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REANIMAÇÃO NEONATAL (Resumo SBP 2022)

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quando necessário 
Todos os métodos que subestimam o valor da FC nos primeiros 
minutos de vida podem levar a um aumento desnecessário de 
intervenções na sala de parto 
RESUMÃO DA ESTABILIZAÇÃO INICIAL DO RN QUE NÃO APRESENTA BOA VITALIDADE AO NASCER 
1. Manter a normotermia do RN 
a. pré-aquecer a sala de parto (23-25°C) 
b. evitar a circulação de ar (fechar as portas e diminuir a circulação de pessoas) 
c. ligar a fonte de calor radiante da mesa de reanimação antes do nascimento 
d. levar o RN a mesa de reanimação envolto por campos aquecidos 
e. posicioná-lo sob a fonte de calor radiante, em decúbito dorsal, com a cabeça voltada para o profissional de saúde 
f. secar o corpo, a região da fontanela e se possível colocar um touquinha 
2. Manter as vias aéreas pérvias 
g. com o RN em decúbito na mesa de reanimação manter o pescoço em leve extensão 
- evitar a hiperextensão e a flexão do pescoço 
- realizar a aspiração da via aérea apenas em RN com obstrução da via aérea por excesso de secreção 
- em RN sem boa vitalidade e com líquido amniótico meconial não realizar a aspiração! 
3. Avaliação da FC e respiração do RN 
h. determinar a FC por ausculta do precórdio, após os passos iniciais da estabilização 
- auscultar por 6 segundos e multiplicar o valor por 10 
i. observar o padrão respiratório 
- expansão torácica ou da presença de choro 
-> se a FC<100 bpm OU respiração não adequada (RN não chora, apresenta movimentos irregulares gasping ou apneia) 
j. um profissional inicia a VPP e outro, simultaneamente, fixa o sensor do oxímetro (no braço direito – pré-ductal) e os três 
eletrodos do monitor cardíaco (mínimo 2 profissionais nessa etapa) 
k. determinar o boletim de APGAR no 1° e 5° minuto de vida 
- se APGAR < 7 no 5° minuto, continuar avaliando o RN a cada 5 minutos até o 20° minuto de vida. 
Expulsão completa do RN
RN com boa vitalidade 
(repiração regular, chora e apresenta tônus muscular em flexão 
independente do aspecto do líquido amniótico)
Clampeamentotardio
entre 1-3 minutos após a expulsão completa 
Durante a espera entregar o RN 
para a mãe 
* contato pele-a-pele
* cuidar da normotermia
* avaliar continuamente 
* incentivar amamentação
RN sem boa vitalidade
(sem movimentos respiratórios, sem choro e com tônus muscular flácido 
independente do aspecto do líquido amniótico)
Clampeamento imediato
Iniciar primeiros passos da estabilização do RN
Após a estabilização inicial avaliar 
RN
RN com FC>100 bpm e respiração regular 
Entregar para a mãe para o contato pele-a-
pele
RN com FC <100 bpm e respiração 
irregular/ausenrte
Iniciar ventilação com pressão positiva
1. Manter a normotermia do RN 
36,5-37,5°C
2. Assegurar que as vias aéreas estão 
pérvias 
Avaliar FC e respiração do RN
pode ser realizado um estímulo tátil 
delicado no dorso do RN por no máximo 
duas vezes para ajudar a iniciar a 
respiração antes do clampeamento 
imediato do cordão
VENTILAÇÃO COM PRESSÃO POSITIVA 
* a ventilação pulmonar é o procedimento mais importante e efetivo na reanimação do RN 
- promove a substituição do líquido que preenche sáculos e/ou alvéolos por ar durante o nascimento 
Mecanismos fisiológicos da transição respiratória ao nascimento 
Primeira fase: vias aéreas cheias de líquido e o suporte respiratório deve ser dirigido ao clareamento do líquido pulmonar das 
regiões responsáveis pela hematopoese 
Segunda fase: a maior parte da via aérea já se encontra preenchida por gás, mas o líquido pulmonar ainda se encontra no espaço 
intersticial e pode retornar ao espaço aéreo se esse não estiver corretamente expandido. 
Terceira fase: a troca gasosa assume o seu papel de importância na homeostase respiratória 
 
