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AULA 5 GESTÃO DE CARREIRAS, REMUNERAÇÃO E BENEFÍCIOS Profª Jaqueline Becker 02 CONVERSA INICIAL Seja bem-vindo! Nesta aula, abordaremos a remuneração variável e você acessará informações sobre conceitos e modelos de remuneração variável que tem como foco o desempenho dos empregados. Discorreremos sobre diversos assuntos relacionados ao planejamento de remuneração variável, modelos, contribuição para o negócio, convergência com o plano de carreira, aspectos legais e resultados. Esta aula foi didaticamente separada em cinco temas para nosso estudo. Todavia, os assuntos se interligam, relacionando-se uns com os outros. No primeiro tema, veremos os princípios de remuneração variável. No segundo, trataremos das possibilidades de remuneração variável. No terceiro tópico, analisaremos o desenho do plano de remuneração variável. No quarto, investigaremos a ligação de um plano de remuneração com a gestão de carreira. No quinto e último tema, discutiremos os aspectos legais e os resultados de um plano de remuneração variável. Nosso objetivo é ajudá-lo a adquirir habilidades conceituais, além de apresentá-lo aos sistemas de remuneração variável, fazendo com que você compreenda o que é remuneração variável e quais as suas formas de planos. Você também descobrirá como realizar um plano de remuneração variável; tudo isso para ter mais desenvoltura quanto ao tema e poder orientar e tratar de questões pertinentes à remuneração de equipes. CONTEXTUALIZANDO Iniciaremos nossos estudos mergulhando em uma situação que pode estar ocorrendo em sua empresa. Uma agência de comunicação contratou os serviços de uma consultoria de recursos humanos (RH) para propor a ampliação do sistema de remuneração da empresa, tendo em vista a necessidade de aumentar a competitividade em termos de gestão de RH. Os proprietários estão refletindo sobre seus processos salariais, se estão alinhados com o que o mercado pratica. Recentemente a empresa perdeu dois profissionais que entregavam bons resultados para empresas concorrentes. Eles têm a percepção de que não estão conseguindo reter os empregados, e acreditam que o motivo é salarial. 03 A empresa é pequena e possui um estilo de administração tradicional. É constituída por: Dois diretores; Um gerente de arte; Três web designers; Três desenvolvedores de web; Três designers; Três analistas comerciais; Um analista administrativo financeiro; Um assistente de serviços gerais; Um estagiário de marketing. Ela não possui uma estrutura de RH interna e a folha de pagamento é terceirizada. Todas as atividades de RH necessárias são realizadas por seus dois proprietários (marido e esposa). Há um ano eles contrataram uma empresa de consultoria especializada que elaborou um plano de cargos e salários, que vem sendo posto em prática a contento dos proprietários. A empresa possui diversos clientes de vários ramos e portes. Trabalham com carga horária de 40 horas por semana e pagam um salário fixo mais benefícios (vale-transporte, vale-refeição e plano de saúde). Os donos não têm uma visão clara de RH e estão abertos a novas ideias e sugestões que possam auxiliá-los. A consultoria de RH deve elaborar uma proposta para aprimorar o sistema de remuneração e torná-lo mais competitivo. Ao final desta aula, coloque-se no lugar da consultoria e faça uma sugestão que incremente o sistema de remuneração dessa agência de comunicação! TEMA 1 – PRINCÍPIOS DE REMUNERAÇÃO VARIÁVEL Os sistemas de remuneração geralmente são construídos de forma tradicional: determina-se valores salariais para cada cargo em função de sua complexidade, assim como benefícios distintos de acordo com o status dos cargos. Isso se chama plano de cargos e salário. É indiscutível que essa forma de remuneração oferece vantagens para as organizações, pois organiza a estrutura de remuneração, proporciona equidade em termos de pagamento e elimina a subjetividade do processo. 