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SOFRIMENTO FETAL

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SOFRIMENTO FETAL 
É uma parte muito importante da obstetrícia, é pra isso que o obstetra existe. A função do 
profissional que assiste ao parto é estar ali no momento em que é necessário atuar e o sofrimento 
fetal talvez seja a principal causa de necessidade de intervenção. 
Podemos dividir em dois momentos distintos de sua ocorrência: sofrimento fetal agudo e 
sofrimento fetal crônico. 
O agudo é aquele que acontece agudamente, enquanto o crônico é gradativo durante a 
gestação, podendo agudizar em algum momento, mas é insidioso, acompanha a gestação. 
 
 
➢ SOFRIMENTO FETAL AGUDO 
 
Conceito: Caracteriza-se por evento agudo de início abrupto culminando em hipoxia, 
acidose e hipercapnia fetal. Trata-se de alteração própria do trabalho de parto. 
“Somente o parteiro que permanecer ao lado da parturiente fará o diagnostico” 
Prof. Jorge de Rezende 
Só tem como diagnosticar o sofrimento fetal agudo se estiver ali ombro a ombro. Na 
verdade nós obstetras devemos estar “abaixo” da paciente, porque hoje nos abaixamos para ver 
essa mulher parindo verticalizadas. Essa ideia de estar ao lado, na mesma altura vem da ideia da 
paciente estar deitada enquanto estamos sentados, mas agora estamos sentados no chão e a 
paciente em um plano acima de nos. 
Só quem tiver ali do lado fará o diagnóstico. Não adianta falar depois que estava tudo bem, 
se você não acompanhou direitinho e estava vendo direitinho, quando vê sofreu, o nome agudo fala 
muito sobre isso, porque passa um minuto e pode estar tudo mal, tem que observar direitinho. 
Fisiopatologia: As trocas placentárias entre mãe e concepto são fundamentais para a 
homeostase do bem estar fetal. Portanto, qualquer alteração súbita que interfira nessa relação, 
poderá levar o feto a um estado transitório ou permanente de carência de oxigênio; instala-se, 
assim, o sofrimento fetal agudo. 
Transitório ou permanente, porque pode acontecer carência de O2 transitória que é 
corrigida pela própria natureza ou uma que começou aguda e se tornou permanente. 
Quando há carência de oxigênio, sendo ela transitória ou permanente está instalado o 
sofrimento fetal agudo. Esse sofrimento pode ser decorrente de insuficiência da circulação 
uteroplacentária ou fetoplacentária (muito mais de placenta e feto que de feto pra placenta). 
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1. Insuficiência 
Uteroplacentária 
 
 
Existe equilíbrio entre a 
pressão intra amniótica e a pressão materna. 
 
Quando falamos de contratilidade uterina falamos de pressão intra amniótica, a pressão 
intra amniótica é o resultado da pressão miometrial / intramiometrial (Pressão da contração) e 
da própria pressão dos órgãos internos sobre o útero. 
O espaço interviloso que é o espaço onde a placenta está mergulhada, o fluxo sanguíneo 
desse espaço depende da pressão miometrial, porque quanto maior a pressão miometrial, maior é 
a compressão dos vasos que tem mais dificuldade de passagem de sangue. Então eu dependo da 
pressão arterial materna, que é a responsável por empurrar esse sangue contra a pressão 
miometrial e contra pressão intra amniótica. 
Na insuficiência útero placentária onde eu tenho uma insuficiência entre a circulação do útero 
e da placenta eu estou olhando para causa pressão arterial materna e causa resistência dos 
vasos interplacentarios. Seja ele por uma resistência do próprio tono vasimotor desses vasos 
útero placentários ou pela pressão intramiometrial. 
Se eu tenho uma pressão intramiometrial muito alta eu posso ter déficit desse fluxo do espaço 
interviloso. 
Se eu tenho tônus vasimotor dos vasos aumentado eu posso ter diminuição desse fluxo no espaço 
interviloso. 
• Me deem um exemplo de causa de sofrimento fetal agudo por insuficiência 
útero placentária de causa materna por conta da pressão arterial media materna: 
Respostas erradas: Dm gestacional, eclampsia, DHEG (doença hipertensiva especifica da 
gravidez). 
• Como eu diminuo o fluxo interviloso com relação à pressão arterial da mãe? 
Para diminuir o fluxo interviloso, só olhando pra pressão arterial, eu preciso ter 
pressão maior ou menor? 
Resposta: menor. 
 
