A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
10 pág.
4-Obesidade

Pré-visualização | Página 4 de 5

na maioria das vezes, com o tratamento cirúrgico. 
I) Tratamento comportamental 
Há muitos estudos que demonstram que acrescentar estratégias cognitivo-comportamentais ao tratamento 
farmacológico da obesidade aumenta significativamente a perda de peso corporal. Um exemplo é o 
Daniel Rodrigues-M33 
 
automonitoramento realizado por meio do registro da ingestão alimentar, dos episódios de consumo excessivo ou 
compulsão alimentar, com identificação de fatores desencadeantes e sensações que se seguiram. Outro exemplo é o 
planejamento das compras de supermercado e de como adquirir pequenos aumentos de gasto calórico por meio da 
realização de maiores deslocamentos a pé no dia a dia. São técnicas que auxiliam na adoção de um estilo de vida mais 
saudável. Faz parte também da abordagem comportamental auxiliar o indivíduo obeso a reconhecer e evitar 
distorções cognitivas, como ideias extremistas de tudo ou nada (“ou estou de dieta bastante restritiva ou posso comer 
à vontade tudo o que eu quiser”), suposições de superalimentos e alimentos proibidos, ou sensação de fracasso total, 
quando o paciente recupera o peso ou “sai da dieta” por alguns dias. 
II) Dieta 
A adesão à dieta é o preditor mais importante da perda de peso do que a dieta em si. Dietas muito restritivas, embora 
possam ser utilizadas por um período limitado e em situações específicas, têm menor probabilidade de serem 
mantidas por toda a vida. Por isso é preferível optar pela reeducação alimentar, com um planejamento mais flexível, 
que considere as preferências alimentares e as necessidades especiais de acordo com a situação da saúde, o estilo de 
vida e até a realidade financeira. 
A diminuição do número médio de calorias ingeridas no dia é o principal determinante dietético da perda de peso. O paciente 
deve fazer uma reeducação alimentar, visando a um déficit calórico moderado (de 500 a 1.000 calorias/d, na ingesta), 
preferencialmente em longo prazo, e um balanço energético negativo. 
Sendo assim, o nutricionista deve não avaliar apenas o consumo calórico do paciente, mas também todo o contexto 
psicológico e socioeconômico em que ele está inserido. Para que haja um balanço energético negativo, essencial para 
o processo de emagrecimento, é importante realizar o planejamento alimentar do paciente de acordo com seu gasto 
energético, que na maior parte das vezes é calculado por fórmulas de predição da taxa metabólica basal (p. ex., 
HarrisBenedict) combinadas com o nível de atividade física (sedentário, pouco ativo, ativo, muito ativo). 
III) Exercício físico 
Embora menos potente que o tratamento dietético no combate à perda de peso, o aumento do gasto energético por 
meio da atividade física é um forte preditor da manutenção do peso perdido. Além disso, associar exercícios com a 
dieta pode ter outros benefícios importantes à saúde, independentemente da perda de peso: a atividade física atenua 
a perda de massa muscular induzida pela dieta, melhora o funcionamento físico e pode compensar a diminuição no 
gasto total de energia que ocorre no processo de emagrecimento, de modo que a restrição calórica necessária 
combinada com o gasto energético seja mais bem-sucedida. A atividade física deve ser realizada por aproximadamente 
30 minutos ou mais, 5 a 7 dias por semana, para evitar ganho de peso e melhorar a saúde cardiovascular, e a 
combinação de exercícios aeróbicos e resistidos é melhor do que a realização de apenas uma modalidade 
isoladamente. No entanto, a escolha de qualquer programa de exercícios deve sempre se adequar às condições de 
saúde do paciente, à sua idade e às suas preferências. 
5- Descrever as possibilidades de tratamento clínico medicamentoso e cirúrgico de acordo com a condição da 
Síndrome metabólica e do grau de obesidade 
I) Síndrome metabólica 
É importante tratar cada componente da síndrome individualmente quando presente: pré-diabetes/diabetes, 
dislipidemia e hipertensão arterial. Além de que, o excesso de peso/gordura corporal também pode ser manejado com 
medicações. 
Daniel Rodrigues-M33 
 
