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FEMININA E PODEROSA - JAQUELINE BARBOSA

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1
2
Título Original: 
Feminina e Poderosa - Conquiste o que (e quem) você quiser 
com o poder da sua feminilidade
Copyright© 2020 por Jaqueline Barbosa e Emerson Viegas
Todos os direitos reservados. 
Vedada a produção, distribuição, comercialização, 
ou cessão sem autorização prévia dos autores. 
Texto:
Jaqueline Barbosa
Revisão:
Lara Souto Santana
Emerson Viegas
Projeto Gráfico e Diagramação:
Rafael Gatuzzo
Capa:
Emerson Viegas
2020
3
Para minha mãe Lucia,
o portal feminino da minha 
chegada aqui na Terra.
4
“ Aprendi com as primaveras a deixar-me cortar 
e a voltar sempre inteira.” 
 - Cecília Meireles -
5
Índice
• Prefácio _______________________________07
• Capítulo 1______________________________10 
A primeira noite depois do fim
• Capítulo 2______________________________36 
O que é ser mulhernos tempos modernos
• Capítulo 3______________________________47 
As diferenças nos cérebros masculinos e femininos
• Capítulo 4______________________________52 
A essência da energia masculina e feminina
• Capítulo 5______________________________68 
A importância de se reconectar com seu feminino
• Capítulo 6______________________________97 
Ciclo menstrual: o que ele tem a ver com feminilidade
• Capítulo 7_____________________________117 
Como a relação com seus pais está ligada 
a sua feminilidade
• Capítulo 8_____________________________125 
Criando relacionamentos felizes
• Capítulo 9_____________________________133 
Polaridade Sexual: o segredo da chama acesa
• Capítulo 10____________________________144 
Como encontrar (e ser) alguém interessante
• Capítulo 11____________________________155 
Como transformar rolo em namoro
• Capítulo 12____________________________168 
Vulnerabilidade: o ingrediente secreto
• Capítulo 13____________________________174 
Como se manter mais atraente
• Capítulo 14____________________________183 
Como fazer as relações durarem
• Capítulo 15____________________________200 
O fenômeno das mulheres que se tornaram mães 
de seus parceiros
6
• Capítulo 16_____________________________222 
Como superar um término
• Capítulo 17_____________________________230 
O empoderamento da mulher precisa passar 
pela sexualidade
• Capítulo 18_____________________________253 
Lixo emocional: como ele afeta sua feminilidade 
e seus relacionamentos
• Capítulo 19_____________________________265 
Hipnoterapia guiada para resgate 
da sua feminilidade
• Capítulo 20_____________________________268 
Palavras Finais
• Para aprender mais ______________________272
• Bibliografia_____________________________273
7
Prefácio
Este não é um livro comum. Ele é um portal para uma 
nova percepção de você, dos seus relacionamentos 
e do mundo. Este livro foi escrito de forma que somente 
as mulheres que estejam preparadas cheguem a ele 
e consigam finalizar a leitura e fazer a terapia guiada 
que o acompanha. (É muito importante que você faça 
a leitura, entenda os conceitos explicados aqui 
e, só então depois disso, faça a terapia a qual você vai 
ter acesso no final deste livro.)
Aliás, esse é mais um motivo pelo qual este livro 
é especial. É um livro feito para te transformar, porque 
ele vem não somente com a teoria, mas com uma 
ferramenta terapêutica feita a partir das mais modernas 
técnicas de hipnoterapia existentes hoje em dia para 
te ajudar a, de fato, experienciar as transformaçõesas 
quais você vai ser apresentada durante a leitura. 
O objetivo deste livro é te ajudar a se reconectar com 
a força da sua feminilidade que talvez ande adormecida 
devido às experiências da sua vida e à sociedade 
patriarcal na qual vivemos. Talvez você ainda não 
entenda de verdade do que se trata esse resgatedo 
feminino. Talvez você ache que seja alguma coisa 
mística; talvez tudo o que você tenha pesquisado hoje 
em dia sobre este tema tenha a ver com roda 
de mulheres, ou com “plantar a lua”. Mas eu possote 
garantir que esse resgate não tem nada de místico 
e que ele vai muito além disso. As transformações que 
você vai experienciar na sua vida prática serão muito 
maiores do que você possa imaginar hoje. 
8
Este também é um livro feito para te ajudar a resgatara 
sua autoestima, que é uma consequência natural 
quando você se reconecta com a sua fontedo feminino. 
Simplesmente não existe uma mulher que seja conectada 
verdadeiramente com a sua essência feminina e que 
tenha baixa autoestima. São duascoisas completamente 
contraditórias e antagônicas.
Eu quero dizer que você não chegou aqui por acaso. 
O inesperado exige uma grande preparação. Muitas 
sementes foram plantadas na sua vida para que você 
pudesse estar preparada para entrar no portal que será 
aberto com este livro. Tenho certeza de que entender 
a importância do que é o resgate do feminino na sua 
essência vai ser um divisor de águas na sua vida como 
foi na minha. 
Quero, de saída, deixar bem claro que esse livro 
foi feito para pessoas que já atingiram o nível 
de compreensão para respeitar diferenças de gênero 
e preferências sexuais, e que consideram que homens 
e mulheres devem ter direitos iguais no sentido social, 
econômico e político. A ideia aqui é ir além, baseado 
nesse respeito mútuo e igualdade de direitos, mas 
celebrando e reconhecendo as diferenças existentes 
nas polaridades masculinas e femininas, e criando 
assim relacionamentos mais felizes e com mais conexão.
Todos temos energia masculina e feminina dentrode 
nós, e precisamos usá-las com equilíbrioem diferentes 
momentos da vida. Hoje em dia, comoo planeta inteiro 
está numa energia predominantemente masculina, 
inclusive nós mulheres, o trabalho queeu tenho feito 
9
com mulheres é ajudá-las a se reconectar com 
o feminino, energia que está mais em falta atualmente. 
Este é um livro feito para ser lido com calma 
e provavelmente relido algumas vezes. Talvez seja 
a primeira vez que você entre em contato com alguns 
conteúdos que serão abordados aqui, e pode ser que 
leve algum tempo para que você realmente consiga 
internalizá-los. Então passe pelos capítulos com calma, 
dando tempo para que você possa absorver esses 
novos conhecimentos.
Eu ofereço este livro a você como se fosse minha irmãou 
uma amiga querida. Mesmo que não nos conheçamos 
pessoalmente, eu quero te dar a oportunidade de sentir 
o seu coração por meio da abertura do meu coração. 
Meu desejo é que você se conheça mais,se acolha 
mais, e consiga se conectar mais com a sua essência 
feminina. Seguimos juntas. 
10
Capítulo 1
A primeira noite depois do fim
11
“E chegou o dia em que o risco de continuar espremida 
dentro do botão era mais doloroso que o de desabrochar.” 
Anaïs Nin
Duas horas da manhã. Acordo sobressaltada na cama. 
Coração acelerado. Olho para o quarto onde estou 
e desejo que aquilo tivesse sido somente um sonho 
ruim. 
Mas era a vida real. 
Essa era a primeira noite depois da minha separação 
com o meu parceiro de 9 anos, o Emerson. Nove anos 
de relacionamento estável, seguro, pacífico. Agora 
eu me via ali, sozinha, dormindo num quarto na casa 
da minha irmã, sem ele, sem a nossa cachorrinha 
Manchinha, sem casa, sem minhas coisas. 
Combinamos que eu sairia de casa e que ele ficaria. 
Eu senti que ficar no lugar onde vivemos juntos por 
tantos anos dificultaria mais o meu processo de luto. 
E agora eu estava ali, sem minhas bases, somente 
com um vazio gigante no peito, um nó na garganta, 
um coração partido e uma tristeza que parecia 
irremediável. Achei que fosse morrer de dor.
Eu preferia passar por qualquer tipo de dor física, àquela 
dor emocional. Aquela, definitivamente, estava sendo 
a pior noite da minha vida. 
Virei para o lado e vi a cama grande, sem ele. A sua 
falta me cortava a carne. Era como se cada célula 
do meu corpo chorasse. 
12
Um misto de desespero e ansiedade tomou conta 
de mim. O que seria da minha vida a partir dali? Como 
superar tudo o que vivemos? Tantos planos, tantos 
sonhos, tanta história...Uma separação aos 30 anos, 
quando todas as minhas amigas estavam se casandoe tendo filhos? Será que algum dia eu seria feliz 
novamente? Eu, intuitivamente, sabia que, naquele 
momento da minha vida, precisava seguir em frente, 
tomar caminhos diferentes, mas eu não entendia porquê. 
Eu não queria acreditar que aquilo estava acontecendo 
comigo. Minha razão me falava para parar com aquela 
brincadeira, voltar correndo para os braços dele, para 
minha casa, para minha vida, mas uma força gigantesca 
dentro de mim me dizia que eu não tinha opção; que 
eu tinha uma missão, um chamado, e que eu precisava 
seguir em frente. 
Talvez uma das maiores maldições do ser humano 
é que, quanto mais amamos intensamente, mais 
estamos sujeitos a sofrer intensamente. Por isso falam 
que amar é para os corajosos. Quando nos fechamos 
para a dor, nos fechamos também para o amor. Se nos 
abrirmos para um relacionamento de amor intenso, 
automaticamente estamos sujeitos a uma intensa dor 
quando ele terminar. Nós amamos o prazer e odiamos 
a dor, mas um parece não existir sem o outro. Faz parte 
do contrato da vida.
Nunca uma noite passou tão devagar. 
Olhei o relógio: 3h22. O tempo passa numa velocidade 
diferente quando sentimos dor. Eu tinha vontade 
13
de sair correndo, de voltar para casa, de pedir colo. 
Mas sabia que não era possível. Nenhum colo naquele 
momento poderia resolver minha dor. Era eu comigo. 
Terminar qualquer relação é difícil, mas terminar quando 
você ainda ama a outra pessoa absurdamente, é uma 
tortura. Terminamos, não por falta de amor, mas porque 
o verdadeiro amor, às vezes, se mede na renúncia 
e em o quanto estamos dispostos a abrir mão da pessoa 
em nome da felicidade dela. 
Terminamos, dentre outras coisas, por um impasse 
muito comum nos dias de hoje: eu queria filhos, ele 
não. Eu não quis filhos durante muitos anos, mas quando 
parei de tomar a pílula anticoncepcional e entrei nesse 
processo do resgate da minha feminilidade, veio junto 
uma vontade grande de ser mãe. Não agora, mas 
eu passei a sentir uma certeza de que essa seria uma 
experiência que faria parte da minha existência aqui 
nesta vida nos próximos anos. Achamos que seria 
injusto que qualquer um de nós abríssemos mão dessa 
escolha, porque era algo grande demais. Eu não queria 
forçá-lo a ter filhos. Ele não queria me forçar a não 
os ter. Nos amávamos demais para exigir isso 
um do outro. Então nos liberamos para que cada um 
pudesse buscar o seu caminho de acordo com 
o chamado do seu coração. 
