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Aula - 01 Pacote Anticrime - Rogério Sanches

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anos, deveriam elas ser unificadas para atender ao 
limite máximo deste artigo.
Novo limite máximo de cumprimento de pena – A Lei 13.964/19 alterou o caput 
e o §1º do art. 75, ampliando o tempo máximo de cumprimento de pena, que 
agora não pode suplantar 40 anos. Por óbvio, a norma alterada é irretroativa, não 
alcançando os fatos pretéritos.
Um problema deve ser resolvido: imaginemos um condenado que cumpre penas 
por crimes cometidos antes da Lei 13.964/19 e também por crimes cometidos 
após. O teto temporal da execução será de 30 (antiga redação do art. 75 do CP) 
ou de 40 anos (nova redação do art. 75)? Será o teto anterior ou posterior ao 
pacote anticrime?
O teto deve corresponder à média simples, qual seja, 35 anos. Para tanto, o 
somatório das penas dos crimes cometidos após a Lei 13.964/19 deve alcançar, 
pelo menos, 5 anos. Caso contrário, prevalece o prazo anterior (30 anos).
50 anos, antes 
da Lei 13.964/19
3 anos por 
crimes 
cometidos após.
Exemplo: Fulano foi condenado ao cumprimento de 50 anos por crimes 
cometidos antes da Lei 13.964/19, e 3 anos por crimes cometidos após. O 
limite máximo de cumprimento de pena deve observar 30 anos. 
50 anos, antes 
da Lei 13.964/19
5 anos por 
crimes 
cometidos após.
Exemplo: Fulano foi condenado ao cumprimento de 50 anos por crimes 
cometidos antes da Lei 13.964/19, e 5 anos por crimes cometidos após a Lei 
13.964/19. O limite seria de 35 anos, média simples dos tetos antigo e novo.
“Art. 91-A. Na hipótese de condenação por infrações às quais a lei comine pena máxima 
superior a 6 (seis) anos de reclusão, poderá ser decretada a perda, como produto ou 
proveito do crime, dos bens correspondentes à diferença entre o valor do patrimônio do 
condenado e aquele que seja compatível com o seu rendimento lícito.
§ 1º Para efeito da perda prevista no caput deste artigo, entende-se por patrimônio do 
condenado todos os bens:
I - de sua titularidade, ou em relação aos quais ele tenha o domínio e o benefício direto ou 
indireto, na data da infração penal ou recebidos posteriormente; e
II - transferidos a terceiros a título gratuito ou mediante contraprestação irrisória, a partir 
do início da atividade criminal.
§ 2º O condenado poderá demonstrar a inexistência da incompatibilidade ou a 
procedência lícita do patrimônio.
Confisco alargado - A Lei 13.964/19 
(Pacote Anticrime) introduziu no 
Código Penal o art. 91-A, que 
disciplina o chamado confisco 
alargado (confisco ampliado ou 
perda alargada), efeito extrapenal 
da sentença penal condenatória que 
consiste na perda de bens 
equiparados ao produto ou proveito 
do crime.
A principal motivação deste tipo de medida é a despatrimonialização do 
criminoso de modo a incrementar um reproche econômico significativo aos 
tradicionais efeitos dissuasórios e retributivos da sanção penal, notadamente 
àquelas categorias delitivas altamente rentáveis. Trata-se de estratégia de 
enfrentamento à criminalidade que parte da ideia de que determinados crimes 
são permeados por um alto grau de escolha racional, em que o agente avalia e 
assume os riscos e benefícios decorrentes de sua prisão e do retorno 
proporcionado. O elevado saldo patrimonial nessa equação de custo-benefício 
serve de incentivo para o intento criminoso. A análise econômica do crime, 
dentre outras lições, indica que um sistema criminal eficaz deve impor riscos 
superiores às vantagens inerentes à prática do crime. 
O confisco alargado não é cabível em qualquer condenação. O dispositivo em
estudo elenca alguns pressupostos necessários que delimitam seu cabimento.
Importa desde já deixar assentado que esses pressupostos servem para
demonstrar que a legislação não cria uma presunção legal, mas tão somente
uma consequência anexa e direta do édito condenatório que, por opção político-
criminal, se alastra para outras esferas jurídicas e produz outros efeitos jurídicos
mandamentais previstos na norma.
