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ABORTAMENTO

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G.O -> 16/02 
• Definida como expulsão ou extração do feto antes da 20ª semana ou 
pesando menos de 500g segundo a OMS 
• Incidência: mais comum intercorrência obstétrica -> 15 a 20% dos casos 
evoluem para aborto antes de 20 semanas -> destas 80% são 
interrompidas até a 12ª semana 
• Fatores de risco 
o Ambientais 
o Genéticos 
o Endócrinos 
o Trombofilias: agentes infecciosos 
o Patologias uterinas: causas imunes 
o Miomas uterinos -> miomectomia 
ETIOLOGIA 
• Alteração cromossômica 
o Mais frequente: trissomia do 16 
• Infecções 
o Toxoplasmose: citomegalovírus-listeriose 
o Herpes simples 
o HIV 
o Rubéola 
o Sífilis 
o Clamídia 
o Hepatites 
o Micoplasma 
• Distúrbios da tireoide: hipotireoidismo 
o Aborto recente -> TSH 2,5mil/L -> levotiroxina (1,5ug a 
2ug/kg/dia -> jejum 40 a 60mins do café da manhã) 
• Diabetes mellitus 
• Síndrome antifosfolípide -> SAF 
o Principal causa de aborto de repetição 
o Critérios clínicos 
▪ Perda fetal inexplicável no 1º e 2º trimestre 
▪ Restrição de crescimento fetal inexplicável 
▪ Início precoce de pré-eclâmpsia grave 
▪ Trombose arterial ou venosa em paciente jovem 
▪ Perda fetal recorrente 
▪ História prévia de lúpus 
o Manejo 
▪ Heparina não fracionada de baixo peso molecular -
> Enoxeparina: 40mg ao dia por via subcutânea 
▪ Ácido acetilsalicílico (AAS): 100mg/dia 
• Patologias uterinas 
o Mioma submucoso: até 3cm -> histeroscopia 
• Síndrome de Asherman 
o Sinéquia uterina 
o Causas: curetagem uterina, tuberculose genital, cesariana e 
endometrite 
o Manejo: histeroscopia, colocação de DIU (retirar em 3 meses), 
hormonioterpia 
• Insuficiência cervical 
o Cerclagem -> 12 a 16 semanas -> técnica McDonald -> tirar a 
partir de 36 a 37 semanas 
• Isoimunização 
o Paciente com tipagem sanguínea Rh- que apresentarem 
sangramento -> 300mcg rahgam, imunoglobulina anti-D (IM) 
• Malformações uterinas 
o Fusão dos ductos mullerianos por volta da sexta semana 
o Útero bicorno 
▪ Corpo lúteo não se desenvolve e encontra-se 
dividido em 2 
 
o Útero unicorno 
▪ Não se desenvolve tendo apenas metade do 
tamanho normal 
o Útero septado 
▪ Cavidade interna é dividida por uma parede 
longitudinal (septo) 
o Útero didelfo 
▪ Dois colos uterinos desembocando na mesma 
vagina 
 
