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Direito do Consumidor I

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Gabriele Fernandes Vellozo Dias | 15 997582255 | gabrielefvdias@gmail.com | CPF: 396.095.808-07
 
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Gabriele Fernandes Vellozo Dias | 15 997582255 | gabrielefvdias@gmail.com | CPF: 396.095.808-07
 
 
 
 
1. DOUTRINA (RESUMO) 
1.1. O CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR 
1.1.1. A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 E A PROTEÇÃO À FIGURA DO CONSUMIDOR 
 
A Constituição Federal de 1988 inaugurou um marco diferenciado de proteção à figura do consumidor, mediante três previsões distintas, duas no corpo da CF/88 e outra no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias: 
 
a) Direito fundamental – art. 5º, XXXII (“o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor”); 
b) Princípio da atividade econômica – art. 170, V (“defesa do consumidor”); 
c) Previsão constitucional para elaboração do CDC - ADCT, art. 48 (“o Congresso Nacional, dentro de cento e vinte dias da promulgação da Constituição, elaborará código de defesa do consumidor”). 
 
A defesa do consumidor é tratada na CF/88 tanto como direito fundamental quanto como princípio da ordem econômica. 	 
Como direito fundamental, o direito do consumidor possui eficácia vertical e horizontal, bem como aplicação direta e imediata (o STF já chancelou a tese da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas, também denominada eficácia horizontal dos direitos fundamentais – RE 201.819, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 11/10/2005). 
Enquanto princípio da ordem econômica, a defesa do consumidor é um 
princípio de ação política, a legitimar a adoção de medidas de intervenção estatal necessárias a assegurar a proteção prevista (dirigismo contratual). 
Ao lado das previsões explícitas acima citadas, existem várias outras normas constitucionais que se aplicam às relações de consumo, como: a dignidade da pessoa humana, na qualidade de fundamento da República (CF/88, art. 1o, III); a igualdade substancial e a solidariedade como objetivos fundamentais da República (CF/88, art. 3o, 
I e III) etc. 
 
OBSERVAÇÃO: A proteção ao consumidor é classificada como direito fundamental de 3a geração ou dimensão, pois decorre do princípio da fraternidade (pacificação social). 
 
1.1.2. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL PARA LEGISLAR SOBRE DIREITO DO CONSUMIDOR 
 
A Constituição Federal de 1988 estabelece a competência legislativa concorrente para legislar sobre produção e consumo e acerca da responsabilidade por dano ao consumidor (art. 24, V e VIII), reservando-se à União a competência para a fixação das normas gerais e deixando-se aos Estados-membros e ao Distrito Federal a competência suplementar, para adequar a legislação federal às peculiaridades locais (vide par. 1o). 
 
OBSERVAÇÃO: Não confundir a competência legislativa concorrente acima com a competência privativa da União para legislar sobre propaganda comercial (art. 22, XXIX). 
 
O STF tem reconhecido a competência dos municípios para legislarem sobre matéria de defesa dos direitos dos consumidores, desde que o assunto seja de interesse local (CF, art. 30, I). 
STF: tem precedente no sentido de que o atendimento ao público e o tempo máximo de espera na fila de instituição bancária é matéria de interesse local e de proteção ao consumidor (de competência legislativa do Município). RE 432.789/SC, Rel. Min. Eros Grau, Primeira Turma, DJ 07/10/2005. 
	
STJ: Considerou inconstitucionais quatro leis do Estado do Rio de Janeiro que disciplinam condições de prestação de serviço bancário dentro do espaço físico das agências (ex.: instalação de banheiros e bebedouros), por entender se tratar de assunto de interesse local e, portanto, de competência do Município, e não do Estado. AI no RMS 28.910/RJ, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Corte Especial, DJe 08/05/2012. 
	 
 
ATENÇÃO! Súmula Vinculante 38 do STF - É competente o MUNICÍPIO para fixar o HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO DE ESTABELECIMENTO COMERCIAL. 
NÃO CONFUNDIR: Súmula 19 do STJ - A fixação do HORÁRIO BANCÁRIO, para atendimento ao público, é da competência da UNIÃO. 
 
