METODOLOGIA E CONTEUDO DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO  AULAS DE 1 A 10
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METODOLOGIA E CONTEUDO DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO AULAS DE 1 A 10


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METODOLOGIA E PRÁTICA DE ALFABETIZAÇÃO E 
LETRAMENTO 
 
 AULA 01 - A FORMAÇÃO DOS LEITORES E ESCRITORES NO 
BRASIL 
Para início de conversa, pense no seu processo de formação como leitor e 
escritor e reflita sobre as questões a seguir. 
Qual é a função social da leitura e da escrita? 
Quais pessoas foram fundamentais no seu processo de formação como leitor e 
escritor? 
Por que existem tantos analfabetos funcionais? 
Ao pesquisarmos a iconografia brasileira, concluímos que a representação de 
leitores e escritores passa a ser apresentada somente no período republicano. 
Fato que nos remete a uma elitização desses processos, pois as grandes 
camadas da população não tinham acesso à escolaridade. 
\uf0b7 Educação na Colônia: A educação era representada pela ação dos 
jesuítas da Companhia de Jesus, liderada pelo Padre Manuel da Nóbrega. 
Não havia qualquer ação educativa sistemática para os negros que 
trabalhavam nas lavouras. 
 
\uf0b7 Educação no Império: Em 1824, é outorgada a primeira Constituição 
brasileira que preconizava a "instrução primária e gratuita para todos os 
cidadãos\u201d. Mas na prática, ainda não havia uma organização educativa 
por parte do Estado. 
 
\uf0b7 Educação na República: José Ferraz de Almeida Jr (Brasil,1850-1899) 
Moça com livro, 1879, MASP. O percentual de analfabetos no ano de 
1900, segundo o Anuário Estatístico do Brasil, do Instituto Nacional de 
Estatística, era de 75%. 
 
 
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\uf0b7 Brasil Atual: Atualmente, temos vários programas de incentivo à leitura. 
Dentre eles, o PROLER que foi Instituído em 13 de maio de 1992 pelo 
Decreto nº. 519, e está vinculado à Fundação Biblioteca Nacional (FBN). 
Reflita, agora, sobre o panorama atual brasileiro. A partir do Censo Escolar da 
Educação Básica de 2009 \u2013 Anexo I, analise os números de alunos que estão 
estudando nas redes de ensino estaduais e municipais urbanas e rurais. 
Tendo como base os dados do Censo, pense sobre as seguintes questões: 
\u2022 são 14.346.603 alunos matriculados no ensino fundamental e 2.773.290 
alunos matriculados no EJA da educação pública. Este parece um quantitativo 
representativo da democratização do ensino em nosso país? 
\u2022 será que a quantidade de alunos matriculados na rede pública acompanhou a 
evolução das pesquisas sobre os métodos de alfabetização? 
\u2022 como será o aproveitamento desses alunos no que se refere a sua formação 
como leitores e escritores? 
E por falar em formação de leitores... Vamos dialogar com Marlene Carvalho 
(2001). Marlene Alves de Oliveira Carvalho lecionou durante mais de dez anos 
em escolas municipais. Formou-se em pedagogia pela UFRJ, onde também fez 
mestrado em Educação. Na Bélgica, concluiu o Doutorado, com uma tese sobre 
classes de alfabetização. Criou o Curso de Extensão em Alfabetização para 
Professores do Município do Rio de Janeiro. Atualmente, é professora do 
Mestrado da UCP e assessora pedagógica do Programa de Alfabetização de 
Jovens e Adultos organizado pela UFRJ. 
CARVALHO, M. Guia Prático do Alfabetizador. Rio de Janeiro, Ática: 2001. 
Diante de sua vasta experiência na formação de professoras alfabetizadoras, 
Marlene afirma que: \u201cProduzir bons leitores é um desafio para a escola em 
todas as partes do mundo. Da escola primária à universidade, professores se 
queixam de que a maioria dos alunos lê mal e não sabe usar os livros para 
estudar\u201d. (pág. 09). 
Essa afirmação da pesquisadora nos ajuda a refletir sobre os critérios de 
qualidade e eficiência nos métodos de alfabetização que são utilizados na 
educação básica 
 
