Material Complementar - aula 2- Lazer e turismo
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Material Complementar - aula 2- Lazer e turismo


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CST em Gestão de Turismo 
 
 
 
Fundamentos do Turismo 
 
 
Aula nº 02 
Lazer e Turismo 
Definições de Turismo e outros conceitos importantes 
 
 
 
Profª. Me. Cláudia De Stefani 
 
 
 
CST em Gestão de Turismo | Fundamentos do Turismo | Aula n° 02 2 
 
 
Introdução 
Após estudarmos a importância e evolução histórica do turismo no Brasil 
e no mundo, é hora de entendermos um pouco de que forma o turismo está 
relacionado com o lazer e definirmos conceitualmente essa atividade, além de 
outros termos fundamentais para a compreensão da cadeia turística como um 
todo. Aproveite e complemente seus estudos com a leitura das referências 
indicadas ao final do texto. Tenham uma ótima aula! 
 
Problematização 
Após o estudo do conteúdo desta aula, esperamos que você seja capaz 
de estabelecer as relações da atividade turística com o lazer, identificar os 
motivos pelos quais foi possível a conquista do lazer ao longo da história 
recente da humanidade, a forma que nosso tempo está dividido e compreender 
as formas de lazer e como elas impactam na vida dos indivíduos. Além disso, 
para que você comece a entender conceitualmente, vamos estudar algumas 
definições importantes dentro do turismo. 
 
Contextualização 
Compreendendo o lazer e suas relações com 
o Turismo 
O fenômeno das viagens não é novo na história da humanidade; 
desde que se formaram as primeiras sociedades, o homem sempre viajou, 
pelos mais diversos motivos: econômicos, políticos, sociais, culturais e 
esportivos. 
 
 
CST em Gestão de Turismo | Fundamentos do Turismo | Aula n° 02 3 
 
A palavra lazer é originada do latim licere e, de acordo com Dias Neto 
(1999), quer dizer ser permitido, ser lícito. O termo surgiu durante a civilização 
greco-romana e dizia respeito aos momentos em que os indivíduos não eram 
obrigados a trabalhar e que se encerravam os compromissos diários ligados à 
subsistência. 
As pesquisas acerca do tema refletem que o significado da palavra 
lazer não consegue abranger sua totalidade e complexidade, justamente 
porque existem várias definições e pontos de vista. O conceito que o Dicionário 
Houaiss nos traz corrobora com o sentido da palavra para a civilização greco-
romana: \u201ctempo que sobra do horário de trabalho e/ou do cumprimento de 
obrigações, aproveitável para o exercício de atividades prazerosas\u201d e, por 
extensão de sentido: \u201ccessação de uma atividade; descanso, repouso\u201d 
(HOUAISS e VILLAR, 2007). Além disso, o dicionário apresenta que lazer é 
sinônimo de folga e passatempo. 
A evolução dos conceitos de lazer ao longo da história está 
relacionado ao tipo de sociedade predominante na época. De acordo com Melo 
e Alves Jr (2012), na Grécia Antiga, valorizava-se o cultivo de valores elevados 
como a verdade, a bondade e a beleza e o trabalho era considerado um 
empecilho ao alcance desses objetivos, pois reduziam as oportunidades de 
dedicação à sua busca. Então, a elite se dedicava ao crescimento espiritual e o 
trabalho pesado era feito pelos escravos; assim, tendo o tempo livre como 
princípio de vida, era possível se desenvolver pessoal e socialmente. 
Atualmente, \u201cpodemos perceber o contrário: uma supervalorização do trabalho; 
mesmo nas elites, muitos se orgulham ao afirmar que quase não tem tempo 
livre ou momentos de lazer\u201d (MELO e ALVES JR, 2012, p. 3). 
Com anexação da Grécia a Roma, podemos perceber uma grande 
modificação no estilo de vida, pois os romanos, por serem um povo guerreiro, 
não tinham uma visão negativa do trabalho. Começamos, então, a observar um 
inicio das iniciativas relacionadas à diversão popular, não mais restritas 
somente à elite, mas ainda segregadas entre as classes. Melo e Alves Jr 
(2012, p. 4) nos contam que aos menos favorecidos financeiramente eram 
 