Pressupostos - Os pressupostos da medida são os seguintes:
(A) condenação por crime com pena máxima superior a seis anos
(B) Incompatibilidade do patrimônio com a renda lícita do agente
Entende-se por patrimônio do condenado para os efeitos do confisco:
(1) os bens de sua titularidade, ou em relação aos quais ele tenha o domínio e o
benefício direto ou indireto, na data da infração penal ou recebidos
posteriormente;
(2) os bens transferidos a terceiros a título gratuito ou mediante contraprestação
irrisória, a partir do início da atividade criminal.
A perda prevista neste artigo deverá ser requerida expressamente pelo Ministério
Público, por ocasião do oferecimento da denúncia, com indicação da diferença
apurada.
Não é necessário que os dados constantes na denúncia sejam definitivos. É
possível a apresentação de uma espécie de cálculo simplificado, baseado nas
informações disponíveis até aquele momento, e, caso a instrução processual
revele novas provas que possam incrementar os valores apurados, estes é que
deverão ser considerados pelo juiz na sentença.
Na sentença em que decreta a perda, o juiz deve:
(a) declarar a diferença apurada entre o valor do patrimônio do condenado e
aquele compatível com o seu rendimento lícito e
(b) especificar os bens cuja perda está sendo decretada.
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Redação antes da Lei 13.964/19 Redação depois da Lei 13.964/19
Roubo
Art. 157
§ 2º A pena aumenta-se de 1/3 (um terço) até
metade:
(...)
§ 2º-A A pena aumenta-se de 2/3 (dois
terços):
I – se a violência ou ameaça é exercida com
emprego de arma de fogo;
(...)
§ 3º Se da violência resulta:
I – lesão corporal grave, a pena é de reclusão
de 7 (sete) a 18 (dezoito) anos, e multa;
II – morte, a pena é de reclusão de 20 (vinte) a
30 (trinta) anos, e multa.
Roubo
Art. 157
§ 2º A pena aumenta-se de 1/3 (um terço) até
metade:
(...)
VII - se a violência ou grave ameaça é exercida com
emprego de arma branca;
§ 2º-A A pena aumenta-se de 2/3 (dois terços):
I – se a violência ou ameaça é exercida com
emprego de arma de fogo;
(...)
§ 2º-B. Se a violência ou grave ameaça é exercida
com emprego de arma de fogo de uso restrito ou
proibido, aplica-se em dobro a pena prevista
no caput deste artigo.
§ 3º Se da violência resulta:
I – lesão corporal grave, a pena é de reclusão de 7
(sete) a 18 (dezoito) anos, e multa;
II – morte, a pena é de reclusão de 20 (vinte) a 30
(trinta) anos, e multa.
Arma branca Arma de fogo de uso 
permitido
Arma de fogo de uso restrito ou 
proibido
Aumento de 1/3 até 1/2 Aumento de 2/3 Aumento em dobro
Arma branca?
Fulano executa um crime de roubo com emprego de arma de fogo com 
numeração raspada. Responde pelo crime com a majorante do §2º.-A ou §2º.-B?
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Redação antes da Lei 13.964/19 Redação depois da Lei 13.964/19
Estelionato
Art. 171 - Obter, para si ou para outrem,
vantagem ilícita, em prejuízo alheio,
induzindo ou mantendo alguém em erro,
mediante artifício, ardil, ou qualquer outro
meio fraudulento:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e
multa, de quinhentos mil réis a dez contos
de réis.
Estelionato
Art. 171 - Obter, para si ou para outrem,
vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo
ou mantendo alguém em erro, mediante
artifício, ardil, ou qualquer outro meio
fraudulento:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa,
de quinhentos mil réis a dez contos de réis.
(...)
§ 5º Somente se procede mediante
representação, salvo se a vítima for:
I - a Administração Pública, direta ou indireta;
II - criança ou adolescente;
III - pessoa com deficiência mental; ou
IV - maior de 70 (setenta) anos de idade ou
incapaz.”
Ação penal – A Lei 13.964/19 (Pacote Anticrime) inseriu no art. 171 o § 5º, que
modifica a natureza da ação penal, antes pública incondicionada (com as
exceções do art. 182 do CP). Atualmente, a ação penal é pública condicionada à
representação, exceto se a vítima for:
I - a Administração Pública, direta ou indireta;
II - criança ou adolescente;
III - pessoa com deficiência mental; ou
IV - maior de 70 (setenta) anos de idade ou incapaz.
Aspecto processual 
(condição de 
procedibilidade)