04 Um sistema de remuneração tradicional também provoca dificuldades à medida que estabelece o pagamento fixo de valores para os cargos, sem considerar que indivíduos aportam resultados de trabalho distintos. Por exemplo, uma empresa pode ter em seu quadro dois empregados que ocupam cargos de compradores plenos e recebem o mesmo salário fixo; apesar disso, obtêm resultados distintos. Enquanto um atende de acordo com os requisitos do posto e alcança as metas estabelecidas, o outro as supera. E nesse ponto o sistema tradicional que equilibra os postos não oferece alternativas de pagamentos diferentes aos indivíduos que produzem resultados distintos. Os salários fixos passam por ajustes em função de Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), ou seja, da reposição por inflação, e também podem aumentar por acréscimos espontâneos em decorrência de mérito individual. Todavia, pelo princípio da irredutibilidade, um salário fixo não pode ser reduzido, exceto se ocorrer uma redução da jornada de trabalho que possa gerar o ajuste correspondente do salário e se ele for acordado com o sindicato. Dessa maneira, a remuneração tradicional enrijece o sistema, pois as empresas podem passar por crises financeiras sem jamais poder alterar o salário fixo. Da mesma forma, se houver um expressivo aumento de lucros, o sistema tradicional não prevê a sua divisão. O cenário de constantes mudanças mundiais, oscilações econômicas e evolução tecnológica geram impactos nos indivíduos e nas empresas. Nesse novo mundo em transformação, é exigido de todos saber lidar com o incerto de maneira ágil e flexível. No caminho de oferecer alternativas para administrar diferenças individuais de resultado de trabalho, compartilhar ganhos financeiros, alinhar estratégias do sistema de remuneração e gerar flexibilidade, as organizações podem estabelecer programas de remuneração variáveis que convivam harmonicamente com sistemas tradicionais. 1.1 Conceito de remuneração total Como já estudamos anteriormente, a remuneração total é a recompensa que o indivíduo recebe pelo trabalho executado e pelo tempo que coloca à disposição do empregador. A remuneração total é constituída da soma da remuneração básica ou do salário fixo mais a remuneração variável ou os 05 incentivos e os benefícios. A Figura 1 demonstra a composição da remuneração total. Figura 1 – Composição da remuneração A remuneração direta e a remuneração variável são pagas em dinheiro ou em vantagens financeiras (como programas de participação acionária, por exemplo). Fazem parte da remuneração indireta vantagens e serviços fornecidos pelas empresas. 1.2 Conceito de remuneração variável A remuneração variável é o conjunto de recompensas financeiras que o empregado recebe como adicionais de ganhos, de acordo com sua obtenção de resultados acima da meta definida por indicadores preestabelecidos, ou seja: os lucros e resultados financeiros são compartilhados com quem faz acontecer. Esse formato estimula os indivíduos a trabalhar para obter mais e melhores resultados e superar metas em prol de objetivos estratégicos da organização, em uma relação de ganha-ganha. 1.1 1.3 Benefícios do programa de remuneração variável Um programa de remuneração variável oferece diversas vantagens para a organização e para os empregados. Listamos algumas delas a seguir: Liga os resultados obtidos dos indivíduos com os resultados da organização; Alinha atitudes e comportamentos com metas organizacionais; Reconhece as diferenças individuais e as recompensa; Premia os bons desempenhos; Estimula os empregados a atingir objetivos e a buscar qualidade organizacional; Oferece remuneração adicional em função de resultados obtidos; Favorece atitude de iniciativa, comprometimento e foco no resultado; 06 Oferece competitividade da organização, valorque atrai e retém empregados; Não gera impactos sobre os custos fixos da organização, pois está atrelada aos ganhos acima da meta. Um plano de remuneração variável precisa ser construído sob duas premissas: foco no resultado e na rentabilidade da organização e premiação do desempenho individual e/ou do grupo de empregados da organização com base nos resultados dos indicadores estabelecidos. TEMA 2 – MODELOS DE REMUNERAÇÃO VARIÁVEL A remuneração variável não é uma pratica inovadora, pois existe há muitos anos para cargos comerciais e executivos. Nos postos de vendas é usual o pagamento de comissões, e para cargos de gestão, usa-se a prática de pagamentos de bônus por