A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
11 pág.
Câncer de pulmão

Pré-visualização | Página 1 de 3

Epidemiologia:
● É o tipo de câncer mais comum, além da principal causa de morte por câncer em todo o
mundo, tanto em homens quanto em mulheres.
● A idade mediana no momento do diagnóstico do câncer de pulmão é de 70 anos, e os
sintomas podem surgir apenas na doença avançada.
● No momento do diagnóstico, mais de 50% dos pacientes já apresentam metástases
distantes, e 25% apresentam doença em linfonodos regionais.
● O principal fator de risco para o câncer de pulmão é o tabagismo. Outros fatores de risco são
exposições ambientais ou ocupacionais como queima de biomassa, poluição ambiental,
exposição a rádio, radônio, urânio ou asbesto, suplementação de altas doses de vitamina A,
predisposição genética e história pessoal ou familiar de câncer.
Classificação histológica:
● Carcinoma de pulmão não pequenas células (75-85%):
- Adenocarcinoma: é um tumor epitelial maligno invasivo com diferenciação glandular ou
produção de mucina pelas células tumorais. Crescem em vários padrões - acinar, lepídico, papilar,
micropapilar, e sólido com produção de mucina. Tendem a se desenvolver na periferia do pulmão e
a ter crescimento lento, mas com grande possibilidade de se metastatizar rapidamente, mesmo nos
estágios iniciais. São os tumores primários pulmonares mais frequentes em mulheres, em
indivíduos que nunca fumaram e naqueles com menos de 45 anos de idade.
- Carcinoma espinocelular: surgem a partir de células epidermóides. Está associado ao tabagismo e
surgem mais comumente na região central dos pulmões, próximo aos brônquios. Se
disseminam-se para fora do tórax mais tardiamente do que outros tipos histológicos. Lesões de
grandes dimensões podem sofrer necrose central, levando à formação de cavitação.
- Carcinoma de grandes células (indiferenciado): podem surgir em qualquer parte do pulmão e
apresentam crescimento muito rápido.
● Carcinoma de pulmão de pequenas células:
Câncer agressivo com crescimento e disseminação rápidos. Possui forte associação ao tabagismo -
apenas cerca de 1% ocorre em não fumantes. Podem surgir nos brônquios principais ou na periferia
do pulmão. Estes tumores expressam vários marcadores neuroendócrinos e podem secretar uma
gama de hormônios polipeptídicos que podem resultar em síndromes paraneoplásicas.
Podem, também, ser observados padrões mistos (carcinoma adenoescamoso, adenocarcinoma
misto, carcinoma de pequenas células) em 10% (ou menos) dos carcinomas de pulmão.
● Outros tipos de tumores:
Neoplasias malignas mesenquimais, linfomas e algumas poucas lesões benignas, como o
“hamartoma”.
Distinção entre os diversos subtipos → imuno-histoquímica (IHQ) (TTF1 e napsina para ADC; p63 e
p40 para CEC e cromogranina e sinaptofisina para tumores neuroendócrinos).
Classificação molecular:
É a busca das mutações condutoras da neoplasia. Permite a utilização de terapias-alvo.
→ O painel molecular mínimo deve incluir avaliação dos genes: EGFR (receptor do fator de
crescimento epidérmico), ALK, ROS, BRAF e NTRK1-3.
Quadro clínico:
Na maioria das vezes, o câncer só se torna sintomático quando a massa tumoral começa a obstruir a
luz de um brônquio principal, podendo resultar em atelectasia distal e infecção.
As manifestações clínicas mais comuns são:
● Tosse (50 a 75% dos casos).
● Hemoptise (25 a 50%).
● Dispneia (25%).
● Dor torácica (20%).
Outras manifestações menos comuns podem estar relacionadas à presença de metástases a
distância – dor ou fraturas ósseas, cefaleia, vertigem ou déficit motor.
Também podem haver queixas decorrentes de síndromes paraneoplásicas, estando na maioria das
vezes relacionadas ao câncer de pulmão do tipo pequenas células.
Síndromes paraneoplásicas:
Além dos efeitos diretos das células tumorais, estima-se que 3% a 10% dos pacientes com câncer de
pulmão desenvolvam síndromes paraneoplásicas:
● Hipercalcemia:
Geralmente ocorre pela secreção pelo tumor de uma proteína relacionada ao hormônio da
paratireoide (PrPTH) ou outra citocina de reabsorção de osso. O câncer de pulmão é o tumor sólido
mais comum associado com hipercalcemia, mas outros cânceres também podem causar, como de
rim, mama, de cabeça e pescoço, mieloma e linfoma. O de células escamosas é o tipo celular mais
associado à hipercalcemia.
