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O SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO E A MEDULA ADRENAL capítulo 61 Guyton

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modificações celulares internas, por exemplo, efeito direto 
dos íons cálcio para promover a contração da musculatura lisa. 
 Ação dos Receptores pela Alteração de Enzimas Intracelulares Atuando como “Segundos Mensageiros”: 
Outra forma do receptor funcionar é ativar ou inativar uma enzima no interior da célula (ou outra molécula 
intracelular). A enzima em geral está ligada à proteína receptora, onde o receptor se projeta para o interior da 
célula. Por exemplo, a ligação da norepinefrina com seu receptor, na parte externa de muitas células, aumenta a 
atividade da enzima adenilil ciclase no interior da célula, o que causa a formação de monofosfato de adenosina 
cíclico (AMPc). O AMPc, por sua vez, pode iniciar qualquer uma das diferentes ações intracelulares, e o efeito 
preciso depende da célula efetora específica e da sua maquinaria química. É fácil entender como substância 
transmissora autônoma pode provocar inibição em alguns órgãos e excitação em outros. Isso é determinado pela 
natureza da proteína receptora na membrana celular e pelo efeito da ligação do receptor sobre seu estado 
conformacional. Em cada órgão, os efeitos resultantes são provavelmente diferentes dos outros órgãos. 
 
 Dois Tipos Principais de Receptores de Acetilcolina — Receptores Muscarínicos e Nicotínicos 
A acetilcolina ativa principalmente dois tipos de receptores. Eles são chamados receptores muscarínicos e nicotínicos. As 
razões para esses nomes é que a muscarina, veneno de cogumelos, ativa apenas os receptores muscarínicos, enquanto a 
nicotina ativa apenas os receptores nicotínicos. A acetilcolina ativa ambos. 
Os receptores muscarínicos, que utilizam proteínas G como mecanismos de sinalização, são encontrados em todas as 
células efetoras estimuladas pelos neurônios colinérgicos pós-ganglionares tanto do sistema nervoso parassimpático 
quanto do simpático. 
Os receptores nicotínicos são canais iônicos ativados por ligandos que se encontram nos gânglios autônomos nas sinapses 
entre os neurônios pré-ganglionares e pós-ganglionares tanto do sistema simpático quanto do parassimpático. (Os 
receptores nicotínicos estão também presentes em muitas terminações nervosas não autônomas — por exemplo, nas 
junções neuromusculares, nos músculos esqueléticos). 
O entendimento dos dois tipos de receptores é especialmente importante porque fármacos específicos são usados como 
medicamentos para estimular ou bloquear um ou outro dos dois tipos de receptores. 
 
 Receptores Adrenérgicos — Receptores Alfa e Beta 
Existem também duas classes de receptores adrenérgicos; chamados receptores alfa e receptores beta. Existem dois tipos 
principais de receptores alfa, alfa1 e alfa2, que se ligam a diferentes proteínas G. Os receptores beta, são divididos em 
beta1, beta2 e beta3 porque determinadas substâncias químicas afetam apenas certos receptores beta. Os receptores 
beta utilizam também proteínas G para a sinalização. A norepinefrina e a epinefrina, secretadas no sangue pela medula 
adrenal, têm efeitos ligeiramente diferentes na excitação dos receptores alfa e beta. A norepinefrina excita 
principalmente os receptores alfa, mas excita os receptores beta em menor grau. A epinefrina excita ambos os tipos de 
receptores de forma aproximadamente igual. Portanto, os efeitos relativos da norepinefrina e da epinefrina nos 
diferentes órgãos efetores são determinados pelos tipos de receptores existentes nesses órgãos. Se forem todos 
receptores do tipo beta, a epinefrina terá ação mais eficaz. 
Os receptores alfa e beta não estão necessariamente associados à excitação ou à inibição, mas simplesmente à afinidade 
do hormônio pelos receptores do dado órgão efetor. Uma substância sintética quimicamente semelhante à epinefrina e à 
norepinefrina, a isopropil norepinefrina, tem ação extremamente forte nos receptores beta e, em essência, nenhuma 
ação nos receptores alfa. 
 
