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DISSÍDIOS COLETIVOS

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FACULDADE ALFREDO NASSER
INSTITUTO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS - ICJ
CURSO DE DIREITO
DISSÍDIOS COLETIVOS
Trabalho formulado para compor nota para P2 na disciplina de Processo do Trabalho, sob a orientação do professor Paulo Pinho
APARECIDA DE GOIÂNIA – GO
2022
1. DISSÍDIOS COLETIVOS
Sabe-se que no direito do trabalho, as fontes formais podem ser elaboradas pelo Estado, ou então pelos destinatários da norma sem que o Estado participe (fontes formais autônomas). Entre essas fontes formais autônomas têm-se os acordos e as convenções coletivas, onde os próprios sujeitos criam as normas (sindicatos e empresas), que em regra criam direitos aos integrantes dessa determinada categoria ou categorias.
Porém, quando as partes não entram em um consenso, essa responsabilidade é transferida para um terceiro, por meio da arbitragem, onde o “julgador” é escolhido pelas partes.
Mas também pode acontecer a intervenção do Poder Judiciário, através do ajuizamento de um dissídio coletivo, que é um processo judicial com a finalidade de solucionar conflitos coletivos nas relações de trabalho, o qual busca criar, modificar e extinguir condições gerais de trabalho.
No dissídio coletivo existe os interesses abstratos de um grupo ou categoria, que, como dito, tem o intuito de criar, modificar ou extinguir condições de trabalho, portanto, não está diante de normas preexistentes.
1.1. Classificação
Os dissídios coletivos são classificados em:
a) Dissídio Econômico: é o que constitui as normas e as condições de trabalho, podendo estar ligados às normas econômicas ou sociais.
As cláusulas econômicas se destinam às criação das normas que têm conteúdo econômico, financeiro, como acontece nos casos de ajustes de salário; já as cláusulas sociais estão ligadas as condições que regulam e fixam novas normas para as condições de trabalho sem possuir nenhum conteúdo econômico, como aquelas normas que estão ligados aos intervalos descanso e refeição durante a jornada de trabalho;
b) Dissídio Jurídico: é o que busca interpretar as cláusulas das sentenças normativas, acordo e convenção coletiva, dispositivos legais particulares de categorias profissional ou econômica como também de atos normativos.
Em outras palavras, o dissídio coletivo jurídico interpreta ou declara o alcance de uma norma jurídica, podendo ser uma lei, uma convenção coletiva, acordo coletivo, sentença normativa, ou qualquer ato normativo.
c) Dissídio Revisional: é o destinado a reavaliar as normas e as condições coletivas do trabalho que já são preexistentes, que já tenham tornado ineficazes ou injustas devido a modificação das circunstâncias que as criaram;
d) Dissídio de Greve: é o que visa declarar se é abusiva ou não determinada paralisação do trabalho devido a uma greve;
e) Dissídio Originário: é quando não existe ou as normas não estão mais em vigor para determinada categoria.
1.2. Poder Normativo
Como já dito, a direito do trabalho permite que as normas jurídicas sejam instituídas pelas partes, através de acordo e convenção coletiva, e, quando as partes não entram em um consenso, entram com um dissídio coletivo para que a Justiça do Trabalho decida, a partir daí surge o poder normativo, que é uma função atípica do judiciário.
O poder normativo só tem incidência nas modalidades de dissídio coletivo econômico, revisional ou originário, ou seja, não atinge os dissídios de greve e nem o originário. Isso acontece porque no dissídio jurídico, o Poder Judiciário é provocado com o objetivo de interpretar uma norma jurídica trabalhista preexistente, e no dissídio de greve, ele irá declarar a abusividade ou não da greve, o que significa que em ambos os casos há função típica do judiciário qual seja, de julgar.
1.3. Competência
O dissídio coletivo é de competência material na Justiça do Trabalho. E a competência funcional é originária dos Tribunais e é definida pela extensão territorial do conflito, desse modo, a competência funcional restringe-se à jurisdição de um tribunal, ou seja, o Tribunal Regional do Trabalho do local em que ocorreu o conflito, e o Tribunal Superior do Trabalho é competente para julgar os dissídios coletivos com conflitos em cadeia nacional. 
