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Código Florestal - doutrina

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Gabriele Fernandes Vellozo Dias | 15 997582255 | gabrielefvdias@gmail.com | CPF: 396.095.808-07 
1.1. CÓDIGO FLORESTAL 
1.1.1. DISPOSIÇÕES GERAIS 
 
O Código Florestal de 2012 é norma geral voltada à proteção e ao uso sustentável das florestas e das demais formas de vegetação nativa e, como tal, padroniza conceitos, princípios e procedimentos que devem ser observados e especificados pelos demais entes federativos no exercício de suas competências ambientais. 
Princípios do Código Florestal - O art. 1º, parágrafo único, da lei determina que esta tem como objetivo o DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, bem como que atenderá aos seguintes princípios: 
 
I - afirmação do compromisso soberano do Brasil com a preservação das suas florestas e demais formas de vegetação nativa, bem como da biodiversidade, do solo, dos recursos hídricos e da integridade do sistema climático, para o bem estar das gerações presentes e futuras; 
	II - reafirmação da importância da função estratégica da atividade agropecuária e do papel das florestas e demais formas de vegetação nativa na sustentabilidade, no crescimento econômico, na melhoria da qualidade de vida da população brasileira e na presença do País nos mercados nacional e internacional de alimentos e bioenergia; 
	
1. - ação governamental de proteção e uso sustentável de florestas, consagrando o compromisso do País com a compatibilização e harmonização entre o uso produtivo da terra e a preservação da água, do solo e da vegetação; 
1. - responsabilidade comum da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, em colaboração com a sociedade civil, na criação de políticas para a preservação e restauração da vegetação nativa e de suas funções ecológicas e sociais nas áreas urbanas e rurais; 
1. - fomento à pesquisa científica e tecnológica na busca da inovação para o uso sustentável do solo e da água, a recuperação e a preservação das florestas e demais formas de vegetação nativa; 
1. - criação e mobilização de incentivos econômicos para fomentar a preservação e a recuperação da vegetação nativa e para promover o desenvolvimento de atividades produtivas sustentáveis. 
 
Bens de Interesse Comum - O código determina que as florestas e as demais formas de vegetação nativa são BENS DE INTERESSE COMUM a todos os habitantes, exercendo-se os direitos de propriedade com as limitações que a legislação estabelece 
(art. 2º). 
O Código Florestal impõe limitações ao exercício do direito de propriedade por meio da previsão da instituição de Áreas de Preservação Permanente (APP) ou de Áreas de Reserva Legal, que deverão ser protegidas em razão da relevância ambiental da vegetação nelas situada. Tais limitações estão fundamentadas no princípio constitucional da função socioambiental da propriedade. 
Definições Importantes Previstas no Código Florestal - art. 3º - Para os efeitos desta Lei, entende-se por (separamos as mais importantes): 
1. - Amazônia Legal: os Estados do Acre, Pará, Amazonas, Roraima, Rondônia, Amapá e Mato Grosso e as regiões situadas ao norte do paralelo 13º S, dos Estados de Tocantins e Goiás, e ao oeste do meridiano de 44º W, do Estado do Maranhão; 
Esta definição é importante para a aferição da área de reserva legal dos imóveis 
rurais. 
1. - Área de Preservação Permanente - APP: área protegida, COBERTA OU NÃO POR VEGETAÇÃO NATIVA, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas; 
	São áreas destinadas exclusivamente à proteção de suas funções ecológicas e, 
como regra geral, são caracterizadas pela intocabilidade e vedação de uso econômico direto. Constituem uma limitação restritiva calcada no princípio constitucional da função socioambiental da propriedade, inserindo-se no status de espaço territorial especialmente protegido, previsto no art. 225, §1º, III, da CF. 
	 
 
ATENÇÃO! Definição recorrente em provas de primeira fase. 
 
