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PROPULSÃO E MISTURA DOS ALIMENTOS NO TRATO ALIMENTAR capítulo 64 Guyton

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mililitros do conteúdo antral são ejetados 
para o duodeno, a cada onda peristáltica. À medida que cada onda peristáltica se aproxima do piloro, o próprio músculo 
pilórico muitas vezes se contrai, o que impede ainda mais o esvaziamento pelo piloro. Assim, grande parte do conteúdo 
antral premido pelo anel peristáltico é lançada de volta na direção do corpo do estômago, e não pelo piloro. Desse modo, 
o movimento do anel constritivo peristáltico, combinado com essa ação de ejeção retrógrada, denominada “retropulsão”, 
é mecanismo de mistura extremamente importante no estômago. 
 
 Quimo: 
Depois de o alimento no estômago ter sido bem misturado com as secreções gástricas, a mistura que passa para o 
intestino é denominada quimo. O grau de fluidez do quimo que deixa o estômago depende das quantidades relativas dos 
alimentos, da água e das secreções gástricas e do grau de digestão que ocorreu. A consistência do quimo é de semilíquida 
a pastosa. 
 
 Contrações de Fome: 
Além das contrações peristálticas que ocorrem quando o alimento está no estômago, outro tipo de contração intensa, 
denominada contração de fome, em geral, ocorre quando o estômago fica vazio por várias horas. São contrações 
peristálticas rítmicas no corpo do estômago. Quando as contrações sucessivas ficam extremamente fortes nas condições 
normais, elas se fundem em contração tetânica que, às vezes, dura por 2 a 3 minutos. As contrações de fome são mais 
intensas em indivíduos jovens, sadios, com tônus gastrointestinal elevado, sendo também aumentadas, quando a pessoa 
apresenta níveis sanguíneos de açúcar abaixo do normal. Quando ocorrem contrações da fome no estômago, a pessoa 
por vezes sente branda dor epigástrica, denominada pontadas de fome. As pontadas de fome, em geral, não são 
observadas até 12 a 24 horas após a última ingestão de alimento. 
 
ESVAZIAMENTO DO ESTÔMAGO 
 
O esvaziamento do estômago é promovido por intensas contrações peristálticas no antro gástrico. Ao mesmo tempo, o 
esvaziamento é reduzido por graus variados de resistência à passagem do quimo pelo piloro. 
 
 Contrações Peristálticas Antrais Intensas durante o Esvaziamento Estomacal — “Bomba Pilórica”: 
Na maior parte do tempo, as contrações rítmicas do estômago são fracas e servem para misturar o alimento com as 
secreções gástricas. Entretanto, por cerca de 20% do tempo em que o alimento está no estômago, as contrações ficam 
mais intensas, começando na porção média do órgão e progredindo no sentido caudal não mais como fracas contrações 
de mistura, todavia como constrições peristálticas fortes, formando anéis de constrição que causam o esvaziamento do 
estômago; essas contrações são peristálticas intensas, constrições anelar fortes que promovem o esvaziamento do 
estômago. À medida que o estômago se esvazia, essas contrações começam cada vez mais proximalmente no corpo do 
estômago, levando o alimento do corpo do estômago, misturando-o com o quimo no antro. As intensas contrações 
peristálticas provocam pressões de 50 a 70 centímetros de água, cerca de seis vezes maiores que os valores atingidos nas 
ondas peristálticas de mistura. Quando o tônus pilórico é normal, cada intensa onda peristáltica força vários mililitros de 
quimo para o duodeno. Assim, as ondas peristálticas, além de causarem a mistura no estômago, também promovem a 
ação de bombeamento, denominada “bomba pilórica”. 
 
 O Papel do Piloro no Controle do Esvaziamento Gástrico: 
A abertura distal do estômago é o piloro. Aí, a espessura da musculatura circular da parede é 50% a 100% maior do que 
nas porções anteriores do antro gástrico, e permanece em leve contração tônica quase o tempo todo. Por isso, o músculo 
circular pilórico é denominado esfíncter pilórico. A despeito da contração tônica normal, o esfíncter pilórico se abre o 
suficiente para a passagem de água e de outros líquidos do estômago para o duodeno. Por outro lado, a constrição 
usualmente evita a passagem de partículas de alimentos até terem sido misturadas no quimo para consistência quase 
líquida. O grau de constrição do piloro aumenta ou diminui sob a influência de sinais nervosos e hormonais, tanto do 
estômago como do duodeno. 
 