 
AÇÕES EXCITATÓRIAS E INIBITÓRIAS DA ESTIMULAÇÃO SIMPÁTICA E PARASSIMPÁTICA 
Órgão Efeito da Estimulação Simpática Efeito da Estimulação Parassimpática 
Olho Dilatada Contraída 
Pupila; Músculo ciliar Relaxamento leve (visão longínqua) Contração (visão próxima) 
Glândulas nasais, lacrimais, parótidas, 
submandibulares, gástricas e 
pancreáticas 
Vasoconstrição e secreção leve Estimulação de secreção copiosa (contendo 
muitas enzimas nas glândulas secretoras de 
enzimas) 
Glândulas sudoríparas Transpiração abundante (colinérgica) Transpiração nas palmas das mãos 
Glândulas apócrinas Secreção espessa, odorífica Nenhum 
Vasos sanguíneos Na maioria das vezes, vasoconstrição Na maioria das vezes, pouco ou nenhum 
efeito 
Coração, músculo e coronárias Frequência aumentada 
Força de contração aumentada 
Dilatadas (b2); contraídas (a) 
Frequência diminuída 
Força de contração diminuída 
(principalmente, dos átrios) 
Dilatadas 
Pulmões, brônquios, vasos sanguíneos Dilatação 
Vasoconstrição leve 
Constrição? 
Dilatados 
Intestino, lúmen e esfíncter Peristaltismo e tônus diminuídos 
Tônus aumentado (maioria das vezes) 
Peristaltismo e tônus aumentados 
Relaxado (maioria das vezes) 
Fígado Liberação de glicose Pequena síntese de glicogênio 
Vesícula e ductos biliares Relaxados Contraídos 
Rim Débito de urina diminuído e secreção de 
renina aumentado 
Nenhum 
Bexiga, músculo detrusor, músculo 
trígono 
Relaxado (ligeiramente) 
Contraído 
Contraído 
Relaxado 
Pênis Ejaculação Ereção 
Arteríolas sistêmicas Contraídas 
Contraído (a-adrenérgicos) 
Nenhum 
Nenhum 
Vísceras abdominais Dilatado (b2-adrenérgicos) Nenhum 
Músculo, pele Contraída 
Sangue Aumentada Nenhum 
Coagulação Aumentada Nenhum 
Glicose, lipídios Aumentados Nenhum 
Metabolismo basal Aumentado por até 100% Nenhum 
Secreção medular adrenal Aumentada Nenhum 
Atividade mental Aumentada Nenhum 
Músculos piloeretores Contraídos Nenhum 
Músculos esqueléticos Glicogenólise aumentada 
Força aumentada 
Nenhum 
Células gordurosas Lipólise Nenhum 
 
 Efeitos da Estimulação Simpática e Parassimpática em Órgãos Específicos: 
 Olhos: 
Duas funções dos olhos são controladas pelo sistema nervoso autônomo. Elas são (1) a abertura das pupilas; e (2) 
o foco do cristalino. A estimulação simpática contrai as fibras meridionais da íris, provocando a dilatação da 
pupila (midríase), enquanto a estimulação parassimpática contrai o músculo circular da íris, provocando a 
constrição da pupila (miose). As eferências parassimpáticas que controlam a pupila são estimuladas por via 
reflexa quando luz excessiva entra nos olhos; esse reflexo reduz o diâmetro pupilar, diminuindo a quantidade de 
luz que incide sobre a retina. Por sua vez, os eferentes simpáticos são, em particular, estimulados durante 
períodos de excitação e aumentam nesses momentos o diâmetro pupilar. O processo de focalização do cristalino 
é quase inteiramente controlado pelo sistema nervoso parassimpático. O cristalino é nas condições normais 
mantido no estado achatado pela tensão elástica intrínseca dos seus ligamentos radiais. A excitação 
parassimpática contrai o músculo ciliar que é corpo anular de fibras musculares lisas que circundam as pontas 
exteriores dos ligamentos radiais do cristalino. Essa contração libera a tensão nos ligamentos e permite que o 
cristalino fique mais convexo, promovendo a focalização de objetos próximos. 
 Glândulas do Corpo: 
As glândulas nasais, lacrimais, salivares e muitas glândulas gastrointestinais são estimuladas pelo sistema 
nervoso parassimpático, resultando, em geral, em abundantes quantidades de secreção aquosa. As glândulas do 
trato digestivo mais intensamente estimuladas pelos parassimpáticos são as do trato superior, especialmente as 
da boca e do estômago. Por sua vez, as glândulas dos intestinos delgado e grosso são controladas, em sua maior 
parte, por fatores locais do próprio trato intestinal e pelo sistema nervoso entérico; em muito menor grau são 
controlados pelos nervos autônomos. A estimulação simpática tem efeito direto na maioria das células 
glandulares digestivas,

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