3h45. Meu coração parecia que iria sair pela boca. 
Levantei, fui até a cozinha, tomei um copo d’água, sentei 
e chorei. Vi um floral em cima da mesa que minha irmã 
havia comprado para tentar me acalmar. No rótulo 
estava escrito: “superar perdas: tomar 3 gotas diluídas 
em água.” Coloquei 30 gotas num copo em uma tentativa 
14
vã e desesperada de que aquelas gotas me ajudassem 
a superar a perda do amor da minha vida. 
Não adiantou.
Voltei para o quarto. Sentia uma mistura de dor, 
de raiva, de medo, de ansiedade, de solidão. Chorei 
abraçada no travesseiro como as cenas de filme. Talvez 
o choro mais doído da minha vida. Não segurei. 
Já tinha aprendido que quanto mais resistimos 
às emoções, mais elas crescem dentro da gente, 
ao passo que se nos permitirmos senti-las e deixá-las 
fluir, elas simplesmente passam e não fixam ali 
a sua morada.
Eu também já tinha aprendido que tristeza foi feita para 
ritualizar. A tristeza abre algumas portas profundas 
dentro da gente quando não fugimos dela. Eu pensei: 
“Venha tristeza, eu não vou fugir de você. Pode 
me engolir.” Senti uma onda dilacerante de dor invadir 
meu peito, como se estivesse abrindo um corte profundo 
no meu coração. Solucei num choro profundo pelo que 
eu acredito ter durado pelo menos uma hora. A exaustão 
do choro me fez fechar os olhos e me entregar num 
estado de relaxamento.
De repente, alguma porta se abriu dentro de mim. 
Sem querer, entrei num estado de meditação profunda. 
Era como se eu tivesse atravessado um túnel para 
o meu interior e como o se o mundo externo não existisse 
mais. Era como se eu tivesse ultrapassado meu lado 
racional, como se a dor tivesse aberto a porta do meu 
subconsciente. 
15
Com os olhos físicos fechados, mas com minha visão 
interna completamente alerta, me vi caminhando 
em um lugar que parecia ser uma floresta, cercada 
de grandes árvores e cortada por um imenso rio. 
Eu parecia estar conectada com todos aqueles seres: 
os insetos, as árvores, a terra, a água, o vento. Apesar 
de não saber para onde estava indo, caminhava e sentia 
um profundo conforto, uma sensação de segurança, 
de que tudo ficaria bem, de que tudo estava bem, 
de que eu precisava somente seguir o fluxo da vida 
e que tudo daria certo se eu confiasse e entregasse. 
De repente, eu vejo uma mulher vindo na minha direção. 
Ela tinha cabelos longos, cacheados, um vestido 
comprido, um sorriso largo. Ela foi se aproximando 
e eu percebi com surpresa que aquela mulher era eu. 
Minha versão mais velha e mais sábia. Ela chegou 
perto de mim e me deu um abraço. Senti uma paz como 
há tempos não sentia. Senti a confiança de que tudo 
estava bem. Senti o conforto, a sabedoria e a leveza 
que ela me passava. Ela não falou nenhuma palavra, 
mas era como estivéssemos nos comunicando por 
telepatia. 
Aquela era a personificação do que eu enxergo como 
uma energia feminina poderosa. Ela era forte 
e, ao mesmo tempo, suave. Tinha uma leveza no sorriso 
de quem sabe que a vida não deve ser levada tão 
à sério, e uma profundidade no olhar que atravessa 
a sua alma e consegue acessar seus lugares mais 
profundos. Sua presença abria meu coração. 
Era impossível estar perto dela e não ser impactada. 
16
Perto dela, eu sentia que tudo ficaria bem. Ela 
me passava uma tranquilidade que me fazia confiar 
na vida, e uma força que me lembrava o quão forte 
eu era. Ela tinha a fluidez de um rio; a firmeza e uma 
montanha; a leveza de uma brisa no fim de tarde; 
e a vivacidade de uma labareda. Ela trazia todos 
os elementos da natureza dentro dela. 
Ela me abraçou por um tempo que eu não sei mais 
dizer quanto foi. A eternidade morava naquele abraço. 
Ali, eu me sentia acolhida, segura, protegida, forte, 
intuitiva, sábia. Ela me passou a mensagem de que 
eu sobreviveria. Que aquele processo que eu estava 
vivendo era uma preparação para algo maior. 
Que a semente precisa passar por um processo 
de dor quando vai sair da sua casca. Que algum dia 
eu entenderia porque aquilo estava acontecendo, mas 
agora eu precisava somente confiar. Que eu era mais 
forte do que eu imaginava. Que eu era capaz. Que ela 
tinha orgulho de mim. 
Ela se despediu com mais um forte abraço e eu senti 
uma paz de quem descansa no colo de alguém que 
ama e confia muito. Sem abrir os olhos, ainda mergulhada 
no êxtase daquela experiência intensa dentro de mim, 
eu percebi que meu coração já não batia tão acelerado. 
Minha respiração estava mais serena, alternada ainda 
por alguns soluços que restaram do choro. Mas meu 
coração estava em paz. 
Eu sabia que superar aquele término seria uma das 
coisas mais difíceis que eu precisaria fazer na vida. 
Sabia que ainda teria muitos dias sofridos pela frente, 
que eu teria que passar por muitos desafios. Mas agora, 
17
pela primeira vez desde que eu tinha saído de casa, 
eu conseguia enxergar uma luz no fim do túnel. 
Eu entendi que tudo iria terminar bem se eu nunca 
me perdesse daquela fonte sábia que morava dentro 
de mim e que estava sempre pronta para me acolher 
diante de qualquer desafio da vida. 
Mergulhada na serenidade daquela experiência 
e exausta pelo cansaço de tanto chorar, finalmente 
peguei no sono. 
Como este livro nasceu.
Chegar até a decisão de que aquele relacionamento 
precisava terminar foi um longo processo. Na verdade, 
essa mudança na minha vida veio junto com uma 
vivência de autoconhecimento, de cura das minhas 
feridas internas através da hipnoterapia (ferramenta 
à qual você vai ter acesso com este livro), e do resgate 
do meu feminino. 
Nos últimos anos, eu estavasentindo o peso de me 
desconectar da minha essência verdadeira. Eu vinha 
me sentindo cansada, sem energia, desmotivada, 
sobrecarregada. Eu sentia como se eu tivesse 
me desconectado do fluxo natural da vida, como 
um rio que teve sua água represada. Tudo pesava 
demais e parecia ter perdido o sentido. 
Eu tinha me perdido de mim. 
Eu não sei como você chegou a este livro. Talvez você 
já acompanhe meu trabalho no CSV (antigo Casal Sem 
Vergonha, o primeiro e maior blog brasileiro focado 
18
em relacionamentos e sexualidade) ou talvez você 
nunca tenha ouvido falar no meu trabalho. De qualquer 
forma, acho bom começar me apresentando. 
Eu me chamo Jaqueline Barbosa, hoje tenho 30 anos, 
sou nômade digital e hoje vivo na praia ou em qualquer 
lugar do mundo que eu quiser, já que posso levar meu 
trabalho comigo no computador. 
Essa liberdade não surgiu do nada. Há aproximadamente 
dez anos, eu e o Emerson, meu atual sócio 
e ex-companheiro, nos aventuramos no mercado 
de conteúdo para internet e criamos alguns dos 
maiores projetos de conteúdo online da época - 
o Casal Sem Vergonha (sucesso absoluto de audiência 
e que ajudou uma geração a se descobrir sexualmente 
e a ter relacionamentos mais felizes. Até hoje, mulheres 
me param na rua me agradecendo por tê-las ensinado 
a chegar ao orgasmo, a sair de um relacionamento 
abusivo ou a melhorar sua autoestima); o Hypeness, 
um site com notícias inspiradoras sobre criatividade 
e inovação - que também foi sucesso absoluto 
de audiência e ajudou a transformar a vida de muitas 
pessoas (e que há alguns anos foi vendido para uma 
multinacional francesa); e o Nômades Digitais, o primeiro 
veículo brasileiro a falar sobre a possibilidade 
de trabalhar remotamente, de qualquer lugar do mundo, 
ganhando bem e tendo liberdade, e também o primeiro 
canal a lançar um curso online completo ensinando 
pessoas a serem nômades digitais que teve mais 
de 2.000 alunos inscritos. 
Como você pode imaginar, foi uma jornada de muito 
trabalho e muitas conquistas, que nos trouxe muitas 
coisas boas e da qual eu me orgulho muito, mas que teve 
19
um efeito colateral: fez com que eu me desconectasse 
muito da minha energia feminina. 
Hoje eu entendo que não foi o fato de eu precisar 
trabalhar muito que me desconectou da minha 
energia feminina. Foi o fato de eu não me conhecer, 
e de eu me permitir me afastar da minha essência que 
fez com que eu chegasse num estado de exaustão 
interna. Não quero dizer aqui que toda mulher que 
trabalha e tem sucesso se desconecta automaticamente 
da sua energia feminina. Mas arrisco dizer que toda 
mulher que trabalha muito e alcança sucesso, sem 
entender sobre energia feminina e suas polaridades 
e impactos na nossa vida, corre um grande risco 
de se desconectar da sua verdadeira essência. 
Nessa época, eu não tinha ideia do que era energia 
feminina. Aliás, eu enxergava tudo o que fosse 
relacionado ao feminino como fraqueza, inferioridade. 
Eu queria ser como os homens, poder conquistar tudo 
o que eles conquistam, poder ser mais como eles. 
Eu não sabia que essa forma de pensar era 
um condicionamento social. Vivemos numa sociedade 
patriarcal, que quer produtividade, foco, resultados. 
Que enxerga as pessoas como peças substituíveis. 
Que não quer saber se você está sangrando e não está 
no melhor dia para fazer aquela apresentação de uma 
nova ideia para potenciais investidores ou para correr 
5km e depois ir para o treino de crossfit. Sente dor? 
Incômodo? Tristeza? Exaustão? Tome um remédio para 
solucionar esses sintomas e volte para linha de produção, 
antes que alguém tome seu lugar. Chegou aos 30 sem 
uma carreira de sucesso? Você é uma vergonha para 
20
a sociedade e está desmerecendo a luta das mulheres 
que vieram antes de você e que lutaram para que você 
pudesse trabalhar e fazer tudo o que você quiser. 
