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POLÍTICAS PÚBLICAS 
E SOCIAIS
Profa. Dra. NATALIA NAKANO
Reitor
Márcio Mesquita Serva
Vice-reitora
Profª. Regina Lúcia Ottaiano Losasso Serva
Pró-Reitor Acadêmico
Prof. José Roberto Marques de Castro
Pró-reitora de Pesquisa, Pós-graduação e Ação Comunitária
Profª. Drª. Fernanda Mesquita Serva
Pró-reitor Administrativo
Marco Antonio Teixeira
Direção do Núcleo de Educação a Distância
Paulo Pardo
Coordenadora Pedagógica do Curso
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Universidade de Marília 
Avenida Hygino Muzzy Filho, 1001 
CEP 17.525–902- Marília-SP
Imagens, ícones e capa: ©envato, ©pexels, ©pixabay, ©Twenty20 e ©wikimedia
G915b Sobrenome, Nome autor
Titulo Disciplina [livro eletrônico] / Nome completo autor. - 
Marília: Unimar, 2020.
PDF (XXX p.) : il. color.
ISBN XXX-XX-XXXXX-XX-X
1. palavra 2. palavra 3. palavra 4. palavra 5. palavra 6.
palavra 7. palavra 8. palavra I. Título.
CDD – 610.6952017
Introdução
Todos os dias ouvimos as palavras “política” e “políticas públicas” nos jornais, na
televisão e nas redes sociais. Muitas pessoas dizem que não gostam de “política”, que
não gostam de opinar ou de se envolver, mas não se dão conta de que a política e as
políticas públicas permeiam e impactam nossas relações cotidianas. E o que “política”
significa?
A palavra “política” tem origem na palavra grega politeía, e se referia aos assuntos
relacionados às cidades-estados denominadas Pólis e à sociedade grega. De acordo
com Schmitter (1965, citado por Rua), “Política é a resolução de conflitos ou um
conjunto de procedimentos formais e informais que expressam relações de poder e
que se destinam à resolução pacífica de conflitos quanto a bens públicos”.
Já a concepção de “pública” não significa apenas que elas são não privadas, não
particulares, mas o caráter de ser pública refere-se à sua obrigatoriedade para com os
cidadãos, ou seja, são decisões soberanas do poder público. Assim, por exemplo,
quando o governo federal decide aumentar ou diminuir o imposto sobre
determinado produto ou serviço, todos estão sujeitos a ele e devem cumprir o
estabelecido.
No Brasil, o Estado Democrático de Direito, pautado na Constituição Federal de 1988,
e as Políticas Públicas devem sempre objetivar o bem-estar do povo brasileiro e
respeitar a dignidade da pessoa humana. Portanto, as políticas públicas no Brasil
buscam resolver os conflitos de forma pacífica, ou seja, as demandas da sociedade
brasileira que, por sua vez, são apresentadas pelos atores sociais ou pelos próprios
agentes do sistema político.
Este livro tem como objetivo apresentar os temas da disciplina Políticas Públicas e
Sociais, porém, por ser assunto dinâmico, em constante movimento pelas demandas
da nossa sociedade, não pretendemos esgotar todos os temas.
É importante que você, aluno, tenha consciência da importância dos conhecimentos
que você vai adquirir neste curso para sua vida e para sua profissão, e como a
disciplina Políticas Públicas e Sociais será importante para que você melhor exerça
sua cidadania.
3
005 Aula 01:
016 Aula 02:
024 Aula 03:
035 Aula 04:
043 Aula 05:
051 Aula 06:
061 Aula 07:
067 Aula 08:
078 Aula 09:
089 Aula 10:
094 Aula 11:
102 Aula 12:
110 Aula 13:
119 Aula 14:
129 Aula 15:
141 Aula 16:
Introdução às Políticas Públicas 
Tipologia das Políticas Públicas 
O Ciclo das Políticas Públicas (Parte 1) 
O Ciclo das Políticas Públicas (Parte 2) 
O Ciclo das Políticas Públicas (Parte 3) 
Controle Social, Lei da Transparência e Lei de Acesso 
à Informação
O Papel das Tecnologias de Informação e 
Comunicação nas Políticas Públicas
Políticas Públicas em Saúde 
Políticas Públicas para Mulheres 
Políticas Públicas para Pessoas Idosas 
Políticas Públicas para Crianças e Adolescentes 
Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência 
Políticas Públicas para Igualdade Étnico-racial 
Políticas Públicas para Educação 
Políticas Públicas de Trabalho 
Políticas Públicas de Cultura
01
Introdução às 
Políticas Públicas
5
Olá, alunos!
Vamos dar início à disciplina com conceitos e outros tópicos importantes para os
nossos estudos.
Políticas Públicas e Sociais:
Conceitos Importantes
Historicamente, a função que o Estado objetiva e desempenha na sociedade por meio
de políticas públicas tem sofrido transformações. Se nos séculos XVIII e XIX o principal
objetivo do Estado era a segurança pública e a defesa do país e da sociedade em caso
de ataque de inimigos, atualmente, a função do Estado Democrático de Direito é a
promoção do bem-estar da sociedade, é responder às demandas da sociedade.
Em um Estado Democrático de Direito, as leis são criadas pelo povo e para o povo. A
Constituição de 1988 estabelece que “Todo o poder emana do povo, que o exerce por
meio de representantes eleitos ou diretamente.” Esta afirmação explicita a soberania
popular e a república democrática direta e indireta. Direta quando o povo é
responsável direto pela tomada de decisões, e indireta quando governada por
representantes eleitos pelo povo (vereadores, prefeitos, governadores, deputados,
senadores e presidentes). A Constituição de 1988 emanou da vontade do povo e
consiste em um sistema para garantia de direitos humanos e da dignidade humana.  
Essa afirmação nos leva a pensar sobre alguns conceitos importantes para esta
disciplina de Políticas Públicas e Sociais. Primeiramente, os conceitos de Estado e
governo, para depois passarmos para a esfera das políticas públicas.
6
Capa original da Constituição de 1988 e uma edição no museu do STF
Fonte: Wikipedia.
O Estado e o Governo na
Política Pública
O Estado consiste no conjunto de instituições permanentes, os órgãos do legislativo,
do judiciário, e do executivo, o exército, incluindo o governo, ou seja, todas as
instituições que permitem as ações do Estado para garantia da paz e o bem-estar
social dos cidadãos, previsto na Constituição. O Estado Democrático de Direito, por
sua vez, é composto por cidadãos dotados de direitos e deveres. A prática de direitos
e deveres pelos cidadãos se configura no que chamamos de cidadania.
De acordo com Marshall (1950), a cidadania moderna constitui-se em um conjunto de
direitos e obrigações em três âmbitos da vida: os direitos civis, os direitos políticos e
os direitos sociais. Para o autor, a sociedade aceita as desigualdades entre classes
contanto que exista igualdade de cidadania. No Brasil, a cidadania é garantia
constitucional. Os direitos civis referem-se à liberdade em todas as suas formas,
como, por exemplo, a liberdade de opinião e expressão, prevista no art. 5º da
Constituição. Os direitos políticos configuram-se no direito de participar no exercício
7
do poder político, seja pela participação direta (como candidato, por exemplo), seja
pela participação indireta (pelo sufrágio universal); por sua vez, os direitos sociais
dizem respeito à oferta de bens sociais pelo Estado.
O Art. 6º da Constituição de 1988 estabelece que são direitos sociais a
educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o
lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à
infância, e a assistência aos desamparados. É importante notar que o Art. 6º
da Constituição elenca as áreas que as políticas públicas atuam com mais
ênfase, com o objetivo de promover o bem-estar dos cidadãos.
O governo, por sua vez, é responsável pelo conjunto de programas e projetos que
parte da sociedade (o núcleo diretivo do Estado, alterável por eleições) propõe para a
sociedade como um todo, de acordo com a orientação política do governo que
assume e desempenhaas funções do Estado por determinado período. O governo é,
portanto, produtor por excelência, de políticas públicas.
Daí depreendemos, então, que Políticas Públicas são as diretrizes e um conjunto de
ações e decisões do governo para implantação de projetos e programas voltados para
soluções de problemas de setores específicos da sociedade. Vale dizer que as Políticas
Públicas são projetos, planos e metas dos governos nacional, estadual e municipal
que objetivam a solução (ou amenização) de um problema público para alcançar o
objetivo final da promoção do bem-estar da sociedade.
Vale a pena ressaltar que há políticas públicas de Estado, que são aquelas de caráter
contínuo, asseguradas por lei e que podem derivar das garantias constitucionais,
como, por exemplo, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), e as políticas públicas
de governo, que são caracterizadas pela alternância, ou seja, dependendo do governo
eleito elas são prioritárias ou não, como, por exemplo, as políticas públicas para
facilitar o acesso à educação superior pelas pessoas pobres ou de determinado grupo
social.
8
Os estudos sobre políticas públicas como subárea da Ciência Política e disciplina
acadêmica surgiram nos EUA. Enquanto na Europa os estudos e pesquisas na área se
concentravam mais na análise sobre o Estado e suas instituições, os estudos nos EUA
se concentravam no governo, produtor de políticas públicas. De acordo com Souza
(2006, p. 22), nos EUA, “[...] a área surge no mundo acadêmico sem estabelecer
relações com as bases teóricas sobre o papel do Estado, passando direto para a
ênfase nos estudos sobre a ação dos governos”.
Acesse o link: Disponível aqui
Para aprofundar a leitura sobre a origem das políticas públicas,
recomendamos a leitura do artigo Políticas Públicas: uma revisão da literatura,
de Celina Souza.
Política e Política Pública
A literatura de política pública divide a política em três dimensões: Polity, Politics e
Policy.
