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Infecções Congênitas e Perinatais

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- Acometimento neurológico: microcefalia, atrofia cortical, deficiência intelectual.
	- Acometimento oftalmológico: coriorretinite, microftalmia, catarata.
	- Outros: doença renal, alterações do SNA.
- Essas alterações ocorrem por lesão nervosa causada pelo CMV. Herpes-zóster em lactentes jovens (< 2 anos), sem história prévia, podem ser consequência de infecção congênita fora do período de teratogênese.
ALTERAÇÕES LABORATORIAIS
- É feita coleta de sangue do cordão ou Bx de vilo coriônico para realizar detecção de DNA ou sorologia. O diagnóstico é feito por história clínica de varicela na gravidez + manifestações clínicas de embriopatia. Sorologia tem pouca utilidade.
TRATAMENTO E PREVENÇÃO
- Tratamento antiviral não é indicado no pós-parto, já que as lesões do vírus não progridem. 
- A Ig antivaricela pode ser usado em mães expostas ao VVZ, mas não garante proteção fetal.
VÍRUS HERPES-SIMPLES
ASPECTOS GERAIS E FISIOPATOLOGIA
- O VHS (vírus herpes simples), assim como o VVZ, pode estabelecer infecção latente em organismo infectado.
- Infecções no adulto são assintomáticas, incluindo mulheres, que podem abrigar o vírus na cérvice uterina. A transmissão neonatal ocorre pela passagem do RN no canal de parto. Por isso a infecção é dita perinatal, não congênita. A infecção congênita é rara.
- Pode ser causa de aborto se a infecção for nos primeiros meses. 
QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
- Deve-se diferenciar a infecção congênita e perinatal. A congênita é rara e com fetopatia grave, consiste em vesículas cutâneas ou escaras de cicatrização, com alterações oculares e micro/hidrocefalia.
- Na perinatal, o RN só se torna sintomático no final da 1ª semana de vida, devido à replicação. 
- Forma localizada: ocorrem lesões cutâneas (vesículas em base eritematosa) localizadas ou disseminadas. Há hiperemia conjuntival com lacrimejamento e úlceras orais. Pode evoluir para forma disseminada ou neurológica. Ocorre na 1ª ou 2ª semanas.
- Forma neurológica: ocorre na 2ª ou 3ª semanas. O RN desenvolve letargia, irritabilidade, convulsões, apneia e febre alta. LCR revela pleocitose à custa de mononucleares, glicose baixa e proteinorraquia moderada.
- Forma disseminada: forma mais grave e acomete vários órgãos, como se fosse uma sepse bacteriana. Alta mortalidade.
ALTERAÇÕES LABORATORIAIS
- Hemograma com neutropenia e plaquetopenia. Transaminases e bilirrubina elevada.
- Cultura do vírus em lesões é o melhor método para diagnóstico.
- Sorologia é limitada.
TRATAMENTO
- Isolamento do RN com infecção pelo VHS pelo risco de transmissão nosocomial. Cesárea é recomendada para gestantes com lesões ativas. 
- Aciclovir para tratamento. 
ZIKA CONGÊNITA
ASPECTOS GERAIS E FISIOPATOLOGIA
- O ZIKV é um arbovírus (Flavivírus) transmitido pelo vetor Aedes aegypti, porém há transmissão vertical, pelo contato sexual ou por hemotransfusão. Passagem transplacentária leva ao estabelecimento de infecção congênita.
QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
- O vírus é principalmente neurotrópico, mas apresenta tropismo para outros órgãos.
- A infecção pode ser leve, mas com consequências graves: microcefalia, morte fetal, insuf. placentária, restrição do crescimento fetal, malformações.
- Avaliar o perímetro cefálico nas primeiras 24h de vida. A microcefalia é definida como o PC < 30,54cm em meninos ou < 30,24cm em meninas.
- Outras alterações neurológicas:
	- Hipertonia: mais acentuada.
	- Persistência ou exagero dos reflexos primitivos.
	- Desproporção craniofacial: mesmo sem microcefalia. 
	- Epilepsia, espasmos, irritabilidade, hiperexcitabilidade, atrasos do desenvolvimento.
	- Alterações visuais e auditivas.
	- Malformação articular dos membros (artrogripose).
EXAMES DE IMAGEM
- Os seguintes exames são feitos:
	- USG transfontanela: feito até os 06 meses. É a 1ª opção.
	- TC de crânio sem contraste: usado se a fontanela não permite o USG, ou se há dúvida diagnóstica.
- Achados incluem calcificações corticais, subcorticais, malformações corticais, padrão simplificado de giro, etc.
ALTERAÇÕES LABORATORIAIS
- Pedir exames inespecíficos: hemograma, aminotransferases, bilirrubinas, ureia, creatinina, LDH, marcadores inflamatórios (PCR, ferritina).
- Exames específicos: teste rápido IgM/IgG (triagem), sorologia IgM e IgG (ELISA), PCR para RNA viral.
TRATAMENTO
- Não há tratamento específico para microcefalia ou para as demais sequelas neurológicas. Fazer terapia de suporte e reabilitação diriga aos problemas motores, de linguagem e cognitivos-comportamentais.
MANEJO DO RN COM EXPOSIÇÃO AO HIV
ASPECTOS GERAIS
- Lembrar do pré-natal adequado e acompanhamento durante o parto.
CUIDADOS NA SALA DE PARTO, PÓS-PARTO IMEDIATO E ANTES DA ALTA
- Fazer, se possível, o parto empelicado e proceder o clampeamento imediato do cordão. 
- Fazer banho da criança com água corrente, limpando-a do sangue e secreções maternas.
- Aspiração de VA e gástrica suave se necessário, evitando trauma de mucosas. 
- Iniciar os antirretrovirais.
- Orientar a não amamentação, podendo a lactação ser inibida com cabergolina VO. Fazer fórmula infantil de leite para o RN.
- Notificação compulsória de “criança exposta ao HIV”.
USO DE ANTIRRETROVIRAIS
- A profilaxia é indicada para todos os RNs expostos ao HIV. A zidovudina (AZT) é indicada em todos os casos, junto com a nevirapina (NVP) em alguns casos.
- AZT é iniciado nas primeiras 4h de vida, e é mantido por 4 semanas. 
- A NVP deve ser combinada se:
	- Mãe que não fez TARV na gestação.
	- Mãe com carga viral > 1.000 ou desconhecida, mesmo se fez TARV.
	- Histórico de má adesão à TARV, mesmo com carga viral baixa.
	- Mãe com IST, especialmente sífilis.
	- Resultado reagente no momento do parto.
- Não fazer a NVP se RN < 1.500g. Lembrar de fazer somente por VO ou sonda.

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