Só não nos avisaram que fazer TUDO nos deixaria 
completamente exaustas, frustradas e nos faria 
desenvolver todas aquelas características que dizemos 
detestar nos homens.
Ao querer fazer tudo, eu achava que estava conquistando 
uma igualdade com os homens. Mas eu não entendia 
uma coisa: os homens têm o direito de fazer tudo 
e inclusive de continuar na essência natural deles que 
é, predominantemente, a masculina. Nós, mulheres, 
conquistamos o direito de fazer tudo mas, para isso, 
tivemos que nos desconectar demais da nossa energia 
natural que é, predominantemente, feminina (vou 
explicar em detalhes sobre isso nos próximos capítulos, 
pois sei que os termos “masculino e feminino” 
podem gerar muitos mal-entendidos). Então não existe 
igualdade aí. 
Eu entrei para a estatística. Me tornei uma mulher 
bem-sucedida, independente, bem-resolvida, mas 
totalmente masculina. Tive impactos profundos na minha 
vida, na minha saúde e nas minhas relações pessoais 
por causa disso.
Apesar de eu estar muito desconectada da minha 
essência feminina nos últimos anos, minha intuição 
ainda continuava existindo. Ela soprava baixinho, 
mas estava lá. A natureza da mulher selvagem nunca 
se apaga. Ela adormece. Mas fica sempre esperando, 
na espreita, uma oportunidade de voltar, uma 
21
oportunidade de se manifestar novamente. Ela espera 
a hora certa, o exato momento em que as condições 
estarão propícias para ela se libertar do cativeiro 
em que ela se encontra. 
Um dia, essa voz interna me soprou uma informação: 
pare de tomar pílula anticoncepcional. De repente, 
os conteúdos sobre esse tema começaram a chegar 
para mim. Comecei a pesquisar sobre isso, ler relatos 
de mulheres, entender mais o que é de fato a pílula 
anticoncepcional e os efeitos dela no nosso corpo, 
e comecei a dar atenção para esse chamado interno 
que eu ouvia. 
Eu tomei contraceptivos hormonais por mais de 10 anos 
e adorava porque a pílula me deixava completamente 
estável, sem variações. Eu ouvia as mulheres falando 
sobre oscilação de humor, sobre TPM, sobre estar 
conectada com as estações da lua e eu achava tudo 
aquilo uma grande besteira. Eu não tinha essas 
variações. Eu não tinha tempo para isso. Eu era sempre 
a mesma. Linear. Estável. Racional. Masculina. 
Eu não percebia, mas todos esses anosde contracepção 
hormonal haviam contribuído muito para eu me 
desconectar da minha essência feminina. Como eu não 
ovulava mais, eu perdi minha característica cíclica 
natural da essência de qualquer mulher. Por um lado, 
isso é bom: ficamos mais práticas, mais focadas, mais 
racionais. Só que por outro lado, desconectadas 
da nossa força interna, da nossa sabedoria, da nossa 
intuição, da nossa natureza mais selvagem - no melhor 
sentido da palavra. 
22
Resolvi escutar aquela voz interna que me dizia para 
procurar outras alternativas de contracepção que não 
fossem hormonais e decidi parar com a pílula. Eu nem 
imaginava que aquela decisão causaria um furacão 
na minha vida. 
No primeiro mês após a interrupção da pílula 
anticoncepcional, eu comecei a sentir sintomas físicos, 
como queda de cabelo, mudança no tamanho dos seios 
(que sempre eram estáveis, e hoje tem um tamanho 
diferente em cada semana do mês, de acordo com 
o momento do meu ciclo), mudança na pele, volta 
de uma lubrificação natural que eu já nem lembrava 
que existia, aumento da libido, dentre outras coisas. 
Mas essas mudanças externas não eram nada 
comparadas com as mudanças internas que estavam 
prestes a acontecer. 
Eu comecei a sentir uma força gigantesca brotando 
de dentro de mim, como um rio que se enche depois 
de uma grande chuva e transborda, expandindo suas 
margens e levando tudo o que está ao seu redor junto. 
Era como se eu tivesse represado toda aquela água 
durante anos e anos e, assim que eu a libertei, ela veio 
com toda força, com toda intensidade, sem me dar 
chances de querer voltar atrás. Era como se eu tivesse 
acordado de um sono profundo. (Uma coisa importante 
que eu preciso dizer: para mim, esse resgate da energia 
feminina foi potencializado pela interrupção da pílula 
anticoncepcional, mas não necessariamente precisaser assim. Isso significa que eu não estou recomendando 
que você pare de tomar pílula anticoncepcional, 
porque somente um médico pode te orientar quanto 
23
a isso - falaremos mais sobre isso nos próximos capítulos - 
mas estou compartilhando com você como foi 
a minha jornada.)
A energia feminina é como a energia das águas - forte, 
selvagem, fluida, intensa, e ao mesmo tempo suave, 
porque ela contorna, não bate de frente. Ela limpa, 
purifica, renova. Ela pode ser calma, suave, delicada, 
mas também pode ser extremamente intensa, profunda, 
revolta e agressiva, quando deve ser. 
Eu, há muitos anos tinha perdido o contato com essa 
energia feminina e me assustei quando ela se manifestou 
porque ela veio com toda a intensidade. Como Clarissa 
Pinkola Estés exemplifica muito bem em seu livro 
“Mulheres que Correm com Lobos”, a mulher que 
se reconecta com a sua energia feminina selvagem 
é como uma loba que estava presa em cativeiro durante 
anos; quando ela encontra uma chance de escapar, 
ela vai correr em disparada sem olhar para trás. 
“É então que saltamos floresta adentro, em meio 
ao deserto ou à neve, e corremos muito, com nossos 
olhos varrendo o solo, nossos ouvidos em fina sintonia, 
procurando em cima e embaixo, em busca de uma 
pista, um resquício, um sinal de que ela ainda está viva, 
de que não perdemos a nossa oportunidade. E, quando 
farejamos seu rastro, é natural que corramos muito 
para alcançá-la, que nos livremos da mesa de trabalho, 
dos relacionamentos, que esvaziemos nossa mente, 
viremos uma nova página, insistamos numa ruptura, 
desobedeçamos às regras, paremos o mundo, porque 
não vamos mais prosseguir sem ela.”
24
A partir do momento em que uma mulher se reconecta 
com a energia feminina, nada será morno. Tudo será 
intenso. Talvez relacionamentos terminem; talvez ela 
troque de trabalho, mude de cidade; se liberte de tudo 
que de alguma forma estava contribuindo para que ela 
se mantivesse em cativeiro. Ela não pode ser parada. 
E ela faz isso porque sabe que, sem essa força 
do feminino, sua vida perde todo o sentido. Seus 
relacionamentos adoecem; ela fica desmotivada 
no trabalho; ela perde a capacidade de ser uma 
visionária, intuitiva, curadora, apaziguadora, sábia, 
cuidadora e protetora do seu clã. Uma mulher que 
recupera a conexão com sua energia feminina não vai 
se permitir voltar para o cativeiro. Ela prefere a morte, 
porque ela sabe que viver desconectada dessa força 
é como se sua alma estivesse, de fato, morta. Ela 
é apenas um corpo vagando, sem brilho, seca, árida, 
sem visão, sem intuição. 
Toda essa energia tomou conta de mim de uma forma 
que meu lado racional não pôde controlar. Meu lado 
racional se tornou uma parte quase insignificante diante 
do tamanho da energia intuitiva que eu estava sentindo 
brotar dentro de mim. Eu vivia um conflito dentro 
de mim - meu lado racional me pedindo para ser 
responsável e voltar para a vida perfeita e estável que 
eu tinha construído, e minha intuição me empurrando 
para um caminho que eu não tinha ideia de onde iria 
dar. Eu me assustei, mas eu não tinha opção senão 
seguir minha intuição, se não ir para os caminhos que 
ela estava me mostrando, mesmo sem entender, mesmo 
sem concordar, mesmo com medo, mesmo sem saber 
para onde essa energia estava me levando, porque era 
uma energia muito forte que eu não conseguia conter. 
25
Resistir a essa energia seria como tentar segurar 
um animal selvagem que se libertou de um cativeiro. 
Eu não tinha a menor chance. 
E como explicar isso para as pessoas? Como explicar 
isso para mim mesma? Como explicar que eu estava 
sentindo uma força descomunal surgindo dentro 
de mim, me fazendo ser levada para caminhos para 
os quais eu não fazia ideia de onde me levariam, mas 
que eu sabia que eu precisava seguir? Como explicar 
que eu teria de deixar relacionamentos para trás, 
amizades, trocar de rumo no trabalho, sendo que 
de fora, todo mundo achava que eu tinha uma vida 
perfeita? Como explicar que se eu não seguisse aquele 
chamado, eu morreria, entraria em depressão, não 
conseguiria mais levantar da cama, talvez precisaria 
começar a me medicar para conseguir viver já que 
eu teria me desconectado totalmente da minha essência, 
da minha força? 
Foi uma das épocas mais difíceis da minha vida. 
Foi um momento em que eu tive que confiar plenamente 
na minha intuição, mesmo sem entender o que estava 
acontecendo. E hoje, algum tempo depois, eu consigo 
entender muito melhor o que aconteceu. Para onde 
essa força estava me levando. Este livro que você está 
lendo, por exemplo, nasceu desse processo.Como 
o meu mergulho no resgate da minha natureza feminina 
foi (e continua sendo) um processo muito intenso, 
selvagem, e confuso, eu acabei mergulhando nessa 
jornada e me apaixonei por ela. Daí surgiu a motivação 
de ser uma referência para mulheres que estão neste 
mesmo processo. Ainda não sei muitas coisas e ainda 
26
não consegui entender tudo completamente, mas hoje 
não tenho mais a menor dúvida de que eu não teria 
outra opção senão seguir aquela missão, aquele 
chamado. 
Hoje eu entendo que eu tinha me desconectado 
da minha energia feminina e que estava vivendo 
predominantemente numa energia masculina. Isso foi 
muito bom em vários aspectos: minha vida decolou 
profissionalmente, consegui atingir minha independência 
financeira antes dos 30 anos, mas eu me desconectei 
da minha essência. Eu não entendia os efeitos 
devastadores que isso geraria em mim. .
Uma das maiores mudanças dessa transição da minha 
vida foi o término do meu relacionamento de 9 anos 
com o Emerson, meu parceiro e sócio em vários projetos 
de trabalho e vida, inclusive o CSV - antigo Casal Sem 
Vergonha, que foi a história que abriu este livro. 
