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PROPULSÃO E MISTURA DOS ALIMENTOS NO TRATO ALIMENTAR capítulo 64 Guyton

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PROPULSÃO E MISTURA DOS ALIMENTOS NO TRATO ALIMENTAR – capítulo 64 Guyton 
 
INGESTÃO DE ALIMENTOS 
 
A quantidade de alimento que a pessoa ingere é determinada pela fome. O tipo de alimento que a pessoa prefere é 
determinado pelo apetite. Esses mecanismos são sistemas reguladores automáticos, extremamente importantes para 
manter o suprimento nutricional adequado para o corpo. Essa discussão da ingestão alimentar se limita aos mecanismos 
da ingestão, especialmente mastigação e deglutição. 
 
MASTIGAÇÃO 
 
Os dentes são adaptados para a mastigação. Os anteriores (incisivos) possibilitam a ação de cortar, e os posteriores 
(molares), ação de trituração. Todos os músculos da mandíbula, em conjunto, conseguem aproximar os dentes com força 
de até 25 kg nos incisivos e 91 kg nos molares. 
A maioria dos músculos da mastigação é inervada pelo ramo motor do quinto nervo craniano, e o processo de mastigação 
é controlado por núcleos no tronco encefálico. A estimulação de áreas reticulares específicas, nos centros do paladar do 
tronco cerebral, causa movimentos de mastigação rítmicos. Além disso, a estimulação de áreas no hipotálamo, na 
amígdala e até mesmo no córtex cerebral, próxima às áreas sensoriais do paladar e do olfato pode causar mastigação. 
Grande parte do processo de mastigação é ocasionada pelo reflexo de mastigação. A presença de bolo de alimento na 
boca, primeiro, desencadeia a inibição reflexa dos músculos da mastigação, permitindo que a mandíbula inferior se 
abaixe. Isso, por sua vez, inicia reflexo de estiramento dos músculos mandibulares que leva à contração reflexa. Essa ação 
automaticamente eleva a mandíbula, causando o cerramento dos dentes, mas também comprime o bolo, de novo, contra 
as paredes da cavidade bucal, o que inibe mais uma vez os músculos mandibulares, permitindo que a mandíbula desça e 
suba mais uma vez. Esse processo é repetido continuamente. A mastigação é importante para a digestão de todos os 
alimentos, mas especialmente importante para a maioria das frutas e dos vegetais crus, com membranas de celulose 
indigeríveis ao redor das porções nutrientes, que precisam ser rompidas para que o alimento possa ser digerido. Por 
outro lado, a mastigação ajuda na digestão dos alimentos por outra razão simples: as enzimas digestivas só agem nas 
superfícies das partículas de alimentos; portanto, a intensidade da digestão depende da área de superfície total, exposta 
às secreções digestivas. Além disso, triturar o alimento, em partículas bem pequenas, previne escoriação do trato 
gastrointestinal e facilita o transporte do alimento, do estômago ao intestino delgado e para os sucessivos segmentos do 
intestino. 
 
DEGLUTIÇÃO 
 
A deglutição é um mecanismo complicado, principalmente porque 
a faringe serve tanto à respiração como à deglutição. A faringe se 
converte por apenas alguns segundos em trato de propulsão 
alimentar. Em termos gerais, a deglutição pode ser dividida em (1) 
um estágio voluntário, que inicia o processo de deglutição; (2) um 
estágio faríngeo, que é involuntário, correspondente à passagem 
do alimento pela faringe até o esôfago; e (3) um estágio esofágico, 
outra fase involuntária que transporta o alimento da faringe ao 
estômago. 
 
 Estágio Voluntário da Deglutição: 
Quando o alimento está pronto para ser deglutido, ele é 
“voluntariamente” comprimido e empurrado para trás, em direção 
à faringe, pela pressão da língua para cima e para trás contra o palato. A partir daí, a deglutição passa a ser um processo 
inteiramente automático e que, nas condições normais, não pode ser interrompido. 
 
