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Tutela Provisória no CPC - RESUMO

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1. DOUTRINA (RESUMO) 
1.1. DA TUTELA PROVISÓRIA 
1.1.1. DISPOSIÇÕES GERAIS 
 
A Tutela Provisória é aquela proferida mediante cognição sumária, isto é, o juiz, ao concedê-la, ainda não tem acesso a todos os elementos de convicção a respeito da controvérsia jurídica. A concessão da tutela provisória é fundada em juízo de probabilidade, pois é concedida sem o juiz ter a certeza da existência do direito da parte, mas em uma aparência de que este direito exista. É provisória por ter sua validade e eficácia determinada e subordinada ao provimento jurisdicional final. A tutela provisória será substituída por uma tutela definitiva, que a confirmará, revogará ou modificará. 
O legislador criou um sistema de tutela provisória que contém duas espécies: 
 
· Tutela de Urgência: é aquela que resolve uma crise de perigo. Portanto, só será concedida nos casos em que a espera da tutela jurisdicional definitiva puder tornar ineficaz o direito pretendido. 
Desse modo, é imprescindível para a sua concessão a comprovação do periculum in mora. Esta se divide em duas subespécies: Tutela cautelar e Tutela antecipada. 
	- Tutela da Evidência: Antecipa a satisfação do direito, independentemente de eventual perigo ocasionado pelo decurso do tempo, em razão da evidência do direito alegado pela parte. 
	 
 
Tutela 
Provisória
Urgência
Antecipada
Cautelar
Evidência
 
 
Art. 294. A tutela provisória pode fundamentar-se em urgência ou evidência. 
 
· Tutela de Urgência Antecipada: antecipa a satisfação fática do direito tutelado no processo. 
· Tutela de Urgência Cautelar: assegura o resultado útil e eficaz do processo por mecanismos de acautelamento do direito. 
 
Parágrafo único. A tutela provisória de urgência, cautelar ou antecipada, pode ser concedida em caráter antecedente ou incidental. 
 
O NCPC aproximou as duas espécies de tutela de urgência (antecipada e cautelar). Por outro lado, observa-se que o Parágrafo único do art. 294 excluiu a possibilidade de a tutela de evidência ser concedida de forma antecedente. 
Por se tratar de uma tutela provisória satisfativa, a tutela de evidência se aproxima da tutela antecipada, sendo a única diferença entre elas os requisitos para sua concessão, razão pela qual esta exclusão vem sendo objeto de crítica por parte de alguns doutrinadores. 
Não obstante esta discussão, cabe observar que qualquer espécie de tutela provisória (de urgência ou de evidência) pode ser concedida incidentalmente, de maneira que, já estando em trâmite um processo de conhecimento ou execução, basta à parte apresentar petição devidamente fundamentada pleiteando a concessão da tutela provisória no caso concreto. Nesta hipótese, o NCPC dispensa o pagamento de custas: 
 
Art. 295. A tutela provisória requerida em caráter incidental independe do pagamento de custas. 
	 	
Obviamente, o pedido de tutela provisória (de urgência – cautelar ou 
antecipada – ou de evidência) também pode ser feito como tópico da petição inicial. 
 
