FALA E ESCRITA MARCUSHI
210 pág.

FALA E ESCRITA MARCUSHI


DisciplinaPortuguês Instrumental I579 materiais2.659 seguidores
Pré-visualização50 páginas
Fala e escrita
Livro Fala e escrita 050707finalgrafica.pmd 05/07/2007, 16:401
Presidente: Luis Inácio Lula da Silva
Ministro da Educação: Fernando Haddad
Secretário de Educação Básica: Francisco das Chagas Fernandes
Diretora do Departamento de Políticas da Educação Infantil e Ensino
Fundamental: Jeanete Beauchamp
Coordenadora Geral de Política de Formação : Lydia Bechara
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
Reitor: Amaro Henrique Pessoa Lins
Pró-Reitora para Assuntos Acadêmicos: Lícia Souza Leão Maia
Diretor do Centro de Educação: Sérgio Abranches
Coordenação do Centro de Estudos em Educação e Linguagem \u2013
CEEL: Andréa Tereza Brito Ferreira, Artur Gomes de Morais, Eliana
Borges Correia de Albuquerque, Telma Ferraz Leal
Livro Fala e escrita 050707finalgrafica.pmd 05/07/2007, 16:402
ORGANIZAÇÃO
Luiz Antônio Marcuschi
Angela Paiva Dionisio
Apoio
MEC/SESU
Fala e escrita
1ª edição
1ª reimpressão
Livro Fala e escrita 050707finalgrafica.pmd 05/07/2007, 16:403
Copyright © 2005 by Os autores
Capa
Victor Bittow
Editoração eletrônica
Waldênia Alvarenga Santos Ataíde
Revisão
Vera Lúcia de Simoni de Castro
M592f
2007
Todos os direitos reservados ao MEC e UFPE/CEEL.
Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida, seja por
meios mecânicos, eletrônicos, seja via cópia xerográfica sem a
autorização prévia do MEC e UFPE/CEEL.
CEEL
Avenida Acadêmico Hélio Ramos, sn. Cidade Universitária.
Recife \u2013 Pernambuco \u2013 CEP 50670-901
Centro de Educação \u2013 Sala 100.
Tel. (81) 2126-8921
Marcuschi, Luiz
Fala e escrita / Luiz Antônio Marcuschi e Angela Paiva Dioni-
sio. 1. ed., 1. reimp. \u2014 Belo Horizonte: Autêntica, 2007.
208 p.
ISBN 85-7526-158-4
1.Alfabetização. 2.Leitura. I.Marcuschi, Luiz Antônio. II.Título.
CDU 372.4
Livro Fala e escrita 050707finalgrafica.pmd 05/07/2007, 16:404
SUMÁRIO
07
13
31
57
85
105
123
Apresentação
Princípios gerais para o tratamento das
relações entre a fala e a escrita
Luiz Antônio Marcuschi e Angela Paiva Dionisio
Oralidade e letramento como práticas sociais
Luiz Antônio Marcuschi
A oralidade no contexto dos usos lingüísticos:
caracterizando a fala
Luiz Antônio Marcuschi
A escrita no contexto dos usos lingüísticos:
caracterizando a escrita
Luiz Antônio Marcuschi e Judith Hoffnagel
Estratégias de textualização na fala e na escrita
Angela Paiva Dionísio e Judith Hoffnagel
Formas de observação da oralidade e
da escrita em gêneros diversos
Marianne C. B. Cavalcante e Beth Marcuschi
Livro Fala e escrita 050707finalgrafica.pmd 05/07/2007, 16:405
As relações interpessoais na
produção do texto oral e escrito
Cristina Teixeira V. de Melo e Maria Lúcia F. de F. Barbosa
Multimodalidade discursiva na atividade oral e escrita
Angela Paiva Dionisio
Referências
Sobre os autores
145
177
197
205
Livro Fala e escrita 050707finalgrafica.pmd 05/07/2007, 16:406
APRESENTAÇÃO
Neste livro, tratamos das relações entre a fala e a escrita, a
oralidade e o letramento, tal como definidos ao longo dos trabalhos.
