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Impostos Estaduais- Direito Tributário II

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DIREITO TRIBUTÁRIO 
IMPOSTOS ESTADUAIS
1. IMPOSTO SOBRE CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (ICMS)
Finalidade e fato gerador
É um imposto arrecadatório, com finalidade fiscal, de competência dos Estados e do Distrito Federal. O ICMS recai sobre as circulações de mercadorias, que correspondem a bens móveis e corpóreos, com destinação ao comércio,  assim como recai sobre operações relativas à prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, e serviços de comunicação.
Essa incidência do ICMS também sobre os transportes interestaduais e intermunicipais e sobre os serviços de comunicação é justificado pelo fato de que a prestação desses serviços geralmente ultrapassam as fronteiras dos Municípios, trazendo a necessidade de uma legislação própria que baseie todos os processos de cobrança  deste imposto.
Sendo assim, o ICMS incide sobre pessoas físicas e jurídicas, desde os fabricantes de produtos, sobre os comerciantes, distribuidores e os consumidores finais, visto que  é notável nas notas fiscais as taxas de forma geral dos tributos, principalmente, em compras de mercadorias diversas que são adquiridas pelo indivíduo em qualquer compra básica do dia a dia.
Enquanto que, sobre os serviços prestados, o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços encontram-se as telecomunicações,  sobre canais de televisão por assinatura por não serem onerosas, por exemplo. Além do mais, não estão inclusos, segundo a Constituição Federal de 1988, os servidores de Internet, pois neles recai o ISS- Imposto sobre Serviços, de caráter municipal.
Logo, sobre o serviço de energia elétrica também incide uma porcentagem de ICMS que é específica de cada Estado, e alguns casos vão possuir insenção de incidência, como sobre os jornais e livros.
Dessa forma, cada estado vai possuir a alíquota própria para cobrar o imposto sobre a circulação de mercadorias e produtos, possuindo como fator gerador do ICMS a circulação em si das mercadorias e atribuições de novas titularidades, ou seja, que a mercadoria ou o serviço passe de um indivíduo para o outro caracterizando assim a circulação e possibilidade de incidência do citado imposto.
Alíquota e contribuintes
Conforme o art. 155, § 2º, incisos IV e V, da CF, a alíquota do ICMS é fixada pelo Senado Federal por meio de resolução, da seguinte forma:
a) Em relação às operações e prestações interestaduais e de exportação, deve fixar as alíquotas por meio de resolução de iniciativa do Presidente da República ou de um terço dos Senadores, aprovada pela maioria absoluta de seus membros;
b) Em relação às operações internas, pode fixar as alíquotas mínimas mediante resolução de iniciativa de um terço e aprovada pela maioria absoluta de seus membros;
c) Em relação às mesmas operações, pode fixar alíquotas máximas para resolver conflito específico que envolva interesse de Estados, mediante resolução de iniciativa da maioria absoluta e aprovada por dois terços de seus membros.
Dessa forma, quando do estabelecimento de alíquotas, os Estados devem observar o que dispõe o Senado Federal por meio de suas resoluções, que deverão fixar alíquotas mínimas ou máximas, nos termos da Constituição Federal. Enquanto ausente a fixação de tais alíquotas pelo Senado Federal, os Estados poderão estabelecê-las no âmbito das respectivas competências. 
O Contribuinte do ICMS é qualquer pessoa física ou jurídica que circula mercadoria com habitualidade ou intuito que caracterize volume comercial (art. 4º da LC 87/1996). Essa transferência (circulação) para fins de incidência do ICMS deve ser uma transferência jurídica de titularidade, mudança de titularidade e não uma mera circulação fática. Dessa forma, um indivíduo domiciliado no Distrito Federal, que viaja até São Paulo e efetua a compra de diversas peças de roupas e retorna para sua cidade com o carro com grande quantidade de peças para revenda será considerado contribuinte de ICMS, visto que qualquer pessoa que circule mercadoria, mesmo que não tenha habitualidade, mas com volume que caracterize intuito comercial, é considerada contribuinte. 
