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Hemorragias da primeira metade da gestação

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na lise das aderências sob visão 
histeroscópica. Para evitar a 
formação de novas aderências, 
proconiza-se a inserção de DIU ou 
cateter do Foley insuflado. A 
administração de estrógeno também 
é recomendada para a proliferação 
endometrial (reepitelização). 
• Malformações mullerianas: útero 
bicorno (modifica o sítio de 
implantação) 
• Mioma: principalmente os intramurais 
e os submucosos, pois distorcem a 
cavidade uterina. Por conta do mioma 
podem ocorrer deciduação 
deficiente na região de implantação 
do ovo e rápido crescimento 
tumoral, resultado dos hormônios 
produzidos na gestação. Além de 
prejudicar o desenvolvimento do 
produto conceptual, seu rápido 
crescimento faz com que seu 
suprimento sanguíneo seja 
deficitário, levando a necrose e 
liberação de citocinas, o que estimula 
a contratilidade uterina e 
abortamento. 
• Incompetência cervical (abortos mais 
tardios – entre 18 e 20 semanas): a 
mulher pode ter a deficiência na 
produção de algum tipo de colágeno, 
pode ter lesões no orifício interno 
por partos/curetagens anteriores (ou 
seja, pode ocorrer por defeitos 
estruturais ou funcionais) -> é indolor 
e geralmente não há sangramento 
(essas perdas ocorrem cada vez 
mais cedo se a mulher continuar 
engravidando). Mais comum quando 
há malformações uterinas. 
Responsável por 10-20% dos 
abortamentos de repetição. O 
tratamento consiste na cerclagem 
(prevenir o encurtamento e a 
abertura prematura do colo por meio 
de sutura circular no nível de seu 
orifício interno). Se não puder fazer 
a cerclagem tem a possibilidade de 
usar o pessário (pode levar a muita 
secreção de muco vaginal) 
Drogas e agentes nocivos 
• Tabagismo: mulheres que fumam 
mais que 10 cigarros/dia apresentam 
maior risco de abortamento. 
Vasoconstrição e danos placentários 
podem estar implicados na gênese 
do abortamento em fumantes 
• Álcool: o consumo moderado ou 
excessivo de álcool na gestação se 
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relaciona com maior risco de 
abortamento. 
Trauma 
• No trauma grave, o produto 
conceptual pode sofrer trauma 
direto ou, ainda, sofrer 
consequências danosas em função 
do estado hemodinâmico materno. 
Formas Clínicas 
 
