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Queimaduras

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hipovolemia e choque levando a morte
Em torno de 18 horas volta a ser impermeável a albumina.
O pico do edema é em torno de 24 horas.
Quando o paciente tem queimadura de vias aéreas pode fazer uma insuficiência respiratória
obstrutiva
Complicações agudas das queimaduras
As principais causas de morte imediata são a falta de hidratação adequada ou a lesão
respiratória.
- Choque hipovolêmico
- Insuficiência respiratória aguda:
- imediato: pode ocorrer por inalação de monóxido de carbono e gases tóxicos;
- depois de algumas horas: edema de vias aéreas e/ou pulmonar
- síndrome do desconforto respiratório devido à ativação da cascata inflamatória
- pneumonia
- embolia pulmonar relacionada a TVP
- Insuficiência renal aguda
- uso de antibióticos nefrotóxicos
- Hemorragia digestiva alta por úlcera de Curling
- Carcinoma escamoso devido a degeneração da queimadura de 3º grau → lesão de Marjolin
- ocorre principalmente quando não foi feito enxerto
- por isso o paciente com queimadura de 3º precisa ser acompanhado com biópsia
- Síndrome compartimental/hemorragias
- Distúrbios metabólicos: Quando ocorre uma queimadura há uma resposta endócrina,
metabólica e imunológica ao trauma, o que gera um grande aumento da permeabilidade
vascular. Então, o paciente começa a perder líquido para o terceiro espaço. Por isso, é
fundamental que hidrate de forma adequada o paciente.
- Insuficiência cardíaca
Atendimento pré-hospitalar
- Primeiramente deve-se garantir a segurança do socorrista (Avaliar a segurança da cena)
- Diante de um paciente queimado, deve-se atentar a segurança da cena incluindo a
segurança de que vai realizar o socorro. Por exemplo, em uma queimadura química é
importante saber que se colocar a mão naquela queimadura e se contaminar também.
- Retirar o agente agressor
- abafando
- jogando água (em temperatura ambiente)
- rolando no chão (protegendo o rosto)
- não correr porque aumenta o oxigênio, aumentando a queimadura
- Retirar o paciente do ambiente fechado com fumaça ou zona de risco
- Retirar as roupas, joalheria
- Jogar água só até 30 minutos após a queimadura (depois disso a lesão já se consolidou e
jogar água para resfriar será em vão)
- em temperatura ambiente
- ou morna quando for queimadura química
- Prevenção da hipotermia: envolver o paciente em lençóis ou cobertores secos
- Decidir se o paciente precisa de um centro especializado de tratamento de queimados
- para isso precisa avaliar se o paciente é um grande queimado
Atendimento inicial do grande queimado
- Avaliação inicial: ABCDEF
- Avaliação SCQ, profundidade e regiões atingidas
- Avaliação secundária: lesões associadas (fraturas, hemorragias)
- Avaliar gravidade e necessidade de internação e a necessidade de internação em unidade de
queimados
A
Avaliação das vias aéreas e coluna cervical
- Presença de edema de vias aéreas superiores ou outras obstruções (secreções, vômitos,
sangue, fraturas, etc)
- Avaliação e coluna cervical-politraumas e explosões
- Administrar oxigênio a 100% por máscara
- definir se precisa de intubação orotraqueal:
- rouquidão
- estridor
- rebaixamento do nível de consciência
- SCQ > 40-50%
- queimadura extensa em face, cavidade oral
- cervical circunferencial (escara)
B
Avaliação da respiração
- Movimentos respiratórios
- Lesões de parede torácica, fraturas, tórax instável, pneumotórax, hemotórax
- Nível de consciência: Glasgow abaixo de 9 avaliar a possibilidade de intubação e VM
- etiologias de depressão respiratória: trauma crânio encefálico (TCE), uso de drogas,
intoxicação por CO ou outros
- Complicações respiratórias:
- queimadura em face e pescoço:
- inalação de fumaça quente, queimando via aérea superior (NÃO QUEIMA
PULMÃO!) → lesão térmica das VAS
- clínica: edema e hiperemia de orofaringe, rouquidão, estridor →
indicação de intubação precoce (pode ter insuficiência respiratória
imediata)
- diagnóstico: clínico (laringoscopia)
- tratamento: suporte ventilatório
