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oposta à da manobra convencional de Woods. 
4. Remoção do braço posterior “Jacquemier”: esta 
manobra consiste na introdução da mão do obstetra 
profundamente na vagina e retirada do braço fetal posterior, 
diminuindo o diâmetro impactado. 
 
 
 
5. Manobra de Gaskin: posicionar a paciente de 
joelhos, com as mãos apoiadas (posição de quatro) 
e tentar realizar o desprendimento dos ombros na 
ordem inversa; iniciando-se pelo ombro posterior, 
que agora está posicionado anteriormente e, a 
seguir, o anterior, agora posicionado 
posteriormente. Neste momento, as manobras de 
rotação também podem ser realizadas. Em caso de 
insucesso, outra possibilidade consiste na 
manobra de Zavanelli, na qual se propõe a 
reintrodução da cabeça fetal na vagina, seguindo 
inversamente os movimentos fetais já realizados 
(rotação para OP, flexão e reintrodução da cabeça 
na vagina) e término do parto por cesariana de 
emergência. 
COMPLICAÇÕES NEONATAIS: 
- Síndrome da Angústia Respiratória: Os altos níveis de 
insulina fetal retardam e alteram o mecanismo fisiológico 
de amadurecimento pulmonar, interferindo no 
metabolismo dos fosfolipídios, com redução da produção de surfactante pulmonar. Este fato acarreta uma 
frequência cerca de seis vezes maior da síndrome da angústia respiratória entre os recém-nascidos. Segundo 
algumas referências, vários relatos recentes desafiaram o conceito de alteração da função pulmonar fetal pelo 
diabetes. 
- Hipoglicemia neonatal: A hiperinsulinemia fetal também é responsável pela hipoglicemia neonatal. O 
nascimento do feto resulta na interrupção do aporte materno excessivo de glicose após o clampeamento do 
cordão umbilical. A glicemia torna-se, então, desproporcional aos níveis de insulina, e a hipoglicemia se 
instala. Esta é considerada a complicação metabólica fetal mais comum do diabetes materno. 
- Hipocalcemia: Provavelmente, associa-se à prematuridade. No entanto, sua causa é desconhecida. 
- Hiperbilirrubinemia: Parece advir da policitemia e de uma imaturidade do sistema enzimático que conjuga 
a bilirrubina. 
- Policitemia: Possivelmente decorre de uma hipoxemia placentária e de um aumento das necessidades de 
oxigênio induzida pela hiperglicemia. 
- Risco de diabetes na vida futura: Ocorrência do diabetes tipo 2 em até 1/3 dos filhos de diabéticas até 17 
anos de idade. 
 RASTREIO E DIAGNÓSTICO: 
Uma mulher que apresenta uma glicemia superior a 200 mg/dl, obtida aleatoriamente, associada a sintomas 
clássicos como polidipsia, poliúria e emagrecimento, deve ser considerada diabética. A hiperglicemia 
identificada no 1º trimestre geralmente denota doença prévia à gravidez. No entanto, dependendo do 
protocolo utilizado, ele ainda pode ser classificado como diabetes gestacional. 
O rastreamento do diabetes gestacional começa com a glicemia de jejum para todas as pacientes, 
independentemente de fatores de risco, na primeira consulta. Aqui entra uma segunda novidade do protocolo 
do IADPSG, que foi seguida pela OMS: a paciente que apresenta glicemia de jejum na primeira consulta ≥ 92 
mg/dl (confirmada em segundo exame), mas < 126 mg/dl, já possui o diagnóstico de diabetes gestacional, 
sem precisar do TOTG! Vale ressaltar que o Ministério da Saúde (2017) não menciona a necessidade de 
confirmação do resultado em um segundo exame. A justificativa para este diagnóstico com um valor 
anteriormente considerado baixo de glicemia é o aumento de eventos gestacionais adversos demonstrado 
pelo estudo HAPO a partir deste ponto de corte. 
O protocolo atual do Ministério da Saúde (2017) apresenta pequenas variações em relação aos anteriormente 
publicados. Primeiramente, ele já recomenda o TOTG 75 g entre 24 e 28 semanas, como primeiro exame, caso 
a paciente inicie o pré-natal entre 20 e 28 semanas, ou imediatamente, caso o início do pré-natal seja após 28 
semanas. Além disso, se a glicemia de jejum for > 126 mg/dl ou do TOTG 75 g após a segunda hora > 200 mg/dl 
ou maior, o diagnóstico será de DM prévio em qualquer momento da gestação e não apenas no primeiro 
trimestre. 
