Pesquisa em administração
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em sociedade e da própria humanidade, das formas
de concepção da realidade e de entendimento na busca da verdade.
Estudiosos como Trujillo Ferrari (1974, p. 11), Lakatos e Marconi (1991, p. 15), Olivei-
ra (1997, p. 70-74), Fachin (2001, p. 5) e Cervo e Bervian (2002, p. 8) apresentam, respecti-
vamente, os seguintes tipos, formas, graus ou níveis de conhecimento: popular, religioso ou
teológico, filosófico e científico.
No Quadro 1, a seguir, são apresentadas de forma sistematizada características dos
tipos de conhecimento.
 CONHECER 
CONHECIMENTO 
RELAÇÃO DETERMINADA 
SUJEITO OBJETO 
EaD Eni se Bart h Teixeira \u2013 Luci ano Z amb er la n \u2013 Pedro C ar los Rasia
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Quadro 1: T ipos de conhecimento e características
Fonte: Trujillo (1974 apud Lakatos; Marconi, 1991, p. 15).
Os tipos de conhecimento, na visão de D\u2019Onófrio (2000, p. 25), podem assumir a seguinte
classificação: genérico, empírico, técnico, mítico, filosófico, científico e artístico. Para cada co-
nhecimento é indicado o principal meio empregado para sua obtenção. Veja o Quadro 2.
Quadro 2: T ipos de conhecimento e meios ut ilizados para sua obtenção
Fonte: D\u2019Onófrio (2000, p. 25).
Com a emergência da sociedade do conhecimento, estudiosos de gestão do conheci-
mento Nonaka e Takeuchi (1997) discutem sobre a criação do conhecimento no âmbito
organizacional, classificando-o em tácito e explícito. Na visão destes autores, os gestores
das organizações precisam levar em conta a importância do conhecimento tácito \u2013 aquilo
que sabemos implicitamente, por dentro, e como ele difere do conhecimento explícito \u2013 aqui-
lo que sabemos formalmente.
Conhecimento 
Popular/Empírico 
Conhecimento 
Religioso/Teológico 
Conhecimento 
Filosófico 
Conhecimento 
Científico 
Valorativo 
Reflexivo 
Assistemático 
Verificável 
Falível 
Inexato 
Valorativo 
Inspiracional 
Sistemático 
Não verificável 
Infalível 
Exato 
Valorativo 
Racional 
Sistemático 
Não verificável 
Infalível 
Exato 
Real (factual) 
Contingente 
Sistemático 
Verificável 
Falível 
Aproximadamente exato 
 
TIPO DE CONHECIMENTO MEIO EMPREGADO 
Genérico Reflexão 
Empírico Experiência 
Técnico Aprendizagem 
Mítico Crença 
Filosófico Razão 
Científico Experimentação 
Artístico Fantasia 
 
EaD
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PESQUISA EM A DMINI ST RAÇ ÃO
O conhecimento tácito é pessoal, específico do contexto e, portanto, difícil de formalizar e comu-
nicar. O conhecimento explícito ou \u201ccodificado\u201d, por outro lado, refere-se ao conhecimento que
é transmissível em linguagem formal e sistemática (Nonaka; Takeuchi, 1997, p. 59).
Convidamos você a buscar mais informações relativas a estas e outras
formas de conhecer, ampliando assim sua compreensão sobre o mundo.
Vale destacar que estas formas de saber estão sujeitas a mudanças e questionamentos
a partir de novas visões de mundo. Cada uma tem suas peculiaridades e importância. É
necessário observar que as formas não são excludentes, mas sim, em muitos casos, interativas.
A área da Administração é um exemplo de interdisciplinaridade.
Outro debate que perpassa o saber da Administração refere-se ao seu enquadramento
como:
Os componentes curriculares referentes às Teorias Organizacionais contribuem signi-
ficativamente para este debate, tendo em vista que as práticas de gestão no atual cenário
socioorganizacional precisam estar fundamentadas no pensamento administrativo. A rela-
ção teoria e prática é, portanto, constante na geração e disseminação do conhecimento
organizacional.
Oliveira (1997, p. 51) observa que muitos pensadores e estudiosos do assunto têm
buscado classificar a ciência e reconhecem que ainda não existe uma linguagem única. No
Quadro 3 você pode visualizar as classificações das ciências:
 
