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Direitos Coletivos e processo coletivo

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1. DOUTRINA (RESUMO) 
1.1. PRINCÍPIOS PRÓPRIOS DO PROCESSO COLETIVO 
 
Vamos elencar e comentar, aqui, princípios que são afetos ao processo coletivo em si, bem como aqueles que, embora aplicáveis ao processo comum, possuem peculiaridades importantes sob o viés coletivo. 
 Embora, por se tratar de processo, possamos fazer referência a inúmeros princípios que se aplicam ao Processo Civil comum, focaremos naqueles particulares, próprios do âmbito coletivo ou que possuem uma conotação diferenciada para esse ramo do Direito. 
 
1.1.1. PRINCÍPIO DO ACESSO À JUSTIÇA OU ACESSO À ORDEM JURÍDICA JUSTA 
 
Fundamentado no art 5º, XXXV, da Constituição Federal (“a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”), há uma dimensão da referida norma constitucional para o processo coletivo. 
De acordo com Daniel Amorim Assumpção Neves, sob o viés coletivo, essa nova visão do princípio da inafastabilidade encontra-se fundada em quatro ideias principais: 
	 
a) Ampliação, no máximo possível, do acesso ao processo, aí incluído inclusive o acesso amplo aos necessitados econômicos, com a necessidade de não impor barreiras econômicas aos pobres (pois o processo individual é, muitas vezes, extremamente dispendioso para um cidadão sem posses, não apenas com relação a despesas processuais, mas também no investimento de tempo, de acompanhamento, de busca de profissionais habilitados etc.). 
	 
b) Respeito efetivo pelo devido processo legal, em especial a efetivação do contraditório real e do princípio da cooperação, com ampla participação das partes e efetiva influência no convencimento do Juízo. Desse modo, consequentemente, temse maiores chances de obtenção de pacificação social e disponibilização ao juiz de mais elementos para valorar a situação e proferir uma decisão de melhor qualidade; 
c) A prolação de “decisão com justiça”, ou seja, aquela que privilegie a interpretação mais justa diante de várias possíveis, aplicando-se a lei sempre em consideração aos princípios constitucionais de justiça e aos direitos fundamentais. Isso porque os efeitos de uma decisão injusta no processo coletivo são muito maiores do que no processo individual, haja vista que serão afetados toda a coletividade ou um grupo, classe ou categoria de pessoas; 
d) A eficácia da decisão – de modo a espancar o famoso “ganhou, mas não levou”. Para tanto, é preciso se ter uma tutela de urgência ampla, de modo a afastar concretamente o perigo de ineficácia diante do tempo necessário à concessão da tutela definitiva; o aumento dos poderes do juiz para adotar medidas capazes de efetivar suas decisões (seja por mecanismos de execução indireta seja por meio de sanções processuais); e o respeito e a busca pela razoável duração do processo. 
 
Tem relação com o princípio ora estudado a regra da legitimação extraordinária como padrão no processo coletivo (em contrapartida ao processo individual, que tem como regra a legitimidade ordinária), admitindo que determinadas pessoas ou entes compareçam em juízo, em nome próprio, para defender direito ou interesse alheio. 
Dentro do contexto deste princípio, alguns autores incluem um segundo, o Princípio da Universalidade da Jurisdição, cujo escopo seria ampliar o princípio do acesso à justiça a um número progressivamente maior de pessoas e causas. 
 
1.1.2. PRINCÍPIO DA PARTICIPAÇÃO 
	 
Alguns autores (como Adriano Andrade, Landolfo Andrade e Cleber Masson) 
vão denominá-lo como princípios da participação no processo e pelo processo. 
	
O primeiro – participação no processo – é, em certa medida, o exercício do direito ao contraditório, assim como no processo individual. 
Já a participação pelo processo é a outorga aos corpos intermediários (sindicatos, associações etc.) de legitimidade para a defesa em juízo de grandes causas, de conflitos em massa, de gestão da coisa pública, do meio ambiente. Em regra, não são CPF: 396.095.808-07 os titulares dos direitos materiais envolvidos que atuarão em Juízo (exceto em eventual atuação como litisconsortes ulteriores do autor da ação coletiva, nos termos do art. 94 do CDC). 
Por meio desses organismos, garantir-se-á a uma quantidade razoável de sujeitos que compõem a coletividade ou a comunidade tutelada a repercussão da tutela do direito material proveniente do processo coletivo, de modo a serem beneficiados por seu resultado. 
 
