Pesquisa em administração
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estudar. É sua condição. E para que possa ser
eficiente, eficaz e efetivo como universitário é necessário que entenda de como estudar.
3.2.1.1 \u2013 O que é estudar
Tenha sempre presente que estudar é esforçar-se para conhecer o que ainda não se
conhece. E isto implica necessariamente ser curioso, ligar-se, conectar-se, concentrar-se,
num assunto de interesse, envolver-se com ele, formular e responder perguntas fundamen-
tais sobre o assunto, tais como: o que é? (conceituação), por que? (causas), para que? (fina-
lidade, função), onde e quando? (circunstâncias de lugar e de tempo), origem e evolução
(histórico), quais as variáveis básicas daquele processo? Como elas se inter-relacionam? E
assim por diante.
Estudar, portanto, é fazer esforço para conhecer e entender a realidade em suas inú-
meras manifestações e desta forma capacitar-se para agir mais correta e eficazmente, adap-
tando-se à realidade ou modificando-a em favor de nossos interesses. Estudar é um esforço
emancipatório. Emancipação não pode vir de fora, ser doada ou imposta, deve necessaria-
mente ser autoconquista, construção realizada pelo sujeito.
O resultado, o produto do estudo é a aprendizagem, isto é, modificação de quem estu-
da, em termos de conhecimentos (saber), de atitudes (agir) e de habilidades (fazer), ou seja,
estará desenvolvendo competências.
O critério para avaliar a qualidade do estudo é, pois, a mudança que ocorre em quem
estuda. Desta forma, você pode avaliar o quanto vem estudando pelo quanto você mudou
recentemente em termos de suas competências.
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As mudanças de aprendizagem estão principalmente na superação do senso comum
pela aquisição de um comportamento caracterizado por um maior rigor científico.
Assim sendo, no mundo atual não há espaço para a concepção de estudar como sendo
decorar conteúdos dados em aula, memorizar informações para responder às questões das
provas, de modo a conseguir notas que garantam aprovação nos componentes curriculares
do curso. Isso se justifica pelo fato de que este tipo de estudo é acrítico, não forma, não
independiza, não desenvolve as capacidades criativas, é realizado na chamada \u201ceducação
bancária\u201d (Freire, 2001).
Na condição de aprendizes, o ato de estudar deve nortear-se pela perspectiva da \u201cedu-
cação crítica ou problematizadora\u201d, que vislumbra a libertação do homem, este sendo sujei-
to da geração de novos pensamentos e da construção do conhecimento.
3.2.1.2 \u2013 Estratégias de estudo
Pode-se estudar uma realidade qualquer, direta ou indiretamente.
Estudar diretamente é formular perguntas e reponde-las sobre uma realidade qual-
quer, por meio de observação e reflexão própria, sem a intervenção imediata de terceiros. Por
exemplo, não conheço as potencialidades de venda do produto \u201cA\u201d na área \u201cB\u201d. Formulo
perguntas pertinentes sobre tal assunto e procuro resposta para elas mediante alguma for-
ma de observação pessoal e direta, coletando fatos e dados, entrevistando pessoas, aplican-
do questionários e principalmente refletindo sobre tais elementos.
Estuda-se indiretamente um assunto quando para conhecê-lo nos valemos de comu-
nicações de resultados de estudos realizados anteriormente por outras pessoas. Um exemplo
é a consulta a documentos, a dados coletados por outras pessoas. É o caso típico da pesqui-
sa bibliográfica, da leitura e das aulas.
Significativa parcela dos estudos realizados em cursos de Graduação em Administra-
ção, à semelhança do que se dá em outras áreas, são indiretos. Em parte, justifica-se que
seja assim. Não é preciso \u201creinventar a roda\u201d. É muito mais produtivo aproveitar o resulta-
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do acumulado de dezenas de anos de esforços realizados por estudiosos de todo o mundo.
As teorias, os modelos, os enfoques, as constatações da prática da pesquisa e da reflexão de
tantos ilustres e exitosos administradores estão à disposição de quem deseja conhecê-los,
mediante leitura de livros, textos e documentos.
