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Trauma torácico

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1 Louyse Jerônimo de Morais 
Trauma de tórax 
Referência: aula do prof. Isaac Newton 
Introdução 
Os traumas cavitários são extremamente 
importantes, porque são áreas de exposição muito grande 
no trauma e há órgãos frequentemente acometidos. Faz 
parte dos cenários de politrauma, muitas vezes, o trauma 
de tórax. Isso, em algumas situações, é bastante 
complicado, principalmente no cenário de politrauma, 
porque tem lesões em outros órgãos, que muitas vezes 
não são do tórax. Dessa forma, esses diagnósticos podem 
ser mascarados, assim como a recíproca é verdadeira – 
politrauma em que se foca no trauma de abdome, mas na 
verdade o paciente está com trauma torácico. Quando 
vem fechar diagnóstico, está um pouco tarde. 
Os cenários de trauma, de uma forma geral, 
qualquer que seja ele, envolve dois tipos de atendimento: 
• Avaliação inicial – ABC primário: para qualquer 
trauma, em que boa parte das vezes é realizado 
pelo generalista mesmo ou por um cirurgião geral 
que esteja no plantão. 
 
• Avaliação secundária: quando o paciente vai ser 
tratado dentro das suas respectivas 
especialidades, muitas vezes com especialista 
tratando as complicações. 
 
Trauma aberto vs. fechado 
O tórax é uma cavidade que envolve vários órgãos 
de vários sistemas – respiratório [pulmão, traqueia e 
brônquios], digestório [esôfago] e cardiovascular [coração 
e grandes vasos]. Então, o potencial de lesão é 
extremamente alto. 
Os traumas de cavidade, de uma forma geral, seja 
o trauma de tórax, de abdome ou crânio, apresentam 
algumas classificações. A primeira é em relação à 
contiguidade da cavidade com o meio externo: 
• Trauma de tórax aberto: quando há solução de 
continuidade da cavidade de tórax com o meio 
ambiente. Ex.: arma branca, arma de fogo, 
empalamentos, lacerações. 
• Trauma fechado: não há comunicação com o meio 
externo. Ex.: contusões. 
 
Os traumas fechados, normalmente, implicam 
uma maior dificuldade diagnóstica. Quando tem 
comunicação, é mais fácil de raciocinar e suspeitar da 
lesão. Se fechado, o diagnóstico é mais difícil e o 
mecanismo de lesão envolve uma dispersão de energia 
cinética muito grande. Tem-se, habitualmente, lesões 
complexas e distintas. É uma lesão difusa, normalmente 
mais grave. Além disso, também há lesões por 
desaceleramento, então o princípio da lesão no trauma 
fechado é a contusão. Essas lesões são muito irregulares, 
o que implica mais complicação. 
Mecanismos do trauma torácico 
• Trauma direto: lesões bem delimitadas – fraturas 
de costela, esterno. 
• Compressão: lesões difusas mal delimitadas – 
geralmente por esmagamento. 
• Desaceleração: contusão [gera inflamação do 
tecido, seja miocárdico ou pulmonar – edema de 
pulmão], ruptura em pontos de fixação [rotura da 
aorta; no cérebro, pode ter lesão axonal difusa]. 
• Penetrante: mais comum dos traumas abertos. A 
cavidade vai ser invadida de forma para dentro. 
o Arma branca: causa lesões mais 
regulares. 
o Arma de fogo: causa lesões difusas. 
o Iatrogenias de procedimentos 
Manifestações clínica 
É uma afecção, basicamente, do sistema 
respiratório. Nesse contexto, a maioria das lesões vai 
acometer esse sistema e/ou a sua mecânica. O principal 
 
2 Louyse Jerônimo de Morais 
quadro é de insuficiência respiratória, mas os sinais 
encontrados vão depender do órgão lesado e da gravidade 
da lesão. 
• Insuficiência respiratória 
• Enfisema subcutâneo: fala a favor de 
extravasamento de ar. 
• Choque 
• Pneumotórax 
• Hemotórax 
• Tamponamento cardíaco 
• Contusão pulmonar 
• Lesão de grandes vasos 
A insuficiência respiratória, habitualmente, vai 
estar presente. A exceção, talvez, seja os traumas de 
esôfago, em que esta não é a principal manifestação 
clínica. 
Avaliação inicial – ABCDE 
• A: avaliação e manutenção da via aérea; 
estabilização de coluna cervical. 
• B: ventilação adequada. 
• C: circulação, volemia, controle de hemorragias. 
• D: avaliação neurológica rápida. 
• E: exposição e controle de temperatura. 
Principais lesões torácicas 
1. Fraturas 
 