O art. 4º, parágrafo único, da LC n. 87/1996, dispõe sobre os casos em que, ainda que não haja habitualidade ou intuito comercial, a pessoa será considerada contribuinte. Segundo o dispositivo, “é também contribuinte a pessoa física ou jurídica que, mesmo sem habitualidade ou intuito comercial”:
a) Importação
I – importe mercadorias ou bens do exterior, qualquer que seja a sua finalidade
II - seja destinatária de serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior
a) Licitação de Bens Apreendidos e Abandonados
III – adquira em licitação mercadorias ou bens apreendidos ou abandonados
b) Combustíveis e Energia de Outros Estados Não Destinados à Comercialização
IV – adquira lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização.
Base de cálculo e competência de arrecadação
O ICMS (Imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual, intermunicipal e de comunicação) é regulamentado pela Lei Kandir e é conferido aos Estados e o Distrito Federal a competência para arrecadação do referido imposto. 
No que se refere a base de cálculo, nada mais é que a grandeza econômica na qual incidirá à alíquota resultando o valor que deverá ser pago pela pessoa física ou jurídica. Em relação ao ICMS, a base de cálculo diz respeito ao montante da operação, onde deve ser incluído, também, as despesas acessórias cobradas pelo consumidor/adquirente. Em regra, a base de cálculo do ICMS é o valor da venda da mercadoria, exceto nos casos em que a legislação dispõe o contrário. 
Exemplo de uma base de cálculo de ICMS:
Valor da mercadoria: R$800
Despesas com transporte: R$200
Base de cálculo: 800 + 200 = 1000 (valor que deverá incidir a alíquota)
2. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE DE VEÍCULO AUTOMOTOR (IPVA)
Finalidade e contribuintes
	A priori, é importante destacar que a tributação sobre a propriedade de veículos no Brasil se iniciou com a Taxa Rodoviária Única — TRU, de cobrança anual. Em 1985, a TRU foi extinta, tendo a EC 27/85 sido à responsável pela introdução do IPVA no ordenamento jurídico com a inserção do item III no artigo 23 da Constituição de 1967.
Em razão da mencionada inserção, a TRU foi extinta e o IPVA a substituiu. Conforme se extrai do art. 155, III, CF/88, aos Estados e ao Distrito Federal foi atribuída competência para instituir o IPVA, o qual incide sobre a propriedade de veículos automotores, não havendo norma nacional definindo fato gerador, base de cálculo e contribuintes.
Trata-se de imposto com finalidade marcadamente fiscal, pois tributa uma manifestação de riqueza do contribuinte com o objetivo de carrear recursos para os cofres públicos estaduais. (ALEXANDRE, 2016)
	No que concerne aos sujeitos, tem-se que o sujeito ativo de cobrança do IPVA é ocupado pelos Estados e o Distrito Federal. Destaque-se, entretanto, que, de acordo com o art. 158, III, da CRFB/88, 50% da arrecadação se destinam ao Município no qual o veículo foi licenciado. Já o sujeito passivo é de quem se encontra como proprietário de veículo automotor – pessoa física ou pessoa jurídica, na data em que a lei considera efetivamente verificada o fato gerador do tributo (normalmente, o dia 1.º de janeiro de cada ano). 
Base de Cálculo e alíquota
Com fundamento nos artigos 24, § 3.º, e 155, III, da CF/1988, a base de cálculo do IPVA é de deliberação dos Estados, restando a estes o exercício da competência legislativa plena, contanto que seja respeitado o princípio da razoabilidade.
A base de cálculo deste imposto será o valor venal do veículo ou o preço comercial de tabela (valor de mercado). Para fins de apuração deste valor, utilizam-se as tabelas anuais elaboradas e publicadas pelo poder público, que se baseia em publicações especializadas. Em regra, a ferramenta utilizada para fixação da base de cálculoé a tabela produzida pela FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), que expressa preços médios de veículos anunciados pelos vendedores, no mercado nacional, e serve como parâmetro para negociações ou avaliações.
