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DISSÍDIOS COLETIVOS

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negociação entabulada, é facultada aos Sindicatos ou empresas interessadas a instauração de dissídio coletivo. 
Isso acontece porque o dissídio coletivo é utilizado em último caso para se solucionar os conflitos e a autocomposição deve ser priorizada.
1.5.2. Autorização em Assembleia
O dissídio coletivo procura tutelar os interesses das categorias econômicos e profissionais e não dos sindicatos, assim, para que ele possa ser instaurado existe a necessidade da autorização da categoria, que é feita através de assembléia, como dispõe a OJ nº 29 da SDC:
Orientação Jurisprudencial nº 29 da SDC do TST. Edital de convocação e ata da assembleia geral. Requisitos essenciais para instauração de dissídio coletivo. O edital de convocação da categoria e a respectiva ata da AGT constituem peças essenciais à instauração do processo de dissídio coletivo.
Desse modo, conforme dispõe o artigo 859 da CLT, A representação dos sindicatos para instauração da instância fica subordinada à aprovação de assembléia, da qual participem os associados interessados na solução do dissídio coletivo, em primeira convocação, por maioria de 2/3 (dois terços) dos mesmos, ou, em segunda convocação, por 2/3 (dois terços) dos presentes.
Porém, no dissídio de greve, o quórum é determinado no estatuto do sindicato, por força do artigo 4º, § 1º, da Lei nº 7.783\89.
1.5.3. Comum Acordo
O artigo 114, § 2º da Constituição Federal faz a exigência de que para se instaurar o dissídio coletivo, é necessário que se tenha o comum acordo entre as partes.
Já a doutrina entende que é uma exigência constitucional a qual visa estimular a negociação coletiva, e, no dissídio econômico, o judiciária atua com uma função atípica de legislar, significando que tal pressuposto não viola inafastabilidade da jurisdição.
O comum acordo pode ser expresso, ou seja, aquele que as partes assinam em conjunto a petição inicial, o concordam expressamente com o ajuizamento do dissídio. E pode ser tácito, ou seja, quando o dissídio é ajuizado e a parte contrária não se opõe a ele na primeira oportunidade que poderia ter acontecido.
Parte da doutrina entende que esse pressuposto pode ser afastado quando existir uma recusa injustificada, o que admite nesse caso o suprimento judicial. 
Cumpre salientar que o entendimento majoritário é no sentido de que o comum acordo não se aplica ao dissídio de greve e ao dissídio de natureza jurídica. 
1.5.4. Época própria para ajuizamento
Se existir convenção, acordo ou sentença normativa em vigor, o dissídio coletivo deve ser instaurado dentro dos 60 dias anteriores ao respectivo termo final, para que o novo instrumento possa ter vigência no dia imediato a esse termo, conforme dispõe o artigo 616, § 3º da CLT.
Não observando referido prazo, perde a categoria a sua data-base, passando a sentença normativa a ter vigor, a partir de sua publicação.
1.6. Procedimento
A petição inicial do dissídio coletivo será apresentada em tantas vias quantos forem os suscitados e deverá conter: a designação e qualificação das partes e também a natureza do estabelecimento ou do serviço; e também os motivos do dissídio e as bases de conciliação.
Recebida e protocolada a representação, e estando na devida forma, o presidente do Tribunal irá designar a audiência de conciliação, dentro do prazo de 10 dias, conforme dispõe o artigo 860 da CLT, determinando a notificação dos dissidentes, com observância do disposto no artigo 841 também da CLT.
De acordo com o artigo 861 da CLT o empregador ser representado na audiência pelo gerente, ou por qualquer outro preposto que tenha conhecimento do dissídio, e por cujas declarações será sempre responsável.
Na audiência que o juiz designar, e que ambas as partes ou seus representantes comparecerem, o presidente do Tribunal as convidará para se pronunciarem sobre as bases da conciliação. Caso não sejam aceitas as bases propostas, o presidente submeterá aos interessados a solução que lhe pareça capaz de resolver o dissídio, conforme dispõe o artigo 862 da CLT.