• Então me dê um exemplo: onde eu posso ter sofrimento fetal agudo por causa 
da pressão da mãe (hipotensão materna)? 
Resposta: Choque. 
 
Então hemorragia materna pode causar insuficiência uteroplacentária, sofrimento fetal 
agudo. 
Pré-eclâmpsia: nela eu posso ter sofrimento pelo aumento do tônus vasomotor. A gente 
tem na pré eclampsia aumento desse tônus porque quero fechar a periferia para vir mais sangue 
pra placenta então os vasos são mais endurecidos, então tenho aumento do tônus vasimotor, 
mas aí vai ser por causa da resistência dos vasos intraplacentários. 
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• Digam uma causa de sofrimento fetal agudo por aumento da pressão 
intramiometrial: 
Respostas: DPP (descolamento prematuro da placenta), não é uma causa de aumento da 
pressão intramiometrial, é uma causa de sofrimento fetal agudo, mas por hipoxia mesmo, que a 
placenta descolou e aí eu não consigo fazer trocas. E placenta previa pode ser causa de 
hemorragia materna. 
A causa de sofrimento fetal por aumento da pressão intramiometrial é contração 
exagerada, que pode ser aumento da frequência, ou seja, eu tenho taqui sistolica ou aumento da 
intensidade, tenho hipersistolia, contraio demais ou muitas vezes posso fazer sofrimento fetal 
agudo. Por isso, a ocitocina que muitos usam indiscriminadamente é um excelente remédio, mas 
é “do capeta” em determinadas situações. Quando colocamos temos que ficar do lado, não da pra 
administrar e ir dormir. Se fizer taquissistolia, hipersistolia pode ocasionar sofrimento fetal. 
Lembrem-se: toda vez que eu tenho uma mulher com contração diminuída, pensa se não é 
a natureza adequando a dinâmica uterina pra aquilo que aquele bebe é capaz de suportar. 
 
 
Então ta lá, eu tenho uma pressão amniótica (10mmHg), eu tenho uma pressão 
intramiometrial (10mmHg), e uma pressão arterial média de 85 mmHg. Graças a deus é superior 
a pressão intramiometrial e superior a pressão intraamniótica, portanto o sangue vem de (A) para 
o espaço interviloso (B) para que a placenta possa receber esses nutrientes 
Mas eu crio por exemplo uma pressão intramiometrial de 120mmHg com uma pressão 
arterial média de 90mmHg. O que acontece com sangue que tenta ir? Não consegue ir, fica 
parado, então acontece estase circulatória, hipoxemia, hipercapnia e acidose. 
Aumento da pressão intramiometrial: 
 
• Hiperssistolia uterina; 
• Taquissistolia uterina; 
• Hipertonia uterina. 
Qual a diferença de hipersistolia para hipertonia? 
 
• HIPERSISTOLIA: Quando contraio, contraio muito forte, passou a contração eu paro de 
contrair, relaxo 
• HIPERTONIA: Quando passa a contração esse útero não relaxa por completo, passa a 
contração e ele continua contraindo. 
• TAQUISSISTOLIA: é o número de contrações. Cada contração é um mergulho que esse feto 
faz em apneia. 
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Imagine vocês mergulhando em apneia: contraiu, mergulhou em apneia, passou a contração, 
voltei e respirei. Contraiu, mergulhou em apneia, passou a contração, voltei e respirei 
• Se eu ficar contraiu, mergulhou em apneia, passou a contração, voltei e 
respirei, vocês concordam que vou sofrer? 
Resposta: sim! 
 
 
 
 
fluxo diminui. 
CURVA A: curva normal, área 
pintada vermelha é o fluxo 
placentário. A linha amarela é a 
pressão arterial media e a linha 
azul a pressão miometrial. 
Quando ocorre uma contração eu 
aumento a pressão miometrial e 
diminuo o fluxo placentário, 
relaxei volta o fluxo placentário 
CURVA B - Hiperssistolia uterina: 
quando ele contrai, contrai 
demais, então a pressão 
intrameiometrial é muito alta e o 
 
CURVA C – Taquissistolia: eu tenho várias contrações, aumenta da pressão intramiometrial e não 
dá tempo de eu recuperar. 
CURVA D – Hipertonia autentica: aquela paciente que está com útero hipertônico, o qual se 
mantém contraído. A pressão se mantém elevada e no momento que se