Mas não foi a única. Eu vivi na pele a sensação 
de me perder e, para me reencontrar, mergulhei 
profundamente nesse chamado do feminino. Li muitos 
livros sobre o tema, fiz muitas pesquisas, participei 
de cursos, conversei com pessoas, me conectei com 
outras mulheres, passei por muitas sessões 
de hipnoterapia, fiz muitas sessões para outras pessoas, 
fiquei em contato muito próximo com a natureza e assim 
consegui fazer um mergulho profundo dentro de mim 
e ouvir as vozes da minha intuição. Esse chamado 
me abriu muitas portas. Muitas delas foram difíceis, 
mas todas valeram a pena. 
Hoje, algum tempo depois desde o início desse processo 
de volta para casa, escrevo os primeiros capítulos deste 
27
livro sentada na beira de um rio, numa cidade 
de montanhas na Serra Catarinense, cercada 
de araucárias. Curiosamente, um cenário muito parecido 
com o daquela viagem interna que eu havia feito naquela 
noite após o término quando um portal se abriu para 
mim. 
Ao meu redor, somente o barulho da natureza.
Relembro minha trajetória. Tudo o que passei para 
chegar até aqui nessa jornada de resgate da minha 
força feminina. Quantas construções. Quantas 
desconstruções . Quantas camadas precisaram ser 
removidas. 
Hoje posso dizer: eu sobrevivi. 
E tenho muito orgulho da mulher que me tornei. 
Sei que a caminhada continua; esse processo 
de empoderamento através da feminilidade é uma 
jornada de vida. Sempre temos coisas novas para 
aprender, mas hoje, com tudo o que vivi, sinto que 
estou pronta para ajudar mulheres que querem dar 
início a essa jornada também - e por isso este livro 
nasceu. 
Talvez hoje você ainda não entenda ao que eu estou 
me referindo quando falo de resgate do feminino. 
Mas se você chegou a este livro é porque, dentro 
de você, sua força feminina está viva. Ela está tentando 
te mostrar o caminho. Ela não vai desistir. De alguma 
forma ela conseguiu te fazer chegar até aqui, até 
o conhecimento que você vai ter neste livro. Então 
28
eu preciso te dizer que você, hoje, não tem como saber 
as transformações que vão surgir na sua vida agora 
que abriu esse portal. Eu só posso garantir que você 
jamais será a mesma. 
Talvez essas palavras acelerem seu coração, deem 
um frio na sua barriga. Talvezseus pelos estejam 
arrepiados. É a sua mulher selvagem se manifestando. 
Sua essência feminina te tocando. Ela ficou presa 
durante muitos anos e agora mal pode conter 
a empolgação ao saber que ela está próxima de poder 
sair do cativeiro. 
Ciente disso, você tem duas opções: fechar este livro 
agora, e voltar para a sua vida normal como se nada 
tivesse acontecido. Essa é uma opção, mas preciso 
te avisar que a mulher selvagem dentro de você não 
vai desistir. Ela vai continuar voltando, voltando. 
Te mandando vários sinais. Esse assunto vai ser cada 
vez mais recorrente na sua vida. Você vai estar numa 
roda de conversas e, de repente, alguém vai começar 
a falar sobre esse assunto. Você vai estar numa livraria 
e um livro sobre feminino vai aparecer bem na sua 
frente, se destacando dos outros. Você vai descobrir 
uma música nova que vai tocar sua alma, e você vai 
sentir a força e a beleza dela querendo se manifestar, 
e você vai chorar sem saber o porquê.
A segunda opção é ouvir esse chamado agora, porque 
você sabe que não pode mais escapar dele. O portal 
foi aberto. É preciso coragem. Mas você não estará 
sozinha. Você estará acompanhada de uma força interna 
sábia, intuitiva, forte, suave, bela, sedutora, cuidadora, 
leal, que vive dentro de você. 
29
Ela vai te mostrar o caminho. 
Eu também posso garantir que se você tem sofrido 
na área dos relacionamentos, se seus relacionamentos 
não duram, se você sente que sempre acaba virando 
mais amiga do que amante dos seus parceiros, se você 
nunca conseguem achar um homem legal e quando 
acha eles não querem nada mais do que algumas noites 
de sexo, eu posso te garantir que suas relações não 
estão indo para frente porque você está desconectada 
da sua energia feminina.
Eu já estive no seu lugar e já acompanhei centenas 
de mulheres que relataram não aguentar mais serem 
rejeitadas ou se decepcionaram, relacionamento após 
relacionamento. Mulheres que estavam desistindo 
de se relacionar, apesar de, no fundo, desejar 
profundamente encontrar o parceiro com quem 
pudessem compartilhar uma vida feliz. Eu ajudei essas 
mulheres a parar de olhar para o externo, parar de focar 
no que os homens estavam fazendo, e olhar para qual 
tipo de energia elas estavam emanando. Essa situação 
lhe soa familiar? Então você está no lugar certo. 
Eu quero que você se prepare para se sentir 
desconfortável. O que eu vou te ensinar neste livro 
provavelmente é diferente de tudo o que você aprendeu 
sobre autoestima, amor, relacionamentos. Mas eu posso 
te garantir que se você se abrir para o novo, 
o empoderamento através da feminilidade vai mudar 
a sua vida. Junto com esse livro, eu criei também uma 
hipnoterapia poderosa focada em te ajudar no resgate 
do seu feminino, direto na raiz: na sua mente 
30
subconsciente. Essa soma de teoria e prática podem 
causar uma revolução muito positiva na sua vida, 
se você se permitir. (Aqui no livro, vamos usar bastante 
o termo “subconsciente”. Algumas linhas terapêuticas 
ou filosóficas podem usar outros termos, como 
“inconsciente”, por exemplo. Isso é apenas uma 
questão de nomenclatura, e não significa que 
um está mais certo do que o outro, são apenas linhas 
de estudo diferentes.)
Este livro é um guia para uma nova mulher moderna. 
Uma mulher que entendeu que não existe nada 
de fraqueza em ser feminina - pelo contrário, ela 
entendeu que existe muito poder na feminilidade. 
Essa mulher é intuitiva, sábia, criativa, sensual, leve, 
vibrante, poderosa. Ela tem uma percepção aguçada 
do mundo e das pessoas, tem grande poder de 
resistência e força, tem um espírito jovem - independente 
da idade - e é dotada de extrema coragem. 
Ela é extremamente conectada com a sua sexualidade 
e com seus ciclos de criatividade, trabalho e descanso. 
Ela sabe quando é hora de se mover, e quando é hora 
de descansar. Ela sabe trazer para o peito e acolher, 
mas sabe rosnar quando é preciso. 
Ela é conectada com as marés que sobem e descem 
no seu tempo certo e como os rios que correm de forma 
selvagem e chegam longe sem bater de frente, mas 
sim contornando todo os obstáculos. Ela entende que 
a vida é fluxo e segue os chamados da vida sem resistir. 
Ela se entrega e confia na infinita fonte da transformação. 
Sua razão trabalha a favor do seu coração. Ela vive 
as quatro estações do ano num único mês. Ela sabe 
ouvir, sabe aconselhar. Sua presença é fonte 
31
de inspiração para as pessoas. Ela tem brilho nos olhos. 
Ela não tem medo de mergulhar profundo: ela tem medo 
de uma vida rasa. Sua religião é o amor. Não importa 
quantas vezes ela teve seu coração partido, ela continua 
se abrindo, se expandindo, ao invés de se fechar. 
Seu coração tem muitas rachaduras, é exatamente por 
elas que a luz entra. 
Esse novo tipo de mulher sabe que pode ser tudo 
o que ela quiser - mas ela escolhe não precisar ser 
tudo sozinha. Ela sabe dar espaço para que outras 
pessoas também possam ser. Ela não é aquele tipo 
de mulher à moda antiga que era totalmente submissa, 
sem voz, presa às tarefas do lar, infantilizada e tratada 
como propriedade. Ela também não é aquela mulher 
que quer fazer tudo sozinha, que tem raiva dos homens 
e quer ocupar o lugar deles sendo competitiva 
e agressiva. Essa mulher não tem que provar nada para 
ninguém. Ela simplesmente vive alinhada e em conexão 
profunda com sua essência. Ela tem coragem de ser 
autêntica e oferecer seus dons para o mundo. Ela ocupa 
o seu corpo com segurança e orgulho. Ela não se deixa 
ser diminuída por ninguém - ela sabe que não é superior 
e nem inferior a ninguém. Ela sabe falar e agir 
em defesa própria, sabe a hora de chegar e a hora 
de se retirar. 
Esse tipo de mulher exerce um magnetismo profundo 
no masculino saudável. Quando uma mulher com essa 
energia entra num ambiente, automaticamente 
os homens de masculinidade saudável se sentem 
atraídos por ela. Esse magnetismo tem menos a ver 
com a sua aparência externa e muito mais a ver com 
32
a energia que ela emana de dentro para fora. Se você 
perguntar para um homem porque ele se sentiu atraído 
por ela, ele provavelmente vai dizer algo como “não 
sei, ela tem uma coisa diferente…”. Se o essencial 
é invisível aos olhos, essa mulher carrega o essencial 
dentro dela como um tesouro que ela só oferece para 
aqueles que valem a pena. (um adendo: aqui no livro 
vou usar bastante os termos “homem” e “mulher”, mas 
faço isso para simplificar a escrita. Quando falo “homem”, 
me ref i ro àquelas pessoas com energ ia 
predominantemente masculina; e quando falo 
“mulher”, me refiro àquelas pessoas com energia 
predominantemente feminina.”)
Essa energia feminina selvagem presente em todas 
as mulheres é a que traz a coragem para que possamos 
ouvir nosso coração, intuição e percepção. Uma mulher 
que deixa essa energia aflorar sabe gritar quando 
precisa e também domina o silêncio. Ela reconhece 
seu limite e suas sombras. Essa mulher caminha nos 
vales escuros de si com os olhos abertos para a verdade 
e não se intimida com suas feridas. 
A vida dessa mulher selvagem nem sempre vai ser 
acompanhada de ervas, chás, saias rodadas e aromas 
agradáveis. Essa mulher traz consigo a luz e a sombra. 
Ela sabe ser leve, intuitiva, brincalhona, mas também 
indomável, rebelde e incorrigível quando precisa ser. 
Ela encara, cura e carrega consigo as cicatrizes 
da vida e, assim, segue orgulhosa da mulher que é. 
Essa natureza feminina da mulher selvagem vive dentro 
de cada uma de nós. Ela é a voz que vive dentro 
de todas nós e sabe seguir seu caminho quando tudo 
33
à sua volta estremece, quando tudo oscila, quando 
o chão parece ter sumido dos seus pés, porque ela 
sabe a sua verdade e se mantém fiel a ela. Ela é a voz 
que nos guia para longe do perigo, que nos mostra 
o caminho e que nos ajuda a curar as nossas feridas. 
