Prévia do material em texto
As próteses para MMII podem ser divididas em dois tipos principais: I - Exoesqueléticas: São modelos com pouca aplicabilidade atualmente. Em se tratando de MMII, sua indicação é quase nula, pois apresentam uma estrutura rígida, e, não sendo modulares, não permitem a combinação de componentes e sua troca ou reparo de modo ágil. Tipicamente tem funcionalidade limitada; e II - Endoesqueléticas ou modulares: Como a própria nomenclatura sugere, são próteses montadas a partir de componentes que podem ser combinados entre si de diversas maneiras, ou seja, escolhe-se um encaixe, um tipo de joelho, um tipo de pé, etc. Permite, ainda, ajuste no seu alinhamento de modo individualizado. Os componentes de uma prótese modular podem, de modo geral, ser substituídos e reparados. Classificação dos joelhos protéticos Quanto ao nº de eixos Quanto ao mecanismo de flexão e extensão 1- Monocêntricos 1. Mecânicos 2. Pneumáticos 2- Policêntricos 3. Hidráulicos 4. Eletrônicos DESARTICULAÇÃO DE QUADRIL Trata-se de um tipo de lesão de difícil protetização, devido a aspectos como o importante déficit de braço de alavanca, e o gasto energético maior para a marcha, comparativamente a outros níveis de amputação. Ainda que o processo de adaptação seja bem-sucedido habitualmente, a marcha se desenvolverá com menor funcionalidade. É fundamental propiciar conforto no encaixe protético, leveza dos componentes e adequado treinamento de marcha. Para este nível de lesão as próteses devem ser modulares. Os encaixes podem ser do tipo colete, hemicesto ou cesto completo e são compostos por um material rígido, do tipo resina acrílica rígida com fibras de vidro entrelaçadas e material sem flexível, do tipo Surlyn, silicone, espuma de plastazote, ou outros, que são utilizados com a finalidade de criar um coxim macio em áreas de apoio e conferir maior conforto. A fixação para estes tipos de encaixe se faz por meio da utilização de velcros, fivelas e passantes. A suspensão se faz na região supra ilíaca. A parte inferior da prótese deve estar paralela ao solo para evitar que a pelve deslize anteriormente durante a marcha, cursando com instabilidade e hiperpressão no ramo púbico. O encaixe deve conter a tuberosidade isquiática para aumentar a estabilidade anteroposterior e mediolateral. De modo geral, utiliza-se a articulação do quadril do tipo livre, que permite a flexão e limita a extensão. O joelho mais comumente indicado é o policêntrico, devido à segurança intrínseca na fase de apoio. Os adaptadores de rotação são muito úteis neste tipo de lesão. Amputação transfemoral É o segundo tipo mais comum em frequência. Envolve toda amputação realizada entre a desarticulação do joelho e do quadril, podendo também ser dividida em terço proximal, terço médio e terço distal. O coto de amputação transfemoral tem uma tendência à deformidade em flexão e abdução do quadril, que é mais acentuada quanto mais curto for o coto de amputação, devido à secção dos músculos adutores, prevalecendo, assim, a força dos abdutores. Já a postura fletida do coto se deve ao encurtamento do músculo iliopsoas e ao uso indevido de coxins sob o coto no período pós-operatório. Encaixes Transfemoral de contenção isquiática: I - São os mais utilizados; II - formato mais oval e anatômico; III - engloba a tuberosidade isquiática e o ramo isquiático; e IV - contoured adducted trocantheric-controlled alignment method ou CATCAM. Quadriláteros: I - Atualmente este tipo de encaixe tem indicação restrita; II - a descarga de peso se faz no ísquio e musculatura glútea; III - a medida anteroposterior é menor que a mediolateral; e IV - considerado menos estável. Duplo encaixe: São compostos por um encaixe interno em material flexível que fica “acoplado” a um encaixe externo rígido. Podem ser utilizados em cotos médios ou longos. Tem como principal objetivo propiciar maior conforto sem, no entanto, utilizar linear. São exemplos os encaixes internos em polifórmio e termoplástico flexível. DESARTICULAÇÃO DE JOELHO São lesões que, pelas características anatômicas, possuem um coto com área adequada para distribuição de carga, ou seja, com grande capacidade de suporte de peso. Caracterizam-se, ainda, pelo longo braço de alavanca, por não apresentarem desequilíbrios musculares significativos. Os côndilos femorais preservados representam uma