Quando se tratar de um produto importado, a base de cálculo será o valor constante na Nota Fiscal, ou nos documentos relativos ao desembaraço aduaneiro.
Mas existem exceções, e sobre estas os Estados deliberam livremente. Por exemplo, no art. 13, II, do Decreto nº 37.814/17, que regulamenta a cobrança do IPVA na Paraíba, temos que para veículos do tipo ônibus, empregados no transporte urbano e metropolitano, a base de cálculo será de apenas 20% (vinte por cento) do valor venal do veículo.
	O art. 155, § 6º, I, da Constituição Federal de 1988 versa que, embora seja de competência dos Estados instituir e deliberar sobre o IPVA, o Senado Federal deverá fixar sua alíquota mínima. 
	O inciso II do mesmo dispositivo diz que este imposto poderá ter alíquotas diferenciadas em função do tipo e utilização do veículo, restando esta alternativa, diferente do inciso anterior, como parte da deliberação dos Estados.
	Esta alíquota será estabelecida em Lei Ordinária Estadual, não havendo limite máximo à ser fixado, embora o princípio da razoabilidade deva ser observado para fins de não oneração do contribuinte. 
	Esta faculdade que é atribuída aos Estados faz com que, no Brasil, a alíquota sobre o IPVA orbite entre 2% e 4%. Na Paraíba, em específico, a alíquota foi fixada em 1% para ônibus, caminhões e cavalos mecânicos, e 2,5% para automóveis, motocicletas, micro-ônibus, caminhonetes, bem como para qualquer outro veículo automotor que não esteja listado entre os da alíquota anterior.
Fato gerador e competência de arrecadação
A Constituição Federal de 1988 em seu artigo 155, inciso III, determina que a competência para instituir o imposto sobre a propriedade de veículos automotores (IPVA) será dos Estados e do Distrito Federal. Nesse sentido, por ter sido editado no ano de 1966, o Código Tributário Nacional não disciplina regras sobre este tributo, uma vez que, somente na Constituição de 1967 estabeleceu-se a previsão deste imposto.
Dessa forma, mediante a inexistência de normas gerais sobre o IPVA, bem como a falta de lei complementar que o regule, o Supremo Tribunal Federal entende que os Estados podem exercer a competência legislativa plena, conforme os termos do art. 24, § 3°, da CF/88. Portanto, cada Estado regulamenta o IPVA através de leis ordinárias que disciplinam sua cobrança, a exemplo da Lei n° 11.007/2017 do Estado da Paraíba, Lei nº 13.296/2008 de São Paulo, e Lei nº 7.431/1985 do Distrito Federal.
	Vale ressaltar que o IPVA é um imposto que será exigível anualmente, a partir de 1° de janeiro de cada exercício, no local de registro e licenciamento do veículo perante as autoridades, e não no local do domicílio do proprietário ou possuidor.
	No entanto, existe uma relevante discussão judicial em torno do IPVA relativo a existência de uma “guerra fiscal” entre estados, que com o objetivo de aumentar a arrecadação do IPVA, diminuem suas alíquotas para atrair mais contribuintes que desejem registrar e licenciar o veículo no estado onde a alíquota cobrada seja menor. Assim, por meio de falsas declarações de endereços e visando recolher um menor imposto, o contribuinte alega ter domicílio em um específico estado quando, na realidade, reside em outro. 
Portanto, acaba por gerar o questionamento de qual estado possuiria a legitimidade ativa de poder realizar a cobrança do tributo. 
Este debate se intensifica sobremodo quando se relaciona às locadoras de veículos, visto que se instalam e buscam emplacar seus veículos em localidades com tributação mais baixa, e estes se deslocam por variados estados brasileiros. Nesta temática -da dúvida se o IPVA deveria ser recolhido no local do domicílio ou no local do registro e licenciamento do veículo- o STF, por meio do rito de repercussão geral, decidiu no RE 1.016.605, que o IPVA deve ser recolhido no domicílio do proprietário do veículo, onde o bem deve ser, de acordo com a legislação sobre o tema, licenciado e registrado. Em síntese, o STF entende que deve existir a combinação desses três elementos: domicílio, licenciamento e registro no mesmo Estado.