Ela sabe o momento de deixar nascer e de deixar 
morrer, nos guiando pelos ciclos naturais da vida. 
Ela é a natureza instintiva, o maior conhecimento 
da natureza sábia que habita em cada umade nós. 
Infelizmente, a maioria das mulheres na sociedade 
de hoje não estão conectadas a essa natureza feminina 
instintiva, e isso faz com que se sintam muitas vezes 
deprimidas, apáticas, e sem inspiração; facilmente 
controladas e manipuladas pela sociedade, e não 
raramente se veem presas em relacionamentos 
infelizes, trabalhos que escravizam sua alma ou presas 
às funções do lar. 
O objetivo deste livro não é te ensinar a desenvolver 
a sua feminilidade, porque ela já existe dentro de você. 
O objetivo deste livro é te ajudar a retirar as camadas 
que foram colocadas por cima dela para que ela possa 
voltar a florescer. 
Deixo com você um texto que simboliza a entrada nessa 
jornada:
“Coragem. 
A semente não pode saber o que lhe vai acontecer, 
a semente jamais conheceu a flor. E a semente 
não pode nem mesmo acreditar que traga 
34
em si a potencialidade para transformar-se em uma 
bela flor.
Longa é a jornada, e sempre será mais seguro não 
entrar nessa jornada, porque o percurso é desconhecido, 
e nada é garantido. Nada pode ser garantido.
Mil e uma são as incertezas, os imprevistos – 
e a semente sente-se em segurança, escondida 
no interior de um caroço resistente.
Ainda assim ela arrisca, esforça-se; desfaz-se 
da carapaça dura que é sua segurança, e começa 
a mover-se.
A luta começa no mesmo momento: a batalha com 
o solo, com as pedras, com a rocha. A semente era 
muito resistente, mas a plantinha será muito, muito 
delicada e os perigos serão muitos.
Não havia perigo para a semente, a semente poderia 
ter sobrevivido por milênios, mas para a plantinha 
os perigos são muitos.
O brotinho lança-se porém ao desconhecido, em 
direção ao sol, em direção a fonte de luz, sem saber 
para onde, sem saber porquê.
Enorme é a cruz a ser carregada, mas a semente está 
tomada por um sonho e segue em frente. 
Semelhante é o caminho do homem. É árduo. Muita 
coragem será necessária.”
- Cartas de Osho - 
35
Para que uma semente atinja sua maior expressão, ela 
precisa ser completamente desfeita. A casca racha seu 
interior sai e tudo muda. Para alguém que não entende 
o processo de crescimento, isso pode parecer uma 
completa destruição, mas é somente o início do processo 
de desabrochar. Seja corajosa o bastante para 
transformar-se na árvore majestosa e única que você 
foi feita para ser. 
36
Capítulo 2
O que é ser mulher nos tempos modernos
37
“Mulheres que querem ser iguais
aos homens carecem de ambição.” 
- Marilyn Monroe - 
38
Até pouco tempo atrás, os papéis dos homens 
e mulheres eram bem definidos na sociedade, com 
pouco espaço para escolhas fora do padrão imposto. 
Homens deveriam ganhar dinheiro e mulheres deveriam 
cuidar da casa e dos filhos. Os homens detinham 
o poder sob as mulheres através da força física 
e do monopólio do dinheiro. Os estereótipos que mais 
definiam essa divisão era o homem machão e a mulher 
submissa. 
Essa sociedade patriarcal limitou muito a natureza 
feminina e a colocou num cativeiro quando determinou 
que o papel exclusivo da mulher era ficar na cozinha, 
produzir o maior número possível de bebês e satisfazer 
sexualmente o seu marido. Mas, principalmente a partir 
dos anos 60 do século XX, muitas coisas foram mudando 
nesses aspectos. 
Homens e mulheres passaram a equilibrar mais suas 
energias. Os homens foram aprendendo a sair somente 
do racional e também seguir suas emoções. 
Eles aprenderam a beleza de seguir mais com o fluxo, 
ao invés de manter sempre a postura rígida e radical 
de antes. 
Enquanto isso, as mulheres foram fazendo o oposto, 
e começaram a aumentar a sua energia masculina. 
Elas correram atrás e ganharam independência política 
e financeira. Elas puderam focar nas suas carreiras, 
estudar o que quisessem, conquistaram muitos direitos 
e recuperaram a sua voz que esteve perdida durante 
muitos anos. 
39
Sim, ainda existem conquistas que precisam ser 
atingidas, mas os avanços conquistados pelas mulheres 
ao longo das últimas décadas foram impressionantes. 
Nunca houve um tempo na história em que as mulheres 
tiveram mais direitos, mais possibilidades e mais 
oportunidades do que hoje. Hoje temos oportunidades 
que as nossas avós e bisavós jamais poderiam imaginar. 
Na nossa geração, homens e mulheres também 
se tornaram menos dependentes uns dos outros. 
As mulheres se tornaram capazes de se sustentarem 
e trocarem pneus de carros; e os homens se tornaram 
capazes de cuidar de casa e criar um filho sozinho, 
se assim desejarem. 
Esse maior equilíbrio trouxe muitos benefícios para 
todos. A luta das mulheres ao longo dos anos, sem 
dúvida, trouxe o tipo de prosperidade e liberdade 
de escolha que muitas mulheres, inclusive eu, estão 
desfrutando. Amo minha vida e, graças a essas mulheres 
que lutaram por essa igualdade nos setores social, 
político e econômico, posso viver minha vida da maneira 
que achar melhor. 
Só que essa luta pelos direitos de igualdade das 
mulheres trouxe consigo alguns efeitos colaterais. 
No âmbito pessoal, um dos maiores efeitos colaterais 
desses novos tempos é que as mulheres acabaram 
se vendo forçadas a entrar demais na energia masculina 
para alcançar seu espaço e se desconectaram da sua 
essência feminina. Isso resultou numa legião 
de mulheres bem-sucedidas, independentes, donas 
de si, mas extremamente cansadas, sobrecarregadas, 
e com dificuldades para sustentarem relacionamentos 
40
pessoais por acharem que precisam dar conta 
de tudo sozinhas.
Em termos de relacionamentos, começamos a ver uma 
grande quantidade de relacionamentos baseados 
no 50% - 50% (formado por duas pessoas de energias 
no espectro “neutro”) que, como você vai entender 
mais para frente neste livro, traz equilíbrio na relação, 
mas baixa conexão sexual entre os parceiros. Por isso 
vemos muitos casos de casais que conseguiram 
se estabelecer financeiramente e socialmente, mas 
que não sabem mais o que fazer para acender a chama 
no relacionamento. 
Esse foi o caso de uma cliente que atendi na clinica 
de hipnoterapia há algum tempo atrás. Ela havia 
se separado recentemente de um relacionamento 
de 7 anos. O grande sonho do casal era comprar uma 
casa na montanha com vista para o mar, onde pudessem 
criar seus filhos com tranquilidade, e abrir ali uma clínica 
para atendimentos terapêuticos. Ambos trabalharam 
muito para isso. Eles tiveram um filho, compraram 
o terreno, construíram a casa e, um mês depois 
de pegar a chave e finalizar a mudança, eles decidiram 
se separar. Segundo ela, a relação deles vinha esfriando 
gradativamente com o tempo, até chegar num nível 
onde eles praticamente não faziam mais sexo. 
Eles se tornaram ótimos amigos e parceiros de trabalho, 
mas a falta de conexão sexual destruiu o relacionamento. 
Vemos também muitos relacionamentos com a chamada 
“polaridade invertida”, no qual a mulher assume uma 
energia masculina dominante na maior parte do tempo, 
e o homem acaba indo para uma polaridade feminina 
41
para gerar equilíbrio na relação. Por algum tempo, esse 
esquema pode funcionar bem. Mas o mais comum 
é que, com o passar dos anos, a mulher vá ficando 
com energia a masculina cada vez mais forte 
e se desconectando da energia feminina; ao passo 
que o homem vai entrando cada vez mais na energia 
feminina e se desconectando do seu masculino. 
O resultado dessa dinâmica é que a mulher vai perdendo 
admiração e respeito pelo homem; e o homem vai 
perdendo atração e desejo pela mulher, culminando 
no fim do relacionamento ou num relacionamento cheio 
de brigas e com pouca admiração mútua. Nessa busca 
de equilíbrio, o que vemos são homens e mulheres 
perdidos em seus papéis. E o amor anda perdendo 
essa batalha.
No meu consultório de hipnoterapia e no trabalho 
no CSV, o que eu mais vejo são reclamações 
de mulheres dizendo que os homens de hoje estão 
todos sem atitude e parecem buscar uma mãe em vez 
de uma parceira. E homens reclamando que as mulheres 
se tornaram “duras” demais, com a sensação de que 
eles não tem uma parceira em casa,e sim uma “chefe.” 
Será que realmente é esse tipo de dinâmica que 
queremos viver?
Nós mulheres saímos de um extremo, em que 
a feminilidade era vista como sinônimo de submissão, 
e fomos para outro extremo no qual praticamente 
extinguimos a nossa feminilidade para nos 
encaixarmos no modelo de sociedade atual focada 
em resultado e competitividade. Esquecemo-nos 
42
de que, sim, podemos e devemos lutar por direitos 
iguais, mas não somos iguais aos homens. Somos 
seres diferentes, e isso precisa ser respeitado. 
Muitas mulheres no mundo ocidental, em geral, 
aprenderam que os traços femininos são inferiores aos 
traços masculinos (ativo é sempre melhor que passivo, 
assertivo é sempre melhor que submisso, enquanto 
a verdade é que se trata de uma combinação energética 
complementar, não existe um bom ou mau inerente 
neles). Isso nos leva a alguns questionamentos: se não 
podemos nos sentir confortáveis em nossa própria pele 
feminina e secretamente desejamos que fôssemos 
um homem, como um homem pode se sentir confortável 
em estar conosco? Se os homens conseguem exercer 
o seu direito de continuar na sua natureza masculina, 
por que nós mulheres temos que negar a nossa natureza 
feminina? Será que isso é realmente igualdade, 
ou continuamos em desvantagem - talvez uma 
desvantagem ainda maior? Nos falaram que poderíamos 
ter e fazer tudo, mas depois de quase meio século 
lutando por isso, será que conseguimos? Como podemos 
ser tudo o que quisermos, se estamos operando imitando 
os homens e longe da nossa essência feminina?
Se você é mulher e vive nos tempos atuais, existe uma 
grande chance de você se identificar com a palavra 
“cansada”. Como o papel masculino não é natural para 
nós, não estamos vivendo em um lugar de autenticidade. 