- inalação de fuligem, de fumaça suja, “sujando o pulmão” → lesão pulmonar por
inalação
- clínica: sibilos, tosse, escarro carbonáceo. Pode ter insuficiência
respiratória em mais ou menos 24h
- diagnóstico: broncoscopia
- tratamento: nebulização com broncodilatadores, se for refratário ao
tratamento: nebulização com heparina ou com NAC. Em última instância:
broncoscopia
- incêndios em recintos fechados: inalação de fumaça tóxica (fria e limpa)
- intoxicação por monóxido de carbono (CO)
- clínica: cefaleia, redução do nível de consciência
- diagnóstico: dosar carboxihemoglobina na gasometria (aumentada)
- tratamento: aumentar a fração inspirada de oxigênio para competir com
o monóxido de carbono (medicina hiperbárica seria o ideal)
- intoxicação por cianeto
- clínica: redução do nível de consciência. O cianeto impede o uso celular
do oxigênio, fazendo a célula sair do metabolismo aeróbio e ir para o
metabolismo anaeróbio, havendo a produção de ácido láctico
- diagnóstico: dosar lactato e cianetos (aumentados)
- tratamento: hidroxicobalamina em altas concentrações (o cianeto vai se
ligar a ela virando cianocobalamina, que é inerte e não traz nenhum
problema ao paciente). Pode usar o tiossulfato de sódio também (menos
usado atualmente)
Paciente apresentava síndrome restritiva respiratória por causa do edema, impedindo a
expansão torácica. Então, foi feita escarotomia para liberação da parede torácica para fazer uma
ventilação satisfatória
C
Avaliação da circulação
- Pulso, pressão e ritmo cardíaco
- Hipovolemia e choque são de instalação lenta e progressiva e se ocorreram estão
relacionadas ao retardo do atendimento e/ou hidratação venosa inadequada
- Avaliação de arritmias, principalmente em choque elétrico
- Avaliar associação com choque hemorrágico (hemorragia pode ser interna)
- A reanimação volêmica deve ser feita com acesso periférico (pode-se puncionar na pele
queimada, mas será mais difícil de encontrar um vaso)
D
Avaliação neurológica e incapacidades
- Avaliação de nível de consciência AVDI (alerta, resposta ao estímulo verbal, resposta ao
estímulo doloroso e inconsciente aos estímulos), pela escala de Glasgow (abertura ocular,
melhor resposta motora e melhor resposta verbal)
- Paciente com glasgow baixo: sempre lembrar de intoxicação por CO, uso de drogas e TCE
E
Exposição com controle da hipotermia
- Retirada das vestes e adornos com controle da temperatura
- pode fazer isquemia do dedo que está com anel, por exemplo, devido o edema
- Avaliação das áreas queimadas e politraumatizadas
F
Início da fluidoterapia
- início precoce
- consenso em grandes queimados (≥ 20% SCQ/adulto e ≥ 10% crianças)
- acesso venoso calibroso, periférico, preferencialmente por punção, em região de cintura
escapular e em área não queimada
- outras vias como a intraóssea pode ser usada
Ressuscitação hídrica nas primeiras 24 horas
- uso de fórmulas norteia a hidratação
- iniciar com cristalóide (Ringer lactato preferencialmente). A recomendação da hidratação é
que inicialmente utilize Ringer lactato aquecido para evitar a hipotermia
- fórmula de Parkland revisada: 2 a 4 ml/kg/SCQ
- ½ do volume em 8 horas após queimadura
- ½ do volume em 16 horas
É importante considerar o momento da queimadura e o volume prévio
Não faz colóide nas primeiras 24 horas da queimadura
Ressuscitação em crianças
- Peso/SC
- Hidratação com fórmula de Parkland com metade da necessidade hídrica basal
Atendimento Hospitalar (P.S.)
- Anamnese e exame físico simultâneos
- História, com horário da lesão, agente, condição de primeiro atendimento e presença de
traumatismos associados
- Patologias prévias, uso de drogas, alergias e imunização antitetânica
- Mulher: questionar possibilidade de gestação
- Condições sócio-econômicas: em alguns casos há indicação de internação social
Internações em Unidade de Queimados
É considerado um grande queimado:
- Queimaduras de 2º grau ≥ 10% de SC
- Queimaduras de 3º grau ≥ 2 de SC (há literaturas que indicam internação em qualquer
porcentagem de queimadura de 3º)
- Queimaduras especiais,

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