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Direito Tributário e Direito Financeiro STF

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RESUMO DOS INFORMATIVOS - SITE DIZER O DIREITO
DIREITO TRIBUTÁRIO e DIREITO FINANCEIRO
Atualizado em 05/12/2020: novos julgados + questões de concurso
Pontos atualizados: nº 29 (Info 955); nº 10 (Info 957); nº 07 (Info 962); nº 02 (Info 855 e Info 964); nº 07 (Info 992); nº 21 (Info 992)
1. PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE 
1.1. Princípio da anterioridade tributária e revogação de benefício fiscal – (Info 757) – IMPORTANTE!!! TEMA POLÊMICO!!!
	A revogação de benefício fiscal deverá obedecer ao princípio da anterioridade tributária? 
· SIM. O ato normativo que revoga um benefício fiscal anteriormente concedido configura aumento indireto do tributo e, portanto, está sujeito ao princípio da anterioridade tributária. Precedente da 1ª Turma do STF. 
· NÃO. A revisão ou revogação de benefício fiscal, por se tratar de questão vinculada à política econômica, que pode ser revista pelo Estado a qualquer momento, não está adstrita à observância das regras de anterioridade tributária. Precedente da 2ª Turma do STF. 
STF. 1ª Turma. RE 564225 AgR/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 2/9/14 (Info 757). 
STF. 2ª Turma. RE 617389 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. 08/05/12.
1.2. Se a lei de conversão aumentou a alíquota prevista na MP, a regra da anterioridade nonagesimal será contada a partir da publicação da lei – (Info 735)
	Nos casos em que a majoração de alíquota tenha sido estabelecida somente na lei de conversão, o termo inicial da contagem é a data da conversão da medida provisória em lei. 
STF. Plenário. RE 568503/RS, rel. Min. Cármen Lúcia, j. 12/2/14 (Info 735)
	OBS:
Imagine agora a seguinte situação: O Presidente da República editou, em 29/1/04, a Medida Provisória 164/2004 instituindo o PIS/PASEP. Essa MP foi convertida na Lei nº 10.865, promulgada em 30/4/04. Durante a tramitação da Medida Provisória 164/2004 no Congresso, foi inserido no projeto de conversão um artigo majorando a alíquota do PIS incidente sobre a água mineral. Desse modo, a majoração não havia sido prevista, originariamente, pela Medida Provisória, tendo surgido somente quando a MP foi convertida na Lei.
 