Polity denomina as instituições públicas, a estrutura institucional do sistema político-
administrativo; Politics denomina os processos políticos, os conflitos, consensos, o
exercício do poder e influência. Quando pensamos em Politics o que nos ocorre é o
Congresso, o Senado e os processos de negociação que lá ocorrem; e finalmente
Policy, que denomina as ações e os conteúdos concretos da política, os projetos e
programas políticos, o material das decisões políticas.
Há que se notar que essas três dimensões da política estão inter-relacionadas e
influenciam umas às outras. Como exemplo, podemos citar a influência que os
conflitos gerados na esfera Politics acaba por determinar as ações que serão
9
https://www.scielo.br/pdf/soc/n16/a03n16
desenvolvidas na dimensão Policy.
De acordo com Frey (2000, p. 218),
Frequentemente, sobretudo no âmbito de consultorias para
governos, o pesquisador se confronta com várias restrições, vendo-se
obrigado a considerar as dimensões ‘polity’ e ‘politics’ como variáveis
independentes; fato esse que até se justifica em face dos interesses e
exigências particulares colocadas por governos, cujo interesse
primordial é o aperfeiçoamento de programas ou projetos concretos
no menor tempo possível.
Os estudos propostos nesta disciplina se focam na dimensão Policy, mas sem
negligenciar as influências e relações que as outras esferas ou dimensões causam na
política pública.
De acordo com Souza, não existe uma única definição de política pública, vários
autores abordam o tema com ênfase em diferentes perspectivas, alguns enfatizam o
governo e as questões públicas, outros os efeitos produzidos na vida dos cidadãos.
Dye, em 1984, definiu a política pública de maneira ampla como “o que o governo
escolhe fazer ou não fazer”. Porém, a definição mais conhecida na área é de Laswell,
que, em 1936, definiu as políticas públicas como: quem ganha o quê, por que e que
diferença faz.
Uma política pública pode também se configurar em uma decisão de não fazer nada a
respeito de um problema público, e essa decisão é tomada por políticos eleitos ou
agentes do governo. Então, assim como uma política pública é um conjunto de ações
tomadas pelo governo para atacar um problema público, a política pública pode
também decidir não mobilizar ações para resolução do problema, que pode ser, por
exemplo, por falta de interesse ou por ser muito custoso para a sociedade como um
todo.
É importante ter em mente que embora uma política pública seja intencional, ou seja,
é uma ação ou conjunto de ações que objetivam resolver um problema público,
muitas vezes podem causar efeitos indesejados e inesperados. Como exemplo,
podemos citar a greve dos caminhoneiros de 2018. Alguns analistas de políticas
públicas afirmam que a raiz do problema que causou a greve se originou com uma
política pública de 2015 que buscou (e conseguiu) aumentar a venda de caminhões no
país oferecendo financiamentos a juros baixos para compra de caminhões. Isso
10
Fonte: Freepik.
causou o aumento da frota de caminhões e caminhoneiros, o que forçou a queda do
preço do frete por conta do aumento da oferta. Com a alta do preço do combustível
praticada sem previsibilidade no governo Temer, o trabalho dessas pessoas foi
fortemente impactado, e nos casos de caminhoneiros autônomos ou pequenas
empresas chegou a ser inviabilizado, culminando na greve.
Outro exemplo de efeitos indesejáveis de políticas públicas foi a utilização do fumacê
ou nebulizações para controle do mosquito Aedes Aegypt sancionado pelo presidente
Michel Temer em 2016 (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-
2018/2016/lei/L13301.htm). Associações de saúde e de meio ambiente reagiram
rapidamente para se opor e discutir a ineficácia da ação e o perigo trazido para as
pessoas e para o meio ambiente.
Assim, a definição de políticas públicas nos conduz agora a questionar: o que é um
problema público? Quem define o que é um problema público? E quem são os atores
envolvidos nas políticas públicas?
11
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/lei/L13301.htm
Atores da Política Pública e
Problema Público
As definições de políticas públicas são amplas, no entanto, todas elas nos direcionam
a refletir sobre quem são os atores que decidem e escolhem as políticas, quais são os
interesses envolvidos – quem toma a decisão sobre as políticas públicas na sociedade
democrática são os governos.
É certo que a sociedade civil pode (e deve) influenciar no embate sobre a direção das
políticas públicas, mas as decisões são tomadas pelos governos, seja em âmbito
nacional, estadual ou municipal. As políticas públicas refletem as intenções e
ideologias dos governos eleitos. O Estado, por meio do governo, é responsável pelas
políticas públicas, mas a implementação, a manutenção dessas políticas envolve
diferentes órgãos públicos e atores relacionados a essas políticas.
As políticas públicas repercutem no dia a dia do cidadão, repercutem na economia, no
modo de vida das sociedades. Por exemplo, as políticas públicas habitacionais, que
visam diminuir o déficit habitacional, permite que milhares de famílias possam ter
suas casas, influenciando na segurança e na qualidade de vida dessas pessoas.
Por esse motivo, a disciplina de políticas públicas é de interesse, e é estudada e
analisada sob perspectivas interdisciplinares, não apenas da ciência política, mas por
pesquisadores das áreas da economia, sociologia, administração pública, direito,
saúde, gestão, geografia, entre outras.
Se as políticas públicas são estabelecidas pelos governos, ou seja, os governos
produzem políticas públicas com a participação de agentes públicos ou privados e a
sociedade civil para atacar um problema público, o que é um problema público? E por
que alguns problemas públicos são atacados em determinado momento, e
esquecidos em outros?
Se voltarmos à Constituição de 1988, e pensarmos no bem-estar da sociedade, um
problema se torna problema público quando um excesso ou uma escassez causar um
problema para uma comunidade específica que afete negativamente o bem-estardesse grupo e seja qualificado pelos agentes públicos como não aceitável.
12
Os excessos ou escassez podem ser identificados por estudos, podem ser
denunciados por organizações da sociedade, por conselhos municipais, e se tornam
problemas públicos quando os agentes públicos responsáveis são mobilizados e
reconhecem que uma intervenção de política pública é necessária para solucionar ou
amenizar tal problema. Por exemplo, vamos imaginar que exista um excesso de
veículos em uma determinada via em uma cidade, e que por causa desse excesso o
número de acidentes tem aumentado. Uma vez que esse problema seja considerado
um problema público, os agentes públicos determinarão ações para atacar esse
problema. Eles podem, por exemplo, decidir por forçar os motoristas a diminuir a
velocidade nessa via instalando obstáculos ou semáforos.
13
Fonte: Freepik.
Outro exemplo de problema público além do papel dos movimentos sociais
e civis pela busca de políticas públicas é o movimento “Todos pela
Educação”. O movimento conta com a participação de “governistas de uma
variada mescla de partidos, parlamentares, educadores, especialistas na
área, grandes grupos econômicos, organizações sociais, enfim, uma gama de
representações ímpar, reunida para iniciar um amplo acordo buscando
consensos, metas e objetivos para nortear suas ações” (Pinheiro, 2018, p. 63-
64). Fundado em 2006, o movimento “Todos Pela Educação” foi organizado
pela sociedade brasileira, e tem como missão contribuir para que até o ano
de 2022 o direito de todas as crianças e jovens à educação básica de
qualidade se efetive (https://www.todospelaeducacao.org.br/).
14
https://www.todospelaeducacao.org.br/
Conclusões da Aula
Nesta aula, caro aluno, você estudou alguns conceitos iniciais para o entendimento da
disciplina de políticas públicas. Os governos têm papel essencial nas políticas públicas
porque podem tomar decisões oficiais em nome dos cidadãos e podem, inclusive,
estabelecer sanções contra quem transgredir as políticas estabelecidas. Porém, no
Brasil, as políticas públicas podem ter a participação da sociedade civil. As pessoas
podem, livremente, se organizar e se associar para influenciar e propor políticas
públicas como forma de exercício de cidadania.
Além dos exemplos de movimentos sociais, podemos citar as associações de câncer
que promovem ações para nortear políticas públicas a fim de assegurar o direito
constitucional à saúde e ampliar benefícios para as pessoas com câncer
(http://abrale.org.br/advocacy). Esses organismos não governamentais criam
sugestões, boas práticas, etc., e atuam como influenciadores de políticas públicas.
Até a próxima aula!
15
http://abrale.org.br/advocacy
02
Tipologia das 
Políticas Públicas
16
Olá, alunos!
Dando sequência à primeira aula, que apresentou os conceitos de Políticas
Públicas e Sociais, passamos agora para os tipos de Políticas Públicas
descritos na literatura.
O que é Tipologia?
A tipologia é uma ciência que estuda tipos com o objetivo de diferenciar e
agrupar elementos de acordo com suas características diferenciadoras ou
equivalentes compondo categorias.
As políticas públicas podem ser estudadas a partir de diferentes perspectivas,
dependendo da arena política (politics) a qual a política pública (policy) deu
origem, e, portanto, diferentes autores na literatura da área estabelecem
diferentes tipos de políticas públicas.
Tipologia das Políticas Públicas
Quanto à área governamental elas podem ser (RUA, 2013):
a. Políticas sociais: são as políticas intencionadas à geração do bem-estar
geral da sociedade, são especialmente destinadas às camadas menos
privilegiadas da população. São as políticas de saúde, de educação, de
assistência social, etc.
b. Políticas Econômicas: as políticas econômicas são as ações
governamentais planejadas para atingir metas relacionadas à situação
econômica do país ou determinada localidade. As Políticas Econômicas
são instrumentalizadas por meio da Política Fiscal, Política Monetária e
Política de Câmbio.
