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FLUXO SANGUÍNEO CEREBRAL, LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO E METABOLISMO CEREBRAL capítulo 62 Guyton

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sanguíneo provoca uma 
diferença mensurável no sinal de prótons da ressonância magnética (RM) do vaso e no tecido que o rodeia. 
Entretanto, os sinais dependentes da concentração de oxigênio no sangue (BOLD), obtidos por RMf, dependem 
da quantidade total de desoxi-hemoglobina no espaço tridimensional específico (voxel) do tecido cerebral 
submetido à avaliação; isso, por sua vez, é influenciado pela intensidade do fluxo sanguíneo, pelo volume de 
sangue e pelo consumo de oxigênio no voxel específico do tecido cerebral. Por esse motivo, a RMf BOLD fornece 
apenas uma estimativa indireta do fluxo sanguíneo regional, embora possa também ser utilizada para produzir 
mapas que mostram que partes do cérebro são ativadas em um determinado processo mental. 
Um método alternativo de RM, chamado marcação de spins arteriais (ASL), pode ser utilizado para proporcionar 
uma avaliação mais quantitativa do fluxo sanguíneo regional. A ASL funciona ao manipular o sinal de RM do 
sangue arterial antes de ser fornecido às diferentes regiões cerebrais. Ao subtrair duas imagens nas quais o 
sangue arterial é manipulado de modo diferente, o sinal estático de prótons é subtraído no tecido restante, 
ficando unicamente o sinal vindo do sangue arterial fornecido. As técnicas de imagem ASL e BOLD podem ser 
utilizadas juntamente para fornecer de forma simultânea uma sondagem do fluxo sanguíneo cerebral regional e 
da função neuronal. 
 A Autorregulação do Fluxo Sanguíneo Cerebral Protege o Cérebro de Flutuações Quando a Pressão Arterial Varia: 
Durante as atividades diárias normais, a pressão arterial pode variar muito chegando a níveis elevados durante os 
estados de excitação ou atividade árdua e caindo a níveis baixos durante o sono. Entretanto, o fluxo sanguíneo 
cerebral é extremamente bem “autorregulado”, entre os limites da pressão arterial de 60 e 140 mmHg. Isto é, a 
pressão arterial média pode ser diminuída agudamente para valores de 60 mmHg, ou aumentada para valores de 
140 mmHg, sem variação significativa do fluxo sanguíneo cerebral. Além disso, em pessoas hipertensas, a 
autorregulação do fluxo de sangue cerebral ocorre até mesmo quando a pressão arterial média aumenta para 
valores entre 160 e 180 mmHg. 
 Papel do Sistema Nervoso Simpático no Controle do Fluxo Sanguíneo Cerebral: 
O sistema circulatório cerebral tem forte inervação simpática que se origina nos gânglios simpáticos cervicais 
superiores, passa pelo pescoço e depois para o tecido cerebral, acompanhando as artérias cerebrais. Essa 
inervação supre tanto as grandes artérias cerebrais como as artérias menores que penetram na própria 
substância cerebral. No entanto, a transecção dos nervos simpáticos ou a sua estimulação branda a moderada, 
em geral, provoca poucas variações do fluxo sanguíneo cerebral, porque o mecanismo autorregulatório pode 
prevalecer sobre os efeitos nervosos. Quando a pressão arterial média aumenta de forma aguda para nível 
excepcionalmente alto como durante o exercício extenuante, ou durante outros estados de atividade circulatória 
excessiva, o sistema nervoso simpático normalmente provoca vasoconstrição das artérias cerebrais grandes e de 
tamanho intermediário, o suficiente para impedir que a alta pressão chegue aos vasos sanguíneos menores do 
cérebro. Esse mecanismo é importante para impedir hemorragia vascular no interior do cérebro — isto é, para 
impedir a ocorrência de “acidente vascular cerebral”. 
 