resultados. Um programa de remuneração variável pode ser composto por indicadores individuais, dos departamentos e da empresa. Quando é constituído por esses três tipos de indicadores, o pagamento também segue a regra dos resultados obtidos individualmente e coletivamente. A referência de um pagamento por resultados coletivos é fundamental para manter o espírito de equipe e o princípio de que metas somente são alcançadas com esforço e trabalho de todos, pois o resultado organizacional é a soma do trabalho de todos os empregados e suas interações. Os principais modelos de remuneração variável são: Planos de bonificação; Premiações; Comissões; Participação acionária; Programas de participação nos resultados (PPR) ou programas de participação nos lucros (PPL). 2.1 Planos de bonificação São valores monetários pagos geralmente ao final de cada ano ou de um período de doze meses de apuração de resultados. São determinados em função de metas previamente negociadas e alcançadas e do respectivo 07 envolvimento do empregado no desempenho positivo. Por se tratar de valores pontuais, podem ter sua manutenção extinta, ou os valores e indicadores podem ser aumentados ou reduzidos. Mais utilizados no pagamento de cargos executivos, associa o prêmio à superação de resultados. Também pode ser utilizado em postos de vendas, onde estimula o trabalho e são exemplos de indicadores de bônus de vendas, como recuperação de clientes, aquisição de novos clientes, aumento do faturamento, resultado de vendas, entre outros. 2.2 Premiações De caráter eventual, constituem recompensas em dinheiro ou em bens de consumo, e são atribuídos aos empregados em função da obtenção de resultados acima do esperado em decorrência de desempenho individual ou grupal. Segundo Pontes (2011, p. 376), Os prêmios são instituídos quando se deseja uma melhora em certos processos das companhias. Uma das formas mais comuns são os prêmios instituídos para pessoal de produção em função de ganhos de produtividade ou qualidade. Há modelos que estimulam uma competição saudável, como a distribuição de um certo valor monetário entre os funcionários de uma célula com melhor desempenho nos indicadores de produção e qualidade. Os prêmios podem ser utilizados para recompensar resultados individuais pontuais, como, por exemplo, o funcionário que mais vendeu ao longo do mês, ou então premiar comportamentos como chegar ao trabalho no horário estipulado, participação em grupos de trabalho, entre outros. 2.3 Comissões Comissões são pagamentos determinados aos empregados em função de unidades vendidas. Têm periodicidade mensal e são mais usuais em cargos de vendas. Caracterizam um poderoso estímulo à busca de resultados. É possível um empregado receber apenas uma comissão em vez de um salário fixo; todavia, o empregador deve garantir o pagamento de um salário mínimo ou do piso determinado em CCT nos meses em que a comissão não atingir o salário mínimo. 08 2.4 Participação acionária Também intitulada stock option, termo em inglês que significa opção de ação, é a forma de remuneração variável mais utilizada para premiação de cargos de executivos. É um dos componentes mais complexos dos modelos de remuneração variável devido a implicações relacionadas à legislação trabalhista e aos regulamentos do mercado financeiro. Trata-se de um incentivo de longo prazo que objetiva a retenção de profissionais, pois os eleitos precisam permanecer na empresa por determinado período para tornarem-se donos das ações. Trata-se da opção de remuneração variável em que o empregado pode receber ações da empresa ou então comprá-las a preços especiais, tornando-se acionista da organização. Esse programa tem o objetivo de retribuir e recompensar determinados empregados que se destacam e aos quais a empresa quer diferenciar e adotar como parceiros. As ações geram dividendos, e, quanto maior o lucro da empresa, melhor para todos, o que amplia o sentimento de responsabilidade, estimula a busca de mais resultados por meio do trabalho e faz com que os empregados se sintam donos da empresa. Tanto os sucessos quanto os insucessos da empresa são compartilhados. 