1. - RESERVA LEGAL: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, delimitada nos termos do art. 12, com a função de assegurar o uso econômico de modo sustentável dos recursos naturais do imóvel rural, auxiliar a conservação e a reabilitação dos processos ecológicos e promover a conservação da biodiversidade, bem como o abrigo e a proteção de fauna silvestre e da flora nativa; 
Dessa forma, tais áreas correspondem a um percentual mínimo em relação à totalidade da propriedade ou posse rural, fixado por lei, que deve permanecer com cobertura de vegetação nativa. Também deve ser caracterizada como uma limitação ao direito de propriedade, calcada na função socioambiental da propriedade. 
Diferente da APP, na reserva legal é permitido o manejo sustentável, ou seja, a utilização da área sem descaracterizar ecologicamente os recursos florestais e os ecossistemas. 
 
ATENÇÃO! Definição recorrente em provas de primeira fase. 
(...) 
1. - PEQUENA PROPRIEDADE OU POSSE RURAL FAMILIAR: aquela explorada mediante o trabalho pessoal do AGRICULTOR FAMILIAR E EMPREENDEDOR FAMILIAR RURAL, incluindo os assentamentos e projetos de reforma agrária; 
É agricultor familiar e empreendedor rural aquele que pratica atividades no 
meio rural, atendendo simultaneamente os seguintes requisitos: 
 
0. - não detenha, a qualquer título, área maior do que 4 (quatro) módulos fiscais; 
0. - utilize predominantemente mão-de-obra da própria família nas atividades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento; 
0. - tenha percentual mínimo da renda familiar originada de atividades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento; e 
0. - dirija seu estabelecimento ou empreendimento com sua família. 
 
	Ressalta-se que, segundo o Código Florestal (art. 3º, parágrafo único), 
estende-se o tratamento dispensado a pequena propriedade ou posse rural familiar às propriedades e posses rurais com até 4 (quatro) módulos fiscais que desenvolvam atividades agrossilvipastoris, bem como às terras indígenas demarcadas (expressão declarada inconstitucional) e às demais áreas tituladas (expressão declarada inconstitucional) de povos e comunidades tradicionais que façam uso coletivo do seu 
	
território. (Vide ADC Nº 42) (Vide ADIN Nº 4.903) 
Entretanto, o STF declarou a inconstitucionalidade das expressões 
“demarcadas” e “tituladas”, de forma que tais terras e áreas poderão receber o tratamento diferenciado, mesmo sem demarcação e titulação. Para a Corte, a titulação/demarcação do território das comunidades tradicionais e dos povos indígenas REPRESENTA, APENAS, UMA FORMALIDADE DE CARÁTER DECLARATÓRIO. Dessa forma, mesmo sem demarcação ou titulação, tais territórios já existem e devem receber tratamento diferenciado independentemente das formalidades. Ante o exposto, tal exclusão ocorreu para beneficiar os povos indígenas e as comunidades tradicionais. 
1. - USO ALTERNATIVO DO SOLO: substituição de vegetação nativa e formações sucessoras por outras coberturas do solo, como atividades agropecuárias, industriais, de geração e transmissão de energia, de mineração e de transporte, assentamentos urbanos ou outras formas de ocupação humana; 
1. - MANEJO SUSTENTÁVEL: administração da vegetação natural para a obtenção de benefícios econômicos, sociais e ambientais, respeitando-se os mecanismos de sustentação do ecossistema objeto do manejo e considerando-se, cumulativa ou alternativamente, a utilização de múltiplas espécies madeireiras ou não, de múltiplos produtos e subprodutos da flora, bem como a utilização de outros bens e serviços; 
1. - UTILIDADE PÚBLICA: 
 
0. as atividades de segurança nacional e proteção sanitária; 
0. as obras de infraestrutura destinadas às concessões e aos serviços públicos de transporte, sistema viário, inclusive aquele necessário aos parcelamentos de solo urbano aprovados pelos Municípios, saneamento, gestão de resíduos (expressão declarada inconstitucional), energia, telecomunicações, radiodifusão, instalações necessárias à realização de competições esportivas

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