17
c. Políticas Públicas de Infraestrutura: são aquelas que visam prover
infraestrutura para determinada região e, geralmente, almejam
diminuir desigualdades e promover o desenvolvimento econômico
daquela região. São políticas públicas relacionadas à energia,
transportes, comunicações, etc.
d. Políticas Públicas de Estado: são as políticas planejadas com caráter
permanente, garantidas constitucionalmente, que tendem a ser
contínuas e não devem mudar de acordo com o governo eleito. São
Acesse o link: Disponível aqui
Para uma breve diferenciação dos conceitos de política fiscal, política
monetária e política cambial, acesse abaixo.
18
https://www.politize.com.br/politica-fiscal-monetaria-e-cambial/
políticas referentes a direitos humanos, direitos sociais, segurança
pública, relações exteriores, etc.
a. Políticas Públicas Compensatórias: são aquelas que,como a
denominação explica, buscam minimizar ou compensar alguma
distorçãosocial profunda. Por exemplo, as políticas de cotas para negros
nasuniversidades, políticas de cotas eleitorais para mulheres,
estabelecendo quecada partido ou coligação deve preencher o mínimo
de 30% e máximo de 70% decandidaturas para cada sexo (BRASIL,
2009). Essa política reconhece adesigualdade de gênero na política e
que políticas inclusivas são necessáriaspara compensar essa
desigualdade.
b. Políticas Públicas Emancipatórias: são aquelasdestinadas a grupos
sociais vulneráveis, ou seja, pessoas em situação de riscode pobreza ou
miserabilidade. Essas políticas buscam empoderar e dar autonomiaa
essas pessoas por meio de programas e projetos para que não
necessitem deassistência social promovida pelo Estado. Como, por
exemplo, podemos citarpolíticas públicas de geração de emprego,
capacitação e educação de jovens eadultos.
Acesse o link: Disponível aqui
Para acompanhar notícias e matérias sobre políticas públicas a partir de
uma fonte confiável e baseada em estudos científicos, leia o jornal Nexo
Políticas Públicas.
Quanto às Políticas Sociais, a literatura as divide em:
19
https://pp.nexojornal.com.br/
O trabalho de Sartori e Garcia (2011) publicado na RAP – Revista de
Administração Pública relatou a pesquisa de campo realizada com as
famílias pertencentes ao Programa de Erradicação do Trabalho Infantil de
Campinas. Os autores concluíram que os programas de transferência direta
de renda às famílias pobres, com contrapartida de inserção ou permanência
das crianças na escola, tiveram resultados positivos, ou seja, conseguiram
melhorar o desempenho escolar dessas crianças. Por outro lado, concluíram
também que políticas de caráter mais compensatório do que emancipatório
podem levar as famílias à situação crítica de dependência.
a. PP Estruturais 
São as PP que buscam interferir ou influenciar as relações estruturais,
como aumento de PIB do país, produtividade, emprego, etc.
b. PP Conjunturais ou Emergenciais 
São aquelas que, como o nome diz, buscam amenizar uma situação
temporária. Podemos citar, como exemplo, a criação do auxílio
emergencial para socorrer as famílias de baixa renda afetadas pela
pandemia causada pelo COVID-19.
Outras Modalidades de
Políticas Públicas
De acordo com Teixeira (2002), é importante considerar o tipo de política, pois esse
conhecimento auxilia na definição da sua formulação e implementação.
De acordo com Teixeira (2002), quanto à natureza ou grau de intervenção as
Políticas Públicas (PP) podem ser:
20
Quanto à abrangência dos benefícios segundo (TEIXEIRA, 2002), as Políticas
Públicas (PP) podem ser:
a. PP Universais 
São as PP direcionadas a todos os cidadãos. O melhor exemplo aqui é o
Sistema Único de Saúde (SUS), criado pela Lei 8.080/1990 também
conhecida como “Lei Orgânica da Saúde”. Cabe ressaltar que a saúde
como direito de todos e dever do Estado está prevista na Constituição
de 1988, no art. 198.
b. PP Segmentais 
São direcionadas a grupos específicos de acordo com a idade, condição
física, gênero, etc. Como exemplo, podemos citar o Estatuto do Idoso,o
Estatuto da Criança e do Adolescente, as políticas de cotas, etc. O
Estatuto do Idoso foi criado pela lei 10.741/2003, que reitera a proteção
das pessoas idosas já assegurada pela Constituição de 1988.
c. PP Fragmentadas 
São políticas públicas que visam um grupo social determinado dentro
de um segmento, como, por exemplo, o Programa de Erradicação do
Trabalho Infantil (PETI). Caracteriza-se por uma política pública
fragmentada, pois busca erradicar o trabalho infantil (grupo
determinado) por crianças de famílias de baixa renda (segmento da
sociedade). Por outro lado, as políticas públicas fragmentadas também
21
podem beneficiar pequenas elites quando anistia empresas de
pagamento de impostos, por exemplo.
A Tipologia de Lowi
De acordo com Souza (2002), a tipologia proposta por Lowi é a mais
conhecida e citada na literatura, e embora tenha sido pensada sobre Políticas
Públicas nos Estados Unidos, em um contexto institucional muito diferente
do brasileiro, a sua classificação de PP é pertinente e influencia os trabalhos
dos pesquisadores no Brasil e no mundo.
De acordo Souza (2002 apud LOWI, 1964, 1972), as políticas públicas são:
a. Distributivas 
As Políticas Distributivas “distribuem”, ou seja, destinam bens ou
serviços provenientes da sociedade como um todo para um
determinado grupo social ou região. Vale dizer, são políticas que geram
benefícios concentrados para um grupo com custos difusos, ou seja,
custos que recaem sobre todos. Essas políticas podem ser
assistencialistas, clientelistas, podem relacionar-se a um direito
constitucional, etc. Como exemplo, podemos citar a construção de
pontes e estradas, elas utilizam recursos que são da sociedade e
beneficiam apenas uma determinada parcela da sociedade. Outros
exemplos seriam: o salário-desemprego, subsídios para compra de casa
própria, construção de hospitais e escolas.
b. Redistributivas 
Essas políticas são também chamadas de universais, pois alocam bens
ou serviços a grandes grupos da sociedade com recursos provenientes
de outros grupos específicos. São, via de regra, os mais conflituosos. O
exemplo desse tipo de política é a reforma agrária, outro exemplo é a
isenção de tarifa de energia para grupos de menor consumo e taxas
mais altas para os grupos de maior consumo, o imposto sobre grandes
fortunas para financiar um programa de distribuição de renda para
famílias carentes.
c. Regulatórias 
São as que, como o nome diz, regulam, criam obrigatoriedade para os
cidadãos, ou seja, os cidadãos devem realizar ou evitar certa atividade
ou comportamento.  Por exemplo, o Código de Trânsito, o Código
Florestal, etc.
22
d. Constitutivas, constitucionais ou estruturadoras 
São normas ou procedimentos que regem a elaboração das demais
políticas públicas, definem as regras e estabelecem as competências. De
acordo com Secchi (2012), são chamadas meta-policies (metapolíticas)
porque estão acima dos outros tipos de política. São exemplos de
políticas constitutivas a distribuição de competência entre os três
poderes, os regimentos do Congresso Nacional, etc.
Conclusões da Aula
Nesta aula, nós estudamos os vários e diferentes tipos de Políticas Públicas (PP). De
fato, entender os tipos de PP nos ajuda a enxergar a complexidade, a abrangência, a
necessidade e a relevância das PP na resolução de conflitos inerentes da vida em
sociedade.
Agentes públicos comprometidos devem ser sensíveis a esses conflitos, utilizar dos
seus conhecimentos teóricos e empíricos para se empenharem na promoção da paz e
bem-estar dos cidadãos.
No entanto, devemos ressaltar que embora a divisão das PP em categorias é
relevante para orientar a formulação e implementação das PP, o agente público
também deve ter em mente que as PP atacam problemas públicos complexos, longe
de serem divididos, ou seja, complexidade não no sentido de algo complicado ou
difícil, mas no sentido de ser composto por diferentes partes e, portanto, com
diferentes variáveis.
O estudo de caso do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) de
Campinas, por exemplo, demonstrou a complexidade envolvida nas questões das
famílias das crianças trabalhadoras. Para combater o trabalho infantil, as famílias
dessas crianças tiveram que ser consideradas eixo central e trabalhadas de forma
sistemática, com atendimento a todos os seus membros.    
Nas próximas aulas, estudaremos o ciclo das políticas públicas. Entender os processos
e etapas pelas quais percorrem as PP é essencial para um bom agente desenvolver
um trabalho profissional e evitar erros que podem causar efeitos indesejáveis e ser
custosos para a sociedade.
23
03
O Ciclo das Políticas 
Públicas (Parte 1)
24
Fonte: Disponível aqui
Olá, alunos!
Em sequência à segunda aula, que apresentou a Tipologia das Políticas Públicas,
agora vamos conhecer o ciclo das Políticas Públicas.
O Ciclo Das Políticas Públicas
Compreender o ciclo das políticas públicas é importante para o entendimento do
processo das políticas públicas como um todo, auxiliando na reflexão sobre como as
decisões podem ser e serão tomadas, as estratégias e os instrumentos utilizados em
cada etapa, mas sempre com a visão do todo.
Vale ressaltar que embora o ciclo seja representado de maneira linear, tem como
característica a interatividade e a iteratividade, ou seja, as fases influenciam umas às
outras e elas podem não seguir exatamente a sequência definida na literatura ou
25
https://medium.com/@caderno/pol%C3%ADticas-p%C3%BAblicas-o-ciclo-das-pol%C3%ADticas-p%C3%BAblicas-e1eb5ffc508a
podem até mesmo estar sobrepostas, ocorrendo simultaneamente (Rua, 2014).