2.5 Programa de Participação nos Resultados (PPR) ou Programa de Participação nos Lucros (PPL) Os programas de participação podem se dividir entre Programas de Participação nos Resultados (PPR) e Programas de Participações nos Lucros (PPL). O primeiro estabelece metas de resultados, enquanto o segundo, obrigatoriamente, de lucros. As empresas, mais comumente, escolhem o PPR, pois a informação sobre os lucros nem sempre é compartilhada. As empresas podem ainda instituir as duas formas de participação com o Programa de Participação nos Lucros e Resultados (PLR). O PPR e o PLR são formas de atribuir valor aos empregados segundo o alcance de metas individuais, setoriais ou organizacionais, regidas por legislação específica, que obrigatoriamente devem abranger todos os empregados da organização. São as únicas formas de remuneração variável que isentam as 09 empresas dos encargos de contribuições previdenciárias e trabalhistas. Além disso, possibilitam dedução como despesas operacionais. Para utilizá-los, é necessária a instituição de uma comissão de empregados que discuta suas métricas e o seu regulamento, para que depois sejam analisados pelo sindicado da categoria para validação. Como tratam de indicadores que devem ser realizados e acompanhados ao longo de um ano, é ideal que o PPR e o PPL sejam discutidos e validados sempre no início do ano a vigorar. O PPR e o PPL são atraentes, pois seus encargos sociais são mínimos; mas seu pagamento pode ser realizado apenas semestralmente ou anualmente. Para o pagamento de bonificações PPR e PPL é comum que se estabeleça um gatilho, ou seja, um valor mínimo numérico que determine que, para iniciar o pagamento da remuneração variável, é mandatório o atingimento de um valor mínimo a partir do qual se estabeleçam ganhos para a organização. Programas de remuneração por competência ou habilidades não se efetivaram nas organizações, pois ainda não se chegou a um consenso quanto a suas vantagens, mas se mostram como uma alternativa de efetivar o pagamento dos indivíduos a partir de competências adquiridas e apresentadas. Sua métrica é complexa, tende à subjetividade e não apresenta garantia de manutenção, já que determinadas competências podem não ser mais úteis à organização, deixando de ser disponibilizadas pelos indivíduos. A utilização de um sistema de remuneração funcional ou tradicional mostra-se oportuna à medida que oferece estruturação ao sistema de gestão de remuneração de pessoas. É necessário, todavia, a inclusão de sistemas de remuneração variável, que podem existir concomitantemente dentro de uma organização para adequar as necessidades de retribuição, reconhecendo as diferenças de resultados e alinhando ao planejamento estratégico da organização. Os programas de bonificação oferecem mais flexibilidade sobre suas premissas, e, portanto, facilitam a ocorrência de ajustes no caminho de melhorar o processo. Os programas de comissão – por exemplo,comissão para equipes de vendas – geram pagamentos mensais pelo atingimento de metas; assim, as métricas estabelecidas são de difícil modificação, já que sua mudança pode gerar riscos trabalhistas. A distribuição de diversas modalidades de remuneração variável é uma forma de demonstrar reconhecimento pelos resultados do trabalho executado, 010 além de uma grande fonte de comprometimento dos indivíduos para com o negócio da organização, que não gera custos adicionais quando as métricas estão bem estabelecidas. TEMA 3 – O DESENHO DO PLANO DE REMUNERAÇÃO VARIÁVEL O sistema de remuneração variável representa uma vertente moderna, compatível com as transformações que ocorrem na economia e na própria transição do perfil dos empregados atuais. A tendência é que as organizações adotem cada vez mais essas formas variáveis, que têm como princípios privilegiar o desempenho dos indivíduos e das equipes, recompensar os resultados que ultrapassem as metas estabelecidas e não levar às organizações nenhum custo adicional. 