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Fisiologia renal - mecanismos de transporte ao longo do néfron

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gerada pelo fluxo intercelular de Cl- = luz mais positiva 
(+2mV)
obs.: o Na+ também é reabsorvido em grande quantidade no segmento ascendente da alça de Henle (foco da furosemida), em 
menor quantidade no túbulo distal e menor ainda no ducto coletor = excreção de ~1%.
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Reabsorção de Na+ e glicose no TP 
Normalmente, toda glicose filtrada é reabsorvida no TP (e somente nele).
A glicose é reabsorvida juntamente com o Na+ (importante, pois, mesmo com a maior concentração de glicose nas 
porções finais do TP, o Na+ ainda fica em grande quantidade e com alta força movente, o que promove a reabsorção da 
glicose). 
Na membrana apical, por meio de transportadores SGLT:
SGLT2 → presente no segmento S1; baixa afinidade por glicose e alta capacidade de transporte (precisa de somente 
1Na+); entram 1Na+ e 1 glicose
SGLT1 → presente nos segmentos S2 e S3; alta afinidade por glicose e baixa capacidade de transporte (precisa de 
2Na+); entram 2Na+ e 1 glicose
Na membrana basal, é transportados por GLUT:
GLUT2 → presente nos segmentos S1; baixa afinidade por glicose e alta capacidade de transporte
GLUT1 → presente no segmento S2 e S3; alta afinidade por glicose e baixa capacidade de transporte 
Vale ressaltar que a reabsorção adequada de glicose (100%) possui um limite, com ~200mg/dL no plasma. Com >200mg/dL 
de glicose no plasma (como no DM), há excreção de glicose. 
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Reabsorção de Na+ e aa no TP 
98% dos aa filtrados são reabsorvidos no TP. Há diversos transportadores, mas o principal é o eletroneutro SLC6A19, 
presente na membrana apical, que transporta Na+ e aa para o interior da célula. 
Reabsorção de Na+ por troca com H+ e reabsorção de bicarbonato no TP 
Bomba de Na+/K+ gera um gradiente, retirando Na+ da célula. 
Um dos meios de entrada do Na+ é pelo transportador NHE3, que promove influxo de Na+ do lúmen para a célula do TP e a 
saída do H+ para o lúmen. 
obs.: H+ também pode sair por transportadores ATPase
Intracelularmente, H2O + CO2 —anidrase carbônica II→ H2CO3 → HCO3- + H+. É este H+ que será utilizado pelo 
transportador NHE3, para o influxo de Na+. O HCO3- produzido sai pela membrana basolateral para o interstício e vaso 
peritubular, junto a 3Na+, por um cotransportador.
O H+ que saiu pelos transportadores, será utilizado, no lúmen, para neutralizar HCO3-. 
H+ + HCO3- → H2CO3 → CO2 + H2O. 
CO2 e H2O entram na célula por transporte passivo e são utilizados para o transporte de Na+. Logo, há uma reciclagem de 
tais compostos.
obs.: Na+ é reabsorvido para o sangue pela bomba de Na+/K+ e junto ao hCO3-
obs.: se há perda de HCO3- na urina, a reabsorção de Na+ é prejudicada
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Além disso, em casos de desequilíbrio de pH, o H+ secretado na luz tubular também pode reagir com HPO4-, formando 
H2PO4. Isto é, o H+ pode ser reciclado com o HCO3- ou tamponado por fosfato. 
Quando o H+ é tamponado pelo fosfato, em relação à reação de CO2 + H2O → H2CO3 → H+ + HCO3-, o H+ é secretado e 
tamponado e o HCO3- (novo bicarbonato - não é reciclado como anteriormente) é reabsorvido pelo vaso peritubular, a fim 
de equilibrar o pH sanguíneo, em troca do influxo de Cl-.
obs.: ~60% da reabsorção de Na+ no TP e 80/85% do HCO3- é reabsorvido nos TPs
Reabsorção de Na+ e fosfatos no TP 
A reabsorção de fosfato pode ocorrer pelos transportadores:
NaP, IIa → eletroneutro; influxo do lúmen para célula de 2Na+ e HPO4-2 (fosfato dibásico)
PiT2 → eletrogênico; influxo do lúmen para célula de 2Na+ e H2PO4- (fosfato monobásico - a partir da secreção de H+) 
NaP, IIc → eletrogênico; influxo do lúmen para célula de 3Na+ e H2PO4- (fosfato monobásico - a partir da secreção de H+) 
Reabsorção de água no TP
A água segue o sódio. Cerca de 60% da água do ultrafiltrado é reabsorvida, pois cerca de 60% do Na+ é reabsorvido. 