Ameaça de aborto (20-25%) ou aborto 
evitável 
 Sangramento vaginal em pequena 
quantidade, acompanhado ou não com cólica 
na região hipogástrica, com feto vivo e colo 
impérvio. O exame ultrassonográfico pode 
demonstrar um hematoma subcoriônico (4-
40% das ameaças), o que está relacionado 
com maior risco de perda fetal Riscos: 
• Prematuridade 
• Baixo peso ao nascer 
• Morte perinatal 
Tratamento: analgesia se tiver dor, 
progesterona (principalmente se houver 
hematoma associado). Conduta expectante 
OBS: apesar de ser muito difundido, não 
há evidencias que provem que o repouso no 
leito melhore o prognóstico das pacientes e 
do feto. 
Aborto retido 
Ausência de BCF, sem expulsão fetal (se 
for detectado ausência de BCF não 
diagnosticar como aborto logo de cara, tentar 
de novo após 1 semana). Também há 
regressão dos sinais gravídicos (altura uterina, 
circunferência abdominal) 
• Regressão de alterações mamárias 
• Coagulopatia (> 4 semanas de feto 
morto retido) -> ocorre em 
gestações mais avançadas 
• Conduta expectante se ocorre de 
forma precoce dentre do 1º 
trimestre, pois até 3 semanas após o 
abortamento o ovo costuma ser 
expulso. O abortamento retido tardio 
(no 2º trimestre ou > 12 semanas), a 
melhor conduta é a expulsão 
imediata com o uso de misoprostol 
e, em seguida, complementação 
com curetagem uterina. 
Aborto inevitável 
Traduz pela dilatação do colo permitindo a 
detecção das membranas ovulares ou até 
mesmo do embrião, logo, apesar de não 
haver ainda expulsão do concepto, é 
inevitável o abortamento. 
• Sangramento importante (pode 
comprometer a paciente 
hemodinamicamente) 
• Dilatação cervical 
• Amniorrexe 
• Sem expulsão de tecido placentário 
ou fetal 
Conduta: como o feto ainda não foi 
expulso da cavidade uterina, a conduta é 
com misoprostol + curetagem 
Aborto incompleto 
Sangramento moderado ou intenso, 
acompanhado de dor abdominal em cólica, 
geralmente de forte intensidade. No exame 
físico materno pode-se evidenciar anemia, 
taquicardia e hipotensão arterial. 
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Expulsão de parte, mas não de todo 
o produto da concepção, antes de 20 
semanas completas de gestaçã0 (expulsão 
do feto, mas permanência da placenta ou 
restos placentários) 
Conduta: se < 12 semanas realizar 
misoprostol ou AMIU, se > 12 semanas 
orienta-se a curetagem 
Aborto completo 
Expulsão espontânea de todo tecido 
fetal e placentário da cavidade uterina antes 
de 20 semanas completas de gestação. Os 
sintomas são redução ou parada do 
sangramento e das cólicas após a expulsão 
do ovo íntegro. No entanto, se o episódio 
aconteceu e o diagnóstico seria dado apenas 
com o relato colhido na anamnese, o ideal é 
que seja solicitado um exame de imagem que 
possibilite a confirmação do diagnóstico. 
A conduta é expectante, devendo 
haver apenas monitoramento da hemorragia. 
Aborto infectado 
 Resulta da tentativa de esvaziar o 
útero com uso de instrumentos inadequados 
e técnicas inseguras, o que leva a infecções 
poli microbianas compreendendo 
microrganismos da flora genital e intestinal 
 O sangramento costuma ter odor 
fétido e os demais sintomas variam de acordo 
com o grau e local de acometimento: 
• Endométrio e miométrio: cólicas 
intermitentes, febre 38°C, dor à 
palpação abdominal e à 
mobilização do colo 
• Peritônio pélvico: febre 39°C, dor 
mais intensa, comprometimento 
do estado geral, colo aberto com 
saída de conteúdo purulento, 
sinais de peritonite que dificultam 
inclusive a tentativa de 
mobilização do colo uterino 
O leucograma apresenta perfil de 
infecção e, na USG em alguns casos nota-se 
abcesso em fundo de saco. O tratamento 
consiste no uso de antibióticos (ATB) e na 
remoção do foco infeccioso. Esquema de 
ATB: 
 
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 O esquema mais utilizado é: ampicilina 
+ gentamicina + metronidazol 
Em seguida, realiza-se a curetagem 
para a remoção do foco infeccioso. Se 
suspeita de perfuração/abcesso/lesão de alça, 
proceder para laparotomia 
Aborto habitual ou recorrente 
• 2 (ACOG) ou 3 (ESHRE) perdas 
subsequentes 
• Primário (só aborta) ou 
secundário (aborta mas 
consegue ter filho) 
• 1 a 2% dos casais em idade 
reprodutiva 
• 50% sem causa definida 
Aborto terapêutico (é uma possibilidade, não 
uma obrigação) 
• Interrupção da gestação antes da 
viabilidade fetal 
• Prevenir lesão corporal grave ou 
permanente da mãe 
• Exemplos: doença cardíaca grave 
com descompensação, hipertensão 
maligna, câncer avançado 
• Estupro 
• Malformações incompatíveis com a 
vida (autorização legal) 
 
Tratamento 
Conduta expectante 
 Utilizada em casos selecionados de 
perda gestacional precoce, com taxas 
variadas de sucesso, dependendo 
principalmente do tipo de abortamento e dos 
sintomas da paciente. 
 Em casos de abortamento 
incompleto, este tipo de conduta tem sido 
empregado há alguns anos e mostra 
resultados estimulantes. 
 
 
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Tratamento medicamentoso 
 Alternativa para as mulheres que 
estão principalmente no primeiro trimestre e 
que não querem ser submetidas ao 
tratamento cirúrgico. 
Misoprostol 
• É um análogo sintético de 
prostaglandina E 1 (um) 
• Inicialmente utilizado para a 
prevenção de úlceras péptica 
• Pode ser utilizado para o 
esvaecimento cervical pré-
curetagem, no tratamento 
medicamentoso do abortamento e 
do óbito fetal, na indução do TP e na 
hemorragia pós-parto 
• Dose: 600 microgramas 
• Vias de administração: oral, sublingual, 
vaginal e vaginal com adição de água 
• Efeitos adversos: náuseas, vômitos, 
diarreia, hipertermia e tremor 
• Contraindicações: cicatriz uterina 
(qualquer cicatriz), asma (pode induzir 
a broncoconstrição), placenta prévia 
(ocasionará sangramento maciço) 
É teratogênico: hidrocefalia, extrofia

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