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Vacinas

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Componentes de agentes infecciosos purificados e/ou 
modificados quimicamente ou geneticamente 
O produto em que a vacina é apresentada contém, além do agente 
imunizante, os componentes a seguir especificados: 
 Liquido de suspensão: constituído geralmente por água 
destilada ou solução salina fisiológica, podendo conter 
proteínas e outros componentes originários dos meios de 
cultura ou das células utilizadas no processo de produção 
de vacinas 
 Conservantes, estabilizadores e antibióticos: pequenas 
quantidades de substancias antibióticas ou germicidas 
são incluídas na composição de vacinas para evitar o 
crescimento de contaminantes (bactérias e fungos); 
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estabilizadores (nutrientes) são adicionados a vacinas 
constituídas por agentes infecciosos vivos atenuados. 
Reações alérgicas podem ocorrer se a pessoa vacinada 
for sensível a algum desses componentes. 
 Adjuvantes: compostos contendo alumínio são 
comumente utilizados para aumentar o poder 
imunogênico de algumas vacinas, amplificando o 
estimulo provocado por esses agentes imunizantes 
Para cada agente imunizante há uma via de administração 
recomendada, que deve ser obedecida rigorosamente. Caso isso 
não seja atendido, podem resultar em menor proteção imunológica 
ou maior frequência de eventos adversos. 
Por exemplo, a vacina contra hepatite B deve ser aplicada por via 
intramuscular, no vasto lateral da coxa ou deltoide, não se devendo 
utilizar a região glútea, pela possibilidade de aplicação em tecido 
gorduroso e assim, obter-se menor proteção contra a doença. 
As vacinas que contêm adjuvantes, como a tríplice DTP, se forem 
aplicadas por via subcutânea podem provocar abcessos. O mesmo 
pode acontecer se a vacina BCG for aplicada por via subcutânea, 
em vez de intradérmica. 
Já as vacinas contra febre amarela, tríplice viral contra sarampo, 
caxumba e rubéola, monovalente contra sarampo, por exemplo, 
devem ser aplicadas por via subcutânea. 
Via oral: utilizada para a administração de soluções que são melhor 
absorvidas no trato gastrintestinal. A dose é administrada pela boca 
e apresentados, geralmente, em gotas. 
Via intradérmica (ID): na utilização dessa via a solução é 
introduzida nas camadas superficiais da pele, isto é, na derme. A 
via intradérmica é uma via de absorção lenta, utilizada para 
administração da vacina BCG-ID. O volume máximo indicado, 
introduzido por essa via, é de 0,5 ml, sendo que, geralmente, o 
volume corresponde a frações inferiores ou iguais a 0,1 ml. 
Via subcutânea (SC): utilizada para a administração de soluções 
que necessitam ser absorvidas mais lentamente, assegurando uma 
ação continua. Essas soluções não devem ser irritantes, devendo 
ser de fácil absorção. O volume máximo a ser introduzido é de 1,5 
ml. Vacinas como a contra o sarampo, caxumba e rubéola (tríplice 
viral) tem indicação específica dessa via. 
Via intramuscular: solução é introduzida no tecido muscular. 
Utilizada para a administração de volumes superiores a 1,5 ml de 
soluções irritantes (aquosas ou oleosas), que necessitam ser 
absorvidas rapidamente e também quando é necessário obter 
efeitos mais imediatos. 
São usados para ajudar o antígeno a desencadear uma resposta 
imune rápida, intensa e duradoura utilizando a menor quantidade 
de antígeno possível. 
O adjuvante ideal deve proporcionar o mínimo de reações tóxicas 
locais e sistêmicas, além de biodegradável, econômico e simples 
fabricação. 
Os adjuvantes podem ser agrupados em substancias que atuam 
como: 
 Causador da formação de depósito no local da injeção 
(adjuvantes a base de óleo, combinações minerais) 
 Atuando como carreador do antígeno até as células do 
sistema imune (lipossomas, adjuvantes a base de óleo) 
 Agindo diretamente como estimulador do sistema imune 
(Adjuvante completo de Freund – FCA, 
Lipopolissacarídeo – LPS, Toxina de Pertussis – PT). 
