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Psicose

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NEUROCIÊNCIA CLÍNICA
Transtornos psicóticos
Transtornos psicóticos
F.20 Esquizofrenia
F.21 Transtorno esquizotípico
F.22 Transtorno delirante
F.23 Transtornos psicóticos agudos e transitórios
F.24 Transtorno delirante induzido
F.25 Transtorno esquizoafetivo
Outros transtornos psiquiátricos que frequentemente apresentam síndrome psicótica: demências, uso e abuso de substâncias, quadros de humor (depressão e mania), reações ao estresse (TEPT), transtornos de personalidade (como o borderline), retardo mental e transtornos globais do desenvolvimento (como o autismo).
Transtornos psicóticos clínicos/neurológicos: epilepsia, intoxicação medicamentosa, doenças infecciosas/febris, doenças metabólicas/endocrinológicas, traumatismos crânio-encefálicos, quadros sindrômicos hereditários (Kleine-Levin, Doença de Huntington, etc.), enxaqueca.
A etiologia dos transtornos psicóticos psiquiátricos é de ordem genética, basicamente. Em uma dupla de irmãos gêmeos, se um deles for esquizofrênico, há 50% de chances do outro também sê-lo. Não há loci específicos associados à doença, e a manifestação desta depende do grau de penetrância e da interação que o indivíduo estabelece com o ambiente.
Fatores ambientais
	Precoces
	· Complicações obstétricas (→ Isquemias)
· Infecções maternas (efeito neurotóxico de citocinas inflamatórias)
· Nascimento em zona urbana (estresse)
	Tardios
	· Imigração
· Abuso crônico de Cannabis — O risco de psicotização aumenta 4-5 vezes em indivíduos que fazem uso da droga por mais de 15 anos, e esse risco parece ser potencializado em pessoas que apresentam polimorfismo funcional do alelo Valina do gene COMT
· Eventos estressantes da vida
Sinais e sintomas
	Cognição
	Delírios — Alteração do conteúdo dos pensamentos, que se desviam daquilo que é real
	Sensopercepção
	Alucinações e ilusões
	Afeto e humor
	Ansiedade, depressão e hipomodulação do afeto
	Comportamento
	Congruente com a cognição, maneirismos e catatonia
	Socialização
	Isolamento
A neurofisiologia da psicose
	Sistema dopaminérgico
	· Hiperatividade de transmissão em receptores D2, principalmente nas vias mesolímbicas → Sintomas positivos (delírios e alucinações)
· Déficit de dopamina em córtex frontal → Sintomas negativos (apatia, isolamento social, expressão lacônica e redução da funcionalidade)
	Sistema glutamatérgico
	· Disfunção dos receptores NMDA
	Outros sistemas envolvidos
	GABAérgico, sereotoninérgico, colinérgico e endocanabinóide
Vias dopaminérgicas centrais e suas ações:
Mesolímbica → Relacionada a comportamentos e emoções; sua hiperatividade se relaciona com os sintomas psicóticos positivos (alucinações e delírios);
Mesocortical → Seu papel específico na mediação de sintomas psicóticos ainda é controverso, mas há indícios de que seu bloqueio seja responsável pela piora dos sintomas psicóticos negativos;
Nigroestriatal → Coordenação de movimentos involuntários. O bloqueio desta via está associado a distúrbios motores como a acatisia (impossibilidade de ficar parado), distonia, tremores, rigidez e acinesia/bradicinesia.
Tuberoinfundibular → Sendo essa via responsável pela inibição da secreção de prolactina, o seu bloqueio é responsável pelo aumento dos níveis deste hormônio.
Meduloperiventricular → Relacionada com o comportamento alimentar.
Tratamento
Não medicamentoso
Eletroconvulsoterapia, insulinoterapia, malarioterapia e contenção mecânica.
Medicamentoso
Antipsicóticos/neurolépticos antagonistas dopaminérgicos
	Típicos
Atípicos — Clozapina e Quetiapina — Provocam menos efeitos colaterais, pois, simultânea à modulação dopaminérgica, tem-se a produção de efeitos serotoninérgicos (especialmente pelos receptores 5HT2).
				