CLASSIFICAÇÃO 
• Quanto idade gestacional de ocorrência 
o Precoce: até 12ª semana gestacional 
o Tardia: após 12ª semana gestacional 
• Quanto a periodicidade 
o Esporádico: quando não preenche os requisitos do 
abortamento habitual; ocorrência de 3 ou mais episódios 
consecutivos de abortamento; 
• Habitual 
o Abortamento recorrente 
o Perda de duas ou mais gestações 
o Causas 
▪ Hiperprolactinemia + diabetes mellitus 
▪ Insuficiência cervical + doença da tireoide 
▪ Insuficiência de corpo lúteo + SOP 
• Metformina -> 500 a 2.500 mg/dia 
VO -> inclusive no 1º trimestre 
▪ Baixa reserva ovariana -> trombofilias 
▪ Doenças cromossômicas 
• Quanto ao quadro clínico 
o Ameaça de abortamento: sangramento vaginal pequeno, 
cólicas leves ou ausente (colo uterino fechado e vitalidade 
ovular preservada) 
▪ Achado – USTV -> saco gestacional regular e 
embrião vivo 
▪ Manejo: antiespasmódico para cólicas -> orientação 
sexual 
o Abortamento completo: história de sangramento vaginal; colo 
uterino fechado; ocorreu a expulsão de todo material ovular; 
cólicas mínimas ou ausente; colo fechado e útero menor que a 
idade gestacional 
▪ Achados – USGTV -> endométrio linear ou <15mm 
▪ Manejo: expectante 
o Abortamento incompleto: eliminação parcial dos produtos 
ovulares, havendo sinais de resto intrauterinos; sangramento 
vaginal abundando; cólicas intensas; colo uterino aberto com 
saída de restos ovualres 
▪ Achados USTV – endométrio espessado > 15mm 
▪ Manejo: esvaziamento cirúrgico -> curetagem ou 
Amiu; misoprostol via vaginal 400ug a cada 4h ou 
S.G5% 500mL + ocitocina 10U IV 
• Acima de 12 semanas: curetagem 
uterina 
• Até 12 semanas: Amiu -> perfuração 
uterina 
o Abortamento inevitável: sangramento moderado ou intenso 
acompanhado de cólicas abdominais geralmente de forte 
intensidade 
▪ Exame físico: taquicardia -> anemia e hipotensão 
arterial grave 
▪ Pode evoluir para completo ou incompleto 
▪ Exame especular: observa-se sangramento ativo 
proveniente do canal cervical + presença de resto 
ovulares 
▪ Toque vaginal: orifício interno do colo uterino 
geralmente se encontra dilatado 
▪ Achados USTV: descolamento ovular com saco 
gestacional irregular e já em posição baixa junto ao 
canal cervical 
▪ Manejo 
• Completo: expectante 
• Incompleto: CTG ou AMIU 
o Abortamento retido: missad abortion; ocorrência de morte 
embrionária ou fetal antes de 20 semanas por um período 
prolongado de dias ou semanas; 
▪ Clínica: parada dos sintomas gravídicos (náuseas, 
vômitos, ingurgitamento mamário); sangramento 
vaginal em pequena quantidade 
▪ Volume uterino é menor que o esperado para idade 
gestacional e colo uterino encontra-se fechado no 
exame do toque 
▪ Manejo 
• Expectante 
o Solicitar coagulograma; pode 
expulsar em +/- 3 
semanas 
• Cirúrgico 
o Curetagem uterina; 
aspiração manual 
intraturerina (Amiu) 
o Aborto retido: 1º trimestre 
até 12 sem 
o Aborto retido: 2º trimestre 
-> misoprostol 400ug 3 a 
6h prévia; curetagem 
uterina 
o Abortamento infectado (séptico): consiste na ascensão de 
germes produzindo infecção local; geralmente se inicia no 
endométrio com disseminação para paramétrio, para peritônio, 
depois vasos linfáticos, por fim circulação sistêmica 
▪ Causado por flora polimicrobiana: Escherichia coli -> 
Bacteroides fragilis – Clostridium; Enterococcus -> 
peptostreptococcus 
▪ Classificação 
• Grau 1: limitada ao conteúdo da 
cavidade uterina 
• Grau 2: expande à pelve 
(pelviperitonite) 
• Grau 3: peritonite generalizada e 
infecção sistêmica com grave 
comprometimento do estado geral com 
CIVD, insuficiência renal com falência 
de múltiplos órgãos e choque séptico 
▪ Se inicia no útero (endomiometrite) podendo se 
propagar para anexos (anexite) e peritônio pélvico 
(pelviperitonite) 
▪ Ao atingir a cavidade peritonial (peritonite 
generalizada) pode disseminar-se por via 
hematogênica (sepse) 
▪ Sinais clínicos 
• Temperatura elevada 
• Desidratação acentuada 
• Pulso rápido e filiforme 
• Oligúria 
• Icterícia 
• Hipotensão arterial 
• Abdome distendido 
▪ Esvaziamento deve ser realizado assim que se 
tenha uma cobertura de ATB (adequado após 1 a 
4h do início do ATB) 
▪ Manejo 
• Ampicilina: 1-2g a cada 6h, IV 
• Metronidazol: 500mg a cada 8h, IV 
• Gentamicina: 240mg a cada 24h, IV 
• Clindamicina: 900mg a cada 8h, IV ou 
600mg a cada 6h, IV 
• Gentamicina: 240mg a cada 24h, IV 
▪ Clostridium welchii 
• Pode levar a choque com 
hemoglobinúria, insuficiência renal, 
icterícia cianótica, cianose perilabial 
• Manejo: histerectomia abdominal total, 
salpingectomia bilateral, ooforectomia 
bilateral 
GESTAÇÃO ANEMBRIONADA 
• Ovo cego 
• Ausência de vesícula no interior do saco gestacional e ausência de embrião 
no saco gestacional íntegro em gestação com mais de cinco a sete 
semanas de evolução 
• Saco gestacional com diâmetro médio > 16mm (ou diâmetro máximo 
>20mm); ausência de embrião 
• Sangramento variável -> colo uterino fechado 
• Conduta expectante ou conduta ativa 
SINAIS DE ABORTAMENTO 
• Saco gestacional ausente -> gestação incipiente -> beta hCG duas medidas 
com intervalo de 48/72h e USG em 7 a 10 dias 
• S G <25mm, sem embrião -> gestação inicial -> USG em 7 a 10 dias 
• Batimento cardíaco do embrião -> ausente e CNN <7mm -> repetir USG 
em 7 a 10 dias 
• Batimento cardíaco do embrião -> ausente e CNN >7mm -> aborto retido -
> conduta expectante ou conduta ativa 
• Material heterogênio intrauterino <15mm -> abortamento completo -> 
seguir orientações 
• Material heterogênio intrauterino >15mm -> aborto incompleto