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2 - Princípios para o desenho das PPRs

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Princípios para o desenho das PPRs Letícia S Moda Silva / @leticia_odontolover 
Requisitos básicos 
Suporte Estabilidade Retenção Função Estética 
Função e preservação das estruturas remanescentes 
Biomecânica: integração de um complexo mecânico (a prótese) e um complexo biológico que a suporta (rebordo e 
tecidos periodontais). 
 
Princípios 
1. As próteses de extremidade livre devem ser planejadas para obter efetivo suporte mucoso 
Tanto próteses dentossuportadas, quanto dentomucossuportadas recebem uma carga mastigatória, a qual 
sempre será destinada ao tecido ósseo subjacente. Nas próteses de extremidade livre, a carga aplicada sobre os dentes 
artificiais durante a função mastigatória é transferida pela sela diretamente ao rebordo residual, na forma de carga de 
compressão. O efeito dessa condição pode ser minimizado por meio de um desenho adequado da prótese, capaz de 
distribuir a carga mastigatória na maior área possível, ou seja em toda área chapeável disponível, prevenindo 
reabsorções ósseas. 
 
Além disso, a carga mastigatória do elemento dental é suportada pelas fibras do 
ligamento periodontal e deve ser em seu longo eixo, sendo transferida ao osso alveolar 
como uma carga de tração. Essa carga no longo eixo do dente estimula o equilíbrio de 
funcionamento do osso alveolar e é fundamental para a manutenção da saúde dos tecidos 
periodontais. Se as próteses forem mal planejadas ou construídas, podem se tornar uma 
máquina destrutiva, atuando como plano inclinado e alavanca, e gerando cargas de torção 
e cargas laterais (desfavoráveis ao elemento dental). Ou seja, cargas oblíquas nos dentes 
geram um potencial de rotação do elemento dental em torno de um fulcro situado na raiz, 
criando áreas de tração e compressão em regiões opostas do suporte periodontal. Assim, 
como consequência, essas cargas provocam mobilidade podendo levar à perda do dente. 
A resiliência da fibromucosa de revestimento do rebordo residual permite uma movimentação 10x maior em 
relação ao suporte dental, com isso aumentar a área de suporte diminui a força gerada sobre o dente pilar e evita a 
reabsorção óssea localizada. 
 
2. O planejamento da PPR deve ser conduzido de forma a evitar o surgimento de alavanca e planos inclinados 
Para as próteses parciais removíveis, a alavanca e o plano inclinado devem 
ser levados em consideração, pois geram grandes cargas de torção. 
Se durante o desenho de uma PPR, um apoio (responsável pela estabilização 
vertical) é posicionado sobre uma vertente (plano inclinado) de um dente pilar, 
a carga mastigatória transferida a esse local determinará um potencial de 
deslocamento do apoio por esse plano, gerando entre o apoio e o dente, cargas 
de mesma direção (horizontal), porém em sentidos contrários. Isso ocorre quando os apoios são colocados nas faces 
linguais e palatinas de dentes anteriores sem qualquer modificação de seus contornos (sem preparo). 
Quando essas faces estão devidamente preparadas, anula-se os planos inclinados, favorecendo a transmissão da 
carga no longo eixo do dente. O preparo correto de nichos para o apoio pode eliminar, portanto, a ocorrência dos 
planos inclinados. No entanto, o potencial de alavanca está sempre presente nas próteses de extremidade livre, devido 
à resiliência da fibromucosa de revestimento do rebordo residual. 
Ainda, considerando a potência das alavancas, o apoio localizado na região do cíngulo é vantajoso em relação ao 
localizado na incisal, pois está mais próximo ao fulcro do dente, diminui o braço de alavanca, além da indiscutível 
vantagem estética. 
As alavancas são como barras rígidas, suportadas por algum ponto. Elas podem ser classificadas em: 
- primeira classe: quando o ponto de fulcro separa o braço de potência (carga mastigatória) do braço de resistência 
(força sobre o dente pilar) = gangorra. 
- segunda classe: quando a resistência está entre o fulcro, posicionado numa extremidade, e a potência 
posicionada na outra (carriola). 
- terceira classe: quando a potência está posicionada entre o fulcro numa extremidade, e a resistência na outra 
(vara de pescar). 
 