* para uma aeração pulmonar adequada é importante que 
a glote esteja aberta 
- a glote durante o período fetal fica fechada para manter 
o líquido pulmonar no interior dos alvéolos 
- RN em apneia ou com respiração irregular também 
apresentam a glote fechado 
- a VPP permite a abertura da glote, a aeração pulmonar e 
a transição cardiocirculatória 
 
* a expansão dos pulmões é um estímulo para a liberação 
de surfactante, que reduz a tensão superficial alveolar, 
aumenta a complacência e ajuda a manter uma capacidade 
residual funcional estável (quantidade de ar que fica no 
pulmão após uma expiração normal) 
 
* simultaneamente, a ventilação também auxilia na 
redução da resistência vascular pulmonar 
- A VPP promove a redução na PaCO2 e aumento no pH e na PaO2 -> o que também reduz a resistência vascular pulmonar 
* a depuração do líquido pulmonar, estabelecimento da capacidade residual funcional e diminuição da resistência vascular 
pulmonar associada com o aumento do fluxo sanguíneo facilita a ventilação e a oxigenação pós-natal 
* com o início da ventilação, o sistema circulatório fetal assume o padrão adulto 
 
Após os cuidados para manter a temperatura e as vias aéreas, se o RN apresenta FC <100 bpm e/ou apneia ou respiração irregular, 
há indicação da VPP que necessariamente precisa ser realizada em 60 segundos após o nascimento (minuto de ouro) 
 
a. a VPP deve ser iniciada com ar ambiente (O2 21%) 
- o uso de ar ambiente no início da VPP está associado com a redução da 
mortalidade intra-hospitalar 
b. uma vez iniciada a VPP é preciso monitorar a SatO2 pela oximetria de pulso 
- é ela que dirá a necessidade de fornecer ou aumentar o O2 suplementar 
 
-> caso a VPP em ar ambiente seja iniciada e o RN ainda não atinge a SatO2 alvo e/ou apresenta FC <100 bpm 
c. primeiro se verifica e corrige a técnica antes de fornecer O2 suplementar 
- não adianta nada fornecer O2 suplementar se a técnica de ventilação 
está incorreta 
 
d. aplicar a mistura de O2 por blender até atingir a saturação ideal 
- aumentar a concentração de O2 em 40% e aguardar 30 segundos 
- se não houver melhora da saturação (SatO2) aumentar para 60% e assim 
sucessivamente a cada 30 segundos 
!! Se compressões torácicas, medicação ou ambos são necessários, O2 a 100% está recomendado 
-> lembrar que é preciso evitar altas concentrações de O2 sempre que possível 
 
e. quando atingir a saturação alvo, reduzir para 20% de O2 de forma gradativa o mais rápido possível 
- de 80% para 60% e aguarda 30 segundos e assim sucessivamente até retornar para a concentração em ar ambiente 
-> a VPP ao nascimento pode ser realizada com balão autoinflável ou com VMM com peça T. 
* Se a opção for pelo uso do VMM com peça T, o balão autoinflável deve estar sempre disponível e pronto para uso, caso 
necessário. 
!! Não iniciar com VPP com máscara em casos de hérnia diafragmática = distensão estomacal 
devido à ventilação, visualizar abdome escavado (deslocamento das vísceras para o tórax). 
Nestes casos, seguir para IOT. 
 
 
 
 
 
 
 
Equipamentos para VPP 
* o equipamento ideal para exercer a VPP é aquele que possibilita o controle confiável da pressão inspiratória e seu tempo de 
administração, além de prover pressão expiratória final positiva 
 
Balão autoinflável 
- baixo custo 
- não precisa de eletricidade 
- único equipamento de ventilação que não precisa de fonte de gás comprimido 
- deve estar sempre disponível para uso em qualquer sala de parto 
- não é possível conhecer ou titular a concentração de O2 suplementar fornecido 
(mesmo quando o balão está acoplado a um blender) 
 
Barotrauma: quando a pressão inspiratória (força de compressão do balão) excede 40mmHg 
 
* o tempo inspiratório é determinado pela velocidade que o balão de ar é comprimido 
* a pressão inspiratória depende da força de compressão do balão 
* a frequência respiratória depende do número de compressões exercidas pelo profissional no balão em um intervalo de tempo 
 
Sinais de VPP efetiva 
* aumento da FC (indicador mais importante) 
- geralmente a FC começa a aumentar em 15s 
- melhora da cor e do tônus 
- início da respiração regular 
 
Ventilador mecânico manual com peça T 
- dispositivo