Uma vez que, o art.120 do Código de Trânsito Brasileiro dispõe que todo veículo automotor, elétrico, articulado, reboque ou semi-reboque, deve ser registrado perante o órgão executivo de trânsito do Estado ou do Distrito Federal, no Município de domicílio ou residência de seu proprietário, na forma da lei.
	A incidência do IPVA ocorre quando alguém se encontrar na situação de proprietário de veículo automotor, durante a data em que a lei considera como realizado o fato gerador do tributo. Geralmente, considera-se ocorrido o fato gerador do IPVA no 1º dia de janeiro de cada ano para os veículos usados, e para os veículos novos na data de sua aquisição.
	Necessário esclarecer que “veículo automotor” de acordo com o Código Brasileiro de Trânsito, anexo I, será “todo veículo a motor de propulsão que circule por seus próprios meios, e que serve normalmente para o transporte viário de pessoas e coisas, ou para a tração viária de veículos utilizados para o transporte de pessoas e coisas. O termo compreende os veículos conectados a uma linha elétrica e que não circulam sobre trilhos (ônibus elétrico).”
	Por fim, já se existiu polêmica referente à possibilidade de considerar fato gerador do tributo a propriedade de embarcações e aeronaves. Porém, foi decidido que o campo de incidência do IPVA não inclui embarcações e aeronaves durante o julgamento conjunto dos Recursos Extraordinários 134.509/AM e 255.111/SP.
3. IMPOSTO SOBRE A TRANSMISSÃO CAUSA MORTIS E DOAÇÕES (ITCMD)
Fato gerador e base de cálculo
A nossa Constituição Federal de 1988 estabeleceu como competência privativa dos Estados e do Distrito Federal a instituição de um imposto sobre causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos (artigo 155, I da CF/88), cabendo a cada Estado e ao Distrito Federal regulamentá-los por meio de Lei Estadual ou Distrital.
No Estado da Paraíba, esse imposto está regulamentado pela Lei Estadual 5.123/89. O fato gerador do Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) é, nas palavras do professor Ricardo Alexandre, como sendo justamente a transmissão por causa mortis ou por doação de quaisquer bens ou direitos (ALEXANDRE, 2016). 
O artigo 35 do Código Tributário Nacional (CTN) estabelece como fato gerador:
“Art. 35. O imposto, de competência dos Estados, sobre a transmissão de bens imóveis e de direitos a eles relativos tem como fato gerador:
I - a transmissão, a qualquer título, da propriedade ou do domínio útil de bens imóveis por natureza ou por acessão física, como definidos na lei civil;
II - a transmissão, a qualquer título, de direitos reais sobre imóveis, exceto os direitos reais de garantia;
III - a cessão de direitos relativos às transmissões referidas nos incisos I e II.
Parágrafo único. Nas transmissões causa mortis, ocorrem tantos fatos geradores distintos quantos sejam os herdeiros ou legatários. (grifo nosso)”
A Lei Estadual 5.123/89, no seus artigos 2º e 3º, estabelece como fato gerador do Imposto de Transmissão sobre Causa Mortis e Doação como sendo:
“Art. 2º O imposto de que trata o art. 1º incide sobre transmissão “causa mortis” e doação, a qualquer título, de:
I - propriedade ou domínio útil de bem imóvel; 
II - direitos reais sobre bens imóveis; 
III - bens móveis, títulos, créditos e respectivos direitos. 
Parágrafo único - Para efeito desta Lei, a doação abrange: 
a) a desistência ou renúncia de herança ou legado por ato de liberalidade que importe ou se resolva em transmissão de quaisquer bens ou direitos; 
b) qualquer ato ou fato, não oneroso, que importe ou se resolva em transmissão de quaisquer bens ou direitos, inclusive cessão por ato de liberalidade. 