suspensão inerente. Deste modo, são compatíveis com a descarga terminal de peso. Estando o quadril livre, o usuário pode vestir a prótese sentado. É importante a correta identificação do nível de lesão por meio do exame físico e da avaliação da radiografia, objetivando confirmar a preservação dos côndilos femorais. Com estas características espera-se um bom padrão de marcha para este tipo de lesão. Conforme mencionado anteriormente, os joelhos mais indicados são do tipo policêntrico, podendo ser mecânicos, pneumáticos, hidráulicos, a depender do perfil do usuário. É fundamental, como em todos os níveis de protetização de MMII, a adequada classificação do nível de atividade. Amputação transtibial: É o nível de amputação realizado entre a desarticulação de tornozelo e a desarticulação do joelho. Pode ser dividida em três níveis: o Terço proximal, o Terço médio o Terço distal. Em todos os níveis deve ser considerada a importância funcional da articulação do joelho no processo de reabilitação física e profissional e na deambulação. A amputação no terço distal permite bom controle da prótese, por possuir um braço de alavanca mais longo, funcionando coto como um grande braço de alavanca. A amputação no terço médio, na altura da transição musculotendinosa do tríceps sural é considerada a ideal, devido à melhor adaptação dos pacientes, especialmente por conta do coxim resultante de melhor qualidade (tecido muscular, vascularização e revestimento cutâneo). Já a amputação no terço proximal ocorre logo abaixo da tuberosidade anterior da tíbia, com preservação do tendão quadricipital, para permitir a extensão do coto. A amputação transtibial possui uma série de vantagens em relação às amputações mais proximais, como a manutenção da articulação do joelho, permitindo menor gasto energético durante a marcha e maior facilidade para a colocação/remoção da prótese, além de permitir uma marcha mais próxima à fisiológica. Encaixes transtibial I- Patellar Tendon Bearing ─ PTB Surgiu nos EUA, em 1959. A parede anterior cobre metade a um terço da superfície anterior da patela, com abertura abaixo da mesma para apoio no tendão patelar. A suspensão se faz por meio de uma correia. Trata-se de um tipo de encaixe com limitações funcionais e em desuso, com pouca indicação na realidade atual. Um dos riscos de complicação é a hipotrofia muscular do quadríceps, conforme ilustrado nas imagens a seguir. II- ProtheseTibialeSupracondylienne ─ PTS Surgiu na França, em 1964.A descarga de peso se faz no tendão patelar, promovendo, assim, cobertura de toda a patela. A suspensão se dá nos côndilos femorais, na borda anterossuperior e na área imediatamente acima da patela. Também apresenta limitações funcionais e pouca indicação atualmente III- KondylenBettung Münster ─ KBM Criado em 1968, na Alemanha. A descarga de peso ocorre no tendão patelar, deixando, portanto, a patela livre. A suspensão se faz nos côndilos femorais. Ainda que apresente certas limitações funcionais, se comparado a outros tipos de encaixe que conferem maior suspensão, trata-se de um modelo ainda utilizado, especialmente usuários de prótese de longa data, com nível de atividade baixo ou moderado. Faz-se necessário a utilização de um encaixe flexível, habitualmenteem polifórmio e de meias elásticas. IV- Total SurfacingWeigthBearing ─ TSWB Trata-se de um encaixe com apoio total e também denominado hidrostático. O encaixe rígido deve ser necessariamente associado à utilização de um liner. A suspensão se faz por sucção, ou seja, existe uma válvula de expulsão de ar associada acoplada ao encaixe rígido. Observação: não confundir com bomba a vácuo, que é um dispositivo diferente. Apresenta como vantagem inerente propiciar a distribuição uniforme de pressão no coto. Permite maior amplitude de movimento do joelho. Caracteriza-se como uma excelente opção para amputados com nível de atividade moderado a alto, com perspectivas de retorno laboral. Aliam suspensão qualificada, custo razoável, baixa demanda por manutenção e são de fácil manuseio. Desarticulação dos dedos do pé As desarticulações dos dedos do pé podem ser de um ou até mesmo todos os dedos do pé. o Chopart Essa amputação é realizada entre as articulações Talo navicular e Calcâneo cuboide, deixando apenas o calcanhar e um terço do peito de pé do paciente. o Listranc É o procedimento que