transações realizadas por prestações sucessivas é exigível o pagamento das percentagens e comissões que lhes disserem respeito proporcionalmente à respectiva liquidação, nos termos do artigo 466, parágrafo 1º, da Consolidação das Leis do Trabalho. Nenhuma implicação resultará da cessação de relação de emprego quanto às comissões já consumadas, conforme dispõe o artigo 466, parágrafo 2º, da Consolidação das Leis do Trabalho. 
Observação: nos termos da Súmula 340 do Tribunal Superior do Trabalho vemos que:
Súmula 340 – COMISSIONISTA – HORAS EXTRAS – NOVA REDAÇÃO.
O empregado, sujeito a controle de horário, remuneração à base de comissões, tem direito ao adicional de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) pelo trabalho em horas extras, calculado sobre o valor-hora das comissões recebidas no mês, considerando-se como divisor o número de horas efetivamente trabalhadas. 
19.18.4. - Gratificações: Diferentemente dos prêmios, têm causas externas à vontade do empregado, ou seja, fatos objetivos. Originariamente eram pagamentos feitos por liberalidade pelo empregador para gratificar o empregado pela passagem do natal. São pagamentos feitos pelo empregador para remunerar a maior responsabilidade de determinadas funções ou por ocasião da publicação dos balanços, do acúmulo de tempo de serviço, festas, etc. Desde que habituais, as gratificações integram o salário e não podem ser suprimidas pelo empregador. A habitualidade é fundamental para determinar se a gratificação é ou não salário. Não basta escrever que está sendo dada a gratificação por benevolência ou por mera liberalidade. Se houver habitualidade, haverá salário. Habitualidade é a repetição de atos de uma mesma espécie, de modo regular e permanente. Podem ser mensais, bimestrais, trimestrais, semestrais, anuais; fixas ou variáveis; unilaterais ou bilaterais, etc. A classificação mais importante é a das causas determinantes do pagamento: 
a) gratificação de função: tem como causa o exercício de determinada função;
Observação: nos termos da Súmula 372, do Tribunal Superior do Trabalho vemos que:
Súmula 372 – GRATIFICAÇÃO DE FUNÇÃO – SUPRESSÃO OU REDUÇÃO – LIMITES.
I – Percebida a gratificação de função por dez ou mais anos pelo empregado, se o empregador, sem justo motivo, revertê-lo a seu cargo efetivo, não poderá retirar-lhe a gratificação tendo em vista o princípio da estabilidade financeira.
II – Mantido o empregado no exercício da função comissionada, não pode o empregador reduzir o valor da gratificação. 
b) gratificação de balanço: tem como causa a publicação do balanço com lucros. As gratificações de balanço, se deferidas anualmente, em condições uniformes, constituirão salário e não poderão ser suprimidas. 
c) gratificação por tempo de serviço: a causa é o acúmulo de tempo de serviço. Sobre a gratificação por tempo de serviço veja-se a Súmula 202 do TST:
Súmula 203 – GRATIFICAÇÃO POR TEMPO DE SERVIÇO – NATUREZA SALARIAL.
A gratificação por tempo de serviço integra o salário para todos os efeitos legais. 
d) gratificação de festas: dadas em determinadas festas ou dias de comemoração. 
19.18.5. - Décimo terceiro salário: Também chamado de “gratificação natalina”. É uma espécie de gratificação, que se tornou compulsória por força de lei. (Lei nº 4.090/62). Corresponde ao valor de um mês de remuneração mensal, a ser pago no mês de dezembro. Para quem não tem um ano de casa, corresponde a 1/12 por mês ou fração igual ou superior a 15 dias. A Lei nº 4.749/65 desdobrou em dois os pagamentos: a primeira parcela, que deve ser paga entre os meses de fevereiro e novembro, ou por ocasião das férias; a segunda metade até o dia 20/12. Só perde o direito ao 13º salário quem for despedido por justa causa - neste caso, se já houve pagamento da primeira parcela, haverá compensação. 
19.18.6. - Gorjetas: entrega de dinheiro, pelo cliente de uma empresa ao empregado que o serviu, como testemunho da satisfação pelo tratamento recebido. Podem ser obrigatórias (como na Alemanha) ou facultativas ou espontâneas, como no Brasil. 
19.18.7. - Prêmios: é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do empregado ou de muitos empregados, como por exemplo, a produção, a eficiência, etc. Pressupõe que o empregado cumpra determinada condição preestabelecida. Não pode ser a única forma de pagamento. O prêmio eventual não é salário. Se for pago de forma reiterada, habitual, tem natureza salarial. A doutrina o chama de salário-condição. 
a) prêmios de produção: é um estímulo para a produção maior.
b) prêmios assiduidade: pago para aqueles que não faltam ao serviço e também àqueles que cumprem rigorosamente o horário de trabalho, ou seja, sem atrasos.
c) prêmios de zelo: para os empregados que não danificam os bens da empresa. Exemplo: motorista que não têm multas por infrações de trânsito e nem colisões de trânsito.
19.18.8. Gueltas: são pagamentos feitos aos vendedores por empresas fabricantes de bens, com a concordância dos empregadores, e que se prestam a estimular a venda de suas marcas. 
À semelhança das gorjetas as gueltas também têm natureza salarial e, de acordo com a jurisprudência, devem refletir nas demais verbas trabalhistas como, por exemplo, nas férias com o terço constitucional, no 13º salários e no FGTS. 
QUESTÕES DA PROVA DE OAB
EXAME DE ORDEM II – FGV – 1ª FASE
Marcos foi contratado para o cargo de escriturário de um banco privado. Iniciada sua atividade, Marcos percebeu que o gerente lhe estava repassando tarefas alheias à sua função. A rigor, conforme constava do quadro de carreira da empresa devidamente registrado no Ministério do Trabalho e Emprego, as atribuições que lhe estavam sendo exigidas deveriam ser destinadas ao cargo de tesoureiro, cujo nível e cuja remuneração eram bem superiores. Esta situação perdurou por dois anos, ao fi m dos quais Marcos decidiu ajuizar uma ação trabalhista em face do seu empregador. Nela, postulou uma obrigação de fazer – o seu reenquadramento para a função de tesoureiro – e o pagamento das diferenças salariais do período. Diante desta situação jurídica, é correto afirmar que:
(A) o pedido está inepto, uma vez que este é um caso típico de equiparação salarial e não houve indicação de paradigma.
(B) o pedido deve