Pesquisa em administração
232 pág.

Pesquisa em administração


DisciplinaPesquisa em Administração22 materiais119 seguidores
Pré-visualização50 páginas
nascimento, vivência familiar, escola, outros eventos e
acontecimentos da vida pessoal mesclados com as dimensões coletivas do bairro, da cidade
Já o memorial é um relato que reconstrói a trajetória pessoal, mas possui uma dimen-
são reflexiva, pois requer que quem relata se coloque como sujeito que se auto-interroga e
deseja compreender-se como o sujeito de sua própria história. Assim, é um esforço de organi-
zação e análise do que vivemos. Esta diferença entre vivência e experiência é importante.
EaD
99
PESQUISA EM A DMINI ST RAÇ ÃO
A experiência, ao contrár io da vivência, é refletida, pensada, e pode-se tornar algo
consciente que construirá uma nova identidade, ou seja, uma outra forma de olharmos e
pensarmos o mundo. Para ilustrar, seria possível afirmar que é como olhar a vida por um
retrovisor, dando a chance de enxergar determinadas dimensões de nossa vida e refletir cri-
ticamente sobre o s ignif icado delas em nossa trajetór ia, tendo como vantagem o
distanciamento temporal. 
O memorial será um instrumento por meio do qual o(a) aluno(a) articula a experiên-
cia com suas percepções interiores, pois ele tem como objetivo dar ao(a) sujeito uma oportu-
nidade para refletir sobre sua vivência enquanto estudante e/ou de atuação em movimentos
sociais, organizações populares e outras organizações empresariais ou não.
Na elaboração do memorial você provavelmente se sinta desafiado a relembrar, escre-
ver e produzir um conjunto de observações e comentário, cuja construção espelha e acom-
panha o seu processo de aprender.
Para elaborar o seu memorial, o(a) aluno(a) deverá levar em conta as condições e
situações que envolvem sua trajetória, apresentando as questões que mobilizam sua aten-
ção e evidenciando como elas se originam em sua história. Pelo seu caráter problematizador,
reflexivo e sistematizador, o memorial se constituirá em instrumento que servirá de fio con-
dutor para que o(a) aluno(a), ao longo do curso, reúna elementos para a produção de sua
monografia. 
Entendemos que o memorial tem uma função pedagógica-formativa na medida em
que o seu processo de elaboração e reelaboração ao longo do curso \u2013 como um exercício
contínuo e gradativo \u2013 auxiliará o(a) aluno(a) no desenvolvimento e na articulação dos
nexos entre a vivência de atuação e os conteúdos teóricos vistos no curso, de modo a gerar
uma interpretação crítica da sua experiência e da própria realidade que o cerca.
Neste sentido, o memorial funcionará como uma \u201cferramenta de suporte\u201d que auxi-
liará o(a) aluno(a) em sua formação, dado que ele tem o objetivo de gerar uma reflexão
sistemática, à luz dos conteúdos teóricos, acerca de sua vivência local e os saberes aí
consti tuídos.
EaD Eni se Bart h Teixeira \u2013 Luci ano Z amb er la n \u2013 Pedro C ar los Rasia
100
Pretende-se que a experiência de escrita e retomada do memorial ajude o(a) aluno(a)
a refletir sobre seu saber prático e o capacite a se tornar um formulador de novos caminhos
e alternativas, reinventando novos modos de transformação social no local em que atua. O
memorial, portanto, servirá como uma ferramenta que auxiliará o(a) aluno(a) na articula-
ção do processo de ação-investigação-conhecimento-ação no decorre de sua vida acadêmi-
ca e prosseguindo na prof issional.
O texto deve iniciar-se com uma apresentação, seguida do desenvolvimento de seu
relato/reflexão, o qual, por sua vez, deverá estar organizado em temas/títulos/subtítulos,
que correspondam aos conteúdos escolhidos pelo autor do relato. No final do trabalho deve-
rão constar as reflexões.
A introdução deve explicitar a estrutura do memorial e o processo vivenciado pelo
autor durante a sua produção. Apesar de vir logo no início do texto, geralmente a é a última
parte do memorial a ser escrita, por ter como objetivo explicitar a organização de todo o
trabalho.
