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Ort Unico - Ortopedia Pediatrica

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é de grande valia, para aliviar os sintomas pela manhã. O
mesmo é válido para exercícios de flexão e extensão dos dedos com o paciente em pé sobre uma
elevação (ex.: um livro). Nos casos não responsivos, pode-se infiltrar os pontos dolorosos da fáscia
com corticoide e indicar o uso de órteses para adaptar os desalinhamentos da planta do pé. A
melhora pode ser lenta, ao redor de três meses e depende da aderência do paciente às medidas
adequadas. A cirurgia (fasciotomia plantar) é reservada para os sintomas intensos e recidivantes após
6-12 meses de terapia conservadora.
SÍNDROME DE HAGLUND
Causada pela formação de uma proeminência óssea na região posterossuperior do calcâneo, logo
acima da inserção do tendão de Aquiles, causando dor pelo contato do calcanhar com a parte traseira
do calçado. Pode se associar à bursite retro-calcânea. O diagnóstico é feito pela palpação do
FIG. 20B Esporão do calcâneo no exame radiológico. Na maioria das vezes, este esporão é assintomático! 
calcanhar. O tratamento é feito pela encomenda de calçados adaptados. Nos casos com grandes
proeminências ósseas e muito sintomáticos, pode-se optar pela excisão cirúrgica da exostose.
BURSITES
As bursas são estruturas em forma de saco com a parede formada por tecido sinovial que se
localizam entre tecidos moles e proeminências ósseas, com a função de proteção desses tecidos do
atrito e da pressão sobre o osso.
Existem diversas bursas sinoviais no corpo humano e as bursites mais comuns na prática médica são
a subacromial (subdeltoide), olecraniana, isquiática, trocantérica e prepatelar. As bursites geralmente
são causadas pelo trauma repetitivo (atrito, compressão), embora em alguns casos estejam
associadas à artrite reumatoide, à gota ou à infecção (bursite séptica). Esta última deve ser
prontamente reconhecida (dor intensa, rubor acentuado, febre) e tratada com aspiração e antibióticos.
O germe mais comum é o Staphylococcus aureus.
A suspeita de uma bursite vem do aparecimento de dor bem localizada em um ponto, correspondente
a uma bursa conhecida. É diferenciada da artrite, pois nesta última, a dor é generalizada pela
articulação e piora com seus movimentos, além de haver sinais de derrame articular.
BURSITE SUBACROMIAL
A bursa subacromial é limitada inferiormente pelo tendão do músculo supraespinhoso (do
manguito rotador) e superiormente pelo acrômio e músculo deltoide. Esta bursite é secundária à
tendinite do manguito rotador (“síndrome do impacto”). O paciente refere dor localizada em um
ponto do deltoide distando poucos centímetros da borda do acrômio. O tratamento é feito com AINE,
imobilização de curto período com tipoia e, nos casos refratários, infiltração de corticoide no espaço
subacromial.
(Figura 6)
BURSITE OLECRANIANA
A bursite olecraniana traumática é um processo insidioso por lesão repetitiva, comum em indivíduos
que sustentam peso frequentemente sobre os cotovelos (estudar com os cotovelos apoiados, colocar
tapetes). Esta bursite pode ser causada também por gota, artrite reumatoide e infecção (bursite
séptica), geralmente após trauma com pequenas abrasões na pele. O diagnóstico é clínico, pela
presença de um abaulamento na região olecraniana 
FIG. 6 Posição da bursa subacromial.
(Figura).
A cronificação desta bursite é caracterizada pelo espessamento da bursa e redução dos sinais de
flogose. O tratamento dos casos não infecciosos é feito evitando-se a fricção e a pressão sobre os
cotovelos (ex.: não usar os cotovelos para levantar da cama) e pelo uso de crioterapia e AINE. A
resolução dos sintomas ocorre em poucas semanas. Na bursite crônica, a bursactomia olecraniana
pode ser indicada.
BURSITE ISQUIÁTICA (GLÚTEA)
Existe uma bursa sobre a tuberosidade isquiática da pelve, proeminência óssea sobre a qual o peso
do corpo é transferido quando sentamos. Esta bursite é mais comum nos alfaiates e tecelões, ou
qualquer pessoa que fica muito tempo sentada mantendo o peso do corpo predominando em uma
das nádegas. O tratamento é conservador (AINE, crioterapia, infiltração de corticoide).
BURSITE TROCANTÉRICA
As bursas trocantéricas localizam-se entre a superfície do trocânter maior do fêmur e o tendão do
glúteo médio e banda iliotibial Existe a bursa trocantérica superficial e a bursa
trocantérica profunda.
(Figura 21).
A bursite trocantérica é uma causa frequente de dor no quadril, causada pelo atrito da flexão e
extensão repetitiva da coxa durante a deambulação. Os indivíduos predispostos são aqueles que
possuem distúrbios da marcha, mesmo que sutis: doença lombo-sacra, diferença de comprimento
dos membros inferiores, sacroileíte, osteoartrite de quadril, dor crônica no joelho. O diagnóstico é
suspeitado pela dor na região lateral da coxa (ao nível do trocânter maior do fêmur), exacerbada pela
deambulação e pela digitopressão. A confirmação é feita pelo pronto alívio após injeção de lidocaína
na bursa trocantérica.
FIG. 21
O tratamento é feito com AINE, crioterapia e exercícios de alongamento do quadril A
infiltração com corticoide é reservada para os casos refratários. A correção do distúrbio da marcha, se
possível, é medida fundamental.
BURSITE PREPATELAR (“JOELHO DA EMPREGADA DOMÉSTICA”)
A bursa prepatelar localiza-se anteriormente à patela e é suscetível ao trauma pelo hábito de se
ajoelhar repetidamente (ex.: para limpar o chão). O paciente apresenta-se com dor e abaulamento
(Figura 22).
FIG. 22
localizados na região patelar. O tratamento é conservador: evitar ajoelhar-se, AINE, crioterapia,
aspiração da bursa.
BURSITE ANSERINA
A bursa anserina localiza-se na porção medial da tíbia, sob a inserção dos tendões dos músculos do
jarrete Esta bursite é mais comum vir associada à osteoartrite de joelho e pode
contribuir para a dor nesses pacientes. Atividades do tipo correr e subir escadas podem predispor a
este tipo de lesão.
O tratamento é conservador: crioterapia, AINE, repouso, infiltração de corticoide e lidocaína 
 nos casos refratários ou muito sintomáticos.
BURSITE RETROCALCÂNEA
Ocorre pela fricção do calcâneo contra a parte traseira do calçado. Pode se associar à síndrome de
Haglund. O tratamento inclui, além de AINE e crioterapia, alteração do calçado. A infiltração de
(Figura 23).
FIG. 23
(Figura 23)
corticoide deve ser desencorajada, pelo risco de rotura do tendão de Aquiles. A cirurgia é indicada
nos casos refratários.