3.1 Premissas Os sistemas de remuneração variável devem considerar as seguintes proposições: Precisam ser autofinanciáveis, ou seja, não podem gerar custos adicionais para a empresa; Devem ser aplicáveis a um grupo de empregados, ou a todos, gerando sentimentos de compartilhamento de metas e, consequentemente, de resultados; Devem oferecer retorno adequado aos acionistas; Precisam ser estruturados para representar progresso ao longo do tempo; As metas estabelecidas devem ser realistas, representar desafios e não ser associadas às rotinas do cargo. Não devem ser fáceis demais de atingir e nem tão difíceis que levem ao descrédito; Os indicadores devem ser relacionados aos serviços, produtos e negócios da empresa; O programa deve ser simples e de fácil compreensão e administração; A comunicação do plano, das metas e dos resultados é primordial no acompanhamento e na realização de ajustes durante o processo e credibilidade; Deve ser estabelecido um vínculo entre a remuneração recebida e a contribuição feita pelo empregado ou pelo grupo de indivíduos; 011 Deve-se criar modelos de remuneração variável respeitando as características de cada profissão. Por exemplo, um modelo para profissionais de vendas, outros para equipes de TI, de RH, setor financeiro, entre outros; Para as empresas que pretendem instituir um programa de remuneração variável, sugere-se iniciar, de maneira conservadora, com porcentagens e valores baixos, que sejam possíveis de obter, para que, ao longo do período, se possa criar uma margem de ajustes. Criar um programa de remuneração variável não é simples; todavia, a tarefa não é impossível de ser realizada. O maior problema das organizações é utilizar modelos de remuneração variável desalinhados com seus objetivos de longo prazo. Portanto, todo cuidado é pouco, ou seja: as premissas que citamos precisam ser cumpridas. 3.2 Etapas para implantação Para implementar um plano de remuneração variável é necessário cumprir com as seguintes etapas: Investigar informações internas: cultura organizacional, situação econômica, orçamento, processos e políticas de RH estabelecidos, indicadores organizacionais, expectativas dos empregados e dos gestores; Analisar o ambiente externo: contexto econômico, legislação trabalhista, relações sindicais e tendências do mercado; Realizar reuniões com gestores e dirigentes para avaliar metas, objetivos e estratégias; Estabelecer os indicadores individuais, tanto de departamentos quanto organizacionais, atrelados às metas e às estratégias organizacionais; Construir o programa de remuneração variável, descrevendo regras, métricas, prazos, conceitos, responsabilidades, critérios de elegibilidade, apuração de indicadores, processo de comunicação, custos e potencial de alavancagem de resultados; Validar o programa com os dirigentes; Treinar os envolvidos no programa; Comunicar as regras aos empregados no início do programa; 012 Acompanhar os resultados mensalmente, analisar os indicadores, verificar necessidades de ajustes e divulgar internamente para que todos os envolvidos possam influenciar na melhoria dos indicadores durante o processo. Para que a construção do plano de remuneração variável tenha sucesso em seu propósito, é necessário que a empresa tenha claro o seu planejamento estratégico, pois o plano de ação individual – indicadores e metas – deve estar intimamente ligado aos objetivos organizacionais. Além disso, a simplicidade, a flexibilidade e um programa excelente de comunicação são fatores essenciais para a sua concretização. TEMA 4 – CONVERGÊNCIA DE PLANO DE REMUNERAÇÃO E GESTÃO DE CARREIRA O departamento de recursos humanos (RH) trabalha com diversos processos: remuneração, treinamento e desenvolvimento, recrutamento e seleção, relações sociais, comunicação interna, avaliação de pessoal, pesquisa de clima, plano de carreiras, folha de pagamento, entre outros. E todos esses processos se interligam e interagem para a boa execução de suas atividades de gestão de pessoas. Um plano de remuneração oferece à empresa um conjunto integrado de normas e procedimentos para a tomada de decisões a respeito de assuntos relacionados à remuneração (salário, variáveis e benefícios) que impactam os empregados e a gestão da organização. Por sua vez, a gestão de carreira é a maneira pela qual as organizações estabelecem políticas, normas, programas e possibilidades de trajetórias profissionais, ou seja, os percursos possíveis de carreira para os empregados. 