Apresentamos um roteiro de questões que podem auxiliá-lo(a) na elaboração do
memorial. Você pode se basear neste roteiro ou acrescentar e alterar questões. 
a) De onde você vem?
b) Quem é você? Reflexão crítica sobre como você vê sua atuação comunitária, social, aca-
dêmica e na organização/entidade em sua territorialidade.
c) Qual é a estrutura física/material para a realização de sua formação?
\u2022 Indique se o espaço físico disponível lhe garante as condições para o desenvolvimento
do seu trabalho, detalhando possibilidades e limites da estrutura existente para a sua
realização.
\u2022 Analise suas condições pessoais para a realização do trabalho: tempo, conciliação en-
tre vida pessoal/trabalho social/formação profissional, remuneração.
d) Por que você está envolvido/buscando na formação superior?
EaD
101
PESQUISA EM A DMINI ST RAÇ ÃO
O memorial não é um questionário de perguntas e respostas, ou seja, você selecionará
aquilo que considerar relevante para refletir criticamente sobre sua formação e/ou atuação.
Segundo, podem existir diversos outros aspectos que não foram mencionados anteriormen-
te e que necessariamente devem ser levados em conta. Então, lembre-se que as sugestões
não são uma \u201ccamisa-de-força\u201d, mas apenas exemplos de questões para o levantamento de
elementos para seu memorial.
A incorporação das contribuições dos diversos conteúdos teóricos desenvolvidos no
curso permitirá ao(à) aluno(a) encontrar elementos para situar problemas, contradições e
potencialidades em sua prática social e empresarial, desenvolvendo, assim, uma análise
crítica e globalizante de sua própria experiência.
Da mesma forma, esperamos que o processo de formação se constitua em estímulo
para que o(a) aluno(a) compartilhe/socialize suas reflexões/problematizações desenvolvidas
no transcorrer do curso com a comunidade/grupo social, organização ou empreendimento
com o(a) qual está comprometido(a). Esta ser ia uma forma de fazer com que sua comunida-
de participe ativamente de seu processo de produção de conhecimento.
A estrutura do memorial é semelhante aos demais trabalhos acadêmicos contemplan-
do os elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais com respectivas componentes.
Severino (2000, p.176), assim se refere à estrutura do memorial:
Enquanto texto narrativo e interpretativo recomenda-se que o memorial inclua em sua estrutura
redacional subdivisões com tópicos/títulos que destaquem os momentos mais signif icativos. No
mínimo, aqueles mais gerais, como os momentos de formação, da atuação profis sional, da pro-
dução científica, etc.
Melhor ficaria, no entanto, se esta divisão já traduzisse uma significação temática que realçasse
a especificidade daquele momento.
\u2022 Uma primeira parte, introdutória, em que você se apresenta (de onde vem, qual sua área
de atuação, sua entidade/organização, sua intenção no curso). Lembre-se: a intenção é
que você reflita sobre o passado para explicar ou problematizar seu presente.
EaD Eni se Bart h Teixeira \u2013 Luci ano Z amb er la n \u2013 Pedro C ar los Rasia
102
\u2022 Numa segunda parte, descreva as ações sociais e organizacionais/empresariais em que
está envolvido: programas, atividades, objetivos, lutas, conquistas.
\u2022 A terceira parte apresenta e analisa o percurso acadêmico com as oportunidades, limites, possibi-
lidades e auto-avaliação. Destacamos que o eixo central do memorial deve referir-se ao processo
da sua reflexão sobre o que você aprendeu e as experiências que vivenciou durante o curso, que
contribuíram de forma significativa para operar mudanças em você e em sua prática.
\u2022 Quarta parte, problematize essa sua trajetória, destacando obstáculos, dúvidas, temas a
serem aprofundados, dilemas pessoais e coletivos. O memorial também tem a função de
promover e praticar a auto-avaliação. Nesse caso, você pode registrar nele:
\u2022 como está o seu desempenho;
\u2022 que fatos indicam mudanças na sua trajetória acadêmica;
\u2022 como você está aproveitando as atividades de aprendizagem e de avaliação;
\u2022 quais as suas maiores dificuldades no curso;
\u2022 o que você está fazendo para superar suas dificuldades;
\u2022 que transformações ocorreram nas