Dois fatores centrais envolvidos nos mecanismos de ação de 
adjuvantes no aumento da imunogenicidade de um antígeno 
incluem a proliferação de células T e sua ativação, bem como a 
mobilização e ativação de células apresentadoras de antígeno 
(APCs). 
O Adjuvante completo de Freund (FCA) é composto de uma 
emulsão água em óleo adicionada de Mycobacterium sp. Merece 
atenção especial, pois seu uso pode ser perigoso, devido aos seus 
efeitos colaterais: dor, febre, nódulos, eritema, necrose e abcesso. 
É utilizado somente em projetos experimentais. 
Os adjuvantes mais usados atualmente em vacinas de humanos 
são os sais de alumínio, hidróxido ou fosfato. Os antígenos 
vacinais unem-se ionicamente com os sais de alumínio e formam 
uma suspensão microscópica, da qual os antígenos são liberados 
lentamente no organismo, aumentando a resposta humoral de 
anticorpos. Esses adjuvantes têm pouca ação sobre a formação da 
imunidade celular. 
Outro adjuvante, denominado MF59, baseado na formação de uma 
emulsão água em óleo e que utiliza esqualeno, foi licenciado para 
uso na vacina de influenza. 
Além de aumentar a imunidade e resposta imune aos antígenos 
administrados, outro benefício dos adjuvantes é que eles também 
diminuem a quantidade de antígeno necessária para induzir a 
resposta imune, tornando o custo da vacina mais eficaz. 
As vacinas são efetivas, em virtude da imunidade adaptativa e da 
memória imune. A memória de anticorpos encontra-se em dois 
compartimentos: 
 No primeiro, na forma de anticorpos presentes no sangue 
e nos tecidos, prontos para atacar o patógeno sem 
qualquer estimulação celular – esta constitui 
provavelmente, a primeira linha de defesa mais poderosa 
contra a exposição a muitos patógenos. Esses anticorpos 
podem ser mantidos em níveis relativamente elevados 
durante muitos anos, provavelmente produzidos por 
plasmócitos de vida longa na medula óssea. 
 A segunda forma do componente de memória dos 
anticorpos, as células B de memória, também pode ser 
crucial, em alguns casos, para a proteção mediada por 
vacinas. Nessa situação, o contato com o patógeno 
estimula a proliferação e a diferenciação das células B, 
que passam a produzir grandes quantidades de 
anticorpos. 
Da mesma maneira, o contato de células B de memória com o 
patógeno pode ser importante para reforçar o número de 
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plasmócitos e as concentrações séricas de anticorpos para o 
próximo encontro com o patógeno. 
A memória de células T também existe em dois compartimentos. 
 As células T de memória efetoras são encontradas nos 
tecidos periféricos, onde podem responder 
imediatamente ao contato de células infectadas por 
patógenos com atividades efetoras. 
 As células T de memória centrais são encontradas 
principalmente nos linfonodos, onde podem responder ao 
contato de patógenos por meio de expansão e 
diferenciação em efetores. 
A memória das células T consiste em respostas de células TCD8+ 
(citotóxicas) e TCD4+ (auxiliares). 
Evidentemente, as respostas das células T são mais pertinentes 
nas infecções por vírus, parasitas e bactérias intracelulares. 
O melhor correlato de proteção de muitas vacinas atuais é o 
anticorpo, e é provável que esse anticorpo constitua o mecanismo 
mais importante de resistência induzida por vacina à doença. Isso 
é compatível com a ideia de que as células T representam a maior 
contribuição para a imunidade viral durante a infecção primária, 
enquanto os anticorpos assumem esse papel durante a infecção 
secundária (pois os anticorpos já estão prontos da outra infecção). 
 
A ocorrência de algum evento adverso após a vacinação (por 
exemplo, doenças ou sintomas leves ou graves) pode ser causada 
pela vacina, pois nenhuma delas é totalmente isenta de riscos; com 
grande frequência, entretanto, o que ocorre é uma associação 
temporal entre o sintoma ou a doença e a aplicação da vacina, sem 
relação de causa e efeito. Por essa razão, prefere-se falar