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Endodontia

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DISCIPLINA DE ENDODONTIA 
 
Prof. Titular ROBERTO HOLLAND 
Prof. Titular VALDIR DE SOUZA 
Prof. Adj. PEDRO FELÍCIO ESTRADA BERNABÉ 
Prof. Ass. DR. MAURO JUVENAL NERY 
Prof. Ass. DR. JOSÉ ARLINDO OTOBONI FILHO 
Prof. Ass. ELOI DEZAN JUNIOR 
 
 
 
 
 
 
 
UNESP - ARAÇATUBA 
2000 
SUMÁRIO 
 
 
 
página 
I. ABERTURA CORONÁRIA 
II. PREPARO BIOMECÂNICO DOS CANAIS RADICULARES 
III. IRRIGAÇÃO DOS CANAIS RADICULARES 
IV. CURATIVO DE DEMORA 
V. OBTURAÇÃO DOS CANAIS RADICULARES 
VI. TRATAMENTO CONSERVADOR DA POLPA DENTÁRIA 
VII. PROCESSO DE REPAOR APÓS TRATAMENTO ENDODÔNTICO 
VIII. ISOLAMENTO DO CAMPO OPERATÓRIO 
IX. RADIOLOGIA EM ENDODONTIA 
 
“APOSTILA DE ENDODONTIA - UNESP - ARAÇATUBA” 
HOLLAND,R. SOUZA, V., BERNABÉ, P.F.E., NERY, M. J., OTOBONI FILHO,,J.A., DEZAN Jr., E.. 
ABERTURA CORONÁRIA I-1
I- ABERTURAS CORONÁRIAS 
 
 
I - INTRODUÇÃO 
 
O campo de trabalho do endodontista é a cavidade pulpar. Durante 
um tratamento de canal radicular, este campo é visualizado apenas parcialmente. 
Para compensar esta falta de visão direta do campo onde vai atuar, o endodontista 
conta com um excelente meio auxiliar que é a radiografia. Aliado à radiografia, é 
requisito indispensável ao operador o perfeito conhecimento da anatomia interna 
dos dentes, tanto dos aspectos normais como das variações mais freqüentes. 
Antes de descrevermos a técnica da abertura coronária, vejamos de 
uma maneira muito sucinta alguns aspectos e conceitos da cavidade pulpar. 
 
A - FORMA DA CAVIDADE PULPAR - a cavidade pulpar é a 
cavidade existente no interior dos dentes. Em um dente íntegro, o formato por ela 
apresentado lembra a forma exterior do mesmo. Didaticamente, divide-se a 
cavidade pulpar em câmara pulpar e canal radicular3. 
 
1 - Câmara pulpar: está situada no interior da coroa dentária, é única 
e se comunica com o exterior do dente através dos canais radiculares. Ela é 
limitada por seis paredes: vestibular, lingual, medial, distal, oclusal e cervical. A 
parede oclusal é denominada de teto da câmara pulpar e a parede cervical de 
assoalho. 
Num dente anterior, devido a convergência das paredes vestibular e 
lingual, o teto se reduz a uma simples aresta; contudo, os dentes posteriores 
exibem um nítido teto pulpar, contendo reentrâncias em correspondência às 
cúspides (cornos pulpares). 
Os dentes monorradiculados não apresentam assoalho pulpar nítido, 
porque a câmara pulpar continua-se com o canal radicular; por este motivo, 
convencionou-se situá-lo ao nível do colo anatômico do dente. Por outro lado, nos 
dentes bi e multirradiculados é possível evidenciar um assoalho bem caracterizado. 
Nos pré-molares com dois canais, o assoalho normalmente é representado por 
uma fenda que se estende de um canal ao outro. 
2 - Canal radicular: o canal radicular começa no assoalho da câmara 
pulpar e se prolonga por toda a raiz do dente, abrindo-se na região apical por um 
orifício denominado forame apical. Às vezes, as ramificações que podem ocorrer 
na porção terminal do canal, implicam na substituição do forame único por vários 
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ABERTURA CORONÁRIA I-2
forames, determinando o aparecimento do chamado delta apical ou foramina 
apical. 
Seccionando-se um dente longitudinalmente, podemos observar que 
as paredes do canal radicular são constituídas, em sua quase totalidade, de 
dentina, exceção feita à porção mais apical, onde a dentina é substituída pelo 
cemento. Normalmente, o limite canal-dentina-cemento está situado de 0.5 mm a 
3/4 de mm aquém do ápice radicular1,6. 
Quanto ao número de canais, normalmente encontramos um único 
canal para cada raiz. Nos molares inferiores, contudo, a raiz medial comumente 
apresenta dois canais em toda a extensão do segmento radicular. De maneira 
semelhante, a raiz mésio-vestibular do primeiro molar superior também apresenta 
dois canais, numa freqüência superior a 50% dos casos2,5,9,10. 
No que se refere à luz do canal da raiz, sabe-se que em um dente 
adulto, o seu diâmetro diminui à medida que se aproxima do limite cdc. A partir 
deste ponto, o diâmetro pode permanecer uniforme, chegando às vezes, aumentar 
à medida que se aproxima do ápice radicular. Em dentes jovens, onde a 
rizogênese não se completou, as paredes do canal podem se apresentar paralelas 
ou mesmo divergentes em direção apical. 
 