REGULAÇÃO DO ESVAZIAMENTO GÁSTRICO 
 
A velocidade/intensidade com que o estômago se esvazia é regulada por sinais tanto do estômago como do duodeno. 
Entretanto, os sinais do duodeno são bem mais potentes, controlando o esvaziamento do quimo para o duodeno com 
intensidade não superior à que o quimo pode ser digerido e absorvido no intestino delgado. 
 
 Fatores Gástricos que Promovem o Esvaziamento: 
 Efeito do Volume Gástrico de Alimento no Ritmo de Esvaziamento: 
Volume de alimentos maior promove maior esvaziamento gástrico. Porém, esse esvaziamento maior não ocorre 
pelas razões esperadas. Não é o aumento da pressão de armazenamento dos alimentos no estômago que causa 
maior esvaziamento, porque na faixa normal de volume o aumento do volume não aumenta muito a pressão. 
Ocorre que a dilatação da parede gástrica desencadeia reflexos mioentéricos locais que acentuam bastante a 
atividade da bomba pilórica e, ao mesmo tempo, inibem o piloro. 
 Efeito do Hormônio Gastrina sobre o Esvaziamento Gástrico: 
Esse hormônio tem efeitos potentes sobre a secreção de suco gástrico muito ácido pelas glândulas gástricas. A 
gastrina tem ainda efeitos estimulantes brandos a moderados sobre as funções motoras do corpo do estômago. 
O mais importante, a gastrina parece intensificar a atividade da bomba pilórica. Assim, é muito provável que 
também promova o esvaziamento gástrico. 
 
 Fatores Duodenais Poderosos que Inibem o Esvaziamento Gástrico: 
 Efeito Inibitório dos Reflexos Nervosos Enterogástricos de Origem Duodenal: 
 Quando o quimo entra no duodeno, são desencadeados múltiplos reflexos nervosos com origem na parede 
duodenal. Eles voltam para o estômago e retardam ou interrompem o esvaziamento gástrico, se o volume de 
quimo no duodeno for excessivo. Esses reflexos são mediados por três vias: (1) diretamente do duodeno para o 
estômago pelo sistema nervoso entérico da parede intestinal; (2) pelos nervos extrínsecos que vão aos gânglios 
simpáticos pré-vertebrais e, então, retornam pelas fibras nervosas simpáticas inibidoras que inervam o estômago; 
e (3) provavelmente menos importante pelos nervos vagos que vão ao tronco encefálico, onde inibem os sinais 
excitatórios normais transmitidos ao estômago pelos ramos eferentes dos vagos. Esses reflexos paralelos têm 
dois efeitos sobre o esvaziamento do estômago: primeiro, inibem fortemente as contrações propulsivas da 
“bomba pilórica” e, em segundo lugar, aumentam o tônus do esfíncter pilórico. Os fatores continuamente 
monitorados no duodeno e que podem desencadear reflexos inibidores enterogástricos, incluem os seguintes: 
1. Distensão do duodeno. 
2. Presença de qualquer irritação da mucosa duodenal. 
3. Acidez do quimo duodenal. 
4. Osmolalidade do quimo. 
5. Presença de determinados produtos de degradação química no quimo, especialmente de degradação química 
das proteínas e, talvez em menor escala, das gorduras. 
Os reflexos inibidores enterogástricos são especialmente sensíveis à presença de irritantes e de ácidos no quimo 
duodenal e, em geral, são ativados em tempos inferiores a 30 segundos. Por exemplo, sempre que o pH do quimo 
duodenal cai para menos de 3,5 a 4, os reflexos, com frequência, bloqueiam a transferência adicional de 
conteúdos gástricos ácidos para o duodeno, até que o quimo duodenal possa ser neutralizado por secreções 
pancreáticas e por outras secreções. Os produtos da digestão de proteínas também provocam reflexos 
enterogástricos inibitórios; ao diminuir-se o esvaziamento gástrico, assegura-se tempo suficiente para a digestão 
adequada das proteínas no duodeno e no intestino delgado. 
Por fim, líquidos hipotônicos e sobretudo hipertônicos produzem reflexos inibitórios. Dessa forma, evita-se o 
fluxo muito rápido de líquidos não isotônicos para o intestino delgado, prevenindo-se assim mudanças