Embora diferentes autores considerem diferentes fases no processo de políticas
públicas, as fases normalmente consideradas são três fases principais: formulação,
implementação e avaliação (SARAVIA, 2006, p. 26).
De acordo com Souza (2002), o ciclo das políticas públicas engloba as seguintes fases:
definição da agenda, identificação de alternativas, avaliação das opções, seleção das
opções, implementação e avaliação. Secchi (2014) complementa ainda o ciclo das
políticas públicas com uma última fase, a fase de extinção da PP, a qual Frey (2000)
denomina de correção da ação. Para Secchi (2012), uma política pública pode ser
extinta, por exemplo, porque o problema que a originou foi resolvido, ou porque as
ações implementadas para solução do problema são percebidas como ineficazes ou
porque o problema perdeu a importância ao longo do tempo.
Rua (2014) explica o ciclo de PP nas fases: formação da agenda, formação das
alternativas e tomada de decisão, implementação, avaliação e ajuste (veja Figura
abaixo).
26
Fonte: elaborado por Rua, 2014.
Nesta aula, estudaremos a formação da agenda (agenda setting) refletindo sobre o que
é agenda, como se dá a formação da agenda, e a seguinte questão: por  que alguns
problemas públicos entram na agenda política em determinado momento, enquanto
outros problemas públicos não?
Formação da Agenda
Primeiramente, vamos entender o que é a agenda. A agenda consiste em uma lista de
prioridades que os atores ou agentes políticos (presidente, políticos eleitos,
parlamentares, etc.) estabelecem com centrais para serem resolvidos. Como se pode
imaginar, trata-se de uma lista de interesses muito competitivos e, por vezes, muito
conflituosos. Cada grupo de interesse da sociedade busca “puxar a sardinha” para o
seu lado para ter seus problemas incluídos na agenda pública.
27
Várias agendas públicas podem coexistir, sendo fortemente impactadas pelos agentes
políticos e pelos processos de evidenciação dos temas (Rua, 2014).
A formação da agenda é a primeira fase do Ciclo das Políticas Públicas. A formação da
agenda envolve a identificação do problema público e sua inclusão na agenda para
discussão e busca de soluções. De acordo com Frey (2000), antes de incluir um
problema público na agenda, é necessário pelo menos uma avaliação preliminar
sobre os custos e benefícios e também a possibilidade de ser aceita na arena política
para determinar se o problema público deve ser inseridona agenda ou não. Dito de
outra maneira, não basta a percepção de um problema e o desejo de resolvê-lo ou
minimizá-lo, é necessário entender que seja passível de resolução ou diminuição, que
haja recursos públicos para tanto, e que sua colocação na agenda será aceita nos
processos de politics.
Então, a resposta à pergunta “Por que alguns problemas públicos entram na agenda
política em determinado momento, enquanto outros problemas públicos não?” pode se
dar sob 3 enfoques diferentes. O primeiro seria o enfoque no problema. Os
problemas públicos entram na agenda pública quando se reconhece que algo deve
ser feito para buscar sua solução. O segundo enfoque se dá na política, ou seja,
constrói-se uma “consciência coletiva sobre a necessidade de se enfrentar um dado
problema” (SOUZA, 2002, p. 8).
Essa construção coletiva pode ocorrer pela mudança nos partidos que governam,
pelas mudanças nas ideologias dos governos, que são reforçadas ou enfraquecidas
pela vontade dos cidadãos. “Segundo essa visão, a construção de uma consciência
coletiva sobre determinado problema é fator poderoso e determinante na definição
de agenda” (SOUZA, 2002, p. 9); o terceiro foco se dá nos participantes, que consistem
em grupos de interesse que têm certa visibilidade ou não. Os participantes visíveis
são a mídia, as ONGs, grupos de pressão, etc. Por outro lado, os participantes
invisíveis são os acadêmicos, os consultores, assessores e funcionários de cargos de
confiança, por exemplo.
28
Fonte: Disponível aqui
Como exemplo de definição da agenda pela via política (segundo enfoque
dado por SOUZA, 2002), podemos citar o Estatuto do Desarmamento em
vigor desde 2003, sancionado pelo presidente Lula. Naquela época, a política
pública definida na agenda foi a de desarmamento da população. Diversas
ONGs argumentavam que o estatuto ajudaria a reduzir a violência, e que a
redução de circulação de armas diminuiria o abastecimento do crime
organizado. No entanto, com a mudança do governo e da ideologia, em 15
de janeiro de 2019, o presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto
alterando a regulamentação do Estatuto do Desarmamento para facilitar a
posse de armas no país.
29
https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/70307/696171.pdf?sequence=2&isAllowed=y
Tipos de Agenda
Agenda Não Governamental
São também chamadas por alguns autores como “estado de coisas”. Embora o
estado de coisas seja reconhecido como um problema pela sociedade, ele não recebe
muita atenção do Estado e sequer é colocado para debate público, seja por barreiras
culturais ou por barreiras institucionais. Um exemplo são as questões de gênero até a
década de 1950. A mulher ser tratada como subordinada ou inferior ao homem no
ocidente era considerado “estado de coisas”, ou seja, o tema sequer era discutido na
esfera governamental naquela época (RUA, 2014).
Porém, um “estado de coisas” pode ser incluído na agenda governamental caso a
situação cultural ou institucional mude, por exemplo. Pode também haver
mobilização política pela sociedade sobre determinado problema, ou também caso
haja uma situação de crise, como, por exemplo, quando ocorreu o desastre de
Brumadinho, em Minas Gerais, em 2019.
A sociedade, de maneira geral, não tinha conhecimento de Brumadinho e, por causa
do desastre e do movimento ocorrido na mídia e nos grupos envolvidos, foram
incluídas na agenda discussões sobre como minimizar o sofrimento das pessoas e os
impactos ao meio ambiente, a punição para os responsáveis e o que poderia ser feito
para evitar desastres futuros.
Agenda Governamental
Uma vez que um problema público é incluído na agenda governamental, ele passa a
receber atenção dos formuladores de políticas (RUA, 2014). É um tema que já está
sendo debatido, pode já haver uma comissão ou um grupo de trabalho discutindo e
analisando o problema.
30
Agenda Decisória
São os temas em processo de decisão formal pelos políticos e serão objeto de uma
política pública. O tema já está sendo discutido no Congresso e está pronto para virar
uma política pública. Portanto, observe que para que um problema público se torne
uma política pública para ser enfrentado, ele precisa estar na agenda decisória.
A classificação das agendas é importante para o entendimento de porque alguns
temas se tornam políticas públicas e outros não. Mesmo que um problema deixe de
ser um “estado de coisas” e passe a um problema público e seja incluído na agenda
governamental, isso ainda não é garantia de que chegue à agenda decisória, pois para
tanto deve “mobilizar fortes recursos de poder” (RUA, 2014, p. 69).
Sobre a formação da agenda, de acordo com Kingdon (1984), existem três variáveis
que interagem entre elas e produzem a oportunidade para a formação de uma
agenda: o fluxo de problemas (Problem Stream), o fluxo de soluções (Policy Stream) e o
fluxo da política (Political Stream).
O fluxo de problemas consiste em todas as situações em que são percebidas como
problemas pelos setores da sociedade, pois muitas vezes os representantes públicos
ou mesmo a sociedade não conseguem enxergar essa condição como problema
público. Para evidenciar uma situação como problema público, podem-se utilizar
indicadores estatísticos, como, por exemplo, os indicadores utilizados pelos grupos a
favor da reforma da previdência. Eles apontaram o envelhecimento da população, a
situação crítica do INSS, etc.; pode-se evidenciar um problema quando ocorrem crises
ou eventos, ou seja, quando a discussão de um problema é forçada, como quando
houve o desastre de Brumadinho.
Outra forma de evidenciar um problema é pelo feedback (retorno) da própria
sociedade, quando a própria sociedade começa a reclamar e evidenciar algum
problema, como, por exemplo, quando a população reclama da segurança pública.
O fluxo de soluções consiste nos grupos de acadêmicos, comunidades de interesse e
especialistas da área que desenvolvem propostas e propõem soluções para
problemas públicos. Essas propostas são influenciadas pela sua viabilidade técnica e
econômica e pela aceitação da solução pela comunidade.
31
Fonte: Disponível aqui
O fluxo da política compreende os fatores que influenciam o corpo político, que
Kingdon define como national mood, ou seja, o clima político nacional favorável
naquele momento; executive or legislative turnover, ou seja, as mudanças ocorridas
dentro do governo para aceitar trabalhar para solucionar o problema, e interest group
advocacy campaigns, ou seja, campanhas de grupos de pressão e grupos organizados
de força política.
32
https://gppmaisestudo.wordpress.com/2013/04/14/fluxo-de-estagios-da-politica-publica-por-ripley/
Para que um problema público seja inserido na agenda governamental e,
posteriormente, na agenda decisória, ou seja, que realmente possa se tornar
uma política pública, de acordo com Kingdon (1884), é necessário que se
tenha a convergência de três fluxos: o fluxo de problemas, o fluxo de
soluções e o fluxo político.
Uma vez que ocorre a formação da agenda, ou seja, uma situação é reconhecida
como problema público a ser resolvido, um grupo de agentes públicos e privados,
com a participação da sociedade civil, passa a discutir as alternativas para a solução
do problema. Passa-se, então, para a próxima fase do ciclo de políticas públicas: a
identificação de alternativas para busca de soluções e a tomada de decisões.
