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AULA 14 - HERMENÊUTICA E ARG JURÍDICA

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de uma delegacia – Daniel Nicory): 
· Rotina comum da delegacia;
· Até que aparece um preso em flagrante;
· Desencadeia a colheita de provas;
· Para que a autoridade policial venha efetivamente, a decretar o flagrante e prender aquele preso;
· Retoma-se a dinâmica e a rotina da delegacia;
O réu é um personagem irônico, visto como “inferior” perante o julgador e, inclusive, perante a sociedade, variando de grau a depender do crime – até mesmo antes da condenação. 
A suspensão da descrença trata-se da principal diferença entre uma narrativa artística e uma narrativa jurídica. 
Entretanto, o nosso ordenamento jurídico preza por valores mais importantes do que a necessidade de se reconstruir a narrativa: 
· Revelia: Presunção de veracidade daquilo que foi arguido pela parte autora caso o réu não apareça – ainda que na realidade não seja, valorizando-se a celeridade processual; 
· Prescrição: Perda de pretensão do titular de um direito que não o exerceu em determinado lapso temporal;
· Coisa julgada: Decisão final e imutável;
· Vedação à prova ilícita;
· In dubio pro reo: Na dúvida, decide-se a favor do réu (é melhor inocentar um culpado a condenar um inocente); 
Apesar disso, algumas aberrações jurídicas ainda são perceptíveis – como no caso em que o juiz se posicionou favorável a manifestações homofóbicas contra o atleta Richarlyson, alegando que os homossexuais deveriam criar uma própria liga e sob o argumento de que futebol é para homem. 
Em razão da presunção de inocência, o juiz deve adentrar o processo com a predisposição a absolver, ciente de que é a acusação que deve demonstrar a culpa (ROSA; KHALED JÚNIOR 2020, p. 30). O contrário disso seria uma espécie de “filosofia da consciência” por meio da qual ao invés da “coisa”,”assujeitar” o Juiz, o juiz é quem passa a “assujeitar” a “coisa”, logo, a prova e a verdade passam a ser aquilo que a consciência do magistrado diz que é e que será arbitrariamente perseguida pela sua ambição de verdade (STRECK, 2013, p. 21).
A verdade para o Direito é aquela conforme a Constituição, ou seja, pautada na verossimilhança (vide a perspectiva de Lênio Streck). A verdade é aquela pautada no respeito à Constituição, nas garantias e restringindo o poder do julgador. O juiz deve julgar a história que foi contada de acordo com as provas permitidas pelo Direito e respeitando-se a nossa Constituição Federal. 
OBS: Dedução (norma caso concreto) x tópico-indução (caso concreto, hard case norma). 
OBS: Robert Alexy – Justificação interna (compatibilidade lógica entre partes da sentença) x Justificação externa (aplicação da sentença para a sociedade). 
OBS: Contexto de descoberta (levanta-se o que vai servir para aplicar uma decisão judicial) = o que o caso concreto diz sobre cada uma das partes e dos elementos envolvidos no processo (provas, por exemplo) x Contexto de justificação (sentença, pensando, também, as posições de autor e réu no processo). 
Referências:
· Salvo o melhor juízo – Teorias da argumentação/ Fernando Nadini e Thiago Gagliano (Podcast) 
· Caderno: Arte e Direito – Daniel Nicory;