A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
5 pág.
AULA DERMATOLOGIA- HANSENÍASE

Pré-visualização | Página 1 de 2

AULA DERMATOLOGIA- HANSENÍASE 
É uma doença infectocontagiosa de evolução crônica CÚRAVEL, ou seja, NÃO É uma infecção bacteriana aguda. Porém 
é uma doença negligenciada e por isso os diagnósticos costumam ser tardios, quando o paciente já tem muitas 
sequelas. 
O agente etiológico é o Mycobacterium leprae, que acomete o sistema nervoso periférico e em seguida a pele. Mas 
não se restringe a esses dois sistemas, pois pode acometer qualquer órgão e sistema. Se não diagnosticada e tratada, 
ao longo dessa cronicidade pode serem desenvolvidas incapacidades inestéticas e funcionais, por conta disso que 
surgiu o estigma da doença (Lepra-> leprosários-> altamente estigmatizante). Não deixa sequelas quando 
diagnosticada e tradada na fase inicial. 
Epidemiologia: 
É um grande problema de saúde pública no Brasil, temos a maior taxa de mundial de prevalência e somos o 2º lugar 
em casos novos diagnosticados. Predominam os doentes multibacilares, ou seja, que estão transmitindo/contaminam 
outras pessoas e estima-se que apenas 1/3 dos doentes estejam diagnosticados. Ocorre em qualquer cama social, mas 
há um predomínio nas mais desfavorecidas- há um predomínio de doentes nas regiões Centro-Oeste, Norte e 
Nordeste. 
Agente etiológico: 
O Mycobacterium leprae é um bacilo gram positivo e BAAR pelo método de Zielh-Neelsen (cora em vermelho) - 
isolados, agrupados ou compactados (globias); na cápsula tem o glicolipídeo fenólico (PGL-10) que é bastante 
específico para resposta imunológica. É uma bactéria com crescimento lento, portanto, não há como cultiva-la em 
meio de cultura, só identificamos mesmo através de raspado de lesões e biópsias. 
O home é o reservatório natural, apesar de já ter sido identificado em alguns animais silvestres como tatus e macacos- 
mas não os consideramos parte do ciclo de transmissão. É um microrganismo que fica viável fora do organismo 
humano 36h em temperatura ambiente e 7 a 9 dias em 36,7ºC, e a incubação gira em media de 2 a 5 anos. 
Transmissão: 
Ocorre através do contato de indivíduo para indivíduo, mas precisa ser um contato íntimo e prolongado. As vias de 
eliminação do bacilo são através das vias aéreas superiores (principal); pele e mucosas lesionadas; e secreções 
corpóreas como o leite materno, suor, escarro, secreções vaginais e esperma, urina e fezes. 
Possui alta infectividade e baixa patogenicidade e virulência (ou seja, a maioria da população não adoece, é resistente 
à infecção), porém 1 doente multibacilar produz cerca de 5 novos doentes por ano e apenas em 50% dos casos 
descobrimos o contagiante. 
Fisiopatologia: 
É uma doença de evolução lenta e insidiosa, pois depende de como a nosso sistema imune se comporta. É uma bactéria 
com neurotropismo, sendo a única micobactéria conhecida capaz de invadir a célula de Schwann do SNP e por isso 
permanece protegido dos mecanismos de defesa e a barreira hematoencefálica há uma proteção em relação a ação 
de vários medicamentos. 
A PGL-1 é a chave para entrar na célula de Schwann e por conta disso que ocorrem as perdas sensitivas e motoras. 
Como é esse desequilíbrio entre o bacilo e o sistema imune? Nós temos diversas respostas clínicas e laboratoriais que 
são diretamente dependentes da resposta imune celular do hospedeiro (ser humano), então consideramos 2 polos 
que correspondem tanto a resposta imune quanto a forma clínica. Quando a pessoa tem a resposta TH1 bem 
desenvolvida, produzindo uma resposta imune celular eficaz e essas pessoas têm mais IL-2 e Interferon gama 
circulantes consegue combater melhor a infecção e desenvolve a forma que chamamos de tuberculoide ou TT (está 
no polo TH1 de resposta imune celular). Do outro lado temos as pessoas que fazem resposta imune humoral em 
excesso, é a resposta TH2 que prevalece, ele não tem resposta de imunidade celular, ele na verdade produz anticorpos 
em excesso que são ineficazes no combate a doença e geram muitas alterações clínicas, é a forma lepromatosa ou 
Virchowviana ou LL, que são os pacientes que têm mais bacilos nos tecidos. No “meio do caminho” há os pacientes 
que não estão com respostas nem TH1 e nem a TH2, são meio a meio, que são os pacientes Borderline (BT, BB, BL). 
Quando somos infectados pelo bacilo, boa parte de nós evolui para cura espontânea, outra parte da população faz 
uma doença sub clínica, mas que também evolui com cura espontânea. Porém, há a parcela da população que evolui 
para a forma indeterminada e 70% deles também evoluem com cura espontânea, os outras 30% que acabam 
desenvolvendo as formas clínicas graves. 
HANSENÍASE INDETERMINADA 
É a 1ª manifestação cutânea e o paciente cursa com máculas/manchas ou áreas circunscritas com distúrbios de 
sensibilidade, de sudorese e vasomotores- são áreas sem vasodilatação e sem suor. Podem ser hipocrômicas ou 
eritemato-hipocrômicas, pode haver alopecia total ou parcial. Nesses casos, apesar de já haver um dano nervoso, os 
nervos não estão espessados. 
 Entra como diagnóstico diferencial a ptiríase alba, vitiligo, ptíriase versicolor. 
HANSENÍASE TUBERCULOIDE 
Cursa com máculas ou placas bem delimitadas, que podem ser hipocrômicas, eritematosas e/ou acastanhadas; são 
circulares, anulares, circinadas ou geográficas; geralmente são únicas ou em pequeno número e têm distribuição 
assimétrica. Nesses casos é possível palpar nervos espessados que podem emergir da placa- “em raquete”. 
 