Art. 3º Incluem-se entre as hipóteses definidas no artigo anterior, além de outras estabelecidas em regulamento: 
I - a sucessãolegítima ou testamentária de bens imóveis situados no Estado e de direitos a eles relativos; 
II - a sucessão legítima ou testamentária de bens móveis, títulos e créditos, quando o inventário ou arrolamento se processar neste Estado; 
III - a doação, a qualquer título, de bens imóveis e respectivos direitos e de bens móveis, títulos, créditos e direitos a eles relativos;
IV - a instituição de usufruto;
V - a sentença declaratória ou o reconhecimento extrajudicial de usucapião; 
VI - a reversão dos bens ao patrimônio do doador ou de terceiro, por morte do donatário; 
VII - a incorporação de bem móvel ou imóvel ao patrimônio de pessoa jurídica; 
VIII - a transferência de bem móvel ou imóvel do patrimônio de pessoa jurídica para o de qualquer dos seus sócios, acionistas ou respectivos sucessores;
IX – a quota-parte que exceder ao valor da meação do patrimônio comunial em virtude da separação judicial, separação extrajudicial ou falecimento;
X - a divisão para extinção de condomínio, quando for recebida, por qualquer condômino, quota-parte material que excede ao valor da quota-parte ideal.
Parágrafo único. Nas transmissões “causa mortis” e nas doações ocorrem tantos fatos geradores distintos quantos forem os herdeiros, legatários, donatários, fiduciários e fideicomissários.”
Lembrando que, se a transmissão de bens imóveis for onerosa, o imposto devido será o Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e de competência exclusiva dos Municípios. O ITMCD só incidirá se a transmissão for de modo gratuito (doação), devendo o imposto ser recolhido antes da transferência da propriedade no Cartório de Registro de Imóveis.
A Lei Estadual 5.123/89 estabelece como base de cálculo, ou seja, o montante financeiro em que se dará a incidência das alíquotas para a apuração do valor do imposto como sendo:
“Art. 8º A base de cálculo do ITCD é o valor venal dos bens ou direitos transmitidos, expresso em moeda nacional.
§ 1º O valor venal do bem ou do direito transmitido será apurado na data da declaração pelo contribuinte ou responsável ou da avaliação pelo Fisco deste Estado, e atualizado nos termos definidos na legislação.
§ 2º O valor venal do bem ou direito transmitido, declarado pelo contribuinte ou responsável, fica sujeito à avaliação pelo Fisco deste Estado.
§ 3º Do valor venal que servir de base de cálculo do imposto não poderão ser deduzidas quaisquer parcelas correspondentes a custas, emolumentos, tributos e honorários advocatícios.
§ 4º Para efeitos de base de cálculo, o valor mínimo dos bens e direitos poderá ser estabelecido pelo Fisco deste Estado por meio de valores de referência, conforme definido em regulamento.
§ 5º Excluem-se da base de cálculo do imposto as dívidas do falecido, desde que sejam devidamente comprovadas a origem, autenticidade e preexistência à morte.
§ 6º Na doação com reserva de usufruto, a base de cálculo será igual a 100% (cem por cento) do valor de mercado do bem.
§ 7º Na instituição do usufruto, a base de cálculo será igual a 50% (cinquenta por cento) do valor de mercado do bem, correspondendo o valor restante a propriedade separada do usufruto.
§ 8º Na doação da nua-propriedade para o usufrutuário do mesmo bem, a base de cálculo será igual a 50% (cinquenta por cento) do valor de mercado do bem, correspondendo o valor restante ao usufruto separado da propriedade.
§ 9º Na doação da nua-propriedade para terceiros, a base de cálculo será igual a 100% (cem por cento) do valor da mercadoria ou do bem.
§ 10. Na hipótese de sucessivas doações entre os mesmos doadores e donatários, serão consideradas todas as transmissões realizadas a esse título, dentro de cada exercício civil, devendo o imposto ser recalculado a cada nova doação, adicionando-se a cada nova base de cálculo os valores dos bens anteriormente transmitidos, deduzindo-se os valores dos impostos recolhidos anteriormente em cada exercício civil.
