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Criminologia- IELLY e LARISSA

Trabalho acadêmico sobre superlotação carcerária que analisa a teoria do etiquetamento e reflexos da teoria lombrosiana. Discute atuação policial, seletividade por classe, raça e escolaridade, reinserção laboral, reincidência e estigmatização social.

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IELLY RUAMA DA SILVA BARROS- 201751090418
LARISSA WANESSA PEREIRA BRAINER- 201751169014
A superlotação do sistema carcerário e a influência da Teoria do etiquetamento e reflexos da Teoria Lombrosiana
Profundamente associada à teoria da seletividade do sistema penal, a teoria do etiquetamento social também é chamada de labeling approach, rotulacionismo ou teoria da reação social. A teoria consiste no estudo da formação da identidade desviante, a partir dos fatores que para ela contribuem, tais como as condições de classe, raça e escolaridade de quem infringe o ordenamento, as quais o fazem, desde logo, visado pelo aparato estatal, de forma a receber tratamento diferenciado por parte das agências de controle. Ademais, a teoria engloba a reação social em relação a esse desvio e ao processamento criminal dele, e ao indivíduo que o pratica, bem como a influência que ela possui sobre este e sobre a sua probabilidade de reincidência. Contudo, antes mesmo de analisar a teoria do etiquetamento na superlotação do sistema carcerário, temos que analisar um pouco antes, até porque é pelas operações policiais que se inicia o superlotamento já que eles que prendem as pessoas que futuramente serão encarceradas.
Começando pelas operações policiais e de sua atuação como um todo, é extremamente evidente a incidência da teoria do etiquetamento, haja vista que em todas elas um dos atores estatais acreditou possuir um indivíduo “cara de bandido”, por conta de suas vestimentas e linguajar, ou “estar em atitude suspeita” por sua forma de caminhar e se portar, por exemplo. Como se não bastasse adiciona-se, ainda, o elemento cor, que é incremento para as duas caracterizações. Destaca-se que desde a fase da operação policial até o encarceramento todas as características utilizadas para restringir a liberdade de certas pessoas são típicas de pessoas socioeconomicamente marginalizadas. Isso considerando que, em primeiro lugar, a baixa condição social do indivíduo lhe ocasionou um baixo nível de escolaridade, o que, por si só, já diminui suas chances de êxito no mercado de trabalho, e pode configurar-se como um estímulo a buscar no cometimento de crimes patrimoniais e tráfico de drogas uma resposta ao desemprego.
No decorrer das fases processuais, ainda é notável a teoria do etiquetamento, especialmente na concessão ou não de liberdade provisória, pedido de condenação ou absolvição, a própria sentença e o veredito de um júri, pois os requisitos impostos, muitas das vezes, acaba por não dar espaço para um determinado grupo de pessoas conseguir preenchê-los. 
Quanto a condenação e encarceramento há o direcionamento a grupos específicos, determinados por sua classe e cor. Os tipos de delito que mais intensamente prendem no país são uma representação mais generalizada de seletividade e etiquetamento, já que estão ligados, principalmente, à classe social de seus praticantes – tradicionalmente baixa. Há a mesma relação com a escolaridade: ela é mais um demonstrativo de pobreza. Num recorte mais estreito, tem se o encarceramento em termos de raça, que inexoravelmente remete ao período escravocrata e ao racismo.
 Diante disso, entendemos que a causa da superloatação não é apenas o primeiro ingresso no sistema penitenciário, mas somado a isso a reincidência já que a passagem pelo sistema penitenciário, por si só – tratando de pessoas submetidas, definitivamente ou cautelarmente, à pena privativa de liberdade –, diminui significativamente a chance de reinserção do preso no mercado de trabalho. Não é como se se anulassem as possibilidades, mas se tornará mais difícil para ele ser contratado, enquanto, dentre as perspectivas de contratação subsistentes, verificar-se-ão, cada vez mais, cargos socialmente desprestigiados e, por essa razão, de baixa remuneração.
Ademais, durante o tempo em que passou encarcerado, esse indivíduo não estava laborando, ou seja, exercendo trabalho produtivo, ou estudando. Logo, ao ser liberado do cárcere, o indivíduo se encontrará nas mesmas ou em condições ainda piores do que quando o adentrou, em termos de trabalho e estudo, importantes ferramentas de ressocialização e ascensão social. Como consequência, o indivíduo se vê, por conta da rentabilidade, verdadeiramente estimulado a voltar a delinquir. O sistema penal retroalimenta os processos de encarceramento, exercendo uma força centrípeta perante indivíduos estigmatizados, até porque existem algumas consequências práticas do etiquetamento social para além do sistema penal são o tratamento diferenciado que os etiquetados recebem em seu dia-dia. É comum que pessoas atravessem a rua, acelerem o passo, sentem-se afastadas em locais públicos e, ainda mais gravemente, acionem a força policial por pura desconfiança de que aquela pessoa poderia, de alguma maneira, tornar-lhe vítima de um crime.
Por fim, vale ressaltar que a tese de Cesare Lombroso se mantém muito firme, apesar de não ser mais atrelada a deformações físicas específicas de um criminoso nato e nem bem aceita no meio forense, em decorrência de seus reflexos que criaram uma cultura de se estudar o criminoso como um ser humano complexo, onde seus aspectos físico-biológicos e mentais determinariam suas atitudes. Dessa forma, o enfoque no estudo do crime passa a não se atentar a aspectos como a desigualdade social, desigualdade de oportunidades, falta de recursos de saúde e educação e o não acesso a moradia. Em consequência desse fato, se criaram fortes raízes eugênicas e preconceituosas ao redor dos estudos dos crimes e dos criminosos. Tais raízes atingiram agressivamente as minorias em situação de risco no Brasil, enquadrando os no perfil do “delinquente brasileiro”, sendo esses homens e mulheres negras, homossexuais e moradores de comunidades formadas pela urbanização excludente. Dessa forma, percebe-se que os estudos positivistas de Lombroso foram responsáveis pela criação de controles sociais agressivos contra a população marginalizada pois essa seria, de acordo com o senso comum e as leis jurídicas, a que mais poderia trazer riscos aos bens e a ordem da sociedade. Com isso, milhares de pobres, negros e homossexuais foram etiquetados com o termo “marginais”.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
https://www.monografias.ufop.br/bitstream/35400000/2399/7/MONOGRAFIA_SistemaCarcer%c3%a1rioBrasileiro.pdf
file:///C:/Users/ielly/Downloads/681-Texto%20do%20artigo-642-1312-10-20190607.pdf

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