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Diagnóstico Diferencial e Diretrizes do Cuidado

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PSICOPATOLOGIA GERAL – Prof. Ueslei Solaterrar da Silva Carneiro 
Diagnóstico Diferencial e Diretrizes do Cuidado em Saúde Mental 
Diagnóstico Diferencial 
• Situação clínica: Mulher cisgênero, 30 anos, branca, católica, heterossexual, mãe de dois filhos, concluiu o ensino médio, trabalhou como 
secretário e adm, está desempregada atualmente. Procura atendimento psicológico com a seguinte queixa: “sinto-me como se não 
tivesse forças para viver, é como se meu corpo fosse mais pesado do que é, já acordo cansada, tenho engordado muito nos últimos 
meses, não saio da cama porque estou sempre com sono, tenho em achado feia e não consigo mais ter prazer nas coisas....” 
• Ampliando a avaliação para construir possíveis hipóteses: escuta/intervenções atenta e qualificada 
➢ Situação 01: Características gerais e queixa similar a descrição acima, mas ao seguir sendo escutada aparece relato de dores 
musculares, dificuldade de concentração, aumento de colesterol, além de sensação de frio extremo e queda de cabelo. A mulher 
relata ainda que chegou a fazer exames de sangue e apareceu algumas alterações. Hipótese: episódio depressivo (F32) x 
hipotireoidismo? 
➢ Situação 02: características gerais e queixa similar a descrição acima, mas ao seguir sendo escutada aparece relato de importante 
perda de marido que morreu por acidente aéreo há seis meses, antes estava bem, não apresentava os sintomas descritos acima, 
agora tem dificuldade até para cuidar de si, tomar banho e cuidar dos filhos. Hipótese: episódio depressivo por perda de laço família? 
Depressão maior pelo luto complicado? 
• O que é diagnóstico diferencial? 
➢ Transtornos mentais de base orgânica; 
➢ Útil para descartar possíveis possibilidades (Figueiredo & Tenório, 2002); 
➢ Diferença entre diagnóstico diferencial e diagnóstico nosológico (ou nosográfico): o diagnóstico nosológico descreve o quadro clínico 
em termos de categorias psicopatológicas mais generalizáveis; 
➢ Diferenças entre diagnóstico de um sintoma e diagnóstico de uma síndrome; 
➢ O diagnóstico sindrômico descreve um conjunto se sinais e sintomas apresentados pelo paciente, sem fazer uma definição a fundo 
da doença, orientando, assim, uma prática mais imediata, focada nos sintomas a serem atacados; o diagnóstico nosológico, por sua 
vez, tende a orientar uma intervenção mais em longo prazo; 
o Ex: Hipertensão-Ansiedade-Mania? X Hipertensão-Ansiedade-IAM?/Uso de substância psicoativa. 
• E o que é comorbidade? 
➢ O termo comorbidade é formado pelo prefixo latino “cum”, que significa correlação, companhia, e pela palavra morbidade, originada 
de “morbus”, que designa estado patológico ou doença; 
➢ Comorbidade é a ocorrência de duas ou mais doenças relacionadas no mesmo paciente e ao mesmo tempo. Uma das características 
da comorbidade é que existe a possibilidade de as doenças se potencializarem mutuamente, ou seja, uma provoca o agravamento da 
outra; 
➢ Faixas etárias: idosos; 
➢ Obesidade e a possibilidade de comorbidades como hipertensão, diabetes, colesterol alto, apneia do sono, etc.; 
➢ COVID-19 e a questão das comorbidades; 
➢ Diagnóstico principal cristaliza e apaga outras questões de saúde; 
 
Escuta Clínica 
• Escuta clínica: anamnese e exame psíquico bem elaborados; 
• Desenvolvimento do raciocínio clínico para além da avaliação diagnóstica em si; 
• Escuta atenta, sensível, ampliada que considere diferentes elementos possíveis na avaliação diagnóstica; 
• Escuta sem verdades definidas aprioristicamente; 
• Escutar para além da tarefa de diagnosticar e definir uma conduta; 
• Escuta amoral; 
• “Um aspecto importante da escuta clínica é a atenção à singularidade do sujeito, assim com a posição subjetiva que o profissional se 
encontra em relação a isso” (BRAGA ET AL. 2012): diagnóstico sob transferência, construído na relação. 
 