013 Tabela 1 – Componentes do plano de remuneração e da gestão de carreiras Ambos têm como meta estabelecer princípios de gestão de pessoas. O plano de remuneração tem foco na administração de salários, benefícios e incentivos, e sua construção é objetiva e ligada aos cargos. Já a gestão de carreira tem foco nas possibilidades de trajetória profissional e, portanto, nos indivíduos; além disso, ela é mais flexível em seus destinos, como mostra a Tabela 1. Atualmente, as organizações não oferecem planos estanques e predefinidos; elas trabalham na gestão de carreiras. E é isso o que buscam os indivíduos protagonistas, aqueles que almejam o desenvolvimento e apresentam resultados. Mas a responsabilidade de ofertar ferramentas para o estudo das possibilidades de trajetórias profissionais e do desenvolvimento dos indivíduos fica a cargo das empresas. Tanto o plano de remuneração quanto a gestão de carreiras geram vantagens para a organização e para os indivíduos. São elas: Políticas organizacionais competitivas que, portanto, atraem profissionais talentosos; Incentivo ao desenvolvimento dos empregados; Reconhecimento de empregados que geram resultados diferenciados; Retenção de empregados ao disponibilizar possibilidades de crescimentos profissional e salarial. Melhor administração dos investimentos financeiros e humanos. Benedito Rodrigues Pontes faz um alinhamento dos processos de remuneração e carreira, e afirma em seu livro Administração de cargos e salários (2011, p. 360) que 014 [...] Um plano de cargos e salários pode até ser administrado de forma isolada, como, também, pode estar integrado aos demais programas, porém um programa de carreiras, obrigatoriamente, deve estar associado aos demais programas de recursos humanos. [...] Um plano de cargos e salários possui menos flexibilidade que um plano de carreiras. Num plano de cargos e salários a definição do cargo é mais estática; já quando são desenvolvidos planos de carreira a definição dos cargos pode ser mais genérica, permitindo maior flexibilidade na execução de tarefas por parte de seus ocupantes. Dessa forma, cargos desenhados em carreiras combinam mais com os preceitos contemporâneos da análisede cargos. [...] Como um plano de carreiras deve motivar mais as pessoas, pelas perspectivas de crescimento profissional oferecidas, e se as promoções forem atreladas a um desempenho positivo em programas de avaliação, além do aumento de conhecimento, a empresa terá ganhos com o melhor desempenho esperado das pessoas. A gestão das carreiras apresenta aos indivíduos as trilhas possíveis de desenvolvimento e de mudança profissional, considerando expectativas, competências e potencialidades dos empregados para compor as decisões de trajetória profissional. Estudamos anteriormente que as carreiras podem ser de várias naturezas; carreira em linha, em Y, em linha de especialização, em linha de polivalência e mista. Para cada natureza de carreira há uma progressão salarial possível ligada à tabela salarial. Por exemplo: para um plano de carreira em linha de cargos da área financeira, a tabela salarial determina as faixas salariais correspondentes. No cargo de analista financeiro júnior, a faixa/classe é a de n. 1; para o cargo de analista financeiro pleno (PL), a faixa/classe é a de n. 2; e para o cargo de analista financeiro sênior (SR); a faixa/classe é a de n. 3. A Tabela 2 mostra os salários de cada nível: Tabela 2 – Modelo de carreira em linha x tabela salarial O plano de remuneração deveria estar integrado à gestão de carreira. Mas esses dois processos nem sempre "conversam" e coexistem nas organizações. Esse fato representa um desafio aos profissionais de RH, que precisam implantar esses programas por serem fundamentais no atual cenário 015 competitivo em que os profissionais de talento escolhem as organizações nas quais querem trabalhar, aquelas que oferecem perspectivas de crescimento, desenvolvimento e melhores salários. Uma boa implantação e a administração e a comunicação competentes desses processos geram satisfação, comprometimento e, consequentemente, resultados. Quando os empregados constatam que a organização oferece ferramentas para gestão de carreiras, comunica possibilidades de progressão, fornece feedback e informações sobre os requisitos dos cargos, alinha