Outro ponto importante é a criação de um modelo para locais com viabilidade financeira e/ou disponibilidade 
técnica parcial. Neste contexto, apenas a glicemia de jejum é utilizada, tanto na primeira consulta quanto 
entre 24 e 28 semanas. Assim, espera-se detectar 86% dos casos de DG. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Vale ressaltar que há possibilidade do diabetes não desaparecer com o término da gravidez. Por esse motivo, 
o TOTG 75 g deve ser repetido após seis semanas do parto. Além disso, estas pacientes possuem uma chance 
de 50 a 60% de se tornarem diabéticas em dez anos. É recomendável o estímulo a atitudes preventivas, como 
medidas higienodietéticas (dieta, exercícios físicos regulares). 
 CONDUTA TERAPÊUTICA: 
- Controle periconcepcional: As mulheres diabéticas que desejem engravidar devem apresentar controle 
glicêmico adequado no período periconcepcional para reduzir o risco de abortamentos e malformações. A 
hemoglobina glicosilada reflete o grau de controle glicêmico das últimas quatro a seis semanas e pode ser 
muito útil nesse período. Valores acima de 7% no 1º trimestre estão relacionados a um risco significativo de 
malformações fetais. 
-Dieta: A dieta, isoladamente, pode ser suficiente para controlar a glicemia das pacientes diagnosticadas na 
gestação e sempre faz parte do manejo de qualquer paciente diabética, mesmo na ausência de gravidez. 
- Atividade física: A atividade física regular também é recomendada. Recomenda-se um programa de exercícios 
de intensidade moderada durante 20 a 30 minutos por dia, na maioria ou em todos os dias da semana. 
- Monitoração Glicêmica: As metas para o controle glicêmico na gestação são as seguintes: Jejum: < 95 mg/dl; 
Uma hora pós-prandial: < 140 mg/dl; Duas horas pós-prandial: < 120 mg/dl. 
- Hipoglicemiantes orais: NÃO UTILIZAR DURANTE GESTAÇÃO! O Ministério da Saúde considera o uso apenas 
da metformina como monoterapia quando há inviabilidade de adesão ou acesso à insulina ou como 
adjuvante em pacientes com hiperglicemia grave que necessitam de altas doses de insulina (> 100 UI). 
- Insulinoterapia: A insulina deve ser administrada nas seguintes situações: Todas as pacientes que já faziam 
uso antes da gravidez; Diabéticas tipo 2 em substituição aos hipoglicemiantes usados previamente à 
gestação; e Diabéticas gestacionais que não obtêm controle satisfatório com a dieta e os exercícios físicos. 
OBS: O diabetes gestacional não é indicação para cesariana e a via do parto deve seguir indicações 
obstétricas. A cesariana só deve ser indicada de forma eletiva se a estimativa de peso à USG for de mais de 
4.000-4.500 g. Apesar de ser anteriormente uma indicação de cesariana, os livros atuais não recomendam a 
sua realização nos casos de retinopatia diabética. 
5. Elucidar o processo de puerpério fisiológico (patológico só citar). 
Puerpério ou sobreparto ou pós-parto é um período cronologicamente variável segundo a literatura. As 
referências bibliográficas não chegaram a um consenso em relação à definição do puerpério. É o período de 
tempo de seis a oito semanas que se inicia após o parto (vaginal ou cesariana), com a expulsão da placenta. 
É uma fase ativa na qual acontecem fenômenos de natureza hormonal, psíquica e metabólica, marcada pelo 
retorno dos órgãos reprodutivos e pela readaptação do organismo feminino (alterado pela gestação e pelo 
parto) à situação pré-gravídica. 
 FASES DO PUERPÉRIO: 
Didaticamente, o puerpério é dividido em três fases ou períodos. A maioria dos livros didáticos apresenta: 
Puerpério imediato: 1º ao 10º dia; Puerpério tardio: 10º ao 45º dia; Puerpério remoto: além do 45º dia. 
 RELEVÂNCIA CLÍNICA: 
Didaticamente, o estudo do puerpério será dividido em três etapas: Modificações involutivas e fisiológicas; 
Manifestações clínicas; Assistência pós-natal.