 
• Para o tratamento especificamente da resistência insulínica, é liberado no Brasil o uso de Metformina para 
crianças e adolescentes acima dos 10 anos de idade com potencial de redução da glicemia, dos níveis de 
insulina, do ganho de peso, interrompendo o ciclo de intolerância à glicose e retardando a progressão para 
DM2. 
• Quanto ao tratamento da dislipidemia, além de uma dieta com baixa ingestão de gorduras, em pacientes a 
partir de 8 anos que mesmo após as medidas não farmacológicas por 6 meses mantenham LDL ≥190 ou LDL 
≥160 + obesidade/HAS/ tabagismo/histórico familiar de DCV ou LDL ≥130 + DM deve ser considerado o 
tratamento com estatinas ou quelantes de sais biliares. 
• Quanto à HAS, a mesma deve ser tratada se: ausência de resposta ao tratamento não medicamentoso, 
hipertensão sintomática, hipertrofia de ventrículo esquerdo, doença renal crônica, estágio 2 de HAS sem fator 
modificável identificável ou DM tipo 1 ou 2. O tratamento é iniciado com inibidor da enzima conversora de 
angiotensina (IECA) ou bloqueador do receptor de angiotensina (BRA) ou bloqueador do canal de cálcio (BCC) 
ou diurético tiazídico objetivando uma PA alvo <p90 ou <130/80 mmHg. 
• O orlistate é uma droga segura, cujo uso é aprovado no Brasil para pacientes com IMC entre 25 e 29 kg/m2 
que tenham outras comorbidades associadas ao excesso de peso, ou para pacientes com IMC de 30 kg/m2, 
na falha do tratamento não farmacológico. O orlistate apresenta um benefício adicional no contexto da 
Síndrome Metabólica ao ajudar na redução da glicemia, triglicerídeos e da pressão arterial. 
II) Grau de obesidade 
Os medicamentos utilizados no controle da obesidade foram desenvolvidos para serem utilizados em conjunto com 
modificações de estilo de vida (hábitos alimentares e prática de atividade física) e não isoladamente. 
As últimas diretrizes da Endocrine Society recomendam a farmacoterapia para indivíduos com IMC > 30 kg/m2 ou ≥ 
27 kg/m2 associado a, pelo menos, uma condição mórbida relacionada com a obesidade, como DM2, dislipidemia, 
HAS ou apneia obstrutiva do sono. Considerando-se a fisiopatologia da obesidade, seu tratamento medicamentoso 
deve visar: estimular as vias anorexígenas de sinalização, antagonizar as vias de sinalização orexígenas, aumentar o 
gasto energético e/ou inibir a absorção de nutrientes. 
a) Sibutramina: A sibutramina bloqueia a recaptação de noradrenalina e serotonina no sistema nervoso central, o que 
leva a uma ação sacietógena, reduzindo a quantidade de calorias ingeridas em cada refeição. A literatura médica 
demonstra que seu uso se associa a perda de, pelo menos, 5% do peso em cerca de 90% dos usuários, com perda 
média de 6 a 10kg em 1 ano. Vários estudos indicaram que é uma droga segura para uso por tempo prolongado (por 
até 2 anos), desde que sejam respeitadas suas contraindicações podendo ajudar a prevenir a recuperação tardia de 
peso, quando usada por tempo prolongado. Deve-se iniciar com dose de 10mg/d, podendo variar até 15mg/d. Seu uso 
associa-se a discreto aumento da pressão arterial diastólica (de 3 a 5mmHg) e da frequência cardíaca (2 a 4bpm), mas 
esse efeito tende a ser contrabalanceado pela redução pressórica que acompanha a perda de peso. Também pode 
produzir taquicardia, hipertensão arterial, sudorese, boca seca, insônia e obstipação. 
b) Orlistate: O orlistate reduz a absorção de gordura (na forma de triglicérides) da dieta em 30%, pela inibição das 
lipases intestinais, levando à perda de aproximadamente 10% do peso inicial em 12 meses. Também reduz a 
recuperação de peso pela metade após o 1º ano de tratamento. Há evidências de que é uma droga segura para uso 
Daniel Rodrigues-M33 
 
prolongado e ocasiona alterações benéficas no perfil lipídico (redução de colesterol total e LDL), nos níveis pressóricos, 
na EHNA e no controle glicêmico em DM2. Pode, inclusive, prevenir o surgimento de diabetes (redução de risco de 
37% em 4