Ciência
 Técnica 
Arte 
EaD Eni se Bart h Teixeira \u2013 Luci ano Z amb er la n \u2013 Pedro C ar los Rasia
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Quadro 3: Classificação das Ciências
Fonte: Adaptado de Oliveira (1997, p. 51).
O atual panorama da pesquisa em Ciências Sociais, especialmente nas últimas duas
décadas, segundo Alves-Mazzotti e Gewandsznajder (1998, p. 144), tem se caracterizado
por uma busca de novos caminhos, o que tem resultado em uma multiplicidade de pressu-
postos e lógicas de investigação, procedimentos e técnicas.
Pelo enfoque do conteúdo deste componente curricular, neste material, vamos nos
deter mais especificamente ao conhecimento científico, nas Ciências Sociais Aplicadas, nas
quais se enquadra o estudo das organizações sociais e a Administração/Gestão.
Seção 1.2
Conhecimento e Método Científico
A ciência tem sido bastante reconhecida e aplicada
pela sua preocupação em buscar conhecimento e explica-
ções sobre causas de fenômenos da realidade, de forma
sistemática.
Filosofia/Lógica 
Exatas Matemática, ... 
 
FORMAIS 
(Puras) Tecnológica Computação, ... 
Naturais Biologia, Física, Química, ... 
Humanas Educação, Sociologia, Psicologia, 
Filosofia, ... 
 
 
 
CIÊNCIAS 
 
FACTUAIS 
(Aplicadas) 
Sociais 
Aplicadas 
Administração, Comunicação Social, 
Ciências Contábeis, Economia e Direito. 
 
 
No mundo acadêmico, 
fazer ciência é 
importante para todos, 
porque é por meio dela 
que se descobre e se 
inventa 
(Oliveira, 1997, p. 47). 
EaD
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PESQUISA EM A DMINI ST RAÇ ÃO
A ciência é \u201cum processo permanente de busca da verdade, de sinalização sistemática
de erros e correções, predominantemente racional\u201d (Vergara, 1998, p. 11). É ainda \u201ca
efervescência de reflexões, discussões, contradições, sistematizações e resistematizações que
lhe dão vitalidade\u201d (p. 11).
O conhecimento científico resulta de um processo de construção coletiva e
cada vez mais requer uma pesquisa metodológica, sistemática do contexto factual
que procura analisar, a fim de descobrir causas e relações.
O surgimento, a evolução e o reconhecimento da ciência estiveram sempre muito liga-
dos aos métodos, tanto que \u201cnão há ciência sem o emprego de métodos científicos\u201d (Lakatos;
Marconi, 1991, p. 39).
A escolha do caminho para a obtenção do resultado que se busca como solução de um
problema ou novas descobertas necessita da adoção de procedimentos e meios adequados
(métodos, estratégias e técnicas).
O método, como bem expressa Oliveira (1997, p. 59), leva-nos a examinar de uma
maneira mais ordenada as questões: Por que ocorre? Como ocorre? Onde ocorre? Quando
ocorre? O que ocorre?
Por sua vez, Cervo e Bervian (2002, p. 27) entendem que existe um método fundamen-
talmente idêntico para todas as ciências, que compreende um certo número de procedimen-
tos ou operações científicas levadas a efeito em qualquer tipo de pesquisa. Estes procedi-
mentos podem ser assim resumidos:
a) formular questões ou propor problemas e levantar hipóteses;
b) efetuar observações e medidas;
c) registrar tão cuidadosamente quanto possível os dados observados com o intuito de
responder às perguntas formuladas ou comprovar a hipótese levantada;
EaD Eni se Bart h Teixeira \u2013 Luci ano Z amb er la n \u2013 Pedro C ar los Rasia
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d) elaborar explicações ou rever conclusões, idéias ou opiniões que estejam em desa-
cordo com as observações ou com as respostas resultantes;
e) generalizar, isto é, estender as conclusões obtidas a todos os casos que envolvem
condições similares; a generalização é tarefa do processo chamado indução;
f) prever ou predizer, isto é, antecipar que, dadas certas condições, é de se esperar que
surjam determinadas relações.
O método, contudo, pode e deve ser adaptado às diversas ciências, à medida que a
investigação de seu objeto o impõe, ao pesquisador cabe lançar mão de técnicas
especializadas.
De acordo com o propósito ou com a natureza específica de cada problema a ser inves-
tigado é necessário estabelecer a escolha dos métodos apropriados para alcançar o objetivo
que se pretende (Fachin, 2001; Roesch, 1996). Esta escolha está sempre muito ligada à for-
ma como se explora a natureza do objeto a que se aplica e ao objetivo que se tem em vista
com a investigação.
O método científico