ATENÇÃO! Para fins do presente estudo, devemos ter em mente que a tutela provisória pode ser requerida: 
a) COMO TÓPICO DA PETIÇÃO INICIAL – é o mais comum. A parte expõe todos os seus fundamentos fáticos e jurídicos e requer, de uma só vez, a procedência de todos os seus pedidos (por exemplo: dano material, dano moral, obrigação de fazer, etc.), bem como a concessão da tutela provisória. 
b) EM CARÁTER ANTECEDENTE – neste caso, conforme visto, somente a tutela provisória de urgência (cautelar ou antecipada) pode ser requerida em caráter antecedente, nos termos do artigo 294, Parágrafo único do NCPC. 
O procedimento da tutela provisória de urgência ANTECIPADA requerida em caráter antecedente está previsto nos artigos 303 e 304 do NCPC. Aqui, o autor não faz uma petição inicial completa, requerendo todos os pedidos, mas sim, limita-se a requerimento da tutela de urgência pretendida, deixando para um momento seguinte a complementação da sua petição inicial com a exposição de todos os fatos e fundamentos jurídicos (art. 303, I, do NCPC), conforme será visto adiante. 
O procedimento da tutela provisória de urgência CAUTELAR requerida em caráter antecedente está previsto nos artigos 305 a 310 do NCPC. Nesta situação, o autor também não faz uma petição inicial completa, requerendo todos os pedidos (de dano material, moral, etc.), mas sim, limita-se a expor a lide e o seu fundamento jurídico, objetivando assegurar o resultado útil de um futuro pedido principal (art. 305 do NCPC). Ou seja, o autor quer apenas assegurar que, caso vencedor, o direito pretendido ainda exista. Em outras palavras, o autor não quer o direito imediatamente, como ocorre nas tutelas de urgência antecipada e na tutela de evidência, mas apenas proteger este direito para que, caso venha a ser vencedor no “processo principal” (não se trata mais de um novo processo, mas sim de um mero pedido nos mesmos autos – art. 308 do NCPC), o direito em disputa ainda lhe possa ser útil. 
c) EM CARÁTER INCIDENTAL – nesta hipótese, já existe um processo em trâmite e a parte formula o requerimento de concessão de tutela provisória (seja ela de urgência – cautelar ou antecipada – ou de evidência) por uma simples petição nos autos. 
Nos termos do ENUNCIADO 163 do FONAJE, os procedimentos de tutela de urgência requeridos EM CARÁTER ANTECEDENTE, na forma prevista nos arts. 303 a 310 do CPC/2015, são INCOMPATÍVEIS com o Sistema dos Juizados Especiais. 
 
1.1.1.1. Efetivação da tutela provisória 
 
Art. 297. O juiz poderá determinar as medidas que considerar adequadas para efetivação da tutela provisória. 
	Parágrafo único. A efetivação da tutela provisória observará as normas referentes ao cumprimento provisório da sentença, no que couber. 
	
 
A doutrina entende que o termo “efetivação”, utilizado no “caput” do artigo 297, tem o significado de que a tutela provisória não dependerá de processo autônomo para sua efetivação, desenvolvendo-se por mera fase procedimental. Ademais, cabe salientar que o artigo disposto acima estabelece a atipicidade dos meios executivos da tutela provisória, cabendo ao juiz determinar a medida necessária para que a tutela seja efetivada. 
Conforme estabelecido no parágrafo único desse dispositivo, a efetivação segue as normas referentes ao cumprimento de sentença, no que couber. O uso da expressão “no que couber” permite ao juiz dispensar, na efetivação da tutela provisória, as medidas que julgar contraproducentes à efetivação da medida, a exemplo da dispensa da caução em hipóteses não previstas para a execução provisória de decisão proferida por meio de cognição exauriente (art. 520, IV, do NCPC). 
 
1.1.1.2. Provisoriedade 
 
Art. 296. A tutela provisória conserva sua eficácia na pendência do processo, mas pode, a qualquer tempo, ser revogada ou modificada. 
Parágrafo único. Salvo decisão judicial em contrário, a tutela provisória conservará a eficácia durante o período de suspensão do processo. 
 
Conforme estabelece o “caput” do artigo 296, a tutela provisória pode ser, a qualquer tempo, modificada ou revogada. 
A tutela provisória concedida antecedentemente exige do autor o aditamento de sua petição inicial para converter o pedido de tutela provisória em processo principal, nos termos do artigo 303, §1º, I, do NCPC. Pode, também, a tutela provisória ser concedida incidentalmente. 
Em ambos os casos, a tutela provisória deverá ser confirmada, modificada ou reformada pela decisão concessiva da tutela definitiva. Portanto, deverá ser confirmada ou rejeitada pela sentença, desde que não haja decisão anterior que a tenha revogado, nos termos do art. 296, caput, do CPC. 
 
ATENÇÃO! Além de confirmar ou revogar, a sentença poderá CONCEDER a tutela de urgência, conforme entendimento jurisprudencial: Informativo nº 0180. Período: 18 a 22 de agosto de 2003. TERCEIRA TURMA ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. DEFERIMENTO. Este Superior Tribunal tem admitido que o deferimento da tutela antecipada por ocasião da sentença não viola o art. 273 do CPC (referência feita ao CPC/73). Com esse Min. Carlos Alberto Menezes Direito, julgado