O fluxo de Na+ induz o fluxo de água por osmose.
VIA TRANSCELULAR → aquaporinas I (membrana luminal) e I e VII (membrana basolateral)
VIA PARACELULAR
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Reabsorção de cloreto no TP
FLUXO PARACELULAR
FLUXO TRANSCELULAR → efluxo de bases e influxo de Cl- do lúmen para a célula (membrana luminal) e cotransporte 
de K+ e Cl- da célula para o interstício
Alça de Henle 
Porção fina descendente e ascendente
A osmolaridade do córtex é muito semelhante ao plasma (isosmóticos). No entanto, a região medular é hipertônica e isso se dá 
devido ao funcionamento da alça de Henle, principalmente dos néfrons justamedulares.
O segmento descendente fino (hipotônico em relação ao interstício medular - mais próximo da osmolaridade cortical) é 
concentrador, pois perde água para o meio medular até igualar a osmolaridade do segmento e da região medular.
Já o segmento ascendente fino é diluidor, pois é impermeável à agua e permite a passagem de NaCl para o meio medular, 
o que o torna hipotônico em relação ao interstício novamente e mais próximo da osmolaridade cortical.
obs.: tem mais saída de NaCl no segmento diluidor (ascendente) do que de água no concentrador (descendente) = medula 
hipertônica
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Porção espessa ascendente
~25% do K+, ~70% do Mg2+ e ~10/15% do HCO3- são reabsorvidos neste segmento.
A porção espessa da alça de Henle é impermeável à agua, mas é diluidora. Também é responsável pela hipertonicidade da 
medula.
O transportador eletroneutro Na+K+2Cl- realiza o influxo do lúmen para a célula de Na+, K+ e 2Cl-. O Na+ intracelular sai 
para o interstício pela bomba de Na+/K+; K+ e Cl- tem transportadores específicos para o interstício (Cl- fica mais 
presente na célula = ambiente intracelular negativo). No entanto, K+ também sai por canal vazante de K+ para o lúmen, 
para ser reciclado pelo cotransportador Na+K+2Cl-.
Nesse contexto de lúmen positivo, Na+, K+, Mg2+ e Ca2+ passam por via paracelular para o interstício (via intercelular 
cátion-seletiva → Mg2+ passa mais do que Ca2+).
Ademais, mesmo com a reabsorção de Na+ (~30%), a água não é reabsorvida pois o túbulo é impermeável à água.
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💊 FUROSEMIDA → utilizada em crise hipertensiva e insuficiência cardíaca descompensada; bloqueia a reabsorção iônica 
nos segmentos diluidores da alça de Henle e a maior saída de água nos túbulos e ductos coletores (transportador 
Na+K+2Cl-); sem a reabsorção iônica neste segmento espesso ascendente, diminui-se a concentração da região medular, o 
que, mesmo com ADH agindo no ducto coletor (estimula aquaporinas no ducto coletor para saída de água da urina para o 
interstício), vai gerar alta diurese (água não sairá para o meio medular, pois a região medular estará menos hipertônica, já que 
os transportadores iônicos são bloqueados pela furosemida).
Neste segmento, o Na+ também é reabsorvido pelo trocador NHE3 → HCO3- reabsorvido também (10%). 
Túbulo contorcido distal 
~5% de reabsorção de Na+.
No túbulo distal, o Na+ é reabsorvido pelo transportador NCC (eletroneutro - Na+/Cl-), com cotransporte Na+/Cl- do lúmen 
para a célula de Na+ e Cl-. Na+ sairá para o interstício pela bomba de Na+/K+ e Cl- sai por transportador específico (mas 
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menos do que Na+ = célula fica eletricamente negativa).
Não há reabsorção de água (impermeável) = segmento diluidor = não aumenta a osmolaridade intersticial (está no córtex) 
(mesmo que haja reabsorção de Na+, não é suficiente para alterar).
💊 DIURÉTICO TIAZÍDICOS → HAS crônica e tratamento coadjuvante de hipocalcemia; inibem esta reabsorção de 5% de 
Na+; menos potente que furosemida; inibem a entrada de Na+, diminuindo a sua concentração e, por conta disso, ativando 
o trocador Na+/Ca2+ na membrana basolateral - entrada de Na+ na célula (saindo do interstício) e saída de Ca2+ da célula 
para o interstício