Como resultado, acumulamos estresse que tem 
um efeito devastador na nossa saúde física e mental. 
Nossos corpos protestam, se tornam tensos e rígidos, 
porque nos desconectamos da nossa natureza. Quando 
a mulher passa muito tempo desconectada da sua 
43
essência verdadeira, ela começa a se sentir cansada, 
desestimulada, árida, sempre culpada, com dificuldade 
de decidir o rumo da sua vida, desconectada de seus 
próprios ciclos, entediada, sem brilho nos olhos, sem 
força vital. Ela fica sempre a beira de um burnout. 
Talvez você sinta que começa todos os dias com o seu 
despertador tocando, já atrasada, sentindo que você 
está perdendo a corrida novamente, apenas para 
se apressar para um dia que esgota sua energia, com 
pessoas que não respeitam seus limites. Você termina 
o dia tentando escapar suas emoções, sentindo-se 
insatisfeita, como se nunca conseguisse fazer 
o suficiente. Você é boa em fazer as coisas que outras 
pessoas pediram para você fazer, mas quando se trata 
de suas próprias coisas, sempre deixa para depois 
e acaba não fazendo aquilo que realmente importa. 
Talvez você se sinta desconectada do seu corpo 
e sempre que se olha no espelho se cobre por não ter 
resistido àquela pizza e agora estar com aquela 
barriguinha te lembrando de que você não é boa 
o suficiente nem para manter seu corpo em forma. 
Seu ciclo menstrual talvez seja para você um incômodo 
que a impede de ser mais produtiva e mais prática. 
Talvez você sinta que está sempre numa luta constante; 
que precisa provar o seu valor para uma sociedade 
que só te desmerece. 
Ouvimos o tempo todo que, só de sermos mulheres, 
já estamos em desvantagem. Que precisamos viver 
constantemente em modo “luta”. Que precisamos 
“revidar”. Isso coloca uma grande pressão na gente. 
Parece que viver “correndo” virou o novo normal. Temos 
44
que ser supermulheres. Estamos exaustas e correndo 
sem nos perguntar se realmente é essa jornada que 
queremos trilhar. Queremos abraçar o mundo inteiro 
e acabamos caindo num modelo que seria o equivalente 
a um “homem de saia”. 
Provavelmente você tem a sensação de que por mais 
que faça, nunca é o bastante. Parece que você nunca 
consegue ter tempo para as coisas que te fazem feliz. 
Você se sente o tempo todo culpada por alguma coisa. 
Talvez você se pergunte se existe algo errado. 
Mas eu preciso te dizer que não. Existe uma coisa 
errada com o sistema. O sistema em que vivemos está 
fora de equilíbrio, e como você está dentro dele, você 
também fica desequilibrada. 
Se pensarmos na sociedade ocidental em que vivemos 
hoje, as características predominantes são violência 
ao invés de amor; competitividade ao invés 
de colaboração; pressão por resultado ao invés 
de tempo para viver a vida. Ou seja, mesmo com tanta 
luta e tantos avanços nos direitos das mulheres, 
continuamos vivendo numa sociedade com polaridade 
totalmente masculina. Uma sociedade que diz que 
se a mulher quer ser bem-sucedida, ela precisa fazer 
isso da forma masculina. 
A energia masculina em excesso nos cobra, nos faz 
sentir culpadas por não conseguirmos ser as melhores 
em tudo o que fazemos. Como resultado, temos essa 
sociedade que incentiva pessoas a trabalharem 
12 horas por dia, e que não conseguem se desconectar 
da pressão e das metas quando chegam em casa. 
E então vemos as pessoas buscando alternativas 
45
como yoga, meditação, etc, não para relaxarem 
e se conhecerem melhor, mas sim para terem mais 
foco e conseguirem ser mais produtivas. 
Esse é um dos motivos que podem causar a epidemia 
de pessoas com problemas de saúde mental. Esses 
efeitos colaterais atingem tanto homens quanto mulheres; 
mas para as mulheres, o peso parece ser maior, porque 
estamos atuando o tempo inteiro longe da nossa 
essência, e muitas vezes fazemos jornadas duplas 
ou triplas de trabalho. As mulheres conquistaram seus 
direitos, porém abrem mão da energia feminina, já que 
muitas “características femininas” não são aceitas 
na sociedade de hoje, por serem vistas como inferiores. 
Essa situação de desequilíbrio não pode durar para 
sempre. Nossos corações, nossas mentes, nossos 
corpos já não aguentam mais viver com tanta pressão. 
Nem o planeta consegue mais funcionar neste modo 
em que só queremos extrair, utilizar recursos, crescer 
cada vez mais. O resgate do feminino é essencial para 
a nossa saúde mental, para nossos relacionamentos 
e para o planeta. 
Só para ficar claro: não há dúvida de que você é capaz 
de fazer, alcançar e ter o que quiser. Não há dúvida 
de que você pode fazer tudo e qualquer coisa que 
um homem pode fazer. Não há dúvida de que você 
pode “ter tudo”. Mas quando falo com mulheres que têm 
tudo, que conseguem ser supermulheres, é alarmante 
ouvir que elas relatam nunca sentir que fizeram 
o bastante ou que sejam boas o bastante, elas não 
conseguem realmente apreciar, agradecer e honrar 
quem são e o que criaram. Por trás da vontade de nos 
46
tornarmos supermulheres, que podem fazer tudo 
e fazem tudo melhor do que todos, existe na verdade 
um sentimento de medo e inadequação disfarçado. 
Por isso, este livro é um convite para um movimento 
de um novo empoderamen to fem in ino. 
Um empoderamento no qual podemos estar centradas 
na nossa essência feminina verdadeira, que não 
é submissa e nem fragilizada, como a de muitas das 
nossas antepassadas, nem estressada e controladora, 
como a de muitas mulheres dos dias de hoje. Quando 
aprendemos a repousar na nossa essência verdadeira, 
podemos conquistar tudo o que quisermos, sem cairmos 
num processo de exaustão. Uma mulher pode conquistar 
absolutamente tudo o que ela quiser, se estiver centrada 
na sua energia natural. 
Para entender melhor os efeitos de nos desconectarmos 
da nossa energia feminina, precisamos primeiro entender 
direito o que é isso. Parece surreal que tenhamos nos 
desconectado tanto da nossa feminilidade, que nem 
sabemos mais identificá-la. Mas sempre é tempo 
de retornar para ela, afinal, a energia feminina, por 
mais que seja reprimida, sempre permanece viva, 
esperando uma oportunidade de ressurgir. 
Essa pode ser a sua. 
Mas antes de entrarmos em detalhes sobre as diferenças 
da energia masculina e feminina, precisamos entender 
que homens emulheres são seres diferentes, e que 
não há nenhum problema nisso. Por isso, no próximo 
capítulo, vou falar um pouco sobre as diferenças entre 
homens e mulheres de acordo com a ciência.
47
Capítulo 3
As diferenças nos cérebros masculinos 
e femininos 
48
Vivemos um período em que se tornou muito delicado 
falar sobre diferença entre homens e mulheres sem 
que algo nessa fala não seja visto como “machismo”. 
Eu entendo que nós mulheres viemos de um período 
em que fomos muito prejudicadas por sermos mulheres 
e isso nos fez manter a guarda alta para qualquer tipo 
de comportamento que pudesse ser machista. E isso 
está correto. Mas precisamos entender que dizer que 
homens e mulheres são diferentes, biologicamente 
falando, não tem a ver com machismo ou estereótipos 
de gênero, e sim com uma condição natural de nós 
seres humanos.
Apesar de vivermos num mundo moderno e urbano, 
nós ainda possuímos corpos que foram feitos para viver 
na natureza, e cada cérebro masculino e feminino ainda 
carrega dentro dele características específicas usadas 
para o sucesso genético de nossa espécie. Entender 
que temos instintos biológicos que vieram muito antes 
das construções sociais que conhecemos hoje, nos 
ajuda a entender que somos diferentes uns dos outros 
e, sabendo desse fato, escolher se queremos agir 
de acordo ou contra nossa natureza. 
Hoje, a ciência mostra que mais de 99% do código 
genético dos homens e mulheres é o mesmo, mas esse 
1% de diferença influencia em muitas coisas no nosso 
corpo - alterando a forma como sentimos prazer, dor, 
como percebemos o mundo, como pensamos, sentimos 
e como nossas emoções se manifestam.
Segundo a médica neuropsiquiatra e pesquisadora 
de Harvard e da Universidade da California (UCSF), 
Dra. Louann Brizendine, autora dos Bestsellers 
49
“O cérebro feminino” e “O cérebro masculino”, “nas 
últimas décadas, cientistas documentaram uma grande 
variedade de diferenças estruturais, químicas, genéticas, 
hormonais e funcionais entre os cérebros de homens 
e mulheres. Aprendemos que homens e mulheres lidam 
com estresse e conflitos de diversas formas no cérebro 
para lidar com estresse e conflitos. Eles usam diferentes 
áreas do cérebro para resolver problemas, processar 
linguagem, experimentar e arquivar emoções fortes. 
Mulheres podem se lembrar dos mínimos detalhes 
do seu primeiro encontro, detalhes das brigas, enquanto 
seus maridos mal se lembram de que essas coisas 
aconteceram. A estrutura e a química do cérebro 
de homens e mulheres explicam isso.” 
Ainda nas palavras da Dra. Louann Brizendine, 
“se analisarmos num microscópio, ou em uma 
ressonância magnética, as diferenças entre os cérebros 
de mulheres e homens provam ser complexas. Na parte 
do cérebro relacionada à linguagem e escuta, por 
exemplo, mulheres têm 11% mais neurônios do que 
homens. A principal parte do cérebro responsável por 
emoções e formação de memória - o hipocampo - 
também é maior no cérebro feminino, assim como 
o circuito de linguagem e a parte responsável por 
observar emoções nas outras pessoas. Isso significa 
que mulheres são, em geral, melhores em expressar 
emoções e se lembrar detalhes de eventos emocionais. 
Os homens, por outro lado, têm um espaço no cérebro 
devotado ao desejo sexual 2.5 vezes maior do que 
o das mulheres, assim como centros maiores dedicados 
a capacidade de ação e agressão. Pensamentos sexuais 
podem passar pelo cérebro de um homem muitas 
vezes por dia, ao passo que uma mulher tende a ter 
50
esse tipo de pensamento uma vez por dia, ou quem 
sabe 3 ou 4 vezes nos seus dias mais “quentes”.