§ 11. Para a apuração da base de cálculo, poderá ser exigida a apresentação da declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda ou outra que se fizer necessária, conforme disposto em regulamento.”
Nessa seara, o Código Tributário Nacional (CTN) também adota como base de cálculo do ITCMD como sendo “(..) o valor venal dos bens ou direitos transmitidos” (art. 38 do CTN). 
Finalidade e competência de arrecadação
O imposto de transmissão Causa Mortis e Doação encontra previsão constitucional do art. 155 da Carta Magna, cabendo aos Estados e ao Distrito Federal instituí-lo. A respeito de sua finalidade, o ITCMD tem natureza fiscal, ou seja, é um imposto com finalidade eminentemente arrecadatória, sendo assim, os valores arrecadados servirão para custear as despesas públicas. O ITCMD, de acordo com a Constituição Federal, está adstrito às transmissões de quaisquer bens ou direitos a título gratuito, a saber: causa mortis e doação. 
No que concerne a competência para a cobrança do ITCMD, importa nos atentar para as previsões constitucionais diante de cada caso em concreto, uma vez que a Carta Maior criou regras de fixação de competência diferentes de acordo com a natureza do objeto da transmissão. Quando se tratar de bem imóvel, o art. 155, §1º, I afirma que relativamente a bens imóveis e respectivos direitos, compete ao Estado da situação do bem, ou ao Distrito Federal, ou seja, se um imóvel está localizado em uma cidade da Paraíba e tem sua propriedade transferida em virtude de sucessão causa mortis ou de doação, não importa onde foi processado o inventário ou arrolamento ou onde estão domiciliados doador e donatário. O ITCMD pertencerá ao Estado da Paraíba. 
Quando se tratar de bem móvel, o art. 155, §1º, II trará duas possibilidades a depender da espécie de transmissão. Caso seja uma transmissão de bem móvel em decorrência de sucessão causa mortis compete ao Distrito Federal ou o Estado onde se processar o inventário ou arrolamento. Por outro lado, caso a transmissão seja em decorrência de doação será competente o Distrito Federal ou o Estado em que tiver domicílio o doador. Assim sendo, se uma pessoa falece e o seu inventário é processado no Estado da Paraíba, a Paraíba caberá a competência de cobrar o ITCMD, mesmo que o inventário seja relativo a bens localizados em Santa Catarina. Do mesmo modo, se alguém em Campina Grande/PB doa títulos e créditos a uma pessoa domiciliada em Santa Catarina o ITCMD pertencerá ao Estado da Paraíba.
Nos casos em que o doador tiver domicílio ou residência no exterior, ou ainda, nos casos em que o de cujus possuía bens, era residente ou domiciliado ou teve o seu inventário processado no exterior a Constituição prevê no art. 153, 1§º, III que a competência para a instituição será regulada por lei complementar. Entretanto, tal Lei ainda não foi criada, desse modo, os Estados se utilizam da permissão constitucional do 24, §3º o qual afirma que inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades.
Em decorrência disso, o que se tem feito na prática é que cada Estado declara-se competente para cobrar o ITCMD quando no seu território residem ou são domiciliados o donatário - caso de doador domiciliado ou residente no exterior - ou os sucessores - caso de inventário ou arrolamento processado no exterior.
Alíquota e contribuintes
Conforme redação do art. 155, § 1º, IV, da CF, caberá ao Senado Federal, por meio de resolução, fixar apenas as alíquotas máximas do ITCMD. Por meio da Resolução 09/1992, o Senado fixou em 8% a alíquota máxima do tributo. Ou seja, cada estado deverá editar a sua lei ordinária estadual dispondo sobre o valor da sua alíquota de ITCMD desde que respeitado o teto máximo de 8%. O STF, em sede de recurso extraordinário, fixou o entendimento de que não pode o Estado ou o Distrito Federal editar lei vinculando a alíquota do seu ITCMD à alíquota máxima fixada pelo Senado, de forma que, se o Estado quer manter sua alíquota no limite máximo fixado pelo Senado, deve, a cada alteração levada a cabo por este, editar nova lei estadual fixando especificamentea alíquota (RE 218.086-AgR, Rel. Min. Sydney Sanches, DJ 17.03.2000).