Desafios na Construção Diagnóstica 
• A questão da simulação: “no Dicionário de Psicologia (Mesquita & Duarte, 1996, p.187), o conceito de “simulação de enfermidades” 
aparece como uma atitude consciente de simular uma doença com ou sem um objetivo preciso. Essa mesma atitude, consciente ou 
intencional, associada ao controle da situação da perícia criminal foi observada por Taborda et al. (s/d, p. 471). Assinala-se a necessidade 
de utilização de um procedimento que favoreça a identificação um conjunto de sinais e sintomas que seja reconhecido e convença o 
médico ou o examinador de uma situação que o periciado deseja para si. Para esses autores, a simulação é a “arte do 
engano”(RODRIGUES ET AL, 2016); 
• Aconselha-se ainda suspeitar de simulação quando as seguintes condições estiverem presentes: contexto médico-legal; discrepância 
entre o sofrimento, a incapacidade referida e os dados obtidos; falta de colaboração na avaliação diagnóstica e não adesão ao 
tratamento; presença de personalidade antissocial (ABP, 2013). 
• Cabe considerar que o comportamento de simulação também é uma característica relacionada ao Transtorno Factício e está no capítulo 
de “Transtornos de Sintomas Somáticos e Transtornos Relacionados”. Os sinais e sintomas desse transtorno consistem na falsificação de 
sinais e sintomas médicos em si mesmo ou em outro (Transtorno Factício por procuração ou Imposto a outro) visando assumir, ou atribuir 
ao outro, o papel de doente ou incapacitado por alguma situação; 
• Nesse transtorno, a simulação é representada pelo exagero de doenças existentes, a simulação e produção de sintomas (lesões 
fraudulentas, mutilação, manipular resultados exames, etc.). Os cuidadores de pessoas atribuídas com transtorno factício podem se 
deparar com mentiras que não podem ser explicadas pelo quadro clínico e pelas informações colocadas nos prontuários; • 
• Tanto a Simulação quanto o Transtorno Factício são citados na maioria dos itens “Diagnóstico Diferencial” no final dos principais 
transtornos mentais presentes no Manual, inferindo a importância de considerar a simulação antes de fechar o diagnóstico de alguém. 
DESAFIOS NA 
• Como pode ser percebido, o comportamento de simulação de sintomas atravessa diferentes contextos como o da saúde (medicina, 
enfermagem, psicologia e fonoaudiologia), o do direito penal e penitenciário e da previdência social (Andrade & Azevedo, 2006; Jorge & 
Jorge, 2011; Pereira, 2012). Alguns autores (Aliaga, Arch, García-Molina, & Jarne, 2013; Jorge & Jorge, B., 2011; Pereira, 2012; Taborda et 
al., s/d) chamam a atenção à necessidade de se reconhecer métodos e técnicas de avaliação e diagnóstico mais precisos; 
• Ampliação do processo de avaliação; 
• Diagnóstico sempre como hipótese. 
 
Diretrizes de Cuidado – Reforma Psiquiátrica Brasileira: Revisitar O Passado Para Construir Um Futuro 
• Experiência Italiana: Franco Basaglia; 
• Apagamento de Franz Fanon; 
• Mudança no modo de cuidar das pessoas ditas loucas: Modelo Manicomial -> Modelo da Atenção Psicossocial 
 
Reforma Psiquiátrica Brasileira: Revisitar O Passado Para Construir Um Futuro 
• Lei 10.216/2001 • Portaria 336/2002 • Portaria 3088/2011 
• PRINCÍPIOS DA RPB: 
➢ Cidadania 
➢ Clínica Ampliada 
➢ Base Comunitária/Territorial 
 
Sumula Psicopatológica 
“Lúcido. Vestido adequadamente e com boas condições de higiene pessoal. Orientado auto e alopsiquicamente. Cooperativo. Normovigil. 
Hipertenaz. Memórias retrógrada e anterógrada prejudicadas. Inteligência mantida. Sensopercepção alterada com alucinação auditivo-
verbal. Pensamento sem alteração de forma, porém apresentando alteração de curso (fuga de idéias e descarrilamento) por ocasião da 
agudização do quadro e alteração de conteúdo (idéias deliróides de perseguição, grandeza e onipotência). Linguagem apresentando alguns 
neologismos. Consciência do eu alterada na fase aguda do quadro. Nexos afetivos mantidos. Hipertimia. Psicomotricidade alterada, 
apresentando tiques. Hiperbúlico. Pragmatismo parcialmente comprometido. Com consciência da doença atual”. 
 
Referências Bibliográficas 
• Braga et al. A escutaclínica: um instrumento de intervenção do psicólogo em diferentes contextos. Revista Psicologia, Diversidade e 
Saúde, Salvador, dez. 2012; 1(1): 87-100. 
• DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais, 3º Edição. Porto Alegre: Artmed, 2019. (Cap. 07). 
• RODRIGUES, D. Simulação de sintomas e transtornos mentais: Uma revisão crítica do fenômeno para a psicologia. Estudos de Psicologia, 
21(2), abril a junho de 2016. 
• Documentário: O holocausto brasileiro. Daniela Arbex: disponível do youtube

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