expectativas e possibilita o crescimento salarial com méritos e promoções – o que estimula a satisfação –, o comprometimento, a confiança e o orgulho de pertencer à empresa crescem. TEMA 5 – ASPECTOS LEGAIS E RESULTADOS A remuneração fixa não impulsiona os empregados a assumir riscos, mais responsabilidades, empreender e, assim, apresentar resultados acima da média. Por outro lado, os modelos de remuneração variável convidam os empregados a adotar uma postura proativa, recebendo como contrapartida o compartilhamento dos ganhos financeiros da organização. Adotar essa forma de remunerar parte de uma intenção positiva de instituir um programa para tornar os empregados parceiros do negócio, em uma relação de ganha-ganha. A falta de legislação específica sobre modelos de remuneração variável permite às organizações criar programas adequados às suas necessidades e também arriscar e implementar práticas inovadoras. Reconhecendo que a legislação trabalhista é, por vezes, dúbia e incompleta, assume-se o risco e o descompasso da lei juntamente com a pratica organizacional. Um cuidado especial precisa ser tomado quanto aos aspectos legais da implantação de um plano de remuneração variável para que ele não se transforme em um risco, ou até mesmo em um grande prejuízo para a organização. 5.1 Aspectos legais Os valores a receber com a remuneração variável podem ser creditados em folha de pagamento e a favor do empregado com periodicidades mensal, bimensal, trimestral, semestral ou anual, ou seja, conforme deliberado pela 016 empresa. Exceção se faz à participação acionária, que não implica o desembolso de caixa para a organização. Os programas de remuneração variável seguem bases legais e, assim, se distinguem dos programas de resultados e lucros. A Tabela 3 mostra algumas diferenças: Tabela 3 – Comparativo entre remuneração variável e os programas de participação nos Resultados (PPR) e nos Lucros (PPL) Fonte: adaptado de Paschoal (2007). Sobre os valores ganhos como salários e remuneração variável podem incorrer os encargos sociais pagos ao governo. Os encargos sociais são obrigações trabalhistas que precisam ser pagas pelas empresas mensalmente e anualmente, e que têm como base o que é pago aos empregados em dinheiro. Os encargos são compostos de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Além disso é necessário contribuir com um percentual da folha de pagamento para o financiamento do Serviço Social da Indústria (Sesi), do Serviço Social de Aprendizagem Industrial (Senai), do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Salário Educação, de acordo com o ramo de atividade da organização, além dos valores de tempo não trabalhado, como o Descanso Semanal Remunerado (DSR), férias, feriados, abono de férias, aviso prévio, 13º salário e despesas de rescisão. O pagamento de comissões deve seguir as bases da Lei n. 3.207, de 18 de julho de 1957 (Brasil, 1957), que determina que ele deve ocorrer mensalmente e apresentar os comprovantes de demonstrativos de pagamentos. 017 A CLT (Brasil, 1943) trata de remuneração desde o art. 457 até o art. 466, sendo a última alteração de sua redação tendo sido feita em 14 de novembro de 2017. A reforma trabalhista de novembro de 2017 determinou que as premiações e bonificações não integrassem mais a base de cálculo para os encargos trabalhistas; todavia, ainda há muitas discussões sobre a interpretação da redação da reforma. Essa medida oferece uma grande vantagem para a organização, pois possibilita o pagamento de mais premiações sem a incidência de encargos, mas, ao mesmo tempo, tem a desvantagem de não incorporar a remuneração, não fazendo parte dos cálculos do pagamento de férias, 13º salário, FGTS e aposentadoria. O princípio da irredutibilidade dos salários está previsto pelo art. 468 da CLT, e determina que um salário fixo não pode ser reduzido, exceto se ele não gerar prejuízos ao empregado, se ocorrer uma redução da jornada de trabalho e o procedimento for acordado com o sindicato. Tentativas de modernização da legislação trabalhista vêm sido feitas, mas ela ainda é regida por normas rígidas e interpretações dúbias, que não permitem a construção de modelos de remuneração variável mais atuais. Sugere-se sempre que a implementação de um programa de remuneração variável seja feita com a ajuda de consultores especialistas em legislação para reduzir as possibilidades de riscos trabalhista. 