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FUNÇÕES SECRETORAS DO TRATO ALIMENTAR capítulo 65 Guyton

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reabsorção ocorre por difusão, através da mucosa, nas porções iniciais do intestino delgado, e o restante por processo de 
transporte ativo através da mucosa intestinal no íleo distal. Eles entram no sangue porta e retornam ao fígado. No fígado, 
em uma só passagem pelos sinusoides, esses sais são quase completamente absorvidos pelas células hepáticas e 
secretados de novo na bile. Dessa forma, cerca de 94% de todos os sais biliares recirculam na bile, de maneira que, em 
média, esses sais passam pelo circuito por cerca de 17 vezes antes de serem eliminados nas fezes. As pequenas 
quantidades de sais biliares perdidas nas fezes são repostas por síntese pelas células hepáticas. Essa recirculação dos sais 
biliares é denominada circulação êntero-hepática dos sais biliares. 
A quantidade de bile secretada pelo fígado a cada dia depende muito da disponibilidade dos sais biliares — quanto maior 
a quantidade de sais biliares na circulação êntero-hepática (em geral, total de apenas 2,5 gramas), maior a intensidade de 
secreção de bile. Na verdade, a ingestão de sais biliares suplementares pode aumentar a secreção de bile por várias 
centenas de mililitros por dia. 
Se a fístula biliar esvaziar os sais biliares para o exterior durante dias ou semanas, impossibilitando sua reabsorção no íleo, 
o fígado aumenta sua produção de sais biliares por seis a 10 vezes, o que aumenta a secreção de bile até valores próximos 
aos normais. Isso demonstra que a intensidade diária de secreção de sais biliares é ativamente controlada pela 
disponibilidade (ou falta de disponibilidade) de sais biliares na circulação êntero-hepática. 
 
 Papel da Secretina no Controle da Secreção de Bile: 
Além do forte efeito estimulador dos ácidos biliares na secreção de bile, o hormônio secretina, que também estimula a 
secreção pancreática, aumenta a secreção de bile, às vezes mais do que a duplicando por horas depois da refeição. Esse 
aumento é quase inteiramente por secreção de solução aquosa rica em bicarbonato de sódio pelas células epiteliais dos 
dúctulos e ductos biliares, sem aumento da secreção pelas próprias células do parênquima hepático. O bicarbonato, por 
sua vez, passa ao intestino delgado e soma-se ao bicarbonato do pâncreas para neutralizar o ácido clorídrico do 
estômago. Assim, o mecanismo de feedback da secretina, de modo a neutralizar o ácido duodenal, opera não só por meio 
de seus efeitos sobre a secreção pancreática, mas também em escala menor por seus efeitos sobre a secreção pelos 
dúctulos e ductos hepáticos. 
 
 Secreção Hepática de Colesterol e Formação de Cálculos Biliares: 
Os sais biliares são formados nas células hepáticas a partir do colesterol no plasma sanguíneo. No processo de secreção 
dos sais biliares, cerca de 1 a 2 gramas de colesterol são removidos do plasma sanguíneo e secretados na bile todos os 
dias. O colesterol é quase completamente insolúvel em água, mas os sais biliares e a lecitina na bile se combinam 
fisicamente com o colesterol, formando micelas ultramicroscópicas em solução coloidal. Quando a bile se concentra na 
vesícula biliar, os sais biliares e a lecitina se concentram de forma proporcional ao colesterol, o que mantém o colesterol 
em solução. 
Sob condições anormais, o colesterol pode se precipitar na vesícula 
biliar, resultando na formação de cálculos biliares de colesterol. A 
quantidade de colesterol na bile é determinada, em parte, pela 
quantidade de gorduras que a pessoa ingere porque as células 
hepáticas sintetizam colesterol, como um dos produtos do 
metabolismo das gorduras no corpo. Por essa razão, pessoas que 
ingerem dieta rica em gorduras, durante período de anos, tendem a 
desenvolver cálculos biliares. 
A inflamação do epitélio da vesícula biliar, muitas vezes em 
consequência de infecção crônica de baixo grau, pode também 
alterar as características absortivas da mucosa da vesícula biliar, às 
vezes, permitindo a absorção excessiva de água e de sais biliares, 
mas não de colesterol na vesícula biliar, e, como consequência, a 
concentração de colesterol aumenta. O colesterol passa a precipitar 
primeiro, formando pequenos cristais na superfície da mucosa 
inflamada que, então, crescem para formar os grandes cálculos 
biliares. 
 