O prazo de 90 dias será contado da publicação da MP ou da Lei? O prazo será iniciado da data da publicação da lei. Em regra, o termo inicial para a contagem do prazo nonagesimal seria a data da publicação da medida provisória e não a da lei na qual fosse convertida. Todavia, como no caso houve o agravamento da carga tributária pela lei de conversão, a contagem do termo iniciar-se-ia da publicação desta. Assim, segundo decidiu o STF, nos casos em que a majoração de alíquota tenha sido estabelecida somente na lei de conversão, o termo inicial da contagem é a data da conversão da medida provisória em lei.
2. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA 
2.1. IMUNIDADE DAS ENTIDADES EDUCACIONAIS E ASSISTENCIAIS: Os requisitos para o gozo de imunidade devem estar previstos em lei complementar – (Info 855 e Info 964) – IMPORTANTE!!! – (TJSP-2017)
	Tese fixada no RE 566622 – Tema 32:
Redação original:
Os requisitos para o gozo de imunidade hão de estar previstos em lei complementar.
Redação modificada após embargos de declaração:
A lei complementar é forma exigível para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas pelo art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas.
STF. Plenário. RE 566622/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 23/2/17 (repercussão geral – Tema 32) (Info 855).
STF. Plenário. RE 566622 ED/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Rosa Weber, j. 18/12/19 (Info 964).
	(TJSP-2017-VUNESP): A lei referida no parágrafo 7° do artigo 195 da Constituição Federal que estabelece os requisitos para o reconhecimento da imunidade para a seguridade social das entidades beneficentes de assistência social, segundo o julgamento do tema 32 pelo plenário do STF, deve ter hierarquia de Lei complementar de caráter nacional. BL: STF, Info 855.
	OBS:
Para entendermos esse julgado, é preciso relembrar dois outros julgamentos do STF:
• o RE 56622/RS, que analisou o § 7º do art. 195 da CF/88;
• as ADIs 2028, 2036, 2228 e 2621.
RE 56622/RS
Onde estão previstas as hipóteses de imunidade tributária? A imunidade tributária deverá ser sempre prevista na CF/88. As hipóteses mais conhecidas estão listadas no art. 150, VI, da CF/88. Existem, contudo, inúmeras outras imunidades previstas ao longo do texto constitucional. Veja alguns exemplos:
· Art. 5º, XXXIV, “a” e “b”, LXXIII, LXXIV, LXXVI e LXXVII: imunidade que incide sobre “taxas”.
· Art. 149, § 2º, I: imunidade referente a “contribuições sociais” e CIDE.
· Art. 195, § 7º: imunidade incidente sobre “contribuições sociais”.
Imunidade para entidades beneficentes de assistência social: A CF/88 conferiu imunidade para as entidades beneficentes de assistência social afirmando que elas estão dispensadas de pagar contribuições para a seguridade social. Veja:
Art. 195 (...)
§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.
Atenção: apesar de a redação do parágrafo falar em “isentas”, a doutrina afirma que se trata, efetivamente, de uma hipótese de imunidade. Não é um caso de “isenção”.
Requisitos do § 7º do art. 195: O § 7º do art. 195 da CF/88 traz dois requisitos para o gozo desta imunidade:
1) que se trate de pessoa jurídica que desempenhe atividades beneficentes de assistência social.
Obs: a assistência social é tratada no art. 203 da CF/88. O STF, contudo, confere um sentido mais amplo ao e afirma que os objetivos da assistência social elencados nos incisos do art. 203 podem ser conseguidos também por meio de serviços de saúde e educação. Assim, se a entidade prestar serviços de saúde ou educação também poderá, em tese, ser classificada como de “assistência social”.
2) que esta entidade atenda a parâmetros previstos na lei.
A lei a que se refere o § 7º é lei complementar ou ordinária? Lei COMPLEMENTAR. Esse assunto era extremamente polêmico na doutrina e na jurisprudência, mas o STF apreciou o tema sob a sistemática da repercussão geral e fixou a seguinte tese (que, conforme veremos, foi posteriormente, modificada):
Os requisitos para o gozo de imunidade hão de estar previstos em lei complementar. STF. Plenário. RE 566622, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 23/2/17 (repercussão geral).
A redação do § 7º fala apenas em “lei”. Por que o STF entendeu que se trata de “lei complementar”? Como vimos acima, as imunidades tributárias são classificadas juridicamente como “limitações constitucionais ao poder de tributar” e a CF/88 exige que este tema seja tratado por meio de lei complementar. Confira:
Art. 146. Cabe à lei complementar: (...)
II - regular as limitações constitucionais ao poder de tributar;
Isso gera alguma confusão porque aprendemos na faculdade, que, quando a CF/88l fala apenas em "lei", sem especificar mais nada, ela está se referindo à lei ordinária. Ex: art. 5º, XXXII ("o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor"). Trata-se do Código de Defesa do Consumidor, uma lei ordinária (Lei nº 8.078/90). Também aprendemos que a CF/88, quando quer exigir lei complementar, o faz expressamente. Ex: art. 18, § 2º ("Os Territórios Federais integram a União, e sua criação, transformação em Estado ou reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei complementar."). O § 7º do art. 195, contudo, deve ser interpretado em conjunto com o art. 146, II. Assim, a Constituição exigiu sim lei complementar, mas não diretamente no § 7º do art. 195 e sim na previsão geral do art. 146, II. 
Maior estabilidade: Além disso, o STF afirmou que a imunidade de contribuições sociais serve não apenas a propósitos fiscais, mas também para a realização dos objetivos fundamentais da República, como a construção de uma sociedade solidária e voltada para a erradicação da pobreza. Logo, esta espécie de imunidade não pode ficar à mercê da vontade transitória de governos. As regras para gozar dessa

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