5.2 Resultados A remuneração variável é uma das grandes formas de motivar os indivíduos nas organizações. A implementação dessa pratica é uma realidade que vem crescendo dentro das empresas, que compreendem o seu papel de incentivadoras do engajamento por parte dos empregados e, consequentemente, da obtenção de resultados. Para que ela funcione como uma ajustadora de comportamentos e não gere custos extras para a organização, é fundamental que os indicadores estabelecidos estejam ligados ao resultado financeiro e aos objetivos estratégicos, não se equivocando com métricas de obtenção de qualidade e produtividade nos processos internos. Por exemplo: se a organização, que pretende dividir os ganhos financeiros, definir que o indicador a ser obtido para a distribuição dos lucros seja um aumento de x% de produção, um aumento de custos já foi gerado, pois aumentar a produção não significa aumentar os lucros! 018 Há, assim, um importante caminho para que se construa programas alicerçados em bases sólidas e estratégicas na obtenção da satisfação e do lucro compartilhado. FINALIZANDO Os programas de remuneração variávelsão formas de compor o mix dos ganhos financeiros dos empregados nas organizações. Quando bem construídos, garantem a satisfação, vinculam a busca de mais e melhores resultados com as recompensas e não geram custos adicionais. Como se trata de uma parcela importante da remuneração, que pode gerar questionamentos e riscos trabalhistas, é fundamental que a empresa esteja munida do suporte de profissionais especializados em sua implantação. Nesta aula, analisamos as bases conceituais que permeiam o tema de remuneração variável, e estudamos princípios, modelos, cuidados e etapas para a sua implantação. Analisamos também alguns aspectos legais e os resultados possíveis dos programas de remuneração variável. Retornemos ao case sugerido no início do texto: com base em nossos estudos, e também em análises, princípios e objetivos de um plano de remuneração variável, o que você pode propor aos donos da agência de comunicação? Inicialmente, é importante analisar os aspectos internos da empresa – estrutura, salários atuais, Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), expectativas dos donos e dos empregados, motivos dos desligamentos, entrevistas de desligamento (se houver), benefícios, estilo de gestão, cultura da organização, entre outros. É importante também agendar reuniões entre proprietários e empregados para levantamento de informações, e verificar as possibilidades de um orçamento que permita à empresa obter o apoio de profissionais especializados e advogados. É preciso investigar se há indicadores internos de resultado, e também se há um planejamento estratégico; se não houver, você deve iniciar o trabalho com esses processos. Não se esqueça de analisar o plano de cargos e salários e levantar a possibilidade de implantação de um Programa de Participação nos Resultados (PPR) atrelado aos indicadores de resultados financeiros, já que esse formato de remuneração variável está isento de encargos trabalhistas. Você pode começar estabelecendo valores de 019 pagamento conservadores, ou seja, não muito elevados, para gradativamente aprimorar indicadores, métricas e ganhos. Não temos a pretensão de esgotar o estudo sobre remuneração variável neste material, mas sim de demonstrar pontos referenciais para que você aprofunde o estudo e possa aplicar os conhecimentos em sua vida pessoal e profissional. 020 REFERÊNCIAS BRASIL. Decreto-lei n. 5.452, de 1o de maio de 1943. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 9 ago. 1943. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm>. Acesso em: 25 mar. 2018. _____. Lei n. 3.207, de 18 de julho de 1957. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 22 jul. 1957. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l3207.htm>. Acesso em: 25 mar. 2018. _____. Lei n. 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 20 dez. 2000. 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