Os homens usam circuitos cerebrais diferentes para 
processar informações espaciais e resolver problemas 
emocionais. Seus circuitos cerebrais e seu sistema 
nervoso estão conectados aos seus músculos de forma 
diferente. O cérebro feminino e o masculino escutam, 
enxergam, intuem e captam o que os outros estão 
sentindo de formas especiais. Isso faz com que homens 
e mulheres possam alcançar as mesmas coisas, e fazer 
as mesmas tarefas, mas usando circuitos cerebrais 
diferentes. 
A Dra. Louann Brizendine conta em seu livro “O cérebro 
feminino”, que tinha uma paciente com uma filha de três 
anos e meio. Ela decidiu dar para ela vários tipos 
de brinquedos “unisex”, inclusive um caminhão 
de bombeiro. Um dia, ela entrou no quarto da sua filha 
e a viu enrolando o caminhão num cobertor, colocando 
ele para dormir, e “ninando” ele enquanto dizia: “Tudo 
bem, caminhãozinho, tudo vai ficar bem”. Nas palavras 
da autora: “Isso não é uma construção social. Essa 
menininha não estava “ninando” o seu caminhãozinho 
porque o ambiente moldou seu cérebro “unisex”. 
Não existe um cérebro “unisex”. Ela nasceu com 
um cérebro feminino, que veio completo com seus 
impulsos. Meninas nascem com cérebros de meninas 
e meninos nascem com cérebros de meninos. 
Os cérebros são diferentes desde o momento em que 
nascemos, e cada cérebro vai ditar impulsos, valores, 
e sua realidade.”
51
É claro que a biologia representa nossas tendências 
comportamentais, mas ela não nos obriga a viver uma 
realidade fixa. Nós também somos influenciados pelo 
ambiente em que vivemos e pela nossa cultura. 
A ciência também tem feito novas descobertas a cada 
ano mostrando as habilidades de plasticidade 
e mudança do nosso cérebro; nosso cérebro é uma 
“máquina” com uma capacidade de aprendizado 
e adaptação absurdas. Mas entender que biologicamente 
homens e mulheres são diferentes, nos ajuda a aceitar 
as diferenças e criar relacionamentos mais harmoniosos. 
Se entendermos que temos cérebros que guiam nossos 
impulsos, podemos escolher como agir, ou não agir, 
em vez de somente seguirmos nossos impulsos mas, 
ainda assim, respeitando nossa natureza. 
52
Capítulo 4
A essência da energia masculina
e feminina 
53
No passado, os papéis de gênero em nossa sociedade 
ocidental eram extremos e um tanto quando caricaturais. 
O homem “masculino” de verdade tinha de ser um tirano 
ou um ogro, e uma mulher “feminina” deveria estar feliz 
em ser uma serva submissa. A essência feminina era 
vista como fraca e, portanto, inferior, e a essência 
masculina como forte, dominadora e, portanto, superior. 
Essa não é a verdadeira essência dos princípios 
masculinos e femininos. 
Mais tarde, muitas das nossas ideias sobre o significado 
desses conceitos foram contaminadas pelas empresas 
de propaganda. De repente, masculinidade passou 
a significar cerveja, carros, futebol e relógios caros. 
E feminilidade significava ter uma barriga chapada, 
assar bolos e correr alegremente em um vestido curto, 
porque você acabou de comprar uma nova marca 
de absorventes internos. É claro que mais uma vez, 
muitas dessas coisas estão relacionadas aos princípios 
energéticos da feminilidade e masculinidade, mas são 
caricaturas que se assemelham a uma verdade mais 
geral das quais nos esquecemos e nos desconectamos 
ao longo do tempo. 
Falar de energia masculina e feminina não tem nada 
a ver com esses estereótipos, e também não tem nada 
de místico nem esotérico. É um fenômeno natural 
que existe em tudo o que é vivo. Carl Gustav Jung, 
psiquiatra e psicoterapeuta suíço, foi um dos primeiros 
pesquisadores a observar que a natureza humana 
é composta de dois princípios psicológicos: o masculino 
e o feminino. 
54
O masculino e o feminino são dois opostos no mesmo 
espectro. São energias complementares. Assim como 
as trevas e a luz, Ying e Yang, sol e lua - elas representam 
duas energias opostas que, em contato uma com 
a outra, criam atração e polaridade. Todos nós temos 
energia feminina e masculina. 
As energias masculina e feminina são energias 
universais. Você as encontrará não somente nos seres 
humanos, mas também em lugares, cidades, animais 
e objetos. 
Pense na cidade de São Paulo. A energia principal ali 
é produtividade, foco, realização. Todos em São Paulo 
parece estar caminhando para alguma missão. Em São 
Paulo, mesmo se você não estiver com pressa, você 
se pega caminhandorapidamente como se estivesse 
querendo alcançar algo e já estivesse atrasado, como 
se tivesse algo muito importante para fazer. Você fica 
focado na sua missão e não interage muito com 
estranhos. São Paulo é uma cidade com energia 
predominantemente masculina. Nessa cidade, tudo 
se direciona para cima: grandes prédios, edifícios, 
arranha-céus, elevadores. A energia masculina aponta 
para cima. Por isso homens, ou pessoas que estejam 
mais na energia masculina, vão ser mais racionais, vão 
estar mais focados na sua mente do que em suas 
emoções.
Agora pense na cidade de Caraíva, na Bahia, com suas 
ruas de areia, suas casinhas coloridas e os coqueiros 
balançando com a brisa calma. Ali, homens e mulheres 
relaxam nas águas do rio e do mar. Eles deitam 
na rede e se entregam ao calor da areia. A água 
55
do mar é quentinha e acolhedora. Lá, dá uma vontade 
natural de sorrir para estranhos, de falar bom dia, 
de observar a natureza, de aplaudir o pôr do sol, 
aproveitar a vida. Ali você deixa de ficar focado no futuro 
e vive o presente. Você se permite se soltar, relaxar. 
Ali você se lembra do que realmente é importante 
na vida: estar perto na natureza, viver sem pressa, 
passar tempo com quem ama, comer bem, respirar 
bem, dormir bem. Caraíva é uma cidade com energia 
predominantemente feminina. 
Reforço novamente que neste livro eu vou falar bastante 
sobre homens e mulheres, mas mais importantes 
do que isso é a “energia sexual” de uma pessoa. 
Em geral, os homens têm uma “energia sexual 
predominantemente masculina”, as mulheres têm uma 
“energia sexual predominantemente feminina”. Mas não 
sempre. A “energia sexual” de uma pessoa é mais uma 
qualidade psicológica interior ou essência de caráter. 
Isso vale tanto para pessoas heterossexuais como 
homossexuais. Para os propósitos deste livro, usarei 
os termos mais genéricos: em vez de dizer sempre 
“aqueles com uma energia sexual masculina”, vou usar 
o termo menos preciso: “homens”. E em vez de dizer 
sempre “aqueles com uma energia sexual feminina”, 
vou usar a palavra “mulheres”. Essa linguagem é usada 
puramente para simplificar a escrita deste livro. 
Quando falamos em energia masculina e feminina, 
é possível observar que a maioria dos homens tem 
como essência, uma predominância da energia 
masculina, e que a maioria das mulheres tem como 
essência, uma predominância de energia feminina. 
Apesar disso, todos nós temos habilidade de transitar 
56
entre energia masculina e feminina durante o dia 
e diferentes momentos da nossa vida; aliás, todos nós 
devemos aprender como ativar essas duas energias 
dentro de nós, porque elas são úteis para diferentes 
situações. 
Um exemplo: Quando você está dançando uma música 
de que gosta, você é polarizada ao seu lado feminino. 
Quando você está ouvindo atentamente à música, 
isso é sua energia masculina. Quando você está fazendo 
uma reunião e fluindo livremente com idéias criativas, 
está usando energia feminina. Quando você olha para 
essas ideias, faz um plano concreto para realizá-las, 
você está no seu masculino.
Para realizar um objetivo e cumprir uma meta, precisamos 
ativar a energia masculina dentro de nós, porque 
a energia masculina é aquela mais racional, que traz 
foco, direcionamento, objetividade. Tanto homens quanto 
mulheres precisam ativar essa energia em momentos 
nos quais precisam ser produtivos e realizar objetivos, 
porque se eles estiverem com uma energia 
predominantemente feminina, eles vão se perder com 
prazos, vão ter dificuldade de focar somente num 
objetivo, vão deixar as emoções atrapalhar o processo 
envolvido para realizar aquela meta. Veja bem, eu não 
estou falando aqui que mulheres têm naturalmente 
dificuldade em realizar objetivos; estou dizendo que 
a energia que precisa ser ativada nesses casos 
é a energia masculina, tanto para homens quanto para 
mulheres. 
Quando estamos, por exemplo, fazendo um bebê dormir, 
tanto o homem quanto a mulher precisam ativar 
57
a energia feminina, aquela que acolhe, dá colo, nutre, 
cuida, encanta, suaviza, acalma, traz leveza e brilho. 
Se a energia masculina for usada neste momento, 
as chances do bebê dormir serão raras - a energia 
masculina vai agitar o bebê e querer que ele durma 
logo, o que vai gerar o efeito oposto. Mais uma vez, 
não estou dizendo que os homens não têm habilidade 
em fazer bebês dormirem. Estou dizendo que quando 
estamos com essa missão, tanto homens quanto 
mulheres precisam ativar dentro de si a energia feminina. 
Podemos alternar de energia sempre que for preciso, 
mas conseguimos “relaxar e descansar” melhor quando 
estamos na nossa energia essencial predominante. 
Ou seja, mulheres, em sua maioria, possuem 
predominância de energia feminina, portanto, relaxam 
melhor quando estão na polaridade feminina. Homens, 
em sua maioria, têm mais predominância de energia 
masculina, por isso, relaxam mais na energia masculina. 
Isso quer dizer que podemos brincar e alternar a nossa 
presença nas duas energias mas, no fim do dia, 
ou depois que um objetivo foi cumprido, é preciso que 
voltemos para a nossa energia de base para 
recarregarmos nossa bateria. 
Aliás, esse é um bom exemplo: quando estamos 
em uma energia oposta a nossa predominante, ou seja, 
quando uma mulher está usando a energia masculina, 
ela está gastando bateria. Quando ela retorna para 
a energia feminina, ela carrega a bateria. O homem, 
quando está na energia feminina, gasta bateria. Quando 
volta para a energia masculina, recarrega a bateria. 
O que acontece se ficamos tempo demais numa 
polaridade que não é a nossa, sem voltar para a nossa 
58
essência para recarregar a nossa bateria? 
Sentimo-nos exaustos, cansados, estressados, sem 
energia. É como se passássemos a funcionar o tempo 
todo no “vermelho”.