acontece entre os metatarsos com os ossos cuboide e cuneiforme, que resulta numa perda significativa de músculos do pé, prejudicando diretamente o equilíbrio do paciente. o Syme Nessa cirurgia ocorre na altura da desarticulação do tornozelo, mas preserva-se apenas uma parte do calcanhar para auxiliar no tratamento do amputado. o Pirogoff Também acontece na desarticulação do tornozelo, até o calcanhar do paciente é amputado, extinguindo-se qualquer vestígio da existência do pé do paciente. O PAPEL DO FISIOTERAPEUTA NA PRÉ-PROTETIZAÇÃO DE MEMBROS INFERIORES E AS PRINCIPAIS CONDUTAS. Define-se por amputação a ablação parcial ou total de um membro, devido a trauma ou ato cirúrgico, As causas mais comuns de amputação podemos citar as alterações vasculares consequentes ou não de diabetes melitus e as traumáticas. O processo de uso de próteses engloba vários aspectos como: tratamento evolutivo e o retreinamento da marcha, o adestramento funcional, a prova da prótese e as recomendações ao paciente. Para avaliar adequadamente as possibilidades do paciente é preciso registrar as características físicas, psíquicas e ambientais, Deve-se observar a existência de outras comorbidades, avaliar o equilíbrio, força, contraturas e deformidades, transferências, ortotastismo, nível de amputação e tipo de coto. Reabilitação de pacientes amputados Na reabilitação de pacientes amputados o fisioterapeuta é essencial, ele realiza avaliação físico-funcional elabora e aplica um programa de reabilitação individualizado para cada paciente com objetivos claros, para que o paciente entenda e sinta-se entusiasmado e aos poucos percebendo sua evolução do quadro funcional e independência. O fisioterapeuta é importante no processo dinâmico, criativo, progressivo, educativo e objetiva a restauração ótima do indivíduo, sua reintegração à família, comunidade e sociedade. A fisioterapia deve atuar desta fase pré-operatória e tão logo a cirurgia até a protetização para uma melhor reabilitação. Programa de reabilitação O processo de uso de próteses engloba vários aspectos como tratamento evolutivo e o retreinamento da marcha, o adestramento funcional, a prova da prótese e as recomendações ao paciente Os pacientes com prognóstico de protetização, a reabilitação inicia-se tão logo após o procedimento cirúrgico até o momento de total independência na vida profissional e social novamente. O processo de reabilitação se inicia na cirurgia de amputação, durante a confecção do coto, pois as suas características influenciarão a protetização, visto que o membro residual é o encarregado de controlar a prótese durante o ortotastismo e a deambulação, e quando mal- acabado, pode gerar complicações, entre elas a má adaptação a prótese ortopédica. O nível de amputação depende da etiologia e da extensão da área lesada do membro do paciente. Os níveis de amputação são: o Hemipelvictomia, o Desarticulação do quadril, o Amputação transfemoral, o Desarticulação de joelho, o Amputação trasntibial, o Amputação de syme, o Desarticulação de chopart, o Desarticulação de lisfranc, o Amputação transmetatársica, o Desarticulação metatarso falangeana, o Amputação transfalangeana. O fisioterapeuta é importante no processo dinâmico, criativo, progressivo, educativo e objetiva a restauração ótima do indivíduo, sua reintegração à família, comunidade e sociedade. A avaliação funcional possui grande importância para os amputados, uma vez que a reabilitação deste grupo de pacientes visa melhorar a mobilidade e a independência. As capacidades motoras em pessoas com amputação não dependem somente do nível de amputação e da condição anatômica e funcional do membro residual, mas em grande parte, das capacidades dinâmicas dos sistemas cardíaco e respiratório. Existem muitos instrumentos de avaliação funcional em uso, mas nenhum é considerado padrão-ouro para amputados de membro inferior. A reabilitação pode ser dividida em: o Fase pré-protetização: Se inicia tão logo após a cirurgia de amputação. o Fase pós-protetização: com treino e uso da prótese, quando indicada. O tratamento fisioterapêutico deverá ser iniciado de forma precoce para recuperação funcional, com objetivo de acelerar a protetização e o retorno às atividades. Na fase pré-protetização os objetivos visam: o Cicatrização, o Redução de edema, o Manter ou aumentar força muscular de ambos