MICROCIRCULAÇÃO CEREBRAL 
 
Como ocorre em quase todos os outros tecidos do organismo, o número de capilares sanguíneos no cérebro é maior onde 
as demandas metabólicas são maiores. A intensidade metabólica total da substância cinzenta cerebral, onde ficam os 
corpos celulares dos neurônios, é cerca de quatro vezes maior do que a da substância branca; de forma correspondente, 
o número de capilares e a intensidade do fluxo sanguíneo também são cerca de quatro vezes mais altos. 
Característica importante estrutural dos capilares cerebrais é que, em sua maioria, eles são muito menos “permeáveis” 
do que os capilares sanguíneos em quase qualquer outro tecido do corpo. A razão para esse fenômeno é que os capilares 
são sustentados de todos os lados pelos “pés gliais”, pequenas projeções das células gliais que ficam ao seu redor, 
estendendo-se por toda a superfície das capilares, e responsáveis pelo suporte físico para impedir dilatação exagerada 
dos capilares no caso de pressão sanguínea alta no seu interior. 
As paredes das pequenas arteríolas que levam aos capilares cerebrais ficam muito mais grossas em pessoas que 
desenvolvem hipertensão, e essas arteríolas permanecem no estado de considerável vasoconstrição o tempo todo para 
impedir a transmissão da pressão alta aos capilares. 
 
 Ocorre “Acidente Vascular Cerebral” Quando Vasos Sanguíneos Cerebrais São Obstruídos: 
Quase todas as pessoas idosas têm bloqueios de algumas pequenas artérias cerebrais, e até 10% delas eventualmente 
chegam a ter bloqueios sérios o suficiente para causar perturbação grave da função cerebral, condição chamada 
“acidente vascular cerebral”. 
A maioria dos acidentes vasculares cerebrais é ocasionada por placas arterioescleróticas que ocorrem em uma ou mais 
das artérias cerebrais. Essas placas podem ativar o mecanismo de coagulação do sangue, e o coágulo que surge bloqueia 
o fluxo sanguíneo na artéria, levando, assim, à perda aguda da função cerebral em área localizada. 
Em cerca de um quarto das pessoas que apresentam acidentes vasculares cerebrais, a hipertensão provoca o rompimento 
de um vaso sanguíneo; ocorre então hemorragia, que comprime o tecido cerebral local e compromete ainda mais suas 
funções. Os efeitos neurológicos do acidente vascular cerebral são determinados pela área do cérebro afetada. Um dos 
tipos mais comuns de acidente vascular cerebral é o bloqueio da artéria cerebral média que abastece a porção medial de 
um hemisfério do cérebro. Por exemplo, se a artéria cerebral média for bloqueada do lado esquerdo do cérebro, a pessoa 
provavelmente terá disfunção neural séria, por causa da perda de função na área de Wernicke de compreensão da fala no 
hemisfério cerebral esquerdo e ela também ficará incapaz de enunciar palavras, por causa da perda da área motora de 
Broca para a formação de palavras. Além disso, a perda de função nas áreas neurais de controle motor no hemisfério 
esquerdo pode provocar a paralisia espástica da maioria dos músculos do lado oposto do corpo. 
De forma semelhante, o bloqueio da artéria cerebral posterior causará o infarto do polo occipital do hemisfério do 
mesmo lado, o que leva à perda de visão em ambos os olhos, na metade da retina que fica do mesmo lado que a lesão. 
Infartos que envolvem o suprimento de sangue ao mesencéfalo são especialmente devastadores, porque podem 
bloquear a condução neural nas principais vias de conexão entre o cérebro e a medula espinal, acarretando tanto 
anormalidades sensoriais quanto motoras. 
 
SISTEMA DO LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO 
 
FUNÇÃO AMORTECEDORA DO LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO 
 
Uma das principais funções do líquido cefalorraquidiano é a de proteger o cérebro no interior de sua caixa óssea. O 
cérebro e o líquido cefalorraquidiano têm mais ou menos, a mesma gravidade específica (diferença de somente 4%), de 
forma que o cérebro simplesmente flutua no líquido. Por isso, um soco na cabeça, se não for muito intenso, movimenta 
em conjunto o cérebro e o crânio, fazendo com que nenhuma parte do cérebro seja momentaneamente distorcida pelo 
soco. 
 
 Contragolpe: 
Quando o golpe na cabeça é extremamente grave, ele pode danificar o cérebro, não do lado da cabeça em que incidiu o 
golpe, mas é provável que o dano ocorra do lado oposto. Esse fenômeno é conhecido como “contragolpe”, e a causa 
desse efeito é o seguinte: quando o golpe é dado em um lado, o líquido desse lado é tão incompressível que, conforme o 
crânio se move, o líquido empurra o cérebro ao mesmo tempo com o crânio. Do lado oposto ao golpe, o movimento 
brusco do crânio provoca,