Esses pacientes são os que fazem a resposta imune eficaz Th1 pela produção de IL-1, Il-12, TNF, IFN gama e acabam 
por formar granulomas turberculoides no nervo e/ou pele. Tem tendência à cura espontânea, mas ainda assim 
tratamos por conta das sequelas principalmente ao dano nervoso, causada pela resposta imune. 
HANSENÍASE BODERLINE 
São os pacientes instáveis, não há ainda uma definição do que ele é, ou seja, tem uma imunidade específica negativa 
ao bacilo e têm alta carga bacilar. As lesões são em pacas com centro poupado e bordas bem definidas com bordas 
externas mal definidas- aspecto em “queijo suíço”. 
 
HANSENÍASE VIRCHOWIANA 
É a forma do polo Th2, que são os pacientes que produzem muito anticorpo e tem uma carga bacilar super alta, as 
lesões são polimórficas com bacilos se multiplicando livremente. Inicialmente começa com manchas discretas, 
hipocrômicas, múltiplas e de limites imprecisos, mas são lesões insidiosas e com tempo progressivamente se tornam 
eritematosas, vinhosas, cúpricas, ferruginosas e espessadas- lesões sólidas, papulosas e nodulares. São 
simetricamente distribuídas, pode haver madarose e alopecia. Orelhas costumam estar espessadas-> fáscies leonina. 
 
Em outros tecidos: 
• SNP: infiltração difusa e simétrica dos troncos nervosos (causa neurite) 
• Nariz: rinite por infiltração difusa, hansenomas, ulceração, perfuração e desabamento de septo nasal 
• Mucosa oral: pápulas e nódulos 
• Laringe: infiltração, obstrução mecânica (afonia, dispneia, asfixia) 
• Olhos: espessamentoda córnea, ceratite, nódulos iridococlite-> uveíte e cegueira 
• Linfonodos aumentados 
• Hepato e esplenomegalia 
• Genitais: atrofia testicular 
• MO: anemia 
• Alterações ósseas: atrofia e absorção de minerais prejudicada 
Classificação MS/OMS 
• Paucibacilar: até 5 lesões – são pacientes que não transmitem 
Indeterminado 
Tuberculoide 
• Multibacilar: 6 ou mais lesões- transmissor 
Dimorfos 
Virchowianos 
Surto Reacional tipo 1 
• Mesmo tratando os pacientes, se eles já tiverem evoluído para os polos, principalmente o virchowiano Th2, 
eles cursam com surtos reacionais/reações hansenicas, que podem ocorrer antes, durante ou após o 
tratamento. Isso pode ocorrer durante anos, causando muita morbidade pela presença dos antígenos. Mas 
lembrar que isso não significa que o paciente não está tratado/curado da hanseníase. 
• Tipo 1: forma lesões interpolares e tuberculoides 
▪ Lesões existentes se tornam eritematoedematosas 
▪ Lesões novas com as mesmas características 
▪ Hipertermicas, dolorosas

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.