Além disso, o STF declarou constitucional a possibilidade de cobrança progressiva ITCMD (RE 562.045) baseado no princípio da capacidade econômica previsto no artigo 145, § 1º, da CF. Os votos vencedores pautaram-se na ideia de que o art. 145, § 1º, da CF faz alusão ao "caráter pessoal” dos impostos, não distinguindo impostos pessoais de impostos reais. Daí se defender, segundo estes últimos, que todos os impostos – mesmo os que não tivessem o indigitado “caráter pessoal” – acabavam guardando relação com a capacidade contributiva do sujeito passivo.
Conforme o art. 42 do Código Tributário Nacional, o contribuinte poderá ser qualquer das partes dispostas na lei estadual. No entanto, ao analisar o fato gerador da exação é possível perceber alguns contribuintes do ITCMD. Visto que contribuinte é aquele que tem relação direta com a ocorrência do fato gerador (art. 121, § único, I do CTN) nesse sentido, podem ser contribuintes do ITCMD:
a) na transmissão “causa mortis”: o herdeiro ou o legatário;
b) no fideicomisso: o fiduciário;
c) na doação: o doador ou o donatário;
d) na cessão de herança ou de bem ou direito a título não oneroso: o cessionário.
Ao legislador estadual é concedida a faculdade de eleger o responsável tributário, que tem relação indireta com a ocorrência do fato gerador mediante atribuição legal (art. 121, § único, II do CTN). Ocorre que nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente (art. 134 do CTN) com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis:
I – o tabelião, escrivão e demais serventuários de ofício, em relação aos atos tributáveis praticados por eles ou perante eles, em razão de seu ofício;
II – a empresa, instituição financeira e bancária e todo aquele a quem couber a responsabilidade do registro ou a prática de ato que implique na transmissão de bem móvel ou imóvel e respectivo direito ou ação;
III – o doador, o cedente de bem ou direito, e, no caso do parágrafo único do artigo anterior, o donatário;
IV – qualquer pessoa física ou jurídica que detiver o bem transmitido ou estiver na sua posse, na forma desta lei;
V – os pais, pelos tributos devidos pelos seus filhos menores;
VI – os tutores e curadores, pelos tributos devidos pelos seus tutelados ou curatelados;
VII – os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes;
VIII – o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio.
REFERÊNCIAS
ALEXANDRE, Ricardo. Direito tributário esquematizado – 10. ed. rev., atual. e ampl. – São Paulo: MÉTODO, 2016.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2022]. 
BRASIL. Lei Nº 5.172, de 25 de Outubro de 1966. Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5172compilado.htm. Acesso em: 04 jul. 2022. 
LUKIC, Melina de Souza Rocha; MONTENEGRO, Matheus Reis e. Tributos em espécie. FGV DIREITO, RIO, 2017. Disponível em: https://www.passeidireto.com/lista/107017779-d-tributario/arquivo/41193053-apostila-fgv-tributos-em-especie Acesso em: 04 jul 2022. 
https://blog.contaazul.com/glossario/icms-imposto-sobre-circulacao-de-mercadorias-e-servicos/ > Acesso em 02 de julho de 2022.
https://youtu.be/q6UBJP15WXA > Acesso em 02 de Julho de 2022.
https://youtu.be/fsmRmouShSE > Acesso em 02 de Julho de 2022.
https://www.contabilizei.com.br/contabilidade-online/icms/> Acesso em 02 de Julho de 2022.
https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/2020/06/26/em-que-estado-deve-ser-recolhido-o-ipva/ > Acesso em: 03 jul de 2022
https://www.jota.info/tributos-e-empresas/tributario/ipva-entenda-como-e-cobrado-e-calculado-13052021 > Acesso em: 03 jul de 2022
SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário – 8. ed. – São Paulo: SARAIVA, 2016.
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