SECREÇÕES DO INTESTINO DELGADO 
 
SECREÇÃO DE MUCO PELAS GLÂNDULAS DE BRUNNER NO DUODENO 
 
Grande número de glândulas mucosas compostas, denominadas glândulas de Brunner, localiza-se na parede dos 
primeiros centímetros de duodeno, especialmente entre o piloro do estômago e a papila de Vater, onde a secreção 
pancreática e a bile desembocam no duodeno. Essas glândulas secretam grande quantidade de muco alcalino em 
resposta a (1) estímulos táteis ou irritativos na mucosa duodenal; (2) estimulação vagal, que causa maior secreção das 
glândulas de Brunner, concomitantemente ao aumento da secreção gástrica; e (3) hormônios gastrointestinais, 
especialmente a secretina. 
A função do muco secretado pelas glândulas de Brunner é a de proteger a parede duodenal da digestão pelo suco 
gástrico, muito ácido. Além disso, o muco contém íons bicarbonato, que se somam aos íons bicarbonato da secreção 
pancreática e da bile hepática na neutralização do ácido clorídrico, que entra no duodeno vindo do estômago. As 
glândulas de Brunner são inibidas por estimulação simpática; por isso, é provável que essa estimulação em pessoas tensas 
deixe o bulbo duodenal desprotegido e, talvez, seja um dos fatores que fazem com que essa área do trato gastrointestinal 
seja o local de úlceras pépticas, em cerca de 50% das pessoas com úlcera. 
 
SECREÇÃO DE SUCOS DIGESTIVOS INTESTINAIS PELAS CRIPTAS DE LIEBERKÜHN 
 
Na superfície do intestino delgado, existem depressões denominadas criptas de Lieberkühn. Essas criptas ficam entre as 
vilosidades intestinais. As superfícies das criptas e das vilosidades são cobertas por epitélio composto de dois tipos de 
células: (1) número moderado de células caliciformes, que secretam muco que lubrifica e protege as superfícies 
intestinais; e (2) grande número de enterócitos, que nas criptas secretam grandes quantidades de água e eletrólitos e, 
sobre as superfícies das vilosidades adjacentes, absorvem água, eletrólitos e produtos finais da digestão. As secreções 
intestinais são formadas pelos enterócitos das criptas com intensidade de 1.800 mL/dia. Essas secreções são semelhantes 
ao líquido extracelular e têm pH ligeiramente alcalino, na faixa de 7,5 a 8,0. As secreções são também reabsorvidas com 
rapidez pelas vilosidades. Esse fluxo de líquido das criptas para as vilosidades proporciona veículo aquoso para a absorção 
de substâncias do quimo, em contato com as vilosidades. Assim, a função primária do intestino delgado é a de absorver 
nutrientes e seus produtos digestivos para o sangue. 
 
 Mecanismo de Secreção de Líquido Aquoso: 
O mecanismo exato que controla a intensa secreção de líquido aquoso pelas criptas de Lieberkühn ainda não é conhecido, 
mas acredita-se que envolva pelo menos dois processos ativos de secreção: (1) secreção ativa de íons cloreto nas criptas; 
e (2) secreção ativa de íons bicarbonato. A secreção de ambos os íons gera diferença de potencial elétrico de íons sódio 
com carga positiva através da membrana e para o líquido secretado. Finalmente, todos esses íons em conjunto causam o 
fluxo osmótico de água. 
 
 Enzimas Digestivas na Secreção do Intestino Delgado: 
As secreções do intestino delgado, coletadas sem fragmentos celulares, não contêm quase nenhuma enzima. Os 
enterócitos da mucosa, especialmente os que recobrem as vilosidades, contêm de fato enzimas digestivas que digerem 
substâncias alimentares específicas enquanto eles estão sendo absorvidos através do epitélio. Essas enzimas são: (1) 
diversas peptidases para a hidrólise de pequenos peptídeos a aminoácidos; (2) quatro enzimas — sucrase, maltase, 
isomaltase e lactase — para hidrólise de dissacarídeos a monossacarídeos; e (3) pequenas quantidades de lipase 
intestinal para clivagem das gorduras neutras em glicerol