1.1.3. NORMAS DE ORDEM PÚBLICA E INTERESSE SOCIAL 
 
O art. 1o do CDC estabelece que suas normas são de ordem pública e interesse social. Significa, pois, que se tratam de normas cogentes, que devem prevalecer sobre alguns aspectos da vontade das partes. O STJ, em diversos julgados, chancela essa natureza. Observe-se a ementa abaixo e os fundamentos apresentados: 
 
As normas de proteção e defesa do consumidor têm índole de ‘ordem pública e interesse social’. São, portanto, indisponíveis e inafastáveis, pois resguardam valores básicos e fundamentais da ordem jurídica do Estado Social, daí a impossibilidade de o consumidor delas abrir mão ex ante e no atacado. 
(STJ, REsp 586316/MG, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 19/03/2009). 
 
A natureza das normas consumeristas gera duas consequências principais: 
 
a) Inadmissibilidade de renúncia a direitos e garantias contidos no CDC. 
b) Possibilidade de o magistrado apreciar matérias de ofício nas relações de consumo. 
 
Eventuais contratos, cláusulas ou ajustes que prevejam que o consumidor abra mão de algum direito (por exemplo, da garantia legal, do prazo prescricional etc.) devem ser tidos como não-escritos. Aliás, é uma das hipóteses expressamente elencadas como cláusulas abusivas (nulas de pleno direito) as que impliquem renúncia ou disposição de direitos (conforme art. 51, I, do CDC). 
A possibilidade de reconhecimento ex officio de determinados direitos consumeristas (por exemplo, a inversão do ônus da prova, a desconsideração da personalidade jurídica, a declaração de nulidade de cláusula abusiva) encontra uma exceção importante, criada pela jurisprudência. 	
ATENÇÃO! STJ: Não admite a declaração de ofício das cláusulas abusivas em contratos bancários. 
Súmula 381. Nos contratos bancários, é vedado ao julgador conhecer, de ofício, da abusividade das cláusulas. 
Importante ter cuidado com o fato de que a vedação prevista na súmula é limitada às cláusulas abusivas insertas em contratos bancários. Para outros contratos, é permitida a sua declaração de ofício, tal qual se extrai do teor do caput do art. 51 do CDC. 
Em que pese as duras críticas doutrinárias ao enunciado acima, o STJ continua a aplicar a referida súmula em julgados recentes (ex vi AgRg no REsp 1403056/RS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, T4, DJe 07/03/2016). 
Desse modo, para provas de concurso público, a Súmula 381 deve ser conhecida e tida como válida. Em provas discursivas, após indicar o posicionamento do STJ, inclusive com a citação da Súmula, o candidato pode fazer uma reflexão crítica, apontando o posicionamento da doutrina. 
 
OBSERVAÇÃO: Norma de ordem pública não é sinônimo de norma de direito público. 
Trata-se de uma “pegadinha” que já foi objeto de questionamento em prova objetiva. 
O CDC não é formado essencialmente de normas de direito público. Contém normas de direito privado e algumas normas de direito público (como os tipos penais, por exemplo). 
 
1.1.4. MICROSSISTEMA JURÍDICO 
 
O CDC representa um microssistema jurídico porque possui normas que regulamentam a proteção do consumidor sob todos os aspectos, de caráter interdisciplinar (normas de natureza civil, administrativa, penal, processual civil etc.) e coordenadas entre si. Registre-se, porém, que não se trata de sistema isolado em si, mas integrado ao todo normativo cujo ápice se encontra na Constituição Federal. 
 
1.1.5. APLICAÇÃO DO CDC AOS CONTRATOS ANTERIORES À SUA VIGÊNCIA 
 
Questionamento importante é sobre a aplicabilidade do CDC aos contratos de consumo firmados antes da sua vigência. Em outros termos, o CDC é aplicável aos contratos anteriores? 
Via de regra, não. Essa é a posição do STF e do STJ, por entender que fere, sem dúvida alguma, o ato jurídico perfeito, porquanto a modificação dos efeitos futuros de ato jurídico perfeito caracteriza a hipótese de retroatividade mínima que também é alcançada pelo disposto no art. 5o, XXXVI, da Carta Magna (STF, RE 205999-4/SP, Rel. Min. Moreira Alves, DJ

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