Formação de Alternativas
De acordo com Rua (2014), a formação de alternativas e tomada de decisão ocorre
após a inclusão de um problema na agenda, e após algumas análises preliminares, os
atores envolvidos começam a apresentar propostas para sua solução. Aqui cabe
ressaltar que diferentes atores envolvidos defendem diferentes interesses, mas há
que se chegar a uma solução aceitável para a maioria das partes envolvidas para que
se avance na solução. Uma vez que as partes concordem, há o que se denomina
tomada de decisão.
Para Saravia (2006, p. 33), a formulação de alternativas:
[...] inclui a seleção e especificação da alternativa considerada mais
conveniente, seguida de declaraçãoque explicita a decisão adotada,
definindo seus objetivos e seu marco jurídico, administrativo e
financeiro.
33
Dito de outra maneira, na fase de formulação de alternativas, os atores envolvidos na
discussão expressam suas preferências e interesses, determinam os objetivos a
serem alcançados, e há uma tomada de decisão sobre o caminho a seguir. Isso
significa que os atores chegaram a uma decisão sobre o como o problema vai ser
atacado, qual a tipologia da PP, ou seja, será direcionada para qual grupo da
sociedade, quais recursos jurídicos serão utilizados, e de onde os recursos financeiros
vão ser alocados.
Conclusões da Aula
Nesta aula, demos início ao estudo do ciclo de políticas públicas. Vimos que, embora
diferentes autores reconheçam diferentes fases, as três fases principais são:
formulação, implementação e avaliação. Estudamos a fase de formulação da agenda,
seus tipos e as forças necessárias para que um problema público ganhe seu espaço
na agenda. Na próxima aula, partiremos para o estudo da implementação de Políticas
Públicas.
34
04
O Ciclo das Políticas 
Públicas (Parte 2)
35
Fonte: Disponível aqui
Olá, alunos!
Na aula anterior, iniciamos o estudo do Ciclo das Políticas Públicas com o estudo da
formação da agenda e da formação de soluções. Dando seguimento ao nosso estudo,
nesta aula, passaremos à fase de Implementação de Políticas Públicas.
Implementação de Políticas
Públicas
De acordo com Saravia (2006, p. 32), as etapas normalmente consideradas das
políticas públicas são a formulação, a implementação e a avaliação. Para o autor, a
formulação (fase estudada na aula anterior) é decisão política, ou seja, é a decisão
tomada por um político ou pelo congresso e a sua formalização por meio de uma
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https://medium.com/@caderno/pol%C3%ADticas-p%C3%BAblicas-o-ciclo-das-pol%C3%ADticas-p%C3%BAblicas-e1eb5ffc508a
norma jurídica. Já a implementação consiste na preparação para a execução, ou seja,
a implementação é a elaboração de planos, programas e projetos e a execução é a
colocação desse conjunto de ações na prática.
Saravia (2006, p. 34) distingue implementação de PP e execução de PP e justifica a
importância da distinção devido aos tipos de negociações entre os atores envolvidos:
A implementação, constituída pelo planejamento e organização do
aparelho administrativo e dos recursos humanos, financeiros,
materiais e tecnológicos necessários para executar uma política.
Trata-se da preparação para pôr em prática a política pública, a
elaboração de todos os planos, programas e projetos que permitirão
executá-la. [...] A execução, que é o conjunto de ações destinado a
atingir os objetivos estabelecidos pela política. É pôr em prática
efetiva a política, é a sua realização. Essa etapa inclui o estudo dos
obstáculos, que normalmente se opõem à transformação de
enunciados em resultados, e especialmente, a análise da burocracia.
Para Secchi (2012, p. 44), na fase de implementação “são produzidos os resultados
concretos da política pública”. É nesta fase que as intenções são traduzidas em ações.
Nesta fase, a administração pública exerce sua função fundamental, ou seja,
transforma as intenções políticas em ações concretas. Vale a pena notar que, nesta
fase, a administração pública lança mão de outros atores políticos como parceiros,
fornecedores, prestadores de serviços, entre outros.
A importância de se estudar a fase de implementação está na possibilidade de
visualizar e, portanto, analisar erros e acertos que podem ter ocorrido nos momentos
anteriores à implementação. É na fase de concretizar as intenções que se percebem e
se observam, por exemplo, falhas na formulação das políticas públicas, objetivos
específicos falhos, os comportamentos das pessoas e das organizações, adequação na
alocação de recursos, etc.
Considerando a importância dos atores envolvidos, Lotta (2019) conceitua
implementação como “o momento que depende fortemente da ação de burocratas e
dos instrumentos de ação estatal. [...] as análises dessa fase buscam compreender as
diferenças entre o que foi formulado e o que foi executado e o papel que os
diferentes atores tiveram nesse processo de transformação das políticas públicas”.
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Fonte: Freepik.
Acesse os links: Disponível aqui Disponível aqui
O que é burocracia e quem são os burocratas?
O termo burocracia é popularmente utilizado em sentido pejorativo,
representando procedimentos longos e desnecessários que resultam na
morosidade da máquina administrativa pública e consequente perda para
os cidadãos. De fato, a burocracia consiste na estrutura organizativa
composta por regras e procedimentos que objetivam determinar a
hierarquia, as responsabilidades e a especialização do trabalho. Pode,
portanto, determinar os procedimentos de qualquer tipo de organização,
não apenas a organização pública, mas também as privadas e sem fins
lucrativos. Assim, o burocrata é o funcionário gestor habilitado para o cargo
que ocupa na administração, seja pública ou privada.
Para uma leitura rápida sobre burocracia, acesse os links.
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https://educacao.uol.com.br/disciplinas/sociologia/burocracia-max-weber-e-o-significado-de-burocracia.htm
https://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_da_burocracia_na_administra%C3%A7%C3%A3o
Modelos de Implementação de
Políticas Públicas
Sabatier (1986 apud Secchi, 2012) define dois processos de implementação de
políticas públicas: o modelo top-down (de cima para baixo) e o modelo bottom-up (de
baixo para cima).
O modelo de implementação top-down, também denominado modelo tradicional de
implementação de política pública, caracteriza-se pela separação clara entre os
tomadores de decisão (políticos) e os implementadores (burocratas ou
administradores). Para Lotta (2019), o modelo ou processo de implementação de PP
denominado top-down faz parte da primeira geração de estudos de análises de
implementação de PP, populares nos anos 1970.
Para Secchi (2012, p. 47),
O modelo top-down de implementação parte de uma visão
funcionalista e tecnicista de que as políticas públicas devem ser
elaboradas e decididas pela esfera política e que a implementação é
mero esforço administrativo de achar meios para os fins
estabelecidos.
Lotta (2019) resume que os estudos da perspectiva top-down de implementação de
PP concluíram que as políticas falham sistematicamente, pois a implementação não
segue a formulação, são muitas as variáveis envolvidas na concretização das ações, e,
portanto, outro processo deveria ser considerado.
Sobre a implementação de PP no modelo top-down,
“[...] algo, que não estamos captando, está acontecendo entre o
momento da formulação e os resultados efetivamente alcançados
pelas políticas públicas”. Foi essa conclusão que levou autores a
abrirem a caixa preta da execução que, até então, supostamente
funcionaria apenas como uma máquina para execução de atividades
previamente determinadas (LOTTA, 2019, p. 14).
39
Assim, uma segunda geração de estudos de análises de implementação de PP foi
pensada nos anos 1970 e 1980. O modelo bottom-up de implementação de PP se
caracteriza pela maior autonomia dos “burocratas do nível de rua” (street-level
bureaucrats) para flexibilizar e auto-organizar a implementação de PP. Essa
abordagem se preocupa em compreender a política como de fato ela acontece na
implementação, ou seja, como a política pública acontece nos consultórios, na sala de
aula, entender a complexidade da implementação e seus resultados.
Neste modelo, entende-se que o formato da PP não é definitivo, os implementadores
podem modelar a PP de acordo com os problemas práticos encontrados na
implementação, nota-se que ocorre um ajustamento das PP à realidade, e não um
desvirtuamento dessas. “Esses burocratas locais são os principais atores da
implementação e são eles que fazem as negociações entre as redes de
implementadores e entre essas e o público-alvo” (Souza, 2018, p. 26).
Os burocratas de nível de rua (street-level bureaucrats) são aqueles que
trabalham diretamente com o cidadão, ou seja, interagem com o usuário
final doserviço disponibilizado e é por meio desses burocratas que a
sociedade tem acesso aos serviços públicos. Como executores diretos da PP,
eles têm uma grande responsabilidade na imagem positiva ou negativa que
os cidadãos têm da administração seja local, seja estatal ou federal. Esses
burocratas são responsáveis por gerir situações do dia a dia e lida com a
escassez de recursos, por exemplo. Os principais exemplos desses
burocratas são os professores das escolas públicas, os policiais, os médicos,
os enfermeiros, os motoristas, entre outros. Para um maior detalhamento
sobre os burocratas de nível de rua, leia o capítulo A política pública como ela
é: contribuições dos estudos sobre implementação para a análise de políticas
públicas, por Lotta, 2019.
40
Souza menciona ainda um terceiro modelo de implementação de PP (ou de terceira
geração) conhecido como advocacy coalition (coalizão de defesa) proposta por
Sabatier (1984 apud Souza, 2018, p. 26-27) que busca compreender os processos
decisórios que ocorrem nas coalizões. Sabatier argumentou que a fase de
implementação da Política Pública não pode ser analisada isoladamente de outras
variáveis externas à política em si, como, por exemplo, o desenvolvimento econômico
e a influência de outras políticas. Vale a pena ressaltar que a tipologia da política
pública e os atores envolvidos na implementação das políticas e a forma como
resolvem os problemas também influenciam na implementação da PP.