Se houver acordo, o presidente o submeterá à homologação do Tribunal na primeira sessão. E dessa decisão de homologação não caberá nenhum recurso, salvo por parte do Ministério Público do Trabalho.
E se não houver acordo, ou não comparecendo ambas as partes ou uma delas, o presidente submeterá o processo a julgamento, depois de realizadas as diligências que entender necessárias e ouvido o Ministério Publico do Trabalho, que emitirá parecer escrito, ou protestará pelo pronunciamento oral, na audiência ou sessão de julgamento, como disposto no artigo 864 da CLT.
E mesmo se não houver resposta os efeitos da revelia não são aplicados no dissídio coletivo, ou seja, não haverá a confissão ficta, pois o julgamento é feito com base em critérios de convivência e oportunidade.
Se no decorrer do dissídio houver perigo de perturbação da ordem, o presidente requisitará a autoridade competente que se tome as providências necessárias, nos moldes do artigo 865 da CLT.
Quando o dissídio acontecer fora da sede do tribunal, se o presidente julgar conveniente ele poderá designar ao juiz do trabalho o local para que a audiência de conciliação seja realizada, e se não houver a audiência a autoridade delegada irá encaminhar o processo ao Tribunal.
Da decisão do tribunal serão notificadas as partes, ou seus representantes, em registrado postal, com franquia, fazendo-se, igualmente, a sua publicação no jornal oficial, para ciência dos demais interessados (CLT, art. 867).
1.7. Sentença Normativa
A sentença proferida no dissídio coletivo é denominada de sentença normativa e pode criar as seguintes cláusulas: as econômicas, sociais, sindicais e obrigacionais.
Nas hipóteses das cláusulas econômicas, a natureza da decisão é dispositiva e constitutiva, pois elas instituem novas condições para o trabalho, ou seja, ela cria normas jurídicas. Nesse caso, por criar normas abstratas e gerais, a sentença tem aspecto material de lei, diferenciando desta apenas no contexto formal. Diz-se que ela tem corpo de sentença com alma de lei.
Nos dissídios de natureza jurídica e de greve, a natureza da sentença é declaratória, vez que interpreta determinada norma ou declara a abusividade ou não da greve.
 A sentença normativa começará a vigorar a partir da data de sua publicação, quando ajuizado o dissídio após o prazo do art. 616, § 3º, ou, quando não existir acordo, convenção ou sentença normativa em vigor, da data do ajuizamento.
E a partir do dia imediato ao termo final de vigência do acordo, convenção ou sentença normativa, quando ajuizado o dissídio no prazo do art. 616, § 3º.
O seu prazo de vigência é de 4 anos, porém o tribunal pode estabelecer prazos menores, como tem acontecido na prática, para estimular os sindicatos a iniciar novas tentativas de negociação.
Quando o dissídio for dirigido a apenas uma categoria de trabalhadores é possível que seus efeitos sejam estendidos para todos os empregados da mesma empresa e também para todos os empregados da mesma categoria profissional da mesma jurisdição do tribunal.
Sempre que o tribunal estender a decisão, marcará a data em que a extensão deva entrar em vigor (CLT, art. 871).
1.8. Coisa Julgada
Quanto a coisa julgada, a doutrina diverge sobre ela onde:
A 1ª corrente diz que a sentença normativa faz somente coisa julgada formal já que poderá ser revista após 1 ano de sua vigência, além de ter vigência limitada no tempo. Desse modo, como a sentença normativa não é imutável, ela não faz coisa julgada material. Esse é o entendimento adotado na Súmula nº 397 do TST.
Já a 2ª corrente diz que ela faz coisa julgada formal e material. Primeiro, porque, embora temporária, a sentença normativa é imutável durante sua vigência. Segundo, porque sua modificação, após 1 ano, depende de alteração fática (CLT, art. 873), o que significa que a ação de revisão não viola a sentença normativa porque possui causa de pedir diversa (CPC, art. 471), ou seja, não são ações idênticas. Terceiro, porque o próprio art. 20, I, "c", da Lei no 7.701/88 assegura a ação rescisória da

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