No que se refere às fraturas, estas podem ocorrer 
nas costelas e no esterno. No caso das costelas, as fraturas 
podem ser simples ou complexas, sendo que, neste último 
caso, pode acontecer uma entidade denominada “tórax 
instável”. 
• Fratura simples de costelas: fratura de apenas um 
ponto da costela. Por mais que seja doloroso para 
o paciente, isso não altera a dinâmica ventilatória. 
Na maioria das vezes, o tratamento é 
conservador. 
• Afundamento torácico [tórax instável]: quando 
ocorre fratura em mais de uma costela e em mais 
de um local; normalmente ocorre em um cenário 
de trauma muito grave. 
Se a fratura for de mais de uma costela e mais de 
um local, altera-se a dinâmica ventilatória. É uma situação 
grave, em que toda vez que o paciente for inspirar, como 
isso ocorre por pressão negativa, o local fraturado vai 
afundar, comprimindo ainda mais o pulmão. 
Além do mais, a fratura pode ser em galho verde, 
em que não há ruptura total do osso [basicamente um 
“trinco”], mas pode ter fraturas em que a costela rompe 
completamente, lesa-se o plexo venoso que passa na 
borda inferior da costela, gerando lesão vascular 
associada. A costela pode, inclusive, perfurar a pleura, 
causando pneumotórax. Não é incomum, principalmente 
nas fraturas de múltiplas costelas, mesmo que simples, 
haver presença de pneumotórax ou até hemotórax 
associado. 
 
• Esterno: é um osso extremamente forte, pois a 
sua função é proteger o que está por baixo, que é 
o coração. Quando tem fratura do osso esterno, é 
porque a intensidade do trauma foi muito grande, 
então há uma chance alta de se ter lesão de 
órgãos maciços, como coração e sistema 
traqueobrônquico. 
Apesar de ser uma fratura rara, ela é uma fratura 
de alta morbimortalidade, primeiro pela possibilidade de 
passar despercebido [incidência radiológica específica é 
necessária] e segundo pela possiblidade de lesão de 
outros órgãos associados. 
Como se dá diagnóstico? Como é uma lesão óssea, 
o diagnóstico parte da clínica – história de trauma de 
tórax, com dor ventilatório-dependente muito grande e 
algum sinal de equimose ou instabilidade do tórax. A 
confirmação é feita pela radiografia de tórax. 
Na imagem a seguir, temos fraturas de costelas, 
inclusive com cavalgamento delas. As setas apontam para 
soluções de continuidade nos arcos torácicos. É válido 
ressaltar que, apesar de serem múltiplas faturas, são 
consideradas simples. 
Indicador de trauma de energia cinética muito grande: 
fratura de primeiros arcos costais [primeiro e segundo 
arcos costais], porque esses arcos estão protegidos 
pela clavícula, então quando vem ter lesão, é porque a 
intensidade do trauma foi muito grande. 
 
3 Louyse Jerônimo de Morais 
 
Fraturas simples de costela 
Além disso, pode haver lesões associadas. Veja 
abaixo que há espículas de osso, as quais podem perfurar 
o pulmão. O pulmão direito está mais branco, o que indica 
hemorragia intralveolar – lesão por esmagamento / 
afundamento. Além da lesão das costelas, tem 
compressão do pulmão, bem como ar no subcutâneo, isto 
é, enfisema subcutâneo. 
 
Afundamento 
A seguir, temos uma fratura de esterno que é 
muito difícil de se diagnosticar apenas com radiografia de 
tórax. Desconfia por conta do mecanismo do trauma, 
porque normalmente é trauma direto [paciente 
arremessado contra a direção, quando está dirigindo, ou 
trauma direto no tórax]. 
O paciente vem com história de muita dor e, ao 
exame, há crepitação. O melhor diagnóstico é através de 
tomografia de tórax. Na imagem a seguir, a fratura 
ocorreu na junção do manúbrio com o corpo do esterno, 
com abaulamento importante deste osso. É uma fratura 
grave e, diferentemente das costelas, sempre iremos levar 
para a cirurgia. 
 
Fratura de esterno 
Tratamento 
• Fratura simples de costela: normalmente não