os membros, o Orientar as transferências e cuidados no leito, o Prevenir contraturas articulares do membro residual ou qualquer membro, o Instrução nos cuidados do membro residual, o Enfeixamento e deambulação com muletas. REABILITAÇÃO Logo após o ato cirúrgico deve-se ter cuidado com o posicionamento adequado do membro no leito, para prevenir deformidades articulares, ocasionadas por desequilíbrio muscular e pelo edema; ORIENTAÇÃO SOBRE OS CUIDADOS COM O COTO: Assim que o paciente estiver liberado pelo médico cirurgião o coto já deve ser enfaixado ou receber curativo rígido para prevenir a formação de edema, para estimular o metabolismo da região do coto e modelar para protetização. A utilização do enfeixamento deve ser durante 24 horas do dia, sendo retirado apenas para banho e na inspeção do coto. O enfeixamento deve envolver todo o coto, produzindo um gradiente de pressão mais intenso na porção distal do coto e mais suave na proximal, de forma a favorece a drenagem linfática. A colocação deve ser em forma de oito, sendo a pressão exercida de distal para proximal. Pacientes com hipersensibilidade no coto podem não tolerar o encaixe da prótese, para normalizar a sensibilidade realiza-se a Dessensibilização. A Dessensibilização deve ser realizada na extremidade distal do coto, utilizando estímulos sensitivos que levam os receptores sensitivos à saturação, com o objetivo de normalizar a sensibilidade local e facilitar a adaptação com a prótese. A Dessensibilização pode ser realizada através de terapia manual e com a utilização de materiais com diferentes texturas realizando movimentos lentos e graduais começando com estímulos mais finos. DEFORMIDADES APRESENTADAS PELOS PACIENTES AMPUTADOS As deformidades são intercorrências frequentes devido ao mau posicionamento do coto, pacientes com amputações transfemorais podem ser acometidos por deformidades na articulação do quadril, podendo está contratura ser em abdução e flexão. Nas amputações transtibiais a deformidade observada é a contratura do joelho em flexão. CONDUTAS PARA TRATAMENTOFISIOTERAPEUTICO: Os exercícios de alongamento de cadeia muscular anterior e posterior de membros inferiores possibilitam desenvolver a elasticidade das fibras musculares. As técnicas de alongamento facilitado (FNP) são as mais eficazes do que alongamento passivo, técnicas de manter relaxar com contração ativa que utiliza a contração resistida do membro antagonista podem aumentar a ADM. O programa de exercícios terapêuticos é elaborado individualmente e inclui atividades de fortalecimento, equilíbrio e coordenação. O fortalecimento incidirá especialmente na musculatura antigravitacional, sem esquecer fortalecimento das extremidades superiores, que precisarão de um bom desenvolvimento muscular no caso de serem necessárias ajudas para deambulação É trabalhado todo o corpo através de exercícios respiratórios, fortalecimento de abdominais, quadrado lombar, os membros superiores para utilização de muletas e o fortalecimento do membro não amputado para aumentar sua potência, resistência e equilíbrio. Exercícios de fortalecimento para adução, abdução, flexão e extensão do quadril e joelho, sob a forma isométrica e isotônica devem ser priorizados, promovendo assim equilíbrio muscular adequado para desenvolvimento dos movimentos com a prótese a fim de evitar um padrão inadequado com elevado gasto energético. O programa de exercícios precisa ser desenvolvido de modo individualizados e deve enfatizar os músculos que são mais ativos na função protética. Os músculos do quadril realizam uma ação fundamental para os pacientes amputados na região do fêmur. Há alguns músculos que devem ser fortalecidos com maior ênfase. São eles: glúteo máximo/isquiotibiais; adutores. Já os flexores de quadril e abdutores devem ser trabalhados com fortalecimento e alongamento contralateral do coto amputado. Os músculos a serem fortalecidos serão os glúteos, quadrado lombar, os abdominais, os rotadores internos e os adutores. Nas amputações transtibiais os músculos da região da coxa têm papel importantíssimo na marcha e devem ser fortalecidos dando uma maior ênfase no músculo quadríceps. Os músculos isquiotibiais devem ser fortalecidos, pois tem ação para controlar (frear) o coto e a prótese na fase de balanço final ou de desaceleração na ase de oscilação do membro amputado.