	
F.20 Esquizofrenia
Manifestando-se, geralmente, no início da vida adulta (mais cedo entre os homens do que entre as mulheres), a esquizofrenia é o transtorno psicótico psiquiátrico mais comum (1/100 pessoas). A distribuição entre os sexos é indiferenciada e o início da doença pode ser tanto agudo, quanto insidioso. O curso da doença pode ocorrer com piora progressiva da cognição, uma espécie de demência precoce.
Sinais e sintomas:
· Eco, inserção, roubo ou irradiação do pensamento — Alteração da metacognição;
· Delírios — Delírios de controle, de influência, de perseguição, de grandeza, de ações/sensações (exemplo: sentir o corpo oscilar como se fosse uma mola) e percepções delirantes;
· Alucinações (percepção de uma coisa que não existe, desconectada de qualquer tipo de estímulo real) — Frequentemente auditivas, no formato de vozes de comando, mas pode envolver qualquer um dos sentidos;
· Discurso incoerente, irrelevante, neologismos;
· Catatonia — Excitação, posturas anormais, flexibilidade cérea, mutismo e estupor;
· Sintomas negativos — Apatia, empobrecimento do discurso (expressão lacônica), embotamento afetivo, retração social e redução da funcionalidade.
Diagnóstico:
Para diagnosticar a esquizofrenia, é necessário que o paciente apresente sintomas compatíveis por pelo menos 1 mês — excluindo-se os casos em que a situação do paciente possa estar associada a quadros depressivos/maníacos, doenças cerebrais ou intoxicação/abstinência de substâncias.
Classificação:
· Esquizofrenia paranóide → Sendo o tipo de esquizofrenia mais comum, caracteriza-se pelo predomínio de delírios persecutórios; o quadro pode ter remissões parciais ou completas, mas a maior parte dos pacientes apresenta a doença em curso crônico (há períodos de relativa melhora, mas sempre com a persistência de alguns sintomas residuais).
· Esquizofrenia hebefrênica → Caracteriza-se pela desorganização extrema do pensamento, maneirismos e sintomas negativos.
· Esquizofrenia catatônica → Independentemente de como for a esquizofrenia de um paciente, enquadramos seu transtorno neste grupo a partir do momento em que este manifesta um episódio catatônico (alterações psicomotoras).
· Esquizofrenia indiferenciada
· Esquizofrenia residual
· Esquizofrenia simples — De difícil diagnóstico, pois predominam delírios/alucinações de cunho não-paranoide.
F.21 Transtorno esquizotípico
O indivíduo portador de um transtorno esquizotípico costuma apresentar comportamento e aparência excêntricos. O quadro também se caracteriza por delírios e alucinações (sem predomínio típico de um tipo de pensamento), afeto frio e distante (o que incorre em relacionamentos pobres), pensamento mágico, ruminações obsessivas (dismorfofóbicas[footnoteRef:0], sexuais e agressivas), ilusões, despersonalização, desrealização, pensamento vago/circunstancial/metafórico, episódios psicóticos típicos ocasionais e curso crônico. [0: A Dismorfofobia (ou Transtorno Dismórfico Corporal) é um transtorno mental caracterizado por sofrimento emocional e preocupação excessiva com um ou mais presumidos defeitos corporais associados a comportamentos para evitar exposição ou modificação das áreas corporais desconfortáveis.] 
F.22 Transtorno delirante
Caracteriza-se pelo delírio isolado (sem alucinações), persistente e encapsulado. A presença de um núcleo delirante significa que, exceto por algumas convicções falsas firmemente mantidas (usualmente persecutórias, grandiosas ou hipocondríacas), o indivíduo tem um pensamento de conteúdo normal. Esses delírios se distinguem de crenças equivocadas quando, mesmo em face de evidências claras e incontestáveis da realidade, o doente não se convence. O diagnóstico só pode ser feito se houver persistência dos sintomas por mais de 3 meses, sem outras manifestações típicas da psicose (alucinações, desorganização da fala e do comportamento e/ou sintomas negativos). Apesar de incomum, é possível que o paciente induza outras pessoas à crença delirante, o que chamamos de delírio induzido. Exemplo disso é o caso de Jonestown, o maior suicídio coletivo da história, situação na qual Jim Jones, chefe de uma seita religiosa, convenceu cerca de 900 pessoas a cometerem suicídio.
Abordagem das síndromes psicóticas na neurologia
A psicose, por si só, não implica a presença de um distúrbio psiquiátrico primário. Sendo assim, chamamos de psicose

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