Atualmente, encontramo-nos na quarta geração de estudos sobre análise de
implementação de políticas públicas. Este momento é marcado pela influência de
diferentes áreas nas PP. Acadêmicos, profissionais e a sociedade civil se interessam e
influenciam na implementação das PP. Os especialistas e profissionais da saúde, da
educação, da sociologia e a sociedade empoderada pelas Tecnologias de Informação
e Comunicação cada vez mais conhecem e participam da implementação das PP e os
impactos delas na sociedade.
Rua (2014) menciona o modelo interativo-iterativo (que interage e que reitera, repete)
em que não existe um fluxo de implementação, seja top-down (de cima para baixo) ou
bottom-up (de baixo para cima). Este modelo de implementação é um processo
complexo, de idas e vindas (iterativo) entre as fases do ciclo, que, por sua vez, fazem
41
com que o processo decisório seja difuso e ocorra de acordo com as reações dos
atores, com o curso que essas decisões levaram e os impactos da sua implementação.
 
Há que se ter em mente a importância dos burocratas envolvidos na implementação
da PP: tanto os burocratas que formularam a PP quanto aqueles que participam dos
processos decisórios no momento da execução da PP, que trabalham implementando
a PP no dia a dia e por meio dos quais os cidadãos têm acesso aos serviços da
administração pública. Entender como esses atores se comportam e como tomam
decisões é necessário para alcançar resultados positivos com as PP.
Conclusões da Aula
Os processos de tomada de decisão e a implementação da PP são estudados
divididos apenas por questões didático-pedagógicas, e devem ser analisados e
considerados em conjunto (formulação + implementação), com especial atenção aos
atores envolvidos nas duas fases, pois a implementação também exige decisões. O
ator que formula a PP não consegue prever, normatizar e controlar tudo o que pode
acontecer no momento da implementação. É impossível imaginar que uma política
pública formulada em Brasília, por mais bem planejada que seja, possa dar conta da
implementação em São Paulo e na Bahia, por exemplo, considerando culturas e
contextos tão diferentes.
O gestor deve compreender que os processos de formulação da PP são contínuos às
suas implementações e seus resultados, e passam por diferentes agentes públicos
(burocratas) com diferentes comportamentos e fases decisórias.
42
05
O Ciclo das Políticas 
Públicas (Parte 3)
43
Fonte: Disponível aqui
Olá, Alunos!
Nesta aula, concluiremos o estudo do Ciclo das Políticas Públicas. Após o estudo da
formação da agenda e tomada de decisão, da implementação da Política Pública,
passamos agora para o estudo da Avaliação e Extinção da Política Pública. 
Avaliação da Política Pública
Na fase de avaliação, o processo de implementação e os efeitos e impactos da PP na
realidade da sociedade são examinados.
Esse exame ou avaliação pode ser realizado durante o processo de implementação,
ou seja, realizado in itinere, também denominado na literatura como monitoramento
ou avaliação formativa (Rua, 2014). O objetivo dessa avaliação é realizar ajustes
imediatos na implementação para alcançar os objetivos propostos.
44
https://medium.com/@caderno/pol%C3%ADticas-p%C3%BAblicas-o-ciclo-das-pol%C3%ADticas-p%C3%BAblicas-e1eb5ffc508a
Enquanto a avaliação após a implementação da política pública (ex post) pressupõe a
análise e julgamento de processos, produtos, qualidade, impactos da PP na
sociedade, o monitoramento é caracterizado por ser um processo de exame contínuo
dos processos, produtos e impactos. O monitoramento busca elementos para
subsidiar ajustes na implementação das PP. O monitoramento deve, portanto, ser
proativo e produzir resultados que possam ser imediatamente incorporados no
processo de gestão para aperfeiçoar o trabalho dos atores envolvidos e melhorar a
tomada de decisões.
Na fase de avaliação realizada após a implementação, denominada avaliação ex post,
os efeitos produzidos pela política pública na sociedade são mensurados, tanto os
efeitos desejados quanto os efeitos não previstos ou não desejados; é o momento
para avaliar também as fases que antecederam à avaliação.
Saravia (2006, p. 35) entende que:
A avaliação consiste na mensuração e análise, a posteriori, dos
efeitos produzidos na sociedade pelas políticas públicas,
especialmente no que diz respeito às realizações obtidas e às
consequências previstas e não previstas.
Importante notar o entendimento de Rua (2014) de que a avaliação deve ser
entendida não como uma valoração das políticas em boas ou más, bem-sucedidas ou
fracassadas, mas como uma oportunidade para o aprendizado contínuo e melhoria
na tomada de decisão e consequente amadurecimento da gestão.
Critérios para Avaliação
Critérios são os padrões, parâmetros que servem de base para que determinada
política pública possa ser julgada e avaliada.
45
Embora não haja consenso na literatura a respeito dos critérios utilizados para
avaliações de políticas, programas e projetos públicos, para Secchi (2012), os
principais critérios são:
Economicidade: refere-se aos inputs, ou seja, o que foi alocado de recursos
financeiros, recursos humanos para a implementação da política.
Eficiência econômica: refere-se à relação entre os inputs e outputs¸ ou seja, o que
foi produzido pela política. Podemos citar, por exemplo, uma campanha de
vacinação que consegue atingir o número previsto de crianças vacinadas com
um custo menor se comparado às campanhas anteriores (RUA, 2014).
Eficiência administrativa: refere-se ao cumprimento do que foi preestabelecido
para a execução da política. Ainda, como exemplo da campanha de vacinação,
aqui podemos citar como eficiência quando os prazos de entregas e doses de
vacinas foram cumpridos pelos agentes.
Eficácia: refere-se ao cumprimento de metas e objetivos preestabelecidos, por
exemplo, quando uma campanha de vacinação consegue atingir o número
previsto de crianças vacinadas.
Equidade: refere-se à homogeneidade no direcionamento da política pública
entre os destinatários, seja de benefícios ou de punições.
Contemporaneamente, outro critério para avaliação de política pública é a
sustentabilidade, que se refere à capacidade de provocar mudanças que persistam
além dos inputs realizados, que alterem a “demanda por políticas/programas,
retroalimentando o sistema de políticas públicas” (RUA, 2014, p. 112).
46
Visite o site do MUF: Disponível aqui
Para uma breve apresentação do MUF, assista: Disponível aqui
Para informação mais abrangente de como o projeto se iniciou, assista:
Disponível aqui
Comoexemplo de uma política pública sustentável, podemos citar a
fundação do Museu de Favela (MUF) em 2008, no Rio de Janeiro. Localizada
nas favelas do Pavão, Pavãozinho e Cantagalo, região sul do Rio, o MUF é
uma organização não governamental, fundada durante as obras do
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nas favelas. Trata-se de um
museu a céu aberto, denominado Ecomuseu, cujas principais propostas
incluem a patrimonialização e valorização dos elementos culturais da
comunidade, o desenvolvimento turístico dessas favelas e a capacitação e
empoderamento da comunidade.
Realizar a avaliação de uma política pública não é tarefa fácil, especialmente porque
existem muitos interesses e partes envolvidas: os beneficiários da PP, os partidos
políticos, patrocinadores políticos e econômicos, os agentes responsáveis pela
implementação e execução da PP, e até mesmo os avaliadores encarregados. Além
disso, os custos da avaliação que envolvem levantamento de dados, produção de
relatórios, bem como o tempo que a PP leva para produzir resultados constituem
barreiras para a consecução da avaliação.    
No entanto, quando realizada, a avaliação da política pública pode levar o gestor a
decidir sobre três caminhos a tomar com relação à PP: a continuação da política como
está; a reestruturação de aspectos práticos; e a extinção da política pública.
A extinção da PP, de acordo com Secchi (2012, p. 50), pode ocorrer quando o
problema atacado for resolvido, quando os problemas de implementação são tantos
ou custosos demais que não se pode resolver, ou quando há um esvaziamento do
47
https://www.museudefavela.org/
https://www.youtube.com/watch?v=YReUotHVM4U
https://www.youtube.com/watch?v=5gvnrQMg_K8
problema, ou seja, ele passa a não ser percebido como um problema pela sociedade
ou pelos seus gestores.
Controles Internos e Externos de Gestão das
Políticas Públicas
Quando pensamos em controle da gestão das políticas públicas, pensamos apenas no
controle financeiro. Porém, cabe notar que o controle abrange também a efetividade
das políticas e dos programas. A Constituição de 1988 prevê os mecanismos do
controle interno e controle externo nos artigos 70, 71, 72, 73 e 74.
Por controle interno entende-se aquele que decorre dentro da própria estrutura na
qual se encontra o órgão fiscalizado, ou seja, há o que se denomina autocontrole da
administração. No poder executivo federal, o controle interno é coordenado pela
Controladoria Geral da União (CGU), nos estados é realizada pela Controladoria Geral
do Estado, e nos municípios pela Controladoria Interna, que deve coordenar o
controle nas secretarias e nos órgãos da administração municipal.
Por outro lado, o controle externo é efetivado pelo Poder Legislativo (Art. 70 da
Constituição de 1988), auxiliado pelos cortes de contas, o Tribunal de Contas da
União, os Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal e os Tribunais de
Contas dos Municípios.
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Mas e o controle exercido pelos cidadãos? A participação do cidadão no
controle da política pública denomina-se controle social. Em um país com
dimensões continentais e nível de complexidade administrativa como o
nosso, o controle social é necessário para contribuir para garantia da
eficiência, eficácia e efetividade do recurso público. Um exemplo de
contribuição que a sociedade pode utilizar é a ouvidoria dos tribunais de
contas. O controle social pode ser realizado de maneira direta, quando o
próprio cidadão fiscaliza o governo, ou pode ser realizado indiretamente,
por meio de instituições ou organizações, como, por exemplo, por meio dos
Conselhos Municipais. O Art. 74, inciso IV, parágrafo 2 estabelece que:
Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima
para, na forma da lei, denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o
Tribunal de Contas da União.
