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Procedimento comum no CPC e petição inicial

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1. DOUTRINA (RESUMO) 
1.1. DO PROCEDIMENTO COMUM 
1.1.1. DISPOSIÇÕES GERAIS 
 
O novo Código de Processo Civil encerra a divisão do procedimento comum em ordinário e sumário, passando a prever apenas um procedimento padrão denominado de procedimento comum. Contudo, é importante observar o teor do art. 1046, § 1º, do CPC/2015, que determina a aplicação das disposições do código anterior, relativas ao procedimento sumário, às ações propostas e não sentenciadas até o início da vigência deste Código. 
Para consecução de seu objetivo, o procedimento comum desdobra-se em quatro fases: a postulatória, a de saneamento, a instrutória e a decisória. Estas fases, na prática, nem sempre se mostram nitidamente separadas, e às vezes se interpenetram. 
 
a) Fase Postulatória: tem início com a petição inicial, passa pela resposta do réu e, eventualmente, pela réplica ou impugnação do autor à defesa do demandado. 
	b) Fase de Saneamento: compreende, essa fase, as diligências de emenda ou complementação da inicial (NCPC, art. 321), as “providências preliminares” (arts. 347 a 353) e o “saneamento do processo” (art. 357). 
	
c) Fase Instrutória: saneado o processo, porém, surge um momento em que os atos processuais são preponderantemente probatórios: é o da realização das perícias e o da primeira parte da audiência de instrução e julgamento, destinada ao recolhimento dos depoimentos das partes e testemunhas. 
d) Fase Decisória: é a que se destina à prolação da sentença de mérito. 
 
Cumpre ressaltar que, eventualmente, podem-se agregar 02 outras fases: a de liquidação, quando a sentença condenatória se apresentar como genérica ou ilíquida (arts. 509 a 512), e a satisfativa, quando houver necessidade de promover o cumprimento forçado do comando sentencial (arts. 513 a 538). 
 
ATENÇÃO: Subsidiariedade 
O procedimento comum se aplica subsidiariamente aos demais procedimentos: 
Art. 318. Aplica-se a todas as causas o procedimento comum, salvo disposição em contrário deste Código ou de lei. 
Parágrafo único. O procedimento comum aplica-se subsidiariamente aos demais procedimentos especiais e ao processo de execução. 
 
1.2. PETIÇÃO INICIAL 
a) Conceito 
 
A petição inicial é o ato pelo qual o autor materializa o exercício do seu direito de ação, o qual é requerido contra o Estado, a fim de que este promova a prestação jurisdicional, apresentando uma resposta acerca do conflito que lhe tenha sido submetido a exame. 
 
b) Funções 
 
A petição inicial tem duas funções: b.1) instaurar (iniciar) o processo; e b.2) identificar a demanda em decorrência da necessidade de menção às partes, ao pedido e à causa de pedir. 
 
c) Efeitos da Petição Inicial 
 
c.1) permite a aplicação do princípio da congruência, indicando os limites objetivos e subjetivos da sentença (art. 492 do Novo CPC); 
c.2) permite a verificação de eventual litispendência, coisa julgada ou conexão, quando comparada com outras ações; 
c.3) fornece elementos para a fixação da competência; 
c.4) indica, desde logo, ao juiz, a eventual ausência de alguma das condições da ação; e 
c.5) pode vir a influenciar na determinação do procedimento. 
 
d) Requisitos da petição inicial 
 
É importante salientar que a Petição Inicial é considerada como ato processual solene, exigindo, portanto, o cumprimento de alguns requisitos. A ausência de qualquer dos requisitos pode gerar uma nulidade sanável ou insanável, sendo na primeira hipótese, caso de emenda da petição inicial e, na segunda, de indeferimento liminar de tal peça. 
Os requisitos da inicial encontram-se previstos no art. 319 do NCPC, e são os 
seguintes: 
 
Art. 319. A petição inicial indicará: 
I - o juízo a que é dirigida; 
 
A indicação jamais será pessoal, mesmo que se saiba quem será o juiz do processo. A indicação deve ser do juízo. Entretanto, a indicação pessoal constitui mera irregularidade quando houver também a indicação do juízo. 
 