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Ler é uma atividade bastante complexa que vai exigir o trabalho de vários 
processos psicológicos (concentração, percepção, análise, síntese e 
interpretação) e mecanismos cerebrais. 
Processos psicológicos: Leitores eficientes reconhecem a palavra de forma 
rápida e automática, focalizam sua atenção no significado e apresentam uma 
boa memória. Por outro lado, pessoas sem proficiência na leitura apresentam 
dificuldades nos processadores visuais e/ou auditivos. Sendo assim, será muito 
comum cometerem distorções, inversões, trocas e omissões de letras que 
comprometerão a compreensão do texto lido. 
Carvalho: Neste processo, o leitor constrói os significados do texto e os 
compreende. Reparem que se disse construir e não captar os significados. O 
leitor tem papel ativo, não é apenas receptor\u201d (pág. 10). É um modelo dialógico 
de leitura e interpretação em que o leitor é um co-criador do texto lido e 
precisa experienciar essa atividade desde a primeira infância quando começa a 
interpretar os contos de fadas e as primeiras reportagens de jornal. 
CARVALHO, M. Guia Prático do Alfabetizador. Rio de Janeiro, Ática: 2001. 
De acordo com ARAÚJO (s/d), há vários mecanismos cerebrais envolvidos na 
atividade da leitura. A palavra escrita é registrada na forma visual, no lobo 
occipital, depois é ligada à forma auditiva, situada no gyro angular, área 
temporal, especificamente área de Wernick. A atividade passa para a área de 
Broca, pelas fibras de fascículo (arcuate fasciculus). 
Disponível em http://usuarios.uninet.com.br/~hmiguens/index.html (Acesso 
em 19/04/10). 
Saiba mais: As novas técnicas de neuro imagem são capazes de fornecer dados 
neurofisiológicos para a neurociência que auxiliam a compreensão do processo 
de leitura, na medida em que identificam as estruturas cerebrais envolvidas e, 
sobretudo, descrevem o funcionamento da leitura. 
Muitas áreas do cérebro estão envolvidas durante o processo de leitura. As 
regiões parietais inferiores esquerdas, incluindo os giros supramarginal e 
angular, estão implicados no processamento fonológico normal, na 
recuperação da palavra, na visualização das palavras e na leitura oral. 
\u201cOs processamentos de leitura visual, linguístico e ortográfico, se concentram 
principalmente na região extra-estriada do lobo occipital. O processamento 
fonológico ativa tanto o giro frontal inferior quanto o lobo temporal, envolve 
 
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mais o giro temporal superior do que faz o processamento fonológico ou o 
ortográfico\u201d (Rotta, 2006, p. 156).ROTTA, N. T. (et al) (orgs.) Transtornos da 
Aprendizagem \u2013 Abordagem neurobiológica e Multidisciplinar. Porto Alegre. 
ArtMed: 2006. 
O leitor vai sofisticando as suas habilidades de ler, compreender e interpretar o 
texto, um exemplo bem contemporâneo são as leituras cada vez mais rápidas, 
baseadas em imagem e escritas pictográficas e abreviadas a partir da interação 
com as novas mídias digitais. 
É no contexto da cibercultura, onde o texto se transformou em hipertexto e 
onde os links fazem a nossa leitura estabelecer diálogos em rede com conceitos 
que apresentam inúmeras estratégias de organização. 
Cibercultura: Para Pierre Lévy (1999), a cibercultura é a comunicação universal, 
uma nova condição cultural caracterizada pelo engendramento das novas 
tecnologias de comunicação e informação. Segundo o autor, há três princípios 
que orientaram o crescimento do ciberespaço: 
\u2022 a interconexão - termina com fronteiras mundiais em relação à comunicação, 
pois tudo está interligado; 
\u2022 a criação de comunidades - está baseado na afinidade de interesses de 
conhecimentos, em um processo de cooperação ou de troca, independente de 
proximidades geográficas ou filiações institucionais; 
\u2022 a inteligência coletiva - seria sua perspectiva espiritual, sua finalidade última 
visto que o ciberespaço pode ser um local para sinergia de saberes. 
Referência: LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999. 
O que vem a ser a leitura? 
Conheça alguns conceitos e pense sobre a resposta. 
Modelo de decodificação: É um processo bem diferente da leitura, pois se 
limita a decodificação do sistema