Em geral, os manuais didáticos não costumam dar muito espaço a
essas questões e não as tratam com a devida atenção. Pior: quando
as tratam, fazem-no de forma equivocada. A distinção entre fala e
escrita vem sendo feita na maioria das vezes de maneira ingênua e
numa contraposição simplista. As posições continuam preconceitu-
osas para com a oralidade. Por isso, julgamos importante explicitar
tanto a perspectiva teórica das abordagens como as noções centrais
de oralidade e letramento; fala e escrita, língua; gênero, texto, multi-
modalidade, interação, diálogo e muitas outras. Tratamos da produ-
ção textual falada e escrita e observamos o funcionamento da língua
em sociedade. Vale ressaltar que essas reflexões levam em conta o
importante marco teórico introduzido no final dos anos 90 pelos Parâ-
metros Curriculares Nacionais (PCN), que tiveram o mérito de dar à
oralidade e aos gêneros um lugar de destaque no ensino. Aqui está
uma contribuição sistemática e aprofundada nessa direção.
Livro Fala e escrita 050707finalgrafica.pmd 05/07/2007, 16:407
8
Certamente, todos nós falamos e ouvimos muito mais do que escre-
vemos ou lemos, mas o peso dessas práticas não é o mesmo sob o ponto
de vista dos valores sociais. Contemplar a língua em uso é importante
porque pode auxiliar bastante nossas ações no trabalho de desfazer tais
equívocos. É certo que a escola existe para ensinar a leitura e escrita e
estimular o cultivo da língua nas mais variadas situações de uso. Mas
como a criança, o jovem ou o adulto já dominam a língua de modo razoá-
vel e eficiente quando chegam na escola, esta não pode partir do nada.
Isso justifica que se tenha uma idéia clara dessa competência oral para
partir dela no restante do trabalho com a língua. A escola não vai ensinar
a língua como tal, e sim usos da língua em condições reais e não triviais da
vida cotidiana. Em si não haveria necessidade de justificar o trabalho
com a oralidade em sala de aula, pois parece natural que isso deva ocor-
rer. O espantoso é que se tenha demorado tanto para chegar a esse
reconhecimento. O que deveria ser explicado é o escândalo da ausência,
e não a estranheza da presença do trabalho com a oralidade na sala de
aula, ao lado do trabalho com a escrita.
Para tanto, algumas premissas são aqui assumidas, em contra-
posição a opiniões freqüentes a respeito das relações entre fala e
escrita. Nossas premissas são:
1) Todas as línguas desenvolvem-se em primeiro lugar na forma
oral e são assim aprendidas por seus falantes. Só em segun-
do lugar desenvolve-se a escrita, mas a escrita não represen-
ta a fala nem é dela derivada de maneira direta.
2) Todas as línguas variam tanto na fala como na escrita, e não
há língua uniforme ou imutável, daí ter-se que admitir regras
variáveis em ambos os casos.
3) Nenhuma língua está em crise, e todas são igualmente regra-
das, não havendo quanto a isso distinção entre línguas ágra-
fas e línguas com escrita.
4) Nenhuma língua é mais primitiva que outra, e todas são com-
plexas, pouco importando se são ágrafas ou não.
Uma conseqüência imediata dessas premissas é a noção de
que fala e escrita são dois modos de funcionamento da língua, e
Livro Fala e escrita 050707finalgrafica.pmd 05/07/2007, 16:408
9
não dois sistemas lingüísticos como pensaram alguns autores.
Portanto, mesmo sem academias que se ocupem dela, a fala está em
ordem e não necessita de reparos, correções nem de alterações. Em
geral, a fala oferece um nível de corretude gramatical bastante alto,
não obstante todas as crenças populares em contrário. O problema
está em confundir variação com incorretude.
Para que se tenha uma visão geral do que este livro oferece ou
pretende oferecer, apresentamos aqui o conteúdo geral, enfatizando
o que cada capítulo comporta.
O primeiro capítulo apresenta uma visão geral do tema e intro-
duz conceitos básicos, bem como posições teóricas e premissas que
devem orientar o restante do estudo. De modo geral, esse capítulo
inicial serve para identificar as linhas mestras da discussão a ser feita
no restante do livro.
No segundo capítulo, aprofundam-se noções importantes dis-
tinguindo-se entre oralidade e letramento, de um lado, e fala e escrita,
de outro. Essas distinções buscam esclarecer que oralidade e letra-
mento são duas práticas sociais em que nos portamos como seres
sociais falando e escrevendo ou ouvindo e lendo. O letramento tem
muito mais a ver com as práticas da escrita do que com sua aquisição,
pois as pessoas podem ser letradas mesmo sem ser formalmente alfa-
betizadas.
Em seguida, trata-se de aprofundar outro aspecto importante so-
bre o que é e como funciona a fala. Aqui, oferecemos uma série de
reflexões sobre a fala e quais são suas características básicas que de-
pois serão