Art. 319. A petição inicial indicará: 
II - os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a profissão, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do réu; 
 
Estes elementos irão permitir a citação do réu e a individualização dos sujeitos 
processuais parciais. 
 
Art. 319. §1º - Caso não disponha das informações previstas no inciso II, poderá o autor, na petição inicial, requerer ao juiz diligências necessárias a sua obtenção. 
§2º - A petição inicial NÃO será indeferida se, a despeito da falta de informações a que se refere o inciso II, for possível a citação do réu. 
	§3º - A petição inicial não será indeferida pelo não atendimento ao disposto no inciso II deste artigo se a obtenção de tais informações tornar impossível ou excessivamente oneroso o acesso à justiça. 
	
 
ATENÇÃO! Conforme visto pela redação do §2º do artigo 319 do NCPC, a petição inicial 
NÃO será indeferida se, a despeito da falta de informações a que se refere o inciso II, for possível a citação do réu. A compreensão a respeito do tema foi cobrada pela CEBRASPE/CESPE NO CONCURSO DA MAGISTRATURA DO ESTADO DA BAHIA NO ANO DE 2019, tendo a banca examinadora considerado correta a seguinte assertiva: “Não lhe sendo possível obter o nome do réu, o autor poderá indicar as características físicas do demandado, o que, se viabilizar a citação deste, não será causa de indeferimento da inicial.”. 
 
III - o fato e os fundamentos jurídicos do pedido; 
 
Trata-se da apresentação fática (causa de pedir próxima) e das consequências jurídicas que o autor pretende que tais fatos tenham no caso concreto (causa de pedir remota). 
 
Art. 319. A petição inicial indicará: 
IV - o pedido, com as suas especificações; 
 
A questão do “pedido” será melhor analisada abaixo, num tópico próprio. 
 
Art. 319. A petição inicial indicará: 
V - o valor da causa; 
VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados; 
 
Segundo o STJ, “o requerimento de provas é dividido em duas fases, a primeira de protesto genérico por produção de provas feito na petição inicial e, posteriormente, o de especificação de provas” (AgInt no AREsp 909416 / GO). 
 
Art. 319. A petição inicial indicará: 
VII - a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação. 
 
	Mesmo não havendo qualquer manifestação de vontade do autor no sentido de realizar a audiência de conciliação ou de mediação, a doutrina entende que NÃO é caso de irregularidade da petição inicial e tampouco de hipótese de emenda da petição inicial. 
	 
A realização da audiência de conciliação e de mediação é o procedimento regular, cabendo às partes se manifestarem contra sua realização, de forma que, sendo omissa a petição inicial, compreende-se que o autor NÃO se recusou a participar da audiência, que, assim sendo, será regularmente realizada, conforme dispõe o artigo 334, 
§4º, do Novo CPC. 
 
ATENÇÃO! A compreensão do tema foi cobrada pela Vunesp no concurso da magistratura do estado de são Paulo do ano de 2017, tendo a banca examinadora considerado correta a seguinte assertiva: “O autor tem o ônus de alegar eventual desinteresse na designação de audiência de conciliação ou mediação, sob pena de ser presumido seu interesse na tentativa de autocomposição.”. 
 
e) Documentos indispensáveis à propositura da ação 
 
Segundo o art. 320 do NCPC, a petição inicial será instruída com os documentos indispensáveis à propositura da ação. Estes NÃO se confundem com aqueles necessários para a vitória do autor, ou seja, necessários à procedência do pedido. Um exemplo de documento indispensável à propositura da ação é a certidão de casamento na ação de divórcio. 
 
Art. 320. A petição inicial será instruída com os documentos indispensáveis à propositura da ação. 
 
Segundo a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, são considerados como documentos indispensáveis à propositura da ação os que dizem respeito às condições da ação ou a pressupostos processuais, bem como os que se vinculam diretamente