Entramos em desequilíbrio ou quando operamos tempo 
demais numa essência que não é a nossa “natural” 
(por exemplo: uma mulher que fica a maior parte 
do tempo operando na energia masculina); ou quando 
vamos para o extremo da energia masculina ou feminina, 
entrando no âmbito tóxico dessas energias (por exemplo: 
um homem que fica no extremo da energia masculina, 
e que não consegue incorporar parte da energia 
feminina, entrando num âmbito tóxico). Aqui em baixo, 
listei algumas características do feminino saudável em 
oposição ao feminino ferido; e do masculino saudável, 
em oposição ao masculino ferido:
FEMININO SAUDÁVEL:
• É receptivo;
• Tem limites fortes;
• É gracioso em sua força;
• É amoroso, empático, compassivo 
e solidário;
• Sabe como pedir o que precisa e se abre 
para receber;
• É vulnerável; 
• É autêntico; 
• Não tem medo de abrir seu coração 
e faz isso sem vergonha;
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• Flui na vida com leveza, sem querer controlar 
ou se agarrar a algo que precisa fluir;
• Sabe ser aberto e confiante;
• É naturalmente intuitivo e ouve mais seu coração 
do que sua mente;
• Manifesta e cria com liberdade;
• É confiante em seu corpo e em sua feminilidade;
• Exala energia de beleza e sensualidade e atrai 
naturalmente por ser quem é;
 FEMININO TÓXICO
• É inseguro e procura validação externa para tudo;
• É extremamente crítico com seus entes queridos 
que sentem que nunca fazem nada certo, porque 
tem sempre algo a criticar;
• É carente em seus relacionamentos;
• Nunca consegue controlar suas emoções 
e transita de crise emocional em crise emocional;
• Tende a ser manipulador;
• Tem medo da perda e se sente desesperado 
por amor;
• Se sente uma vítima; 
• Se sacrifica e prioriza os outros às suas custas, 
ou o oposto: 
• Só quer receber e não quer assumir 
responsabilidades;
• Não se permite ser autêntico e vive sempre 
seguindo padrões externos;
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MASCULINO SAUDÁVEL
• Está profundamente presente e ouve sem 
se distrair;
• Cria um ambiente seguro para aqueles que ama;
• É uma força orientadora, solidária e encorajadora;
• Tem disciplina e sabe quando se concentrar;
• Mantém sua palavra acima de tudo;
• Tem integridade como um dos valores principais;• Oferece seus dons ao mundo;
• Sabe se manter firme diante das tempestades;
• É racional e analítico;
• É autoconfiante;
• Tem coragem para correr riscos;
MASCULINO TÓXICO
• É competitivo e sempre quer vencer;
• Tende a evitar a conexão e pode ser frio e distante;
• Leva tudo para o pessoal;
• Precisa estar sempre certo;
• Foge do amor, se retira, cria separação;
• Tende a ser agressivo;
• Critica excesivamente;
• Não sabe ouvir os outros;
• Fica preso na sua mente e não consegue acessar 
suas emoções;
• Pode ter vícios no trabalho, drogas, sexo, etc.
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A energia masculina saudável tem como característica 
principal o foco na direção da vida. Veja bem, aqui 
estou falando de energia masculina, não estou falando 
que somente homens têm a habilidade de ter foco 
e direção na vida; como homens e mulheres têm tanto 
energia masculina quanto feminina, quando a mulher 
quer decidir qual direção tomar na vida, ela precisa 
ativar dentro dela a sua energia masculina, pois ela 
é responsável por essa função. Por isso é importante 
também que a mulher saiba entrar e atuar na energia 
masculina, para que ela tenha uma clara visão de onde 
quer chegar e para onde quer levar sua vida. 
Uma mulher sem energia masculina fica perdida, sem 
rumo, com dificuldades profissionais, problemas para 
alcançar objetivos, sem saber para onde levar o barco.
Ela se perde demais nos aspectos dos relacionamentos 
e entra num buraco emocional. Ela tende a se deixar 
levar por qualquer emoção, qualquer pessoa que surja, 
qualquer promessa. 
Outra forma de visualizar a diferença dessas energias 
é pensar que a energia feminina é o oceano e a energia 
masculina é um navio no oceano. O masculino navega 
de um ponto até o outro, com um objetivo final traçado. 
Ele sabe onde quer chegar. A força do feminino é quem 
oferece espaço para que ele navegue e ela poderia 
fazer ele afundar o navio a qualquer momento. 
Mas com habilidade, sabendo lidar com a energia 
feminina, o homem pode aproveitar e fazer uma fantástica 
viagem, usando o poder da energia do mar para alcançar 
a sua meta. O oceano é movimento, é energia, mas 
não vai para nenhum lugar específico. A imensidão 
da energia feminina junto com a direção e foco 
62
da energia masculina tornam realidades possíveis 
de uma forma fantástica. É geralmente aí que nascem 
as maiores duplas evolutivas. 
Para um homem estar relaxado na sua essência, 
ele precisa estar predominantemente na energia 
masculina. Mas os homens também precisam aprender 
a transitar pela energia feminina. Os homens que não 
conseguem nunca entrar na energia feminina se tornam 
muito rígidos, fechados, autocentrados. Eles podem 
ficar obcecados demais com uma meta. Vemos isso 
claramente na política, nas guerras, quando a energia 
masculina domina, sem dar espaço para a energia 
feminina suavizar a tensão. Num relacionamento, 
um homem ou uma mulher que estejam com polaridade 
masculina muito acentuada, vão focar demais nos 
objetivos de vida do futuro, e não vão conseguir 
se conectar com o presente; vão ter dificuldade 
de valorizar seu parceiro(a), de curtir momentos 
de lazer em família, de apreciar um bom jantar com 
calma ou de passar um dia deitado na praia 
simplesmente contemplando a vida. 
A essência da energia feminina inclui a habilidade 
de dar amor, de nutrir, de trazer brilho para a vida, algo 
que cria um magnetismo em todo mundo que está por 
perto. Todos querem ficar perto e se contagiar com 
a energia feminina. Quanto mais a mulher tem essas 
características, mais atraente ela será para outros 
homens. Os homens se atraem por mulheres com esse 
brilho. E isso não tem necessariamente a ver com 
aparência. Esse brilho vem de dentro. Vem de quando 
a mulher está feliz. É o brilho do amor próprio 
transbordando. 
63
A energia feminina também não é sempre doce e meiga 
como muitas pessoas podem achar. Ela tem uma 
energia vital selvagem, livre, intuitiva, imprevisível 
e protetora. Gosto do exemplo do livro “Mulheres Que 
Correm com Lobos”, no qual a autora Clarissa Pinkola 
Estés, compara a mulher conectada na sua essência 
feminina como uma loba: selvagem, forte, robusta, dona 
de uma sensibilidade aguçada, espírito bem humorado, 
uma grande capacidade de devoção, de resistência 
e força, uma devota cuidadora do seu clã e daqueles 
que ama. Uma loba selvagem não tem nada de submissa 
nem frágil. Assim é a energia feminina. Nas palavras 
da autora: “o termo selvagem, nesse contexto não 
é usado em seu atual sentido pejorativo de algo fora 
de controle, mas em seu sentido original de viver uma 
vida natural, uma vida em que a criatura tenha uma 
integridade inata e limites saudáveis. Essas palavras, 
mulher e selvagem, fazem as mulheres se lembrarem 
de quem são e do que representam. Elas criam uma 
imagem para descrever a força que sustenta toda 
as fêmeas. Elas encarnam uma força sem a qual 
as mulheres não conseguem viver.” 
Tanto nas mulheres quanto nos homens, a energia 
masculina sempre vai priorizar trabalho diante 
da intimidade, ao passo que a energia feminina vai 
priorizar intimidade em vez de trabalho. Qual energia 
você quer alimentar mais é sua escolha, não existe 
nada de errado nisso. Inclusive, é muito normal que 
em momentos diferentes da vida priorizemos a energia 
masculina ou feminina. 
Energia masculina em excesso leva para abuso 
de outras pessoas e do mundo; energia feminina 
64
em excesso leva para a autodestruição. Entre o extremo 
masculino e o extremo feminino, existe um amplo 
espectro de possibilidades de ser. Quando um homem 
restabelece sua força masculina, ele se transforma um 
mestre de visão e de direção na vida. Quando a mulher 
restabelece sua força feminina, ela se transforma 
em uma deusa de amor e sabedoria, que irradia amor 
em sua vida e na vida de todos que passam por 
seu caminho. 
Energia feminina é poder. A essência feminina é o fluxo. 
É plenitude. É esplendor e é a própria força da vida. 
É uma natureza selvagem instintiva que todas 
as mulheres possuem. É o conhecimento inexplicável. 
Como o oceano, é vasto, preenche espaços vazios, 
purifica a escuridão, é o lar de uma diversidade de vida. 
Como as ondas, está em constante dança consigo 
e sobe e desce o tempo todo. O estado feminino quer 
dançar em êxtase e quer se permitir ser levado pela 
energia masculina.
Energia masculina também é poder. A essência 
masculina é presença. É a direção. O masculino não 
está sendo, está fazendo. É como uma montanha alta, 
forte e inabalável. Você pode se render a essa energia, 
pode gritar, espernear, chorar e saber que ela 
permanecerá inabalável. O masculino está sempre 
em missão. A principal busca do masculino é a liberdade. 
É esse alívio final depois de uma batalha (seja uma 
batalha real ou em algum esporte), depois do sexo 
ou depois de alcançar um grande objetivo. 
O masculino prospera quando vive no limite, está sendo 
constantemente desafiado.
65
Uma mulher feliz é uma mulher relaxada em seu corpo 
e na sua essência: poderosa, forte, imprevisível, 
profunda, potencialmente selvagem e destrutiva quando 
precisa ser, ou calma e serena quando precisa ser, 
mas sempre cheia de vida, é movida pela grande força 
de seu coração e da sua intuição. Um homem que não 
entende isso, vai ficar sempre querendo levar a mulher 
para entender, racionalizar as suas emoções. Nós não 
funcionamos dessa forma. Nossa essência é sentimento. 
Quando um homem pede para uma mulher parar 
de ser emocional, ele limita e poda a essência feminina. 
É como represar um oceano numa piscina. 
Muitos homens transformam suas parceiras 
em “piscinas” por quererem represar a força delas, por 
não saberem como lidar com sua natureza selvagem, 
como se pudessem consertá-las de sua essência 
natural. Assim, a mulher morre por dentro. Um homem 
com masculino equilibrado vai entender isso, vai 
se beneficiar de toda essa experiência de navegar 
nesse mar profundo e fluir com a vida, e vai conseguir 
se manter forte e estável quando as tempestades

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