 Estágio Faríngeo Involuntário da Deglutição: 
O bolo de alimento, ao atingir a parte posterior da cavidade bucal e a faringe, estimula as áreas de receptores epiteliais da 
deglutição ao redor da abertura da faringe, especialmente nos pilares tonsilares e seus impulsos passam para o tronco 
encefálico, onde iniciam uma série de contrações musculares faríngeas automáticas: 
1. O palato mole é empurrado para cima, de maneira a fechar a parte posterior da cavidade nasal, evitando o refluxo do 
alimento. 
2. As pregas palatofaríngeas em cada lado da faringe são empurradas medialmente de forma a se aproximarem. Dessa 
forma, essas pregas formam fenda sagital, por onde o alimento deverá passar para a parte posterior da faringe. Essa 
fenda desempenha ação seletiva, permitindo que o alimento suficientemente mastigado passe com facilidade. Esse 
estágio da deglutição dura menos de 1 segundo, e qualquer objeto grande normalmente é impedido de passar para o 
esôfago. 
3. As cordas vocais da laringe se aproximam vigorosamente, e a laringe é puxada, para cima e para frente, pelos músculos 
do pescoço. Essas ações, combinadas com a presença de ligamentos que impedem o movimento para cima da epiglote, 
fazem com que a epiglote se mova para trás, na direção da abertura da laringe. O conjunto desses efeitos impede a 
passagem do alimento para o nariz e para a traqueia. De grande importância é a vigorosa justaposição das cordas vocais, 
mas a epiglote ajuda a evitar que o alimento chegue até elas. A destruição das cordas vocais ou dos músculos que as 
aproximam pode causar engasgo. 
4. O movimento para cima da laringe também puxa e dilata a abertura do esôfago. Ao mesmo tempo, os 3 a 4 
centímetros superiores da parede muscular esofágica, referidos como esfíncter esofágico superior (também conhecido 
como esfíncter faringo esofágico) se relaxam. Então, o alimento se move livre da faringe posterior para o esôfago 
superior. Entre as deglutições, esse esfíncter permanece contraído, evitando a entrada de ar no esôfago durante a 
respiração. O movimento para cima da laringe também eleva a glote afastando-a do fluxo principal de alimento, de 
maneira que este passe nos lados da epiglote em vez de ao longo da sua superfície; essa ação confere uma proteção 
adicional contra a entrada de alimento na traqueia. 
5. Quando a laringe é elevada e o esfíncter faringo esofágico relaxado, toda a parede muscular da faringe se contrai, 
iniciando na parte superior e, então, a contração progredindo para baixo nas áreas medial e inferior da faringe, o que 
impulsiona o alimento por peristaltismo para o esôfago. 
Resumindo os mecanismos do estágio faríngeo da deglutição: a traqueia se fecha, o esôfago se abre, e a onda peristáltica 
rápida, iniciada pelo sistema nervoso da faringe, força o bolo de alimento para a parte superior do esôfago; o processo 
todo dura menos de 2 segundos. 
 
 Iniciação Nervosa do Estágio Faríngeo da Deglutição: 
As áreas táteis da parte posterior da boca e da faringe, mais sensíveis para a iniciação do estágio faríngeo da deglutição, 
situam-se em um anel ao redor da abertura da faringe com a maior sensibilidade nos pilares tonsilares. Os impulsos são 
transmitidos dessas áreas pelas porções sensoriais dos nervos trigêmeo e glossofaríngeo para o bulbo, pelo trato solitário 
ou por nervos intimamente associados a ele, que recebe todos os impulsos sensoriais da boca. Os estágios sucessivos do 
processo de deglutição são automaticamente desencadeados em sequência ordenada por áreas neuronais da substância 
reticular do bulbo e das porções inferiores da ponte. A sequência do reflexo da deglutição é a mesma de uma deglutição 
para a seguinte, e a duração do ciclo completo também permanece constante de uma deglutição para a próxima. As áreas 
no bulbo e na ponte inferior que controlam a deglutição são chamadas coletivamente deglutição ou centro da deglutição. 
Os impulsos motores do centro da deglutição para a faringe e para a parte superior do esôfago que causam a deglutição 
são transmitidos pelo 5º, 9º, 10º e 12º nervos cranianos e por alguns dos nervos cervicais superiores. 
Em suma, o estágio faríngeo da deglutição é essencialmente ato reflexo, quase sempre iniciado pelo movimento 
voluntário do alimento para a parte posterior da boca, que, por sua vez, excita os receptores sensoriais faríngeos para 
iniciar a parte involuntária do reflexo da deglutição. 
 
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