Conclusões da Aula
A fase de avaliação das políticas públicas busca, por meio de um exame sistemático,
mensurar a intervenção planejada do governo na realidade da sociedade, com relação
à eficiência, eficácia, efetividade e equidade.
A avaliação tem algumas características: ela é um julgamento, pois envolve um juízo e
valores; é sistemática porque segue metodologia preestabelecida; ela analisa os
problemas e as soluções, analisa também as estratégias, os processos da política
pública, os seus produtos; segue critérios específicos explícitos, e tem como objetivo
contribuir para o processo decisório, a melhoria do aprendizado institucional, e o
aumento da accountability* (Rua, 2014).
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Enquanto a avaliação é instrumento para controle de efetividade das políticas
públicas e programas e metas governamentais, o controle se foca nas esferas
orçamentária, fiscal, contábil e patrimonial.
* Accountability: não existe um termo em português para traduzir accountability,
mas é usado com o sentido de controle, responsabilização, prestação de contas,
transparência.
50
06
Controle Social, Lei da 
Transparência e Lei de 
Acesso à Informação
51
Fonte: Disponível aqui
Olá, Alunos!
Na aula anterior, estudamos sobre as formas de controle interno e externo das
políticas públicas. Vimos que o controle interno é realizado dentro da estrutura do
próprio órgão fiscalizado por meio das controladorias. O controle externo, por sua
vez, é realizado pelo legislativo e pelos Tribunais de Contas e Promotorias Públicas.
Aprendemos também que o controle realizado pela sociedade por meio de audiências
públicas e conselhos denomina-se controle social. Nesta aula, aprofundaremos
nosso estudo sobre controle social apresentando a Lei de Transparência e a Lei de
Acesso à Informação.
Lei da Transparência
A transparência na gestão pública e o acesso à informação são essenciais para que o
controle social possa ocorrer efetivamente. Não existe controle social sem
transparência e acesso à informação.
52
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_da_Transpar%C3%AAncia#/media/Ficheiro:P%C3%B3stico_da_lei_da_transpar%C3%AAncia.jpg
Acesse o link: Disponível aqui
TV Senado. Brasil é precursor em práticas de participação social na gestão
pública. Dados sobre a participação social na gestão pública foram
divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). E, em
época de eleição, é bom entender melhor como atuar para fiscalizar os
governantes já eleitos e os que vão ser eleitos também.
De acordo com o portal de transparência do Senado Federal, A Constituição Federal
de 1988 garante ao cidadão o acesso aos dados públicos gerados e mantidos pelo
governo. É direito de todo o cidadão ter acesso a informações sobre, por exemplo, de
onde vêm as receitas do Estado, como são gastos os impostos, quem são os
servidores públicos, quanto ganham, entre outros dados. Com o Poder Legislativo não
53
https://www.youtube.com/watch?v=V_n32q11sAM
é diferente. O dever de publicidade e transparência exige que as informações
administrativas e legislativas do Senado Federal estejam à disposição do cidadão de
forma rápida e simples.
A Lei complementar 131, de 27 de maio de 2009, sancionada pelo então Presidente
Luís Inácio Lula da Silva, conhecida como a Lei da Transparência ou Lei Capiberibe,
obriga a divulgação dos gastos previstos e realizados nos orçamentos da União,
Estados, Distrito Federal e Municípios.
De acordo com a Lei da Transparência, de autoria do Senado, a União, os estados e os
municípios com mais de cem mil habitantes devem divulgar os gastos na Internet, em
tempo real. Prevê, ainda, que qualquer cidadão, partido político, associação e
sindicato pode denunciar aos Tribunais de Contas dos Estados ou ao Ministério
Público o descumprimento das citadas leis.
Uma das formas de controle social nos Tribunais de Contas foi concretizada pela Lei
n.º 9.755/98, que estabelece a criação da página do Tribunal de Contas da União na
Internet. Estabeleceu que o TCU deveria criar uma homepage na Internet, com o título
"contas públicas", para divulgação de dados e informações governamentais
(Disponível em: https://portal.tcu.gov.br/contas/contas-publicas/).54
https://portal.tcu.gov.br/contas/contas-publicas/
Acesse o link: Disponível aqui
Acesse o link: Disponível aqui
O Portal da Transparência do Governo Federal traz toda a legislação sobre
transparência pública.
Conheça também o material produzido pelo portal de transparência do
Senado Federal. Além da legislação relativa, os materiais incluem vídeos,
animações e programas da TV Senado.
O acesso à informação é direito básico garantido em diversas normativas
internacionais, dentre elas, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a
Declaração Interamericana de Princípios de Liberdade de Expressão, e aqui eu
gostaria de enfatizar a iniciativa da Parceria para Governo Aberto – a OGP (Open
Government Partnership). Ela foi lançada em setembro de 2011, e trata-se de uma
iniciativa internacional da qual o Brasil participou como fundador para difundir e
incentivar ações governamentais para transparência dos governos, acesso à
informação e participação social. No Brasil, a Controladoria Geral da União é
responsável pela coordenação da iniciativa.
Foram oito os países fundadores da Parceria (África do Sul, Brasil, Estados Unidos,
Filipinas, Indonésia, México, Noruega e Reino Unido) que assinaram a Declaração de
Governo Aberto, que hoje conta com mais de 60 países signatários da declaração.
As iniciativas internacionais são importantes porque os países signatários assumem
compromissos para avançar no fortalecimento das democracias. Os países signatários
do Governo Aberto assumiram até hoje cerca de mil compromissos para tornar seus
países mais transparentes, dentre eles, compromissos de lutar contra a corrupção e
fomentar o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) nos governos.
55
http://www.portaltransparencia.gov.br/
https://www12.senado.leg.br/transparencia/sobre-1
Logo após a fundação da Parceria, e em consonância com a Declaração de Governo
Aberto, o Brasil sancionou a Lei 12.527/2011, ou Lei de Acesso à Informação – LAI, que
entrou em vigência em 2012.  
Acesse o link: Disponível aqui
Para mais informações sobre a iniciativa Governo Aberto, visite o site.
Lei de Acesso à Informação
Os principais marcos legais que garantem o acesso à informação no Brasil são, além
da Constituição de 1988, a Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar
101/2000, alterada pela Lei complementar 131/2009) e a Lei 12.527/2011 denominada
Lei de Acesso à Informação (LAI).
A Constituição Federal de 1988 prevê o acesso a informações no art. 5º, inciso XXXIII,
no Art. 37, § 3º, inciso II, além do art. 216, § 2º sobre a cultura: Cabem à administração
pública, na forma da lei, a gestão da documentação governamental e as providências
para franquear sua consulta a quantos dela necessitem (grifo nosso).
A Lei 12.527/2011, Lei de Acesso à Informação (LAI), concretiza a garantia fundamental
prevista na Constituição. A LAI busca mudar uma cultura de sigilo de ações
governamentais, comum na história da administração pública brasileira, para uma
cultura de transparência e controle social na administração pública. Assim, a regra
para os órgãos públicos é a publicidade dos atos, e o sigilo uma exceção.
A União, os estados e distrito federal e também os municípios são alcançados pela
LAI. A Constituição estabelece no Art. 5º - XXXIII que todos têm direito a receber dos
órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral.
56
https://web.archive.org/web/20140728041640/http://www.cgu.gov.br/governoaberto/a-ogp/iniciativa.html
Fonte: Disponível aqui
Vale lembrar que é possível estabelecer sigilo de determinadas informações públicas, mas
esses casos são considerados exceções, a regra é o acesso.
Além disso, o Art. 37 inclui a administração pública direta e indireta de qualquer dos
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios na regra de
acesso. Entidades privadas e sem fins lucrativos que recebam recursos públicos
também são regidas pela LAI. Assim, essas entidades devem tornar público os
recursos recebidos e a sua destinação.
Observa-se então que a lei busca aproximar a sociedade do governo. Essa
aproximação deve ser realizada por meio de canais de comunicação, em especial pela
Internet, como, por exemplo, o portal LAI para cidadãos mantido pelo governo federal
(GOVERNO FEDERAL, 2014)
A LAI se fundamenta nos seguintes princípios e diretrizes: o incentivo de uma cultura
de transparência da gestão pública que, por sua vez, fomenta a participação da
sociedade no controle social. A publicidade das informações públicas e de interesse
social deve ser entendida como regra geral e o sigilo como exceção, ressalvados os
casos de informação sigilosa e pessoal (segredo de justiça, segredo industrial). A
divulgação de informações de interesse da sociedade deve se dar
57
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_de_acesso_%C3%A0_informa%C3%A7%C3%A3o#/media/Ficheiro:P%C3%B3stico_lei_de_acesso_a_informa%C3%A7%C3%A3o.jpg
independentemente de solicitações, e, finalmente, o uso das tecnologias de
informação e comunicação para possibilitar a comunicação e aproximar a sociedade
do governo.
Diante do exposto, temos então dois tipos de divulgação de informações, chamadas
de transparência ativa, quando o poder público divulga as informações independente
de provocação por parte da sociedade; e a transparência passiva, quando o poder
público divulga as informações por requisição do cidadão.
Sobre a transparência passiva, devemos ressaltar que a Lei complementar 131/2009
que alterou a Lei de responsabilidade fiscal estabelece, no Art. 73-A: Qualquer cidadão,
partido político, associação ou sindicato é parte legítima para denunciar o respectivo
Tribunal de Contas e ao órgão competente do Ministério Público o descumprimento das
prescrições estabelecidas nesta Lei Complementar.