Existe somente uma exceção: o Estado de São Paulo possui dois tribunais (TRT da 2º. e da 15º Região). Nessa hipótese, se o conflito atingir a jurisdição de ambos os tribunais, o TRT da 2º Região será o competente para o dissídio coletivo, nos termos do art. 12 da Lei no 7.520/86. É importante consignar que, nesse caso, não se trata de conflito de competência, mas sim de competência originária em decorrência da extensão do conflito.
1.4. Legitimidade
As partes de um dissídio coletivo recebem o nome de suscitante, que é quem instaura o dissídio, e suscitado, e quem tem legitimidade para instaurar o dissídio são:
a) Sindicatos: os dissídios coletivos são instaurados em regra pelos sindicatos, entretanto, quando não houver sindicato para determinada categoria econômica ou profissional, a representação poderá ser feita pelas federações correspondentes, e na falta destas, das confederações respectivas, no âmbito de sua representação.
A comprovação da legitimidade do sindicato se dá através do seu registro no Órgão Competente do Ministério Público do Trabalho;
b) Empregadores: quando a tentativa de acordo ou convenção coletiva for frustrada, os empregadores podem ajuizar um dissídio coletivo, independente de intervenção do sindicato da categoria profissional;
c) Comissão de Trabalhadores: possui legitimidade somente nos casos de greve e que não se tenha o sindicato da categoria para representá-los;
d) Ministério Público do Trabalho: é legitimo nos casos que acontecer greve dos trabalhadores de alguma atividade essencial e que exista a possibilidade de se lesar o interesse público;
Pois bem, todos esses sujeito possuem legitimidade para ajuizar o dissídio coletivo perante os Tribunais Regionais do Trabalho ou do Tribunal Superior do Trabalho, mas também existem os sujeitos que não possuem legitimidade para ajuizar o dissídio coletivo, que são:
a) O presidente do Tribunal Superior do Trabalho: mesmo que o artigo 856 da CLT preveja que o presidente do Tribunal possui legitimidade para ingressar como dissídio coletivo, a doutrina é pacífica ao garantir que essa possibilidade fere o princípio da inércia da jurisdição, e não deve ser aplicado. A doutrina também entende que esse artigo não foi recepcionado pela Constituição Federal, quando esta incluiu o comum acordo em seu artigo 114 § 2º, e também que essa instauração seria uma forma de o Estado interferir nas organizações sindicais, o que é vedado pelo artigo 8, I da Carta Magna;
b) As Centrais Sindicais: essas também não são legitimadas, pois, mesmo que exerçam um papel importante nas relações de trabalho, elas não fazem parte da organização sindical, e por isso não podem fazer acordo e nem convenção coletiva, e tampouco ajuizar um dissídio coletivo.
 
1.5. Pressupostos Processuais Específicos
1.5.1. Negociação Prévia
Para instaurar o dissídio coletivo é necessário que as partes tenham tentado solucionar o conflito diretamente, ou seja, o dissídio só será permitido se a tentativa de autocomposição tiver sido frustrada, total ou parcialmente, por isso, é necessário que todas as tentativas de negociação coletiva tenham sido esgotadas para se instaurar o dissídio, conforme estabelecem os artigos 114 § 2º da Constituição Federal e 616 § 2º da Consolidação das Leis do Trabalho, in verbis:
Art. 114, § 2º:. Recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou à arbitragem, é facultado às mesmas, de comum acordo, ajuizar dissídio coletivo de natureza econômica, podendo a Justiça do Trabalho decidir o conflito, respeitadas as disposições mínimas legais de proteção ao trabalho, bem como as convencionadas anteriormente. 
A.rt. 616, § 2º: No caso de persistir a recusa à negociação coletiva, pelo desatendimento às convocações feitas pelo Departamento Nacional do Trabalho ou órgãos regionais do Ministério de Trabalho e Previdência Social, ou se malograr a

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