→ Geralmente, pacientes com câncer de pulmão e hipercalcemia possuem doença avançada
(estágios III ou IV) e não são ressecáveis.
Os sintomas de hipercalcemia incluem anorexia, náusea, vômito, constipação, letargia, poliúria,
polidipsia e desidratação. Confusão e coma são manifestações tardias, assim como insuficiência
renal e nefrocalcinose. Os efeitos cardiovasculares incluem intervalo QT diminuído, onda T com
base larga, bloqueio cardíaco, arritmia ventricular e assistolia.
Tratamento: corrigir a desidratação, aumentar a excreção renal de cálcio, inibir reabsorção óssea e
tratar o processo maligno de base. → NaCl 0.9 % + Bifosfonatos.
● Efeitos musculoesqueléticos
- Baqueteamento digital pode ser uma manifestação de câncer pulmonar ou outras doenças. Pode
envolver os dedos da mão e dos pés e ocorre alargamento seletivo do tecido conjuntivo nas falanges
terminais. Os achados físicos incluem perda do ângulo entre a base do leito ungueal e a cutícula,
unhas arredondadas e pontas dos dedos aumentadas.
→ Causas não malignas de baqueteamento incluem fibrose pulmonar, doença cardíaca congênita e
bronquiectasia.
- Osteoartropatia pulmonar hipertrófica (OPH): é um processo incomum associado com câncer
pulmonar. É caracterizada por artropatia dolorosa que envolve os tornozelos, joelhos, pulsos e
cotovelos e é com maior frequência simétrica. Ocorre por periostite proliferativa que envolve os
ossos longos, mas também pode afetar os ossos metacarpais, metatarsais e falangeanos. A
patogênese da OPH é incerta, mas ela pode surgir de agente humoral.
Radiografia torácica frontal mostra malignidade pulmonar esquerda (seta). A radiografia da tíbia e fíbula
exibe reação periosteal diafisária). O Scan com radionuclídeo do osso mostra captação razoavelmente
simétrica, bilateral em extremidade inferior, compatível com osteoartropatia hipertrófica.
● Efeitos hematológicos
Anemia: comum em pacientes que têm câncer pulmonar e pode ser causada por deficiência de ferro,
doença crônica ou infiltração da medula óssea. A produção de diversas citocinas pelas células
neoplásicas pode resultar em eosinofilia, leucocitose ou trombocitose (mais comum) - o câncer
pulmonar é a malignidade mais comumente associada à hipercoagulabilidade.
● Síndrome da secreção inapropriada do hormônio antidiurético
A hiponatremia é observada no momento da apresentação em aproximadamente 15% dos pacientes
com CPPC e 1% dos pacientes com CPNPC e, na maioria dos casos, é devido à produção ectópica de
arginina vasopressina pelas células cancerígenas
Os critérios de diagnóstico da SSIHA incluem: hiponatremia associada à hipo-osmolalidade sérica
(< 275 mOsm/kg), osmolalidade inapropriadamente elevada da urina (> 200 mOsm/kg) em relação
à osmolalidade do soro, sódio elevado na urina (> 20 mEq/L), euvolemia clínica sem edema e
função renal, da adrenal e tireoidiana normais.
Sintomas: anorexia, náusea e vômito. Os sintomas causados por edema cerebral podem incluir
irritabilidade, inquietação, alterações de personalidade, confusão, coma, convulsões e parada
respiratória.
Tratamento: restrição de fluido de 500 a 1.000 mL/24 horas + Antagonista de receptor de
vasopressina (pacientes hospitalizados).
● Síndrome de Cushing:
A produção ectópica de corticotrofina é associada ao CPPC, tumor carcinoide (pulmão, timo ou
pâncreas) e tumores da crista neural como feocromocitoma, neuroblastoma e carcinoma medular
da tireoide.
Sintomas: obesidade do tronco, estrias, fácies arredondada (lua cheia), acúmulo de gordura
dorsocervical, miopatia e fraqueza, osteoporose, diabetes mellitus, hipertensão e alterações de
personalidade.
O melhor teste de triagem para a síndrome de Cushing é a mensuração de cortisol livre na urina de
24 horas. Tratamento: inibidores de enzima adrenal - metirapona, aminoglutetimida