A alavanca de primeira classe é importante para prótese parcial removível, pois é o que geralmente acontece nos 
casos de extremidade livre. Nesse tipo de prótese, quando a carga mastigatória incide sobre os dentes artificiais, a 
sela é comprimida sobre o rebordo residual, devido a resiliência do tecido fibroso mucoso de revestimento. O apoio 
funciona como fulcro no dente pilar, gerando um movimento da prótese que tende a afastar as partes anteriores em 
relação ao sistema de suporte. Quando essa situação está associada a um braço de retenção circunferencial com apoio 
na fossa distal do dente pilar (adjacente a área anodôntica), o braço de retenção faz um movimento em arco, puxando 
o dente pilar para cima e para trás, sendo desfavorável para o dente. 
 
 
3. No planejamento das próteses de extremidade livre, devemos reduzir a mesa oclusal em todas as dimensões e 
manter a sela dentro dos limites da área chapeável, mas o mais ampla possível. 
Deve-se ter cuidado em relação à extensão da mesa 
oclusal, principalmente em prótese de extremidade livre, já 
que ela representa o braço de potência de alavanca. Assim, 
indica-se a utilização de mesas oclusais reduzidas tanto no 
sentido mésio-distal quanto vestíbulo-lingual, para reduzir a 
carga resultante sobre o dente pilar. 
 
 Carga mastigatória: 
- Redução da mesa oclusal (mésio-lingual / vestíbulo-lingual) 
 Sela: maior amplitude possível 
 
4. Nas PPR de extremidade livre, os apoios devem ser posicionados na região mesial dos dentes pilares e 
associados a braços de retenção tipo barra 
As próteses de extremidade livre representam o maior desafio 
quanto à obtenção de resultados plenamente satisfatórios. Se para 
essa função foi indicado um braço de retenção tipo barra, associado ao 
deslocamento do apoio na mesial do dente pilar, consegue-se a 
modificação da alavanca de primeira classe para uma de segunda 
classe. Com isso, quando sob a ação da carga mastigatória, a base da 
prótese é deslocada de encontro ao rebordo residual e o braço de 
retenção (posterior ao fulcro e ligado à base) acompanha o mesmo 
movimento, afastando-se do dente sem transferir qualquer carga à ele. 
Se um braço de retenção circunferencial tiver apoio na fossa distal do dente pilar (adjacente a área anodôntica), 
o braço de retenção faz um movimento em arco, puxando o dente pilar para cima e para trás, sendo desfavorável para 
o dente. Portanto, para prótese de extremidade livre, o apoio deve ser posicionado afastado da área anodôntica (na 
mesial do pilar), associado à utilização de braços de retenção tipo barra, para transformar a alavanca de primeira classe 
numa de segunda classe, reduzindo a carga resultante sobre o dente pilar. 
 
 
 
Linha de Fulcro: eixo imaginário determinado pelos apoios mais posteriores da PPR, em torno da qual a prótese tem 
a tendência a rotação. Elementos posicionados anteriormente aos apoios desempenharam a função de retentor 
indireto, impedindo essa rotação. 
 
 
 
 
5. Determinada a existência de uma linha, deve-se posicionar retentores indiretos na maior perpendicular à linha 
de fulcro, para impedir o movimento de rotação da prótese 
Tendo em mente o funcionamento da prótese, se o paciente morde algum alimento pegajoso, esse alimento tende 
a tracionar a base da prótese, afastando-a do rebordo residual quando há o movimento de abertura da boca. Nessa 
situação, a alavanca de segunda classe é ativada, já que o braço de retenção tipo barra é levado de encontro ao 
Equador protético do dente pilar. 
Assim, impedir o deslocamento da base da prótese evitará com que o braço de retenção gere carga sobre o dente 
pilar, manterá a prótese corretamente assentada e impedirá a entrada de alimentos

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