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PRINCÍPIOS GERAIS DA FUNÇÃO GASTROINTESTINAL MOTILIDADE, CONTROLE NERVOSO E CIRCULAÇÃO - capítulo 63 Guyton

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 Possíveis Causas do Aumento do Fluxo Sanguíneo Durante a Atividade Gastrointestinal: 
Embora a causa ou as causas precisas do aumento do fluxo sanguíneo durante a atividade gastrointestinal intensa ainda 
sejam obscuras, alguns fatores são conhecidos. Primeiro, várias substâncias vasodilatadoras são liberadas pela mucosa do 
trato intestinal, durante o processo digestivo. A maioria dessas substâncias é hormônio peptídico, como colecistocinina, 
peptídeo vasoativo intestinal, gastrina e secretina. Esses mesmos hormônios controlam atividades motoras e secretórias 
específicas do intestino. Em segundo lugar, algumas das glândulas gastrointestinais também liberam na parede intestinal 
duas cininas, calidina e bradicinina, ao mesmo tempo em que secretam outras substâncias no lúmen. Essas cininas são 
potentes vasodilatadores que se supõe causarem grande parte da vasodilatação intensa, que ocorre na mucosa, 
simultaneamente com a secreção. Em terceiro lugar, a redução da concentração de oxigênio na parede intestinal pode 
aumentar o fluxo de sangue intestinal por 50% a 100%; assim, a intensidade metabólica mais intensa da mucosa e da 
parede intestinal, durante a atividade intestinal, provavelmente diminui a concentração de oxigênio o suficiente para 
provocar grande parte da vasodilatação. A diminuição do oxigênio pode ainda quadruplicar a concentração de adenosina, 
vasodilatador bem conhecido que poderia ser responsável por grande parte do aumento do fluxo. 
 
 Fluxo Sanguíneo em “Contracorrente” nas Vilosidades: 
O fluxo arterial entra no vilo e o fluxo venoso sai dele, correm em direções opostas, e que os vasos são paralelos e 
próximos. Devido a essa disposição vascular, grande parte do oxigênio sanguíneo se difunde das arteríolas diretamente 
para as vênulas adjacentes, sem passar pelas extremidades dos vilos. Até 80% do oxigênio podem passar por esse atalho 
e assim não servirão às funções metabólicas locais dos vilos. O leitor reconhecerá que esse tipo de mecanismo de 
contracorrente nas vilosidades é análogo ao mecanismo de contracorrente nos vasos retos da medula renal. Em 
condições normais, esse desvio do oxigênio das arteríolas para as vênulas não é lesivo às vilosidades, mas em condições 
patológicas, nas quais o fluxo sanguíneo para o intestino fica bastante comprometido como, por exemplo, no choque 
circulatório; o déficit de oxigênio nas pontas das vilosidades pode ser de tal monta que as pontas ou até mesmo todas as 
vilosidades podem ter morte isquêmica e desintegrar-se. Portanto, por essas e outras razões, em muitas doenças 
gastrointestinais, as vilosidades ficam seriamente comprometidas, o que leva à grande diminuição da capacidade 
absortiva intestinal. 
 
CONTROLE NERVOSO DO FLUXO SANGUÍNEO GASTROINTESTINAL 
 
A estimulação dos nervos parassimpáticos para o estômago e o cólon distal aumenta o fluxo sanguíneo local, ao mesmo 
tempo em que aumenta a secreção glandular. É provável que esse aumento do fluxo seja consequência da maior 
atividade glandular e não efeito direto da estimulação nervosa. Por outro lado, a estimulação simpática tem efeito direto 
em essencialmente todo o trato gastrointestinal, causando vasoconstrição intensa das arteríolas com grande redução do 
fluxo sanguíneo. Depois de poucos minutos de vasoconstrição, o fluxo, em geral, retorna a valores próximos dos normais 
por meio do mecanismo denominado “escape autorregulatório”. Isto é, os mecanismos vasodilatadores metabólicos 
locais, provocados pela isquemia, predominam sobre a vasoconstrição simpática e dilatam as arteríolas, com retorno do 
fluxo sanguíneo nutriente, necessário às glândulas e à musculatura gastrointestinal. 
 
 A Importância da Redução Nervosa do Fluxo Sanguíneo Gastrointestinal Quando Outras Partes do Corpo 
Necessitam de Fluxo Sanguíneo Extra: 
Uma das principais utilidades adaptativas da vasoconstrição simpática no intestino é permitir a interrupção do fluxo 
sanguíneo gastrointestinal e esplâncnico por breves períodos de tempo, durante o exercício pesado, quando o coração e 
os músculos esqueléticos necessitam de maior fluxo. Além disso, no choque circulatório, quando todos os tecidos vitais 
do corpo estão em risco de morte celular, por ausência de fluxo sanguíneo — especialmente, o cérebro e o coração —, a 
estimulação simpática pode reduzir em muito o fluxo sanguíneo esplâncnico por algumas horas. 
A estimulação simpática também promove forte vasoconstrição das veias intestinais e mesentéricas de grande calibre. 
Essa vasoconstrição diminui o volume de sangue nessas veias e desloca, assim, grande quantidade de sangue para outras 
partes da circulação. No choque hemorrágico ou em outros estados de baixo volume de sangue, esse mecanismo pode 
fornecer de 200 a 400 mililitros de sangue extra para manter a circulação sistêmica.