1.1.3. PRINCÍPIO DA ECONOMIA PROCESSUAL 
 
Ao se valer de um único processo para tutelar o direito material de toda uma coletividade, grupo ou categoria de pessoas, utiliza-se de forma mais racional dos recursos processuais, dos custos do processo e, ainda, evita-se a prolação de decisões pulverizadas e/ou contraditórias. 
Com o processo coletivo, evita-se a disseminação de ações individuais (que, a depender da situação, poderiam ser centenas e até milhares de processos) e tem-se a potencialidade de beneficiar um número enorme de pessoas, de forma harmônica (sem decisões contraditórias), contribuindo ainda para a segurança jurídica e para a pacificação social. 
 
1.1.4. PRINCÍPIO DO INTERESSE JURISDICIONAL NO CONHECIMENTO DO MÉRITO DO PROCESSO COLETIVO 
 
O nome do referido princípio é atribuído a Gregório Assagra de Almeida, grande expoente no estudo do processo coletivo. 
A grande doutrina defende que o princípio da instrumentalidade das formas no processo coletivo deve ser potencializado, de modo a abandonar o formalismo excessivo, para permitir que as grandes causas sociais (materializadas em processos coletivos) sejam efetivamente julgadas, cumprindo o Poder Judiciário sua missão de pacificação social. 
Existem, para atingir essa finalidade, alguns mecanismos próprios do processo coletivo, exemplificados a seguir: 
- possibilidade de sucessão processual no polo ativo da demanda, de modo a 
9º da Lei de Ação Popular): evitar a extinção prematura do feito (art. 5º, par. 3º, da Lei de Ação Civil Pública e art. 
 
Art. 5º. 
§ 3° Em caso de desistência infundada ou abandono da ação por associação legitimada, o Ministério Público ou outro legitimado assumirá a titularidade ativa. 
Art. 9º Se o autor desistir da ação ou der motiva à absolvição da instância, serão publicados editais nos prazos e condições previstos no art. 7º, inciso II, ficando assegurado a qualquer cidadão, bem como ao representante do Ministério Público, dentro do prazo de 90 (noventa) dias da última publicação feita, promover o prosseguimento da ação. 
 
· fungibilidade entre as ações coletivas; 
· possibilidade de repropositura de uma ação coletiva fundada em prova nova (para os casos de coisa julgada secundum eventum probationis), mesmo tendo havido decisão anterior de improcedência por insuficiência de provas. 
 
ATENÇÃO! Coisa julgada secundum eventum probationis: é aquela que se produz a depender da cognição exauriente das provas sobre determinado caso. Aqui, faz fundamental diferença a improcedência por insuficiência de provas e a improcedência à vista de provas suficientes. Só haverá coisa julgada em caso de improcedência se tiverem sido esgotados todos os meios de prova; a improcedência por insuficiência de provas, por outro lado, não gerará coisa julgada material. 
É o caso da coisa julgada material nas ações coletivas para tutela de direitos difusos (erga omnes) e coletivos (ultra partes). 
CDC, Art. 103. Nas ações coletivas de que trata este código, a sentença fará coisa julgada: 
I - erga omnes, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação, com idêntico fundamento valendo-se de nova prova, na hipótese do inciso I do parágrafo único do art. 81; 
II - ultra partes, mas limitadamente ao grupo, categoria ou classe, salvo improcedência por insuficiência de provas, nos termos do inciso anterior, quando se tratar da hipótese prevista no inciso II do parágrafo único do art. 81; 
 
1.1.5. PRINCÍPIO DA DISPONIBILIDADE MOTIVADA 
 
	Os bens jurídicos que podem ser tutelados pelas demandas coletivas possuem 
tal nível de magnitude que, ao contrário da regra

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