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4-Obesidade

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anos) em indivíduos de alto risco. Seus efeitos colaterais correlacionam-se à presença de gordura nas fezes: 
flatulência, meteorismo, diarreia, esteatorreia e urgência fecal, dependendo da ingesta de gordura. Inibe, 
parcialmente, a absorção de vitaminas lipossolúveis, por isso alguns autores recomendam a suplementação de 
vitaminas A, D, E e K durante o uso prolongado de orlistate, embora raramente se observe deficiência clínica dessas 
vitaminas. A dose recomendada é de 60 a 120mg, antes das 2 ou 3 principais refeições. Doses superiores a 360mg/d 
não parecem trazer benefícios adicionais. 
c) Inibidores seletivos da recaptação de serotonina: A fluoxetina pode ser útil a obesos com depressão, ansiedade, 
bulimia ou transtorno de compulsão alimentar periódica (binge eating disorder). Geralmente, é necessário o uso de 
doses altas (40 a 60mg/d de fluoxetina) para obter o efeito sacietógeno. A perda de peso é modesta (de 2 a 6kg) e 
acontece nos primeiros 6 meses, estabilizando-se em seguida. Não é indicada para tratamento em longo prazo. 
Possíveis efeitos adversos são cefaleia, insônia, perda da libido e ansiedade. Outros inibidores, como a sertralina, 
também podem causar discreta perda de peso, enquanto outras drogas do grupo (paroxetina, citalopram) costumam 
se associar a ganho de peso. 
d) Liraglutida: A liraglutida é um agonista do receptor de GLP1 (GLP1RA) que foi desenvolvido para o tratamento do 
DM2 na dose de até 1,8 μg/dia. Além de melhorar efetivamente o controle glicêmico, ela induz perda de peso. Os 
mecanismos mediadores da redução de peso pela liraglutida são provavelmente relacionados com uma combinação 
de efeitos no trato gastrintestinal e no cérebro (aumento da saciedade e diminuição do apetite). O papel das náuseas, 
principal reação adversa da liraglutida, na perda de peso é mais evidente com a dose de 3 mg/dia. Liraglutida deve ser 
iniciada na dose de 0,6 mg/dia, por injeção subcutânea (SC), 1 vez/dia. A dose diária pode ser aumentada em 0,6 mg 
por semana até um máximo de 3 mg/dia SC, de acordo com a tolerabilidade do paciente e sua resposta clínica. 
III) Tratamento cirúrgico: 
O tratamento cirúrgico da obesidade está indicado para casos graves com falha do tratamento clínico, em que o risco 
de complicações do excesso de peso é maior que o risco do próprio procedimento cirúrgico, ou seja: 
• Pacientes com IMC >40kg/m2; 
• Pacientes com IMC ≥35kg/m2 na presença de comorbidades graves que melhoram com a perda de peso. São 
consideradas comorbidades importantes para essa finalidade: hipertensão arterial, DM2, apneia do sono, 
doenças articulares degenerativas, doença coronariana, dislipidemias, asma grave não controlada ou outras 
doenças determinadas pela obesidade com risco de morte. 
 
A I Diretriz Brasileira de Obesidade (2008) estabelece, ainda, que a seleção de pacientes para cirurgia requer uma 
história de obesidade com duração de pelo menos 5 anos, sem êxito com o tratamento convencional supervisionado 
por profissionais qualificados por no mínimo 2 anos, e a ausência de contraindicações. O paciente também deve ter 
idade entre 18 e 65 anos, grau de risco cirúrgico aceitável, boa expectativa de vida pós-operatória, capacidade 
intelectual mínima para entender os cuidados com o tratamento e bom suporte familiar. 
Dentre as contraindicações, as mais importantes são abuso de álcool ou drogas, úlcera péptica ativa e doenças 
psiquiátricas severas (psicose, depressão grave), história de tentativa de suicídio, risco cirúrgico extremamente 
elevado (ASA IV) e impossibilidade de seguimento. Transtornos psiquiátricos (depressão) não representam 
contraindicação definitiva, podendo o paciente realizar a cirurgia se houver a autorização do psiquiatra após 
Daniel Rodrigues-M33 
 