Vale ressaltar o canal de comunicação Sistema eletrônico do Serviço de Informação do
Cidadão (e-SIC) mantido pela CGU (https://esic.cgu.gov.br/sistema/site/index.aspx).
  Por esse sistema, qualquer pessoa física ou jurídica pode encaminhar pedidos de
acesso à informação.
Ainda, de acordo com a LAI, as informações de interesse geral devem ser divulgadas
em local de fácil acesso, como, por exemplo, na entrada ou na portaria dos prédios
públicos. Já com relação à disponibilização da informação na Internet, ela é
obrigatória. A LAI estabelece as ferramentas que os sites públicos deverão conter.
Dentre elas, vale ressaltar que as informações devem ser divulgadas de maneira que
o acesso pelos cidadãos seja possível tecnicamente. Vale dizer, o site deve conter a
ferramenta de pesquisa, deve permitir a gravação de relatórios em formato que
permita análise das informações, deve permitir acesso automatizado para ser lido por
máquinas e deve ter recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência.
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https://esic.cgu.gov.br/sistema/site/index.aspx
Acesse o link: Disponível aqui
O Senado Federal publicou uma cartilha para disseminar a importância da
Lei 12.527/2011, a Lei de Acesso à Informação (LAI) para a sociedade. A
publicação foi intencionada para a sociedade e também para profissionais
trabalhando nas instituições públicas. A cartilha LAI está disponível no site
do Senado Federal.
E o que acontece com o município que não se ajudar à LAI?
O município que não se ajudar à LAI está sujeito à sanção. De acordo com o art. 23, §
3º, inciso I, da Lei de Responsabilidade Fiscal, o município está impedido de receber
transferências voluntárias, ou seja, está impedida a entrega de recursos correntes ou
59
https://www12.senado.leg.br/transparencia/lai/cartilha%20LAI.pdf/view
de capital a título de cooperação, auxílio ou assistência financeira que não decorra de
determinação constitucional, legal ou destinado ao SUS.
Conclusões da Aula
Nosso país ainda tem muito a evoluir no tema transparência, acesso à informação e
controle social. Porém, percebe-se que a participação ativa da sociedade no controle
social da gestão dos recursos públicos por meio de acompanhamento e fiscalização é
crucial para o bomuso dos recursos públicos e o combate à corrupção.
A mudança da cultura do sigilo para a cultura da transparência deve ocorrer não
apenas nas instituições, mas na sociedade civil de modo geral. Os cidadãos devem ter
consciência de que a transparência e o acesso à informação são direitos garantidos
por muitos países no mundo e no Brasil, pela constituição. Os portais de
transparência são instrumentos para divulgar informações sobre a gestão pública,
permitem o acesso da sociedade a essas informações e devem ser amplamente
divulgados e acessados.
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07
O Papel das Tecnologias de 
Informação e Comunicação 
nas Políticas Públicas
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Introdução
O uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) de forma estratégica na
gestão pública, adotado a partir de 1990, foi denominado governo eletrônico.
Entende-se por governo eletrônico o conjunto de ações da administração pública que
buscam modernizar e agilizar os processos de gestão, prestação de serviços públicos,
mudando a forma de interação com os cidadãos, empresas e outros governos. O
governo eletrônico entendido além desse conjunto de ações busca melhorar a
administração e a governança, aumentar a eficiência, propiciar o monitoramento de
políticas públicas, promover a interação entre governo e cidadãos, além de fomentar
a democracia eletrônica aumentando a transparência, a accountability (controle,
prestação de contas) e a participação social.
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), a implementação do
governo eletrônico se dá em cinco fases ou estágios (United Nations Division for
Public Economics and Public Administration, 2001), e no último estágio, a
transformação digital se completa, ou seja, a cultura da gestão se reconfigura e se
transforma para melhorar os processos administrativos e a integração com a
sociedade. Os estágios são:
Estágio Emergente: a presença online oficial do governo é estabelecida por meio de
alguns sites oficiais independentes. As informações são limitadas, básicas e estáticas.
Estágio Aprimorado: há um aumento do número de sites governamentais e a
informação torna-se mais dinâmica. O conteúdo e a informação são atualizados com
maior regularidade.
Estágio Interativo: os usuários podem baixar formulários, enviar e-mail aos
funcionários, interagir pela web e fazer agendamentos e solicitações.
Estágio Transacional: os usuários podem pagar por serviços ou realizar transações
financeiras online.
Estágio Perfeito: há integração total de serviços e funções administrativas eletrônicas
que vão além das fronteiras administrativas e departamentais.
Atualmente, o Brasil utiliza o termo governo digital para denominar as políticas
públicas direcionadas para transformação dos serviços e funções administrativas. A
transformação digital buscada pelo governo brasileiro está associada à modernização
62
da administração pública por meio das tecnologias de informação e comunicação
(TIC), melhoria na eficiência da prestação de serviços administrativos, prestação de
serviços públicos eletrônicos e controle social e fomento da cidadania.
A popularidade da TIC e a disseminação da Internet entre a sociedade, além da
necessidade de maior eficiência e eficácia do governo para transparência,
mecanismos de controle, qualidade do gasto público e accountability (ou prestação de
contas) são fatores cruciais que impulsionaram as políticas públicas para o uso da
tecnologia no âmbito federal, estadual e municipal.
A Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização para Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE), e a Organização das Nações Unidas para a
Educação, Ciência e a Cultura (UNESCO) têm iniciativas e diretrizes para digitalizar os
governos ao redor do mundo. Como exemplo, podemos citar a pesquisa realizada
pela ONU desde 2001. Essa pesquisa avalia o progresso e esforços dos países na
implementação do governo eletrônico e elenca os países em uma classificação. A
OECD, por exemplo, tem estudos e recomendações sobre realizar a transformação
digital dos governos. Muitos países desenvolvidos já estão desenvolvendo políticas
públicas nesse sentido, e dentre eles, o Brasil.
63
Acesse o link: Disponível aqui
Na pesquisa da ONU sobre os países mais bem classificados em governo
eletrônico estão a Dinamarca, a Coreia e a Estônia.
Vale nota a afirmação da ONU sobre o impacto da pandemia causada pelo
COVID-19 nos governos eletrônicos. De acordo com a ONU, a pandemia
reafirmou o papel do governo digital, tanto na prestação de serviços quanto
nos esforços para lidar com a crise. De acordo com o relatório, muitos
governos e municípios estão buscando estratégias digitais como plataformas
para divulgar e compartilhar informações sobre a doença, serviços para
fornecimento de medicamentos, aplicativos para rastreamento e controle de
isolamento social, entre outros.
As Estratégias do Governo Digital para o período de 2020 a 2022 foram lançadas pelo
Decreto 10.332/2020. Essa nova estratégia está organizada em princípios e objetivos
para nortear a transformação digital, especialmente focadas em oferecer políticas
públicas e serviços de qualidade, mais simples e acessíveis com menor custo
(disponível em: https://www.gov.br/governodigital/pt-br/estrategia-de-governanca-
digital).
Vale ressaltar as iniciativas para fomentar a participação social. Como exemplo,
podemos discutir o e-cidadania mantida pelo Senado Federal (Disponível em:
https://www12.senado.leg.br/ecidadania/). Os cidadãos são convidados a contribuir
com ideias de propostas legislativas, a participar de eventos e a votarem em consultas
públicas.
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https://www.un.org/development/desa/publications/publication/2020-united-nations-e-government-survey
https://www.gov.br/governodigital/pt-br/estrategia-de-governanca-digital
https://www12.senado.leg.br/ecidadania/
Fonte: Disponível aqui
Acesse o link: Disponível aqui
A Carteira de Trabalho Digital agora pode ser feita online no mesmo dia
(antes o cidadão precisava esperar por 17 dias) e com o aplicativo, o cidadão
pode acompanhar sua vida laboral, acessar contratos de trabalho, solicitar
seguro-desemprego, consultar requerimentos e abono salarial.
A Carteira Digital de Trânsito é outro exemplo de avanço do governo digital.
O aplicativo permite consultar infrações, avisos de recall e emite alerta
quando o documento estiver para vencer.
Com relação ao alistamento militar obrigatório, os jovens podem optar por
se alistarem online, não havendo necessidade de se deslocarem até a Junta
de Serviço Militar.
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https://www12.senado.leg.br/ecidadania/
https://www.gov.br/pt-br/temas/carteira-de-trabalho-digital
Gostaríamos de mencionar a criação da Secretaria Especial de Modernização do
Estado em 2019, cujo objetivo principal são as políticas públicas direcionadas à
modernização do Estado. (Disponível em: https://www.gov.br/secretariageral/pt-
br/composicao/modernizacao-do-estado) A secretaria deve coordenar, planejar,
implementar, supervisionar e avaliar políticas públicas para a modernização do
Estado com o objetivo de simplificar serviços e políticas públicas, realizar
transformação digital de serviços públicos, coordenar a elaboração e implementação
da Estratégia de Governo Digital, entre outros.
Conclusões da Aula
Embora os esforços do governo federal para transformar o governo e a cultura 
organizacional, e se alinhar às recomendações internacionais de governo eletrônico 
estejam avançando, há muitos desafios a serem enfrentados. A transformação digital 
é desafiadora, especialmente porque nem todos os estados e municípios 
acompanham a evolução digital. A dimensão do país e consequente diferença na 
cultura e nos contextos regionais são o primeiro entrave para transformação digital. 
Como exemplos de dificuldades, podemos citar que a Internet não cobre toda a 
extensão do território e o baixo nível de escolaridade no país é uma causa de 
exclusão digital. Se, por um lado as TIC podem facilitar a vida das pessoas e seu 
desenvolvimento deve estar na agenda do poder público, por outro lado, promover 
ações para

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