 
CST em Gestão de Turismo | Fundamentos do Turismo | Aula n° 02 4 
 
\u201coferecidas práticas fortuitas de distração, organizadas e/ou reguladas em 
grande parte pelo próprio Estado. Inaugurava-se o que chamamos de política 
do \u201cpão e circo\u201d, com o inuito de controlar as massas\u201d. 
Na Idade Média, ocorreram mudanças nos significados de 
aproveitamento de tempo de não trabalho. Popularmente, continua a ser um 
tempo de descanso e festa, mesmo com o controle da igreja católica ao que se 
pode ser vivenciado, com base em um conceito rígido de pecado. Para a 
nobreza, esse tempo passa a ser destinado à exibição social e exposição do 
luxo. 
A partir do surgimento das ideias reformistas com a fundação das 
primeiras religiões protestantes, aparecem também os preceitos de que o 
trabalho é condição fundamental para a humanidade, pois segundo Melo e 
Alves Jr (2012, p. 5), \u201cas novas formas de expressar a fé introduzem a 
mentalidade de que o acúmulo de riquezas é filosoficamente aceitável. O não 
trabalho... passa a ser considerado inimigo do trabalho\u201d. E surge a ideia de que 
\u201co trabalho enobrece o homem, o ócio não\u201d. 
A Idade Moderna, mais especificamente a partir do século XVIII, é 
marcada pelo engrandecimento do fluxo do comércio, pela ascensão de um 
novo grupo social devido à implantação do modelo de produção industrial, da 
organização do trabalho nas fábricas em longas jornadas de trabalho (dado o 
início do capitalismo) e da rotina rígida em que os indivíduos eram submetidos. 
Com isso, notamos que houve também um processo de atificializacao do 
tempo de não trabalho e foi nessa época que temos indícios do que chamamos 
hoje de lazer. A partir de reivindicações constantes dos trabalhadores, os 
proprietários das fábricas foram obrigados a cumprir o que podemos definir 
como conquistas históricas da classe dominada: gozo de férias, aposentadoria, 
e dias de folga remunerados. Posteriormente, outro objetivo alcançado pelos 
trabalhadores foi a redução da jornada de trabalho, que, até então, era de 12 a 
14 horas diárias. 
 
 
CST em Gestão de Turismo | Fundamentos do Turismo | Aula n° 02 5 
 
O Estado se viu obrigado a controlar as diversões populares (tabernas, 
feiras e jogos), além disso, o poder judiciário, a polícia e a influência religiosa 
foram articulados para controlar o tempo em que os trabalhadores não estavam 
exercendo suas obrigações laborais. A maioria das atividades era considerada 
pecaminosa, por isso, práticas de orações em grupo eram sugeridas em 
substituição àquela. Começam a ganhar força as escolas de religião dominicais 
e a recreação produtiva, como o esporte. Outro fato interessante é que a elite 
começa a perceber que podia lucrar com estabelecimentos e eventos voltados 
ao tempo de não trabalho (MELO e ALVES JR, 2012). 
Observamos que Wittizorecki e Damico (2012) concordam com Melo e 
Alves Jr (2012) quando afirmam que \u201cnuma perspectiva histórica e social, a 
ideia de lazer, na Modernidade, constitui-se a partir das reivindicações dos 
trabalhadores assalariados no contexto europeu\u201d. E completam que, no Brasil, 
o conceito mesclava-se com o de recreação: 
Para ser socialmente permitido, lícito, ele deveria ser regulado, 
orientado, monitorado, fundamentalmente, por meio da prática de 
atividades oferecidas por instituições ou pelo Poder Público, ou seja, 
práticas recreativas. Nesse entendimento simplista, recrear significava 
ocupar e regular determinado tempo vago dos sujeitos (WITTIZORECKI 
e DAMICO, 2012, p. 18). 
 
Podemos admitir ser compreensivo o fato do tema lazer ter gerado 
discussões, principalmente no decorrer dos séculos XIX e XX no campo 
acadêmico, de formação profissional, social e econômico. Marcellino (1987) 
caracteriza o lazer como sendo dimensão de produção de cultura e que deve 
 
Para entender melhor a evolução do lazer no Brasil, acesse a Biblioteca 
Virtual