É preciso, todavia, precaver-se contra a erudição puramente livresca, não reelaborada,
não reprocessada e adequada às condições específicas de cada situação.
Certamente se ganharia muito em qualidade na formação de futuros administradores
se se aumentasse a quantidade de estudos diretos, de observação e pesquisa de campo, que,
aliás, deverá ser sempre realizada a partir de conhecimentos preexistentes ou, como se diz
em linguagem acadêmica, a partir de uma \u201cfundamentação teórica\u201d.
3.2.1.3 \u2013 Arranjar tempo para estudar
Considerando a realidade da maioria dos alunos de Administração, que trabalha du-
rante o dia e estuda à noite, a disponibilidade de tempo para o estudo individual é limitada.
Isto, porém, não os exime da necessidade premente de abrir espaços para o estudo. Não há
como realizar um curso superior com proveito satisfatório sem destinar tempo para realizar
as múltiplas atividades acadêmicas.
Cabe ao estudante fazer a gestão do seu tempo, assegurando condições básicas para
estudo e para tanto é preciso disciplinar-se e organizar-se. Uma forma prática é criar uma
agenda, relacionando as atividades diárias e seus respectivos períodos para o período de
uma semana. Em seguida abrir espaços entre elas, (tarefas) embora breves, destinados à
leitura e ao estudo.
Se estiver realmente disposto a estudar, o aluno encontrará numerosos momentos ou
breves espaços de tempo que poderá ocupar com alguma preocupação de estudo. São exem-
plos disto: os períodos destinados ao transporte, os intervalos em que ocorrem folgas em
certos tipos de trabalho, o tempo que se passa em filas de espera. Tais pequenos períodos
podem ser de grande utilidade, desde que se saiba claramente o que fazer: rever uma fórmu-
la, um conceito, completar ou adiantar uma leitura, rever uma anotação.
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3.2.1.4 \u2013 Atividades de estudo
O tempo disponível para estudo individual será prioritariamente destinado para três
atividades que constituem o ciclo de estudo: preparação para as aulas, revisões e
complementações das aulas e revisões para provas e exames.
A leitura prévia sobre temas que serão abordados em aula aumenta extraordinaria-
mente o aproveitamento das preleções. Não basta, porém, preparar-se para a aula, é preciso
trabalhar sobre ela depois. Fazer revisões complementares, questionando, avaliando os as-
suntos da aula.
A revisão pode ser imediata ou globalizadora, conforme propõe Ruiz (1993, p. 26).
A imediata refere-se à última aula assistida, e visa retomar conteúdos, esclarecer dúvi-
das, complementar lacunas. Já a globalizadora ou integradora diz respeito a um período de
aulas, geralmente o que coincide com os conteúdos que serão cobrados numa verificação
parcial ou com o período do semestre cujos conteúdos serão avaliados no exame.
Como o próprio nome expressa, trata-se de uma revisão, o que supõe que os conteúdos já
tenham sido trabalhados. Visa a recordar, reavivar na memória e principalmente integrar conteú-
dos, reduzindo a influência negativa da fragmentação, em unidades e itens, feita pelas aulas.
3.2.1.5 \u2013 Como acontece a aprendizagem
Os estudiosos da Psicologia da Aprendizagem têm dado numerosas respostas a esta
indagação fundamental. Ainda há muito a esclarecer neste campo.
Dois enfoques serão aqui lembrados: o comportamentalista e o cognitivista.
A perspectiva comportamentalista, que tem em B. F. Skinner seu principal pesquisa-
dor, define aprendizagem como qualquer mudança relativamente permanente no comporta-
mento, que ocorre como resultado de experiência (Robbins, 1999, p. 45). A aprendizagem se
dá mediante três tipos de processos que se denominam: condicionamento clássico, condiciona-
mento operante e aprendizagem social.
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O condicionamento clássico, baseado nos experimentos de Ivan Pavlov, consiste no
que se denomina reflexo condicionado.