B - VOLUME DA CAVIDADE PULPAR - nos dentes jovens, a 
cavidade pulpar apresenta-se, com cornos pulpares bastante pronunciados e 
canais radiculares amplos, permitindo fácil acesso aos instrumentos endodônticos. 
Conclui-se, portanto, que o tratamento de canais em dentes jovens é mais simples, 
devido à facilidade de acesso e localização da câmara e canais radiculares. 
Por outro lado, com o avançar da idade, devido à deposição contínua 
de dentina em todas as paredes da cavidade pulpar, ocorre uma diminuição do seu 
volume sem, contudo, alterar a sua forma. Portanto, quanto mais idoso for o 
paciente, maiores dificuldades encontraremos no acesso e localização da câmara 
pulpar e canais radiculares. 
Outros fatores importantes que devem ser levados em consideração, 
quando vamos realizar um tratamento endodôntico, são as alterações morfológicas 
produzidas pela cárie, abrasão, etc... Quando um dente é atacado por uma lesão 
cariosa, verifica-se a deposição de dentina secundária ou reacional, para 
compensar a perda de tecido duro. Esta deposição é feita no interior da câmara 
pulpar, na porção correspondente à abertura dos canalículos dentinários 
comprometidos pela lesão cariosa. consequentemente, ocorrerá uma diminuição do 
volume da câmara pulpar, acompanhada de alteração na forma da mesma. 
Portanto, quando vamos intervir endodonticamente, em um dente que apresenta 
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lesão cariosa, ou mesmo já restaurado, deveremos redobrar os cuidados, para que 
a abordagem à câmara pulpar possa ser conseguida de modo adequado. 
 
 
II - ABERTURAS CORONÁRIAS 
 
O tratamento endodôntico radical, ou seja, o tratamento do canal do 
dente, apresenta várias fases distintas, tais como: abertura coronária, 
odontometria, pulpectomia, biomecânica e obturação. O êxito final do tratamento 
está na dependência da execução correta de todas estas fases. Qualquer falha 
que ocorra em uma delas, poderá levar o tratamento ao fracasso. Assim sendo, é 
forçoso admitirmos que o êxito no tratamento inicia-se com uma abertura coronária 
correta, pois, é em função dela que os demais passos poderão ser realizados 
eficazmente. 
Antes de iniciarmos a abertura coronária deveremos realizar um bom 
exame clínico e radiográfico do dente a ser tratado. Estes dois exames nos 
orientarão sobre o volume da cavidade pulpar, possíveis alterações em sua forma 
e, às vezes, trajetória e número de canais. Uma boa radiografia, acompanhada de 
um bom exame clínico, poderão contra-indicar um tratamento de canal, desde que 
eles tornem evidentes a impossibilidade de se conseguir acesso em toda a 
extensão do canal radicular de um dente que não permita a complementação 
cirúrgica do tratamento. 
A radiografia auxilia, ainda, a constatar a direção do longo eixo do 
dente. Este detalhe é importante principalmente nos casos em que ocorre 
mesialização ou distalização da coroa do dente, onde a possibilidade de 
trepanação coronária é maior (Fig. 4-1). 
Constatada a viabilidade da realização do tratamento endodôntico, 
antes de iniciarmos a abertura coronária é de suma importância que se proceda o 
preparo inicial do dente. Este preparo consiste na remoção de todo tecido cariado, 
sem se preocupar com a forma da cavidade,