tratamento adequado. Além disso, deve-se afastar, no pré-operatório, a presença de endocrinopatias que possam ser 
responsáveis pelo excesso de peso (exemplo: síndrome de Cushing). 
A técnica mais utilizada e estudada, a gastroplastia com by-pass gastrintestinal em Y de Roux (cirurgia de Fobi-Capella), 
associa-se a perda de 35 a 40% do peso inicial em 1 ano, com redução da mortalidade em 10 anos e expressiva melhora 
das comorbidades, levando à remissão do DM2 em cerca de 70%, hipertensão em 65% e apneia obstrutiva do sono 
em 40 a 80%. A mortalidade perioperatória, originalmente em torno de 2 e 5%, atualmente é menor do que 1% em 
centros de excelência. No entanto, devido ao desvio do duodeno e jejuno proximal do trânsito alimentar, é muito 
comum a carência de ferro, cálcio e vitaminas do complexo B, por menor absorção. 
A gastrectomia vertical (em manga, ou sleeve) é outra cirurgia que tem sido cada vez mais utilizada, por ser 
tecnicamente mais simples e induzir a perda de peso comparável à obtida com a cirurgia de Fobi-Capella. Remove 70 
a 80% do estômago proximal ao antro e não exclui o duodeno do trânsito alimentar, por isso não interfere na absorção 
de ferro, cálcio, zinco e vitaminas do complexo B. 
6- Discutir a importância da prevenção e combate à obesidade como doença epidêmica em Saúde Pública atentando 
para a humanização nos cuidados 
A obesidade predispõe o surgimento de uma variedade de doenças crônicas, incluindo doenças cardiovasculares e 
cerebrovasculares; distúrbios metabólicos, digestivos, respiratórios e gonadais; alguns tipos de cânceres e uma ampla 
gama de condições osteomusculares. Além disso, também pode levar a uma série de consequências psicológicas e 
sociais. Adicionalmente, a obesidade está associada à redução expressiva da expectativa de vida (cerca de 5 a 20 anos 
perdidos) e aumento das taxas de mortalidade, dependendo da gravidade das comorbidades. Ademais, ela acarreta 
significativos incrementos de gastos com assistência médica e compra de medicamentos. No Brasil, segundo dados do 
Ministério da Saúde, só em 2018 foram registradas 12.438 internações por obesidade no SUS (Sistema Único de 
Saúde), o que representou R$ 64,3 milhões em gastos públicos. Estes números posicionam o Brasil no quarto lugar 
entre as internações por causas endócrinas, nutricionais e metabólicas. 
Referência 
Diretrizes Brasileiras de Obesidade 2016- ABESO. Disponível em: https://abeso.org.br/wp-
content/uploads/2019/12/Diretrizes-Download-Diretrizes-Brasileiras-de-Obesidade-2016.pdf 
ENDOCRINOLOGIA, volume 3: diabetes mellitus, obesidade: parte clínica e cirúrgica. [São Paulo]: 
MedyKlin, 2019. (Medgrupo - Ciclo I: Medcurso 2019) 
MARTINS, M.A. et al., Coleção Clínica Médica- FMUSP. 5ºvol., 2ª ed., Manole, 2016. 
Robbins patologia básica/Vinay Kumar, Abul K. Abbas, Jon C. Aster; [tradução Tatiana Ferreira Robaina] ... 
[et al.] - 10. ed. - Rio de Janeiro: Elsevier, 2018. 
SIC Endocrinologia: [principais temas para provas de residência médica]. São Paulo: Medcel, 2020 
VILAR, Lúcio. Endocrinologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 7ª.ed. 2020. 
 
 
https://abeso.org.br/wp-content/uploads/2019/12/Diretrizes-Download-Diretrizes-Brasileiras-de-Obesidade-2016.pdf
https://abeso.org.br/wp-content/uploads/2019